Free JavaScripts provided by The JavaScript Source

Sábado, Julho 11, 2009

AGU entrega à Justiça documentos da União sobre Guerrilha do Araguaia -

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília - A Advocacia-Geral da União (AGU) devolveu hoje (10) à Justiça o processo da Guerrilha do Araguaia, ao qual foi acrescentado o relatório do Ministério da Defesa. Com a quebra do sigilo das informações militares relativas a todas as operações realizadas – exigida por parentes de participantes da guerrilha – a União pretende cumprir a sentença judicial que determinou a localização dos restos mortais dos que estiveram envolvidos no conflito.

O processo sobre a indicação de sepultamento, atestado de óbito e exibição de documentos relativos à Guerrilha do Araguaia tramita na Justiça desde 19 de fevereiro de 1982 (Processo nº 82.00.24682-5, no Tribunal Regional Federal – Seção Judiciária do DF). Os autos haviam sido retirados do Tribunal pela AGU, em 12 de março.

Segundo a AGU, o relatório de 200 páginas reúne toda a documentação disponível no âmbito da União sobre as operações militares na guerrilha, como as informações sobre os enfrentamentos armados, as prisões de civis, o recolhimento de corpos e identificação de guerrilheiros. Há também, segundo a AGU, as “averiguações de peritos, o destino dado aos restos mortais encontrados e as informações de transferência de civis, vivos ou mortos, para quaisquer áreas”.

Os autos foram entregues à Justiça por meio da Procuradoria-Regional da União. De acordo com o órgão, o relatório não esgota as responsabilidades da União na busca de informações e localização de ossadas e outras medidas para a identificação de restos mortais dos guerrilheiros desaparecidos.

De acordo com a AGU, o relatório do Ministério da Defesa, juntado ao processo, contém documentos recolhidos por diversos órgãos em diferentes períodos, inclusive a documentação do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI).

As operações de busca por restos mortais de integrantes da guerrilha começaram em 1991, mas só tiveram a participação do governo a partir de 1996. Até agora, apenas duas ossadas tiveram a identidade confirmadas - Maria Lúcia Petit e Bergson Gurjão Farias. Um grupo de trabalho está desde quarta-feira (8) na região do Araguaia para identificar os pontos de busca de ossadas.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Bergson Gurjão Farias - Araguaia


A ossada desenterrada em 1996 no cemitério de Xambioá, na região do Araguaia, no Pará, era do guerrilheiro do PC do B Bergson Gurjão Farias, executado por militares em 1972.

O lado com a identificação ficou pronto há cinco dias e foi encaminhado à Secretaria Especial de Direitos Humanos, que liberou a notícia há pouco.

Publicado no Blog do Noblat em 07/07/09

Sábado, Julho 04, 2009

Fim do Bloqueio à Cuba


Esta semana na Cúpula das Américas o Presidente Obama terá uma oportunidade única de rever a relação dos EUA com Cuba, virando a página em quase meio século de um embargo econômico falido. Líderes latino-americanos, a ONU e até senadores e deputados dos EUA estão questionando o embargo que, por décadas, apenas prejudicou a população cubana. O Obama já anunciou que vai aliviar as restrições de viagem e facilitar o envio de dinheiro, porém é preciso fazer muito mais. Este é o momento certo para fazermos pressão, levando uma mensagem clara para a mídia internacional e os políticos americanos de que é preciso dialogar com o governo cubano e acabar com as políticas falidas do passado. Nossa mensagem será levada a Trinidad e Tobago de uma forma que não poderá ser ignorada: em um gigantesco banner nos mastros de um barco. Assine a petição pedindo o fim do embargo, o número de assinaturas será colocado no barco, chamando a atenção de repórteres e líderes presentes na Cúpula. Clique abaixo para assinar:
Contra o Embargo à Cuba

