DIREITO A MEMÓRIA E A VERDADE
PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA / PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA

15 agosto 2016

O ÚLTIMO ATO DE UM DRAMA HISTÓRICO QUE COMEÇOU HÁ 46 ANOS

Veículos revistados: sem resultados concretos.
"Jogaram a viola no mundo,
mas fui lá no fundo buscar"
(José Carlos Capinam)
Com a chegada às livrarias do livro 1970, a guerra no Vale do Ribeira, no início do mês que vem, estará sendo finalmente revelada a verdade sobre como os órgãos de repressão da ditadura ficaram conhecendo a localização exata da escola de guerrilha da Vanguarda Popular Revolucionária em Jacupiranga (SP), ponto de partida da fracassada Operação Registro, quando mobilizaram quase 3 mil homens para a caçada a um punhado de guerrilheiros e nem assim evitaram que escapasse aquele a quem mais queriam agarrar. 

Sou parte desta história: durante 34 anos me apontaram como o autor da delação. 

Num primeiro momento, em companhia de Massafumi Yoshinaga, como se vê neste manifesto de setembro de 1970. Tal versão não se sustentou pois, embora o nissei houvesse rompido publicamente com a VPR, nada tinha a ver com a queda da área e seu nome estava sendo citado como mera retaliação.
No processo da foto famosa da Dilma...

A minha suposta culpa foi tão propalada entre militantes, simpatizantes e admiradores da esquerda que, quando finalmente deixei os cárceres militares, nada havia a fazer. A imprensa, sob censura, não publicaria a minha versão, nem eu tinha como fazê-la circular nos círculos esquerdistas. 

Então, sob intensa estigmatização, só me restou o caminho do isolamento numa das comunidades alternativas que pululavam então. Alheio às invencionices sobre mim que abundavam lá fora e apoiado por pessoas que acreditavam em mim, superei os traumas e me reconstruí (o Massafumi, coitado, sucumbiu ao linchamento moral, acabando por enlouquecer e se matar).

Cheguei, na segunda metade da década de 1970, a receber proposta de outro agrupamento de esquerda (a VPR fora dizimada e os sobreviventes a dissolveram): divulgaria declarações minhas sobre as torturas que me haviam sido infligidas (no DOI-Codi/RJ quase enfartei e na PE da Vila Militar/RJ sofri lesão permanente), reabilitando-me para que pudesse retomar a militância, em escalão inferior.

O acordo emperrou na minha exigência de contar também que estava sendo feito de bode expiatório no tocante à delação da escola de guerrilha. Era compreensível que quisessem preservar a aura de heroísmo e martírio da VPR, mas eu não estava disposto a passar para a História como o vacilão que destruíra o sonho do comandante Carlos Lamarca. 
...eu era outro dos réus.

Quando a sanha ditatorial arrefeceu e a grande imprensa começou a me procurar, pude enfim denunciar pormenorizadamente as torturas que sofrera, mas os focos das reportagens eram outros e o caso de Jacupiranga não interessou a nenhum veículo. 

Em meados de 1994, o jornalista e escritor Marcelo Paiva imputou-me tal delação, em reportagem que saiu na capa do caderno de Variedades da Folha de S. PauloRetruquei, ele treplicou e encerramos a polêmica com um artigo cada.

Inicialmente, ele repetiu a versão simplificada: eu tinha estado na área, sabia a localização e a revelara ao DOI-Codi.

A minha réplica trouxe informação nova para o público de esquerda: eram duas as áreas. Eu fizera parte da equipe precursora que fora preparar o terreno para a chegada dos aprendizes, mas o sítio adquirido pela VPR fora considerado inadequado, com o trabalho sendo transferido para outro lugar.
Na fase de torturas

Decidida a desocupação da área 1, fui incumbido de criar um serviço de Inteligência no Rio de Janeiro. Isto porque, desconhecendo a localização da área 2, mesmo que fosse preso não colocaria a atividade principal em risco. 

Em 2004, tomei conhecimento de um relatório de operações do II Exército que corroborou totalmente a minha versão, apresentando a seguinte cronologia dos acontecimentos:
  • no dia 16/04/1970 eu revelei ao DOI-Codi/RJ a existência e localização da área 1;
  • no dia 17, o DOI-Codi/SP enviou duas equipes para lá;
  • no dia 18, ambas voltaram para São Paulo trazendo a informação de que a área efetivamente existia, mas estava abandonada, sem atividades guerrilheiras;
  • no mesmo dia 18, a partir de nova prisão efetuada pelo DOI-Codi/RJ, foi descoberta a existência de uma segunda área, esta sim ativa, na mesma região.
Carta do principal historiador da luta armada brasileira, Jacob Gorender, publicada na Folha de S. Paulo, deu-me razão:
"A respeito dessa segunda área, nenhuma responsabilidade cabe a Celso Lungaretti, que ignorava a sua existência. Sua vinculação com o episódio restringiu-se, por conseguinte, à informação sobre a área que sabia desativada, fornecida, segundo afirma, sob tortura irresistível".
Enfim, toda a verdade.
As pessoas mais interessadas e bem informadas passaram a reconhecer a minha inocência. E, repugnando-me o papel de apontar outrem para sofrer estigmatização no meu lugar, preferi manter a coisa no pé em que Gorender a deixou; eu saíra da berlinda e ninguém nela entrou. O nome da pessoa responsável só aparecia na web (num ou noutro artiguete da extrema-direita, que só fanáticos leem).

