31 maio 2007

Por Dentro da Reitoria Ocupada - Celso Lungaretti*

A última segunda-feira de maio é ensolarada, uma exceção no invernal outono paulistano. As pessoas ao redor da reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada pelos estudantes desde o dia 3, mostram aquela animação habitual de quem reencontra o calor e o céu azul, após vários dias frios e cinzentos.

Conversam, brincam, confraternizam. Há líderes de servidores públicos se revezando num alto-falante para instruir/entreter quem chegou adiantado à reunião da categoria que terá lugar ali mesmo, ao ar livre. Ninguém parece preocupar-se com uma invasão da Polícia Militar, para cumprir o mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça.

Uma barricada de pneus diante da entrada é a vitrine da ocupação. De que realmente servirá, caso cheguem brutamontes bem treinados e equipados, que têm a violência como realidade cotidiana? Quase nada. Mas, os símbolos têm papel importante nas batalhas em que o grande objetivo estratégico é a conquista de corações e mentes.

Diante da única porta de entrada, alguns estudantes do esquema de segurança fazem a triagem dos visitantes. Basta ter uma carteirinha de aluno ou professor da USP para entrar sem problemas. Como não sou uma coisa nem outra, levo alguns minutos para convencê-los de que não vim brincar de 007.

Como credencial, apresento meu livro Náufrago da Utopia, que por acaso trago comigo. Agrada-lhes o caderno iconográfico, com muitas fotos do movimento estudantil de 1968. Meio convencidos de minhas boas intenções, deixam que eu vá parlamentar com a Comissão de Comunicação (ou rótulo que o valha). Acompanhado, por enquanto.

Lá decidem que eu posso circular à vontade pela reitoria ocupada, liberando meu cicerone/vigia para outras tarefas. Uns 15 estudantes rodeiam meia dúzia de computadores, uns digitando e os outros palpitando.

Cuidam de manter o blog da ocupação no ar, de selecionar e imprimir textos que serão expostos nos quadros de avisos e paredes. E também de mandar mensagens de esclarecimento aos jornalistas que falam mal da ocupação. [Como se isso adiantasse. Tirando honrosas exceções, a imprensa se colocou contra os estudantes, às vezes dissimuladamente, outras da forma mais panfletária e caluniosa, como fez a Veja São Paulo, que os acusou de “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros”.]

A diferença mais marcante em relação às ocupações antigas é, exatamente, o esquema de comunicação sofisticado da atual, incluindo TV por Internet e “rádio livre”. De resto, sinto-me como se tivesse entrado num túnel do tempo e desembarcado naquele mês de julho de 1968 em que a Faculdade de Filosofia da rua Maria Antônia (SP) esteve ocupada para servir como QG das iniciativas em apoio da Greve de Osasco, lançando a nova onda que (como agora) rapidamente se alastrou.

Os mesmos colchonetes espalhados por um salão em que repousam alguns sentinelas cansados, após a vigília da madrugada – período mais propício para uma operação policial, exigindo, portanto, cuidados redobrados (e muita disposição para enfrentar o frio).

Os mesmos jovens com roupas coloridas e brilho no olhar, convencidos de que estão fazendo História, embora alguns ainda sejam imberbes.

Os mesmos mosaicos de textos e imagens compondo um visual agradavelmente anárquico. [O pôster mais hilário é o do governador José Serra fazendo mira com um fuzil e os dizeres “José Serra, nada mais nos U.N.E.”. Que ingenuidade, deixar-se fotografar em pose tão incompatível com sua aura e seu passado!]

Sou capaz de apostar que, se fizesse uma “excursão” como a que estou fazendo, a reitorazinha teria chiliques, pois, à “anarquia criativa”, deve preferir os ambientes burocratizados, assépticos e sem vida, a julgar pelo que revela nas entrevistas: faz musculação, esteira e escova nos cabelos, usa terninhos de estilo clássico, quer corrigir pálpebras e bochechas com cirurgia plástica.

Deuses, o que faz uma farmacêutica numa posição dessas? Serão esses os temas que uma reitora deve tratar na imprensa, quando sua universidade vive a maior crise das últimas décadas? [De quebra, é uma ingênua que, a mando ou com autorização do governador, pede reintegração de posse e depois paga o mico de ver o mandado judicial descumprido, já que os estudantes não engoliram o blefe e Serra teme as conseqüências desse presumível confronto sobre suas ambições políticas.]

Apesar de toda a grita demagógica dos direitistas empedernidos e dos cristãos-novos do reacionarismo, não há sinais visíveis de depredação ou vandalismo. Aliás, os estudantes criaram um sem-número de comissões, para cuidar de cada detalhe “administrativo” da ocupação, zelando pelo patrimônio público. Até permitem que os faxineiros continuem cumprindo sua função de manter limpas as várias dependências, indiferentes ao “perigo” de que o “inimigo” possa infiltrar-se camuflado com macacões.

O que não funciona mesmo são os caixas eletrônicos de bancos