Quando os EUA colocaram o embargo a Cuba em 1962 a justificativa era forçar a pequena ilha a se tornar democrática e respeitar direitos humanos. Quase meio século depois, este argumento se provou falho mostrando que o único prejudicado com o embargo é o povo cubano que está sendo privado de suprimentos agrícolas, medicamentos, tecnologias novas, informações e idéias. Algumas pessoas argumentam que enquanto o embargo continuar o governo cubano sempre o usará como desculpa pelo atraso ao invés de se responsabilizar pelas suas próprias falhas, se recusando a lidar com questões de liberdade de imprensa, de associação e de oposição. Hoje vemos um sinal de esperança inédito, há realmente chances das relações EUA-Cuba mudarem. Por toda a América Latina, nossos líderes estão pedindo para o Presidente Obama abrir o diálogo com a ilha. Nos EUA, pesquisas recentes revelam que três quartos da população querem uma mudança na política de isolamento, até mesmo grupos conservadores de exilados cubanos nos EUA apóiam a mudança. Agora que o Obama tomou o primeiro passo, é fundamental manifestarmos a opinião da sociedade civil. Se nós nos mantivermos calados o debate poderá ser ganho pelos demagogos que se beneficiam da polarização. Uma manifestação positiva e encorajadora da sociedade civil irá chamar a atenção da mídia, focando o debate na necessidade de uma nova era de relações justas e responsáveis entre Cuba, EUA e toda a América Latina. Assine a petição agora e encaminhe este email para seus amigos, e fique de olho no nosso barco este fim de semana em Trinidad e Tobago!
Pelo Fim do Embargo contra Cuba
Com esperança, Luis, Alice, Paula, Graziela, Ben, Raj, Iain, Ricken, Brett, Paul, Margaret, Pascal, Taren e toda a equipe Avaaz

SOBRE A AVAAZ

Avaaz.org é uma organização independente sem fins lucrativos que visa garantir a representação dos valores da sociedade civil global na política internacional em questões que vão desde o aquecimento global até a guerra no Iraque e direitos humanos. Avaaz não recebe dinheiro de governos ou empresas e é composta por uma equipe global sediada em Londres, Nova York, Paris, Washington DC, Genebra e Rio de Janeiro. Avaaz significa "voz" em várias línguas européias e asiáticas. Telefone: +1 888 922 8229

Sexta-feira, Julho 03, 2009

PSOL em Copacabana - 05/07

O PSOL leva às ruas, nesta sexta-feira (3/7), às 12h30min, na praça Mário Lago (Buraco do Lume) e no domingo (5/7), às 10 horas, em Copacabana (Av. Atlântica, na altura da Santa Clara), uma "maquete participativa" de uma cidade fictícia chamada "Sarneylândia, distrito Renânia", para que o povo possa colocar os nomes dos bairros: nepotismo, ato secreto, oligarquia, governismo, empréstimos facilitados - à escolha de cada um.
Circulará ainda o abaixo-assinado pela instalação de uma CPI para investigar os atos secretos no Senado, o processo contra José Sarney por quebra de decoro parlamentar e seu afastamento da Presidência da Casa.

Leia mais em Brasil de Fato

Santa Teresa abre suas portas

No próximo fim de semana, dias 4 e 5 de julho, os artistas plásticos de Santa Teresa abrem seus ateliês ao público. É a 19ª edição do "Artes de Portas Abertas", evento já no calendário cultural da cidade. O circuito inclui, além dos ateliês, museus, centros culturais e lojas, um roteiro gastronômico muito especial.
O evento vai além do conhecimento do trabalho dos artistas do bairro - é também a oportunidade de observar a arquitetura e o aconchego de seus prédios.

Esta informação foi postada anteriormente no site do Dep Federeal Chico Alencar - PSOL RJ -

Leia mais em Brasil de Fato

Veja a programação em Chave Mestra

Para compreender a crise - Chico Alencar

A Crise do capitalismo é o tema do curso promovido pelo jornal Brasil de Fato. A partir da segunda-feira, 13 de julho, haverá uma palestra a cada semana. Leda Paulani (USP), Márcio Pochmann (Ipea), Vito Giannotti (NPC), João Pedro Stédile (MST), Paulo Passarinho (Corecon) e Virgínia Fontes (UFF) são alguns dos palestrantes.