As emoções, com o tempo, vão sendo substituídas pela reflexão serena. Percebi que tais detalhes eram, na verdade, irrelevantes. Fundamental havia sido a extrema disparidade de forças que nos tangia inexoravelmente para a derrota final, não a forma como cada batalha foi perdida.

É uma ingenuidade acreditar que os bons serão sempre recompensados e os maus castigados, mas foi este primarismo emocional que tornou necessárias válvulas de escape como a busca sôfrega de culpados nos quais concentrar as pedras, uma espécie de catarse face ao inconformismo com um desfecho difícil de engolir. Daí para ser satanizado também quem não era culpado e quem era menos culpado, foi só um passo.

E, tendo passado pelos trituradores de carne da repressão política, jamais me permitirei julgar o comportamento de nenhum prisioneiro político forçado a dizer o que não queria. Mas, o pecado da pessoa cujo ato me foi atribuído por 34 anos é outro: o da total falta de solidariedade para com um companheiro que foi ao inferno no lugar dela. Fraquezas na sala de tortura são compreensíveis, mas não a atitude de alguém que, em segurança e com todo conforto, decidiu que um inocente sofreria no seu lugar.

Sou um homem de princípios: considerei que me cabia apenas o papel de esclarecer a minha participação. Mas, até por senso de justiça, torcia para que toda a verdade acabasse sendo resgatada e exposta.

O ideal, para mim, seria que o fizessem aqueles a quem concerne tal papel: historiadores, jornalistas ou escritores.

Demorou, mas isto acabou ocorrendo. E, curiosamente, por alguém que, parcial ou totalmente, preenchia os três requisitos: Celso Luiz Pinho, um jornalista que escreve livros sobre episódios históricos. (Celso Lungaretti)

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07 agosto 2016

NOVO LIVRO ESCLARECE EPISÓDIOS POLÊMICOS DA CAÇADA AOS GUERRILHEIROS DO LAMARCA EM JACUPIRANGA

No pior momento da ditadura de 1965/85, quando os militares levaram o terrorismo de estado às últimas consequências, a esquerda brasileira respondeu com as três principais modalidades de luta armada que estavam sendo praticadas em situações semelhantes no mundo inteiro:
– a guerrilha urbana, com as expropriações de bancos, a tomada de emissora e colocação de mensagens de protesto no ar, o sequestro de diplomatas para trocá-los por presos políticos, o justiçamento dos piores inimigos, etc., influenciada por movimentos revolucionários da América do Sul; 
– a guerrilha rural enraizada na população (Araguaia), com o objetivo de evoluir para exército popular, conforme as lições maoístas; e 
– a guerrilha de movimentação constante e impacto principalmente propagandístico (provar que as tropas regulares poderiam ser derrotadas), inspirada na experiência cubana.
As três chegaram a conquistar êxitos expressivos, mas acabaram sendo esmagadas por forças extremamente superiores em efetivos e recursos, que travaram uma guerra suja sem limites de nenhuma espécie e foram beneficiadas pela euforia da população com o efêmero desafogo econômico iniciado em 1970, após um longo período de vacas magras.

Os historiadores e jornalistas lançaram depois muitos livros sobre as duas primeiras, enquanto a terceira foi abordada apenas en passant, como parte da história de Carlos Lamarca, o capitão do Exército que se tornou comandante revolucionário.
Pinho não evitou temas melindrosos

Foi para preencher esta lacuna que o veterano jornalista Celso Luiz Pinho escreveu 1970, a guerra no Vale do Ribeira (Editora Gregory, 2016, 256 p.), seu projeto mais ambicioso, após ter esmiuçado outra revolução esquecida, a revolta paulista de 1924;  os combates na frente Norte durante a Revolução Constitucionalista de 1932; e a trajetória de um personagem histórico dos mais controversos, o tenente João Cabanas. Há uma nítida linha de coerência perpassando a escolha destes quatro temas.

