Por Redação Carta Capital
Setenta e dois milhões de brasileiros, que moram em 18 milhões de residências, sofrem de insegurança alimentar, ou seja, preocupam-se com a insuficiência da renda para comprar alimentos.
Daqueles excluídos, 14 milhões literalmente passam fome e 6 milhões moram em casas com rendimento mensal de até 65 reais por pessoa. No país das desigualdades, em 33 milhões de casas, 109 milhões de habitantes são considerados bem alimentados. Nesse contexto, uma elite.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), referente aos números colhidos em 2004.
Foi divulgada, com pouca repercussão, na quarta-feira 17. A população total brasileira é de 181 milhões de habitantes.
A pesquisa foi feita com base na metodologia de pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.
No Brasil, foi aperfeiçoada pelo programa Escala Brasileira de Segurança Alimentar (Ebia) e aplicada pelo IBGE. Os pesquisados respondem a 15 perguntas, nove respondidas por adultos e seis, por crianças.
Da tabulação, depreende-se quantos são bem alimentados, ou com insegurança alimentar leve, moderada e grave. A distribuição dos miseráveis pode parecer óbvia. Mas é bom ressaltar. Nos
Estados de Roraima, Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia, o porcentual de domicílios com insegurança alimentar grave ultrapassa os 10%.
O pior caso é o do Maranhão, com 18%. Já São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm porcentuais próximos a 4%.
O líder em alimentação mais farta é Santa Catarina, cuja pobreza extrema atinge somente 2% das casas.
Outra obviedade: os lares cujas cabeças-de-família são mulheres apresentam o maior índice de pobreza: 17,3% nos lares femininos, ante 13,2% nos masculinos.
Por fim, pretos e pardos padecem da fome, como as mulheres, os nordestinos e os nortistas. A população preta ou parda tem pouco o que comer em 11,5% da população, ante 4% entre os brancos.
Outras vítimas são as crianças. Em 50,4% das residências, moram no Brasil meninos e meninas com idade inferior a 4 anos com algum tipo de insegurança.
Apesar dos programas governamentais de cunho social, apenas 34% dos domicílios brasileiros estão categorizados como seguros no quesito alimentação.
E nada menos que 15% se apresentam em situação grave.
Os números dispensam comentários.