Leia mais em Brasil de Fato

Esta informação foi originalmente publicada no site do Dep Federal - Chico Alencar/PSOL RJ

Leia mais em Chico Alencar - PSOL RJ


Quinta-feira, Julho 02, 2009

"Soledad no Recife" - Uraniano Mota

O Site Vi o Mundo deu a notícia do "Soledad no Recife".
A notícia e trechos inéditos do livro estão em http://urarianoms.blog.uol.com.br/
Blog do Jornalista Uraniano Mota autor do Livro

Cinco Jacksons Sem O "Número Um" - Pablo Emanuel

Quando Jackson fez muito sucesso no Brasil, eu tinha 10 anos de idade. Eu e muitos outros garotos da minha idade ficamos sobremodo fascinados com aquele estilo de dançar. Daí, até por volta de 1986, a juventude mergulhou no pop americano, que àquela época era personificado pela afinada voz da Black Music que cantava “Ben” nos anos 70.

Algum tempo depois, eu havia descoberto que em casa tínhamos um pequeno compacto com essa canção, que eu não conhecia. Quando escutei, não se parecia com aquele Michael que conhecemos no “Thriller”, cujo clip foi exibido no programa “Fantástico” (lembro-me bem de tê-lo assistido e achado muito assustador [!]).

Muitos que lamentam a morte do exímio dançarino foram os que ontem se escandalizaram e o culparam pelas acusações de pedofilia de que foi alvo fácil. O fato é que ele era uma pessoa com graves distúrbios mentais e autoestima destruída, que um império de dólares não conseguiu curar. Isso não justifica seu possível e nefasto gosto por crianças, mas ajuda muito a conduzir o comportamento que apresentou.

Se cometeu ou não os crimes que lhe imputaram, isso a Justiça americana já resolveu. Porém, não devem ter faltado aqueles que desejavam apenas tirar um pouco de sua fortuna. No fim, pesadas somas monetárias resolveram os problemas. Os pedófilos do mundo podem ter pensado:

“Ah, como o dinheiro é doce!”

E é mesmo. Eu já o vi sanar confusões que nem mesmo a morte sanaria. Tudo tem um preço.

Até meados dos anos 80, Jackson era um sujeito bonito, um Black boa pinta, mas depois uma criatura em sofrimento que se mutilava. Nunca vi nada de errado em seu nariz, senão quando foi se deformando.

Lembro-me que, na minha pasta escolar, eu tinha escrito seu nome, lá por volta de 1984, mais ou menos. Um cara da outra sala viu e perguntou:

“Como você tem coragem de gostar de um preto feio desse?”

Uma amiga de minha mãe disse a mesma coisa e na mesma época. Eu não me importava com isso. (Eu não me lembro do que fiz ontem, mas me lembro de coisas passadas há tanto tempo!...)

Não houve jovem que não tivesse dançado Michael na minha época. Éramos bombardeados por sua imagem e música. Não tínhamos escolha. Somente depois, com alguma consciência crítica da realidade, pudemos nos bandear para o ‘rock and roll’ da capital federal e do mundo.

Agora que esse tempo já vai muito longe, nem reconheço mais o que se passou. Fico indiferente a todas as notícias exageradas e superexpostas com o fim de fazer rodar o carrossel da grana para os safados da mídia sem pudor.

É tudo muito vago e esfumaçado, porque aquela pessoa que eu fui quando criança e que gostava de Michael está tão morta quanto ele.