Ao mostrar como um punhado de aprendizes de guerrilheiros logrou escapar (com baixas) de um cerco de milhares de militares, os quais não hesitaram sequer em efetuar bombardeios com napalm que poderiam atingir a população civil, Pinho fez uma espécie de passo-a-passo dos acontecimentos, baseado em farta coleta de documentos e publicações e numa série impressionante de entrevistas, realizadas com personagens dos dois lados e com moradores da região. Afirma na introdução que se empenhou a fundo para evitar que seu texto fosse contaminado por ideologias e tendenciosidades.

Esta postura imparcial lhe permitiu lançar novas e poderosas luzes sobre dois assuntos muito polêmicos: como e por que foi executado o refém que os fugitivos tomaram; e a quem cabe, realmente, a responsabilidade pela delação da escola de guerrilha de Lamarca, imputada durante 35 anos a um bode expiatório, sem que a comprovação de sua inocência no finzinho de 2004 viesse acompanhada por um desvendamento total do episódio.

Foi sobre tudo isto que conversei com Pinho. Eis a entrevista:
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Região extensa e mata fechada facilitaram a fuga
CELSO LUNGARETTI – Por que escrever sobre os acontecimentos de 1970 no Vale do Ribeira quase meio século depois?
CELSO LUIZ PINHO – Foi um fato marcante na história do Brasil e, em minha opinião, até hoje continua mal explicado. Naquela época, as pessoas ouviam falar de que algo, e algo grande, estava ocorrendo na região, mas tinham poucas informações. Ainda agora é assim. Para se ter uma ideia, eu mesmo, quando prestei o serviço militar obrigatório em cidade a mais de cem quilômetros da Capital, poucos anos depois dos fatos ocorridos no Vale do Ribeira, recebi pouquíssimas informações a respeito e estas se restringiam basicamente ao seguinte: o Lamarca fugiu de Registro levando um caminhão cheio de fuzis do Exército. A coisa não foi bem assim.

Outros escritores já divagaram sobre o mesmo assunto. Em que seu livro é diferente?
 É verdade. O Elio Gaspari, o Jacob Goerender, o Emiliano Oldack e outros mais também escreveram sobre a guerrilha do Vale do Ribeira e foram escritos muito bons que, a bem da verdade, me serviram como fontes de consulta. Todavia, deram apenas uma pincelada no assunto. Eu procurei oferecer um enfoque mais detalhado, para que o leitor tivesse uma visão abrangente dos fatos.
Estrada fechada durante as operações militares 

E como foi sua pesquisa?
 Reuni uma série de documentos, matérias jornalísticas, trechos de processos judiciais etc. Também conversei com algumas pessoas, dos dois lados, que participaram das operações. Mas, o melhor mesmo foi ter viajado ao teatro de operações e entrevistado diversos moradores de Jacupiranga e Cajati e ouvido deles suas lembranças ou informações orais transmitidas por seus parentes.

Em sua opinião, qual o trecho mais interessante do livro?
 Bem, as operações no Vale do Ribeira foram o ápice do entrelaçamento de diversos outros fatos anteriores que ocorreram em São Paulo e no antigo estado da Guanabara e, parece uma contradição, mas a meu ver, o caso do desvio dos fuzis do 4º Regimento de Infantaria é o assunto que mais me chama a atenção.

E o que tem a ver o furto das armas no 4º RI com a Guerrilha no Vale do Ribeira?
 Em primeiro momento, parece não ter nada em comum os dois fatos. No entanto, não dá para se falar em Guerrilha no Vale do Ribeira sem falar no Lamarca e, não dá para falar em Lamarca sem lembrar o fato ocorrido no quartel do Exército em Osasco. E olha que as duas cidades estão separadas por mais de duzentos quilômetros.
Lamarca quando jovem...

O que exatamente houve no Vale?
 Veja, ninguém ignora que em 1964 houve a queda do presidente Goulart e, em decorrência, o governo do país ficou em mão dos militares. Logo após o golpe, vieram os Atos Institucionais e muitas pessoas, dos mais diversos ramos de atividade, foram cassadas. A grosso modo, podemos dizer essas pessoas se aglutinaram em diversos grupos e queriam a volta do estado de direito. Esses grupos, em sua maioria, entenderam ser necessário lutar por seus interesses não apenas com palavras, pois que estas, talvez a longo prazo, alcançassem os objetivos propostos, contudo havia um imediatismo. 

Nem sempre as flores, e aqui podemos trocar flores por palavras, vencem os canhões, como dizia o Vandré. Assim, para formar pessoal e fazer frente à ditadura instalada, era preciso gente com alguma especialização. Via de regra, essa especialização era feita fora do país, porém havia o inconveniente, com todos os perigos e custos, em mandar pessoas para fora e trazê-las de volta em segurança, mesmo porque, simplesmente, não se pegava um avião e ia para Cuba. A coisa era mais complexa e exigia até viagens para a Europa para, só depois, ir para o destino final. Então, a ideia primordial era formar combatentes no próprio território nacional. 

Esse pessoal, uma vez formado, seria utilizado em diversas áreas a serem criadas. É importante lembrar que alguns dos grupos acreditavam que a derrubada do governo militar deveria começar pelo campo, outros, no entanto, achavam que as ações urbanas trariam melhores resultados. De qualquer modo, seja para o campo ou para a cidade, o combatente deveria ter uma preparação básica.

Mas antes já houve ações de guerrilha no Brasil.
 Com certeza, porém não se pode dizer que foram sucessos, já que pontuais. Haja vista o desastre de Três Passos e Caparaó, em que podemos observar uma espécie de improviso de ações, sem uma coordenação maior.
...e já na fase de procurado vivo ou morto.

E o Lamarca?
 Bom, ele tinha lá suas ideias e resolveu colocá-las em prática. E uma das formas foi justamente a instalação da uma escola, talvez a primeira, de formação de combatentes revolucionários em território nacional nos moldes cubanos.  Pelo que se entende, a VPR achou ser ele, na época, a pessoa melhor qualificada para os objetivos pretendidos. Desta forma, o campo de treinamento foi instalado no Vale do Ribeira.

Em Registro?
 Acho que já é hora de se desfazer esse engano. Na verdade, o campo de treinamento foi instalado em Jacupiranga e não em Registro. Para ser mais exato, foi no distrito de Cajati, que hoje é uma cidade autônoma. Registro foi apenas um ponto de referência, já que, na região, era a única cidade que tinha alguma infraestrutura para abrigar tropas e equipamentos militares em larga escala. Dai o motivo das ações receberem o nome de Operação Registro.

E por que naquela região?
 Vários fatores contribuíram para a escolha de Jacupiranga, entre eles, podemos dizer a mata fechada, ideal para se atingir as metas propostas, e a forte influência política de pessoas importantes da região.
Capturados: Darcy Rodrigues e José Lavecchia.

As metas foram atingidas?
 Acredito que não. Apenas uma única turma foi formada, melhor dizendo, parcialmente formada. A existência da escola de guerrilha, um segredo guardado a sete chaves, vazou, culminando com sua invasão pelas forças militares e, como se sabe, as duas bases que formavam o núcleo foram abandonadas por Lamarca e os demais. 

Durante a retirada, quatro dos alunos, pessoas já experientes, foram presas e mais uma série de coisas ocorreram, mas um fato que não se pode negar é a forma sensacional com que Lamarca e mais alguns saíram da região, apesar dos bombardeios realizados pela FAB.

Como foi esse vazou?
 Talvez seja esse o aspecto mais obscuro do assunto. No livro, eu explico, ou pelo menos tento explicar. O fato é que, a meu ver, pessoas inocentes levaram a culpa.

O Jacob Gorender escreveu carta a um grande jornal paulista nesta linha, mas não esclareceu de quem realmente seria a culpa. E você, esclarece?
 Acredito que o meu livro é o que chega mais próximo disto. Reuni as informações hoje existentes sobre os atos dos personagens que poderiam ter revelado ao DOI-Codi a localização da escola de guerrilha e interpretei-as de forma que as peças não só se encaixassem perfeitamente no quebra-cabeças, como houvesse uma coerência básica com a cronologia dos acontecimentos. 
Vingança. E 3 tiros foram pelas costas!

Meu objetivo não foi o de acusar ninguém, até porque se tratava de uma situação-limite e aquelas pessoas estavam sendo submetidas a torturas físicas e psicológicas as mais terríveis. Mas forneço aos leitores elementos suficientes para eles terem uma boa noção do que ocorreu e tirarem suas conclusões, inclusive sobre a participação de cada personagem.  Uma coisa é certa: os militares não chegaram ao campo de treinamento através de informações recebidas por bolinha de cristal.

E quanto aos erros, houve muitos?
 Houve. E de ambas as partes. Na minha modesta opinião, a VPR errou em adquirir o sítio naquela região, bem próxima a uma estrada de rodagem e com presença freqüente de caçadores e curiosos. Persistiu no erro ao reinstalar a escola em uma segunda área muito próxima à primeira, e utilizando os préstimos da mesma pessoa que, embora simpatizasse, não tinha maior comprometimento com a Organização. 

Outro erro foi a morte do tenente da Força Pública, fato bem explorado pela repressão. Acho que o Lamarca não avaliou a repercussão negativa que causaria, caso fosse descoberta. De qualquer forma, eu vejo que, a partir da fuga do Vale do Ribeira começou o declínio do Lamarca dentro da VPR.

Declínio?
 Sim. Dentro da VPR começou um movimento de diminuição de seu prestígio, tanto que depois de um tempo ele foi para o MR-8, mas sem poder de comando.