Não será em Brasília Que Vai Chegar Nosso Carnaval - Celso Lungaretti

Quando o Carnaval Chegar é a canção mais emblemática do período que vai da derrota da luta armada até a redemocratização do Brasil.
Depois que a imensa superioridade de forças do inimigo condenou ao fracasso a heróica tentativa de saírmos da ditadura pela porta da frente, só nos restou mesmo a longa espera de que ela ruísse em decorrência de suas próprias contradições.
Houve, claro, momentos fulgurantes como o do repúdio ao bárbaro assassinato de Vladimir Herzog em 1975, mas todos sabíamos que uma missa não expeliria os militares do poder que exerciam como usurpadores e déspotas.
E existia a resistência cotidiana aos abusos e atrocidades, cujo símbolo mais marcante foram D. Paulo Evaristo Arns e sua abnegada equipe, o embrião do Tortura Nunca Mais.
Mas, não estava em nossas mãos darmos um fim à ditadura. Sentíamos-nos exatamente como Chico Buarque descreveu: "Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar/ Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Lá por meados da década de 1970, quando terminou o último dos quatro julgamentos a que fui submetido em auditorias militares, eu tive de fazer minha opção: permanecer ou não no Brasil?
Ao sair das prisões militares, ainda sob o impacto de tudo que sofrera nos porões, decidi embarcar tão-logo pudesse fazê-lo legalmente, já que não tinha como montar um esquema de fuga minimamente confiável.
Mas, aos poucos, foram-me voltando os sonhos, as elocubrações sobre o que faríamos quando, findo o pesadelo, pudéssemos finalmente reconstruir este país. "Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Muito mais do que quando militava na VPR, tinha a noção exata do que precisava ser feito para o Brasil voltar a ser, pelo menos, uma nação civilizada. Nos bares, nosso refúgio, eu e os amigos discutíamos ponto por ponto as medidas a serem tomadas no glorioso day after.
Era nosso lenitivo para continuarmos engolindo os sapos de cada dia. "E quem me ofende, humilhando, pisando, pensando que eu vou aturar / Tô me guardando pra quando o carnaval chegar".
Mas, a classe política frustrou nossas esperanças e destruiu nossos sonhos. Com a ditadura já agonizante, manobrou para que fosse rejeitada a Emenda Dante de Oliveira, que restituiria o poder a quem de direito, os cidadãos eleitores deste país.
E o maquiavélico Tancredo Neves pôde, triunfalmente, anunciar que chegara "a hora dos profissionais". O candidato da ditadura, Paulo Maluf, não seria detonado pelo povo nas urnas, mas sim por umas poucas centenas de parlamentares no Colégio Eleitoral que se constituía num símbolo gritante da exclusão do povo na tomada das grandes decisões nacionais.
Pior: Maluf seria derrotado graças aos votos de congressistas que, como ratos, abandonaram o navio da ditadura que já fazia água, para assegurarem a manutenção dos seus privilégios na Nova República.
A indústria cultural, com a Rede Globo à frente, conseguiu vender a ilusão de que tanto dava a diretas-já quanto a vitória no espúrio Colégio Eleitoral. A longa agonia pública de Tancredo Neves era a peça que faltava no quebra-cabeças. A pieguice obnubilou as consciências. Os maus venceram, como quase sempre.
E tocada, entre outros, pelos que haviam sido sustentáculos da ditadura, a redemocratização ficou pela metade, como convinha à burguesia, que antes exercia o poder por meio dos fardados, depois passou a exercê-lo por meio de civis safados.
Nem sequer foram punidos os assassinos seriais da ditadura. Nem sequer foram devolvidos os corpos de companheiros martirizados. "Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar". E não adiantou esperar o carnaval, pois ele não chegou.
Gato escaldado, nunca mais acreditei que a redenção dos males brasileiros pudesse provir das tempestades em copo d'água da política oficial. Sabia/sei que a chegada do carnaval não depende da desgraça momentânea do Collor, dos anões do orçamento, dos mensaleiros, do Severino, do Renan, do Daniel Dantas ou, agora, do Sarney.
Esses senhores nunca determinaram os acontecimentos, apenas cumprem/cumpriram determinadas funções dentro do sistema de exercício e sustentação do poder burguês. Então, enquanto as funções em si não forem extintas, suas agruras só servirão para jogar poeira colorida nos olhos do povo.
Trata-se apenas de um sacrifício ritual para servir como catarse aos "de fora". Cada vez que um desses espantalhos tomba, a indústria cultural cria a ilusão de que a justiça foi feita e as instituições funcionam. Mas, saem uns, entram imediatamente outros e a podridão continua a mesma.
Há quem me cobre engajamento na caça à bruxa da vez. Negativo. Prefiro gastar minhas energias preparando o carnaval, que só chegará quando os cidadãos assumirem a iniciativa de, eles próprios, colocá-lo nas ruas, sem se deixarem iludir pelo jogo-de-cena brasiliense.

Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em:

Celso Lungaretti - Jornal O Rebate

Domingo, Junho 21, 2009

Araguaia - Estado de SP 21/06

Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia

Até hoje eram conhecidos 25 casos de guerrilheiros mortos; relato do oficial confirma e dá detalhes da perseguição

EXCLUSIVO - Leonencio Nossa, XAMBIOÁ (TO)

Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao Estado o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas.

Leia a cobertura completa e a lista inédita dos guerrilheiros mortos no Araguaia em O Estado de S. Paulo deste domingo.