Em sentido mais amplo, podemos dizer que tudo teve origem com a queda do presidente João Goulart. O clima político de hoje lembra os fatos ocorridos após a queda de Jango?
 Pergunta difícil de responder. São dois momentos históricos com alguma semelhança, mas com grandes diferenças factuais. Atualmente, estamos sendo governados pelo vice-presidente. Ou seja, a presidente de direito (ou presidenta, como ela prefere ser chamada) está afastada temporariamente e corre o sério risco de não mais retornar. 
Também no Vale do Ribeira utilizou-se o napalm

Isso, é claro, faz com que surjam pessoas descontentes. Mas, creio que não haverá fatos que ensejem ações radicais, mesmo porque tenho notado uma grande diferença entre a esquerda de meio século atrás e a esquerda de hoje.

Que diferença?
 Naquele tempo, era um terrível pecado qualquer pessoa se dizer ideologicamente de esquerda. Na época, era impensável uma pessoa usar na lapela um botão ou broche com a foice e o martelo ou mesmo uma estrela vermelha, embora muitas delas, sob grandes riscos pessoais, tenham vestido a camisa. 

Hoje, são outros tempos. A esquerda está abertamente integrada na sociedade e já não há a necessidade de, digamos assim, um mascaramento, porém eu acho que os jovens de meio século atrás eram mais resolutos. Talvez resultado da forte influência dos acontecimentos na França daquele tempo.

Quer dizer que a esquerda de hoje está mais fraca?
 Eu não diria mais fraca, todavia eu diria que a juventude de hoje está um tanto quanto desiludida com os rumos tomados. No livro eu cito uma frase de um ex-guerrilheiro que esteve no Vale do Ribeira, o Sobrosa, dizendo assim “aqueles que querem mudar uma sociedade, não podem agir como a sociedade que querem mudar”. 

O que nós vemos agora? Sem generalizar, uma grande quantidade de pessoas públicas, com formação de esquerda, agindo exatamente como agiram as que lhes antecederam. É por isso que ouvimos das pessoas do povo aquela famosa frase: “sai um, entra outro e tudo continua do mesmo jeito”.

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04 agosto 2016

CASAMENTO DESFEITO: NOS BASTIDORES, DILMA E O PT JÁ TRAVAM A GUERRA DA PARTILHA DOS BENS.

Quando tinha o jornalismo como profissão, ouvia uma campainha soando em minha mente nos momentos em que um entrevistado tentava me manipular. Então, não levava em conta apenas o que ele estava dizendo, mas refletia sobre qual seria o porquê de ele dizer tal coisa. Alterar o comportamento dos mercados em favor de alguém? Detonar algum adversário nas escaramuças de bastidores? Desviar as atenções de um erro ou falcatrua em que estivesse envolvido?

Se há algo de que me orgulho na minha carreira é nunca ter sido ingênuo e jamais haver deixado que algum me(r)dalhão da política ou das finanças me usasse como correia de transmissão de versões que tentava plantar na imprensa. E também recusava as propostas indecentes que me eram feitas abertamente. Preferi dormir bem do que desfrutar as vantagens e regalias que obteria se fosse mais flexível. Cada um sabe o que quer na vida.

A campainha tocou quando o PT lançou uma declaração oficial de que não estava abandonando Dilma Rousseff. Ora, por mais gritantes que sejam as evidências de que seu afastamento não terá volta, caberia ao partido, noblesse oblige, apoiá-la até o fim, afundando junto com a capitã. Se vem a público declarar que está fazendo o que nada seria além de sua obrigação... é porque, obviamente, não o está fazendo. 

Enquanto isto, Dilma solta os cachorros em cima do partido na entrevista que concedeu à revista Fórum. Está lá:
"Eu acredito que o PT precisa passar por uma grande transformação. Primeiro, uma grande transformação em que se reconheçam todos os erros que cometeu do ponto de vista da questão ética e da condução de todos os processos de uso de verbas públicas".
Ou seja, está sendo impichada por crime de responsabilidade e insinua que a total responsabilidade cabe ao partido, que prevaricava enquanto ela tocava harpa com os anjos. É o mesmo que dizer: "As acusações procedem, mas não contra mim. Foi o partido que cometeu todos os deslizes do meu governo".

Ela também aponta sua metralhadora giratória em várias outras direções, menos numa: a sua. Pois, embora o modelo de governo adotado nas duas gestões do Lula estivesse esgotado, foi a Dilma quem chutou o pau da barraca.

Tornara-se impossível proporcionar recordes de faturamento mês após mês para os grandes bancos e, ao mesmo tempo, ir aumentando homeopaticamente a quota de migalhas para os andares de baixo. 

Se a Dilma mantivesse a política econômica do Lula, haveria recessão, mas muito menos aguda do que aquela que acabou ocorrendo.
Se ela se mirasse no exemplo da Wanda, romperia a aliança com o grande capital e apostaria as suas fichas nos explorados. 

[Aumentando, p. ex., substancialmente a tributação das grandes fortunas, que sempre foi ridícula (de tão irrisória!) no Brasil. Precisaria, é claro, organizar as massas para que estas lhes dessem sustentação, uma lição de casa que deixou de ser feita nos oito anos do Lula. Mas, teria levado as lutas políticas e sociais do Brasil a um novo patamar e, ainda que fosse derrubada, o seria como titã (a exemplo do Allende) e não enxotada por um piparote do Congresso.]

Em vez disso, ela preferiu ir buscar no fundo do baú o nacional-desenvolvimentismo da década de 1950, tentando alavancar o crescimento econômico com investimentos estatais. Se isto não funcionou com o Getúlio Vargas, cuja estatura política era infinitamente maior e que tinha muito mais apoio dos trabalhadores, como poderia dar certo em plena época de globalização dos mercados e com timoneira tão medíocre? Não deu outra: ela afundou de vez a economia e praticamente quebrou a Petrobrás.

O segundo maior motivo do impeachment decorreu do primeiro: quando lhe caiu a ficha das lambanças que cometera e da terrível recessão que incubara para o mandato seguinte, ela quis a todo custo se reeleger, na esperança de consertar os estragos e salvar sua imagem.

Recorreu ao pior estelionato eleitoral de todos os tempos no Brasil, obteve sua vitória de Pirro e... simplesmente, não soube o que fazer com ela! Passou 16 meses sem conseguir tomar as rédeas da situação e imprimir um rumo à economia. Como a natureza e a política abominam o vácuo, o sistema tratou de preenchê-lo com o Temer. 

De resto, o subtexto das últimas movimentações do PT e da Dilma é este: o casamento está rompido e os antigos cônjuges já começaram a disputar encarniçadamente os bens outrora comuns.

Os grãos petistas estão carecas de saber que o mandato presidencial daqui a algumas semanas virará cinzas e, retórica de conveniência à parte, querem mais é descolar a imagem do partido da de Dilma. Sabe-se que vários candidatos do PT às eleições municipais estão preferindo ter no seu palanque o Demo com chifre e rabo do que a afastada... 

Na guerra da partilha dos bens, aposto no PT. Dilma se tornará irrelevante instantaneamente, no exato momento em que a despejarem do Palácio da Alvorada, enquanto o partido definhará aos poucos, conforme novas forças forem emergindo na esquerda, com propostas mais ousadas... e revolucionárias! 


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25 julho 2016

HÁ 1.840 MANSÕES EM SÃO PAULO; SUA ÁREA PODERIA ABRIGAR 107 MIL FAMÍLIAS.

A majestosa mansão no Morumbi do antigo dono do Banco Santos. "E o corvo disse: nunca mais!"
Poucos ainda se lembram de que Ary Toledo, hoje com 78 anos, se projetou como um talentoso compositor e intérprete da voga da chamada Moderna Música Popular Brasileira, inclusive emplacando um grande sucesso: "Pau de arara", de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. 

Depois, descobriu um filão mais rentável e a ele, melancolicamente, se limitou: o das músicas pornográficas e escatológicas, que passou a gravar e também a interpretar no teatro (entremeadas com piadas obscenas, de extrema vulgaridade, apropriadas para meninos de 12 anos e adultos com cérebro equivalente).

Pasmem: um dia ele foi artista de verdade!
Uma das pérolas de quando Ary Toledo ainda era um artista de verdade: "O anúncio", de César Roldão Vieira, que ele chegou a cantar, há cerca de meio século,  no saudoso Fino da Bossa.

A canção contrastava dois universos. O do camponês paupérrimo era apresentado nos trechos cantados, tendo versos como estes:

"No sertão a vida é triste,
minha gente sofre muito,
o que mais se tem no mundo é morte,
o que mais se tem na vida é morte,
mas, meu Deus do céu, sou homem,
não vou sair do meu Norte... 
Quando eu era menino, tinha um cachorro
e uma beleza de canarinho.
Tudo passou, daqui a pouco eu morro
e é só tristeza no meu caminho... 
Eu só queria um boi, uma vaca magra
e um casebre para morar,
batendo a foice, facão, enxada,
ganhar da terra o que a terra dá!"
Ferreira ficou sem adega. Tadinho!
Já o dos ricaços do bairro paulistano onde morava a chamada elite quatrocentona, era retratado num anúncio de jornal, apenas lido no meio da canção: 
"Compra-se casa, mansão ou palacete no Jardim América, com um mínimo de 17 quartos para criadagem e sala de estar, de jogar, de dançar, de fumar, de brilhar, salões de chá, café e chocolate, piscina, jardim de inverno e de outono, quintal onde se possa praticar esportes caseiros como hipismo, golfe, tênis e bola-ao-cesto, além de acomodações dignas para cães, gatos e onças de pequeno porte (de preferência com aquecimento interno). É desejável a existência de um pequeno pequeno aeroporto de dimensões internacionais...".
A versão atualizada dessa música, meio século depois, é a notícia publicada na edição dominical da Folha de S. Paulo, segundo a qual existem na capital paulista 1.840 mansões com mais de 700 metros quadrados, cuja área total, equivalente a mais de dois parques Ibirapuera, seria suficiente para construir prédios populares capazes de abrigar 107,2 mil famílias, eliminando, de uma tacada só, quase um terço do déficit habitacional do município.

A segunda maior da lista, com 8.182 m² de área, pertence a Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, que sofreu intervenção do Banco Central em 2004 e teve sua falência decretada no ano seguinte. 
A mansão do Faustão está na lista

Ele foi condenado a 21 anos de prisão, por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e gestão fraudulenta, tendo também respondido a processo na vara de Falências. Já esteve preso, mas o Supremo Tribunal Federal o colocou na rua e, no ano passado, a Justiça Federal decidiu anular toda a fase de interrogatório e a sentença do seu processo, que voltou à estaca zero

A Justiça de São Paulo determinou, em fevereiro de 2015, que sua mansão no Morumbi fosse levada a leilão pelo valor mínimo de R$ 116,5 milhões. Segundo o despacho, a mansão, cujo projeto arquitetônico foi assinado por Ruy Ohtake e conta com paisagismo de Burle Marx, tinha automação gerenciada por sistema eletrônico, incluindo controle remoto da sonorização, sistemas de vídeo, sistemas de iluminação e de segurança. Além disso, todos os ambientes eram climatizados por sistemas centrais de ar-condicionado.

Investidores perderam cerca de US$ 1 bilhão que aplicaram em bancos controlados por Ferreira ou ligados a ele.

Fausto Silva, o Faustão, também possui seu elefante branco, com 4.635 m², avaliado em R$ 22 milhões. (por Celso Lungaretti)

Clique aqui e ouça o áudio de O anúncio

OUTROS POSTS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):
ESCÁRNIO: LEI ROUANET SERVIU ATÉ PARA BANCAR CASAMENTO GRANFINO!
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LEMBREI-ME DE UMA MÚSICA QUE DIZIA: "ESTE SOL TÃO FORTE É UM SOL DE MORTE".
PARA EMPRESÁRIOS E BANQUEIROS, AS DOAÇÕES DO BNDES; PARA O AGRONEGÓCIO, A MARACUTAIA DA TRANSPOSIÇÃO...
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LEWANDOWSKI VETOU A DIVULGAÇÃO DOS VALORES QUE MEMBROS DO JUDICIÁRIO RECEBEM POR PALESTRAS.OS PSICOPATAS DE ALÁ DEVEM RECEBER O MAIS INCISIVO REPÚDIO DE TODOS OS REVOLUCIONÁRIOS

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21 julho 2016

SUCESSORA DE FAUSTO, DILMA QUIS FLEXIBILIZAR O PACTO COM MEFISTÓFELES...

Serenidade" de um lado, "falas desconexas" do outro.
O jornalista e historiador Elio Gaspari é um homem de esquerda formado na cultura do velho PCB. Como tal, manteve-se bem distante das ilusões armadas e hoje não crê nem mesmo nas ilusões desarmadas. Move-o, contudo, um elogiável sentimento de compaixão e solidariedade para com o povo sofrido, daí ter assumido posição contrária ao Governo Dilma, principalmente no catastrófico segundo mandato.

Em artigo recém-publicado, ele compara com sapiência e sarcasmo os estilos pessoais: 
"Antes mesmo de completar cem dias, Michel Temer conseguiu dar estabilidade ao seu governo. Começou da pior maneira possível, com um ministério pífio e contaminado, cercado de suspeitas e de ligações inconvenientes. A mágica tem um nome: calma, sangue frio ou mesmo serenidade.  
...A estabilidade trazida pela mágica da calma foi ajudada pela esperança que a blindagem de Henrique Meirelles levou para o Ministério da Fazenda. Por enquanto, na panela da ekipekonomica há muito pirão e pouca carne. Felizmente, o mercado compra esperança e o novo governo mostrou que, com o afastamento dos pedalantes, pior a coisa não fica.   
 ...Temer também teve sorte. O PT ainda não acordou da pancada do início do processo de impedimento e Dilma Rousseff percorre plateias amigas cada vez menores, com falas cada vez mais desconexas. Na última, comparou o seu infortúnio aos acontecimentos da Turquia"
Meirelles: Lula gostava, Dilma enxotou, Temer foi buscar.
No fundo, para quem analisa a política oficial sem antolhos ideológicos, boa parte do que ele escreveu é o chamado óbvio ululante, começando pelo fato que que, nos moldes da democracia burguesa, Michel Temer governa muito melhor do que Dilma Rousseff.

Afinal, durante os 16 meses do seu segundo mandato ela nem sequer conseguiu governar. Quando estava nos estertores, desistiu até de tentar. Foi ultrapassada pelos acontecimentos e acabou deixando o país e a economia à deriva, enquanto se dedicava, exclusiva e obsessivamente, à defesa vã do seu mandato.

Quanto à gradativa melhora das perspectivas econômicas desde que ela foi afastada, é um fato. Não apenas em razão da incompetência abissal de Dilma, que deu significativa contribuição para atingirmos o terrível patamar de 11 milhões de brasileiros na rua da amargura (desemprego elevado haveria de qualquer maneira, mas os erros bisonhos de política econômica o maximizaram), como também porque o modelo populista encarnado no PT estava esgotado, cá como noutros países sul-americanos.

Todos coincidiram no ponto de partida: a tomada de governos pela via eleitoral. Depois, alguns foram mais longe na tentativa de tomada progressiva do estado, outros acabaram detidos no meio do caminho.

O certo é que não houve uma revolução clássica em nenhum deles. Os explorados não se organizaram para exercer o poder, foram organizados para apoiar governantes caudilhescos. Marx sempre quis torná-los protagonistas da História, não vê-los relegados ao papel de objetos de homens providenciais, servindo de peões no tabuleiro do seu jogo, cujo objetivo final nunca foi o xeque-mate, mas sim a mera perpetuação no poder.

Dez anos depois, só Morales continua no poder.
Como a História cansa de ensinar, regimes caudilhescos podem até prosperar durante a vida física dos caudilhos, mas não sobrevivem a eles. Primeiramente, porque não estimulam o povo a pensar e agir de forma autônoma, preferindo mantê-lo sempre sob controle, daí sua incapacidade de reação quando fica órfão do paizão.

Depois, porque o grande homem costuma temer a sombra de um sucessor e geralmente favorece o mais medíocre dos seus cortesãos, o que acaba colocando cavalgaduras como Maduro numa posição à qual jamais deveriam ser alçados.

No Brasil, o governo petista nasceu atrelado aos compromissos que assumiu em 2002 com o poder econômico, de submeter-se a ele na tomada de decisões macroeconômicas, contentando-se em administrar as miudezas do varejo.

Enquanto a conjuntura internacional favorecia as commodities brasileiras, a receita funcionou. O grande capital continuou com a parte do leão (sem um mínimo de simancol, Lula se vangloriava de que os banqueiros nunca haviam lucrado tanto quanto nos seus governos!!!) e ainda sobrava uma graninha para aumentar a quota de migalhas dos explorados, por meio do bolsa-família e outros mecanismos de transferência ínfima de renda para os pobres.

Quando a maré virou no exterior e o cobertor ficou curto para continuar cobrindo tanto as cabeças garbosas da burguesia quanto os pés sofridos dos coitadezas, Dilma resolveu desconsiderar em certa medida o pacto firmado por seu padrinho com Mefistófeles e tentar fazer a economia pegar no tranco, seguindo o figurino do velho nacional-desenvolvimentismo (ou seja, com os investimentos estatais a empurrando), de forma a manter e talvez ampliar as conquistas sociais das duas gestões anteriores. 
A esquerda já deveria ter começado a mudar em 2013
Sua soberba a cegou: não percebeu que era um passo maior do que suas pernas, impossível de ser dado sem o apoio incondicional do Lula, pois era ele quem mandava (e continua mandando) no PT.

Os capitalistas também não gostaram da brincadeira e, como quem manda no capitalismo são eles, despacharam Dilma com um piparote, fazendo-a desabar no chão do Palácio da Alvorada, do qual será também despejada no mês que vem.

Não lamento, porque é difícil enxergarmos alguma vantagem em ser petista quem gerencia o capitalismo para os capitalistas, ajudando a mistificar os explorados. Mil vezes melhor a esquerda permanecer fora do poder, lutando para conquistá-lo de forma digna; ou seja, sem abdicar de sua verdadeira identidade, nem trocá-la por uma versão light e, muito menos, negociar a alma em acordos podres!

Então, enquanto muitos (principalmente os que perderam suas escandalosas boquinhas) veem a queda de Dilma como uma desgraça, eu a vejo como mais uma oportunidade para construirmos uma esquerda de verdade, revolucionária, no Brasil. Aquela que deveríamos ter começado a forjar tão logo terminou a ditadura de 1930-1945, e depois a de 1964-1985.

Agora que o populismo de esquerda desmoronou e se desmoralizou por completo, temos uma terceira chance para fazer direito a lição de casa, quiçá a última, pois a alternativa para nós neste instante é retomada revolucionária ou marcha para a irrelevância(por Celso Lungaretti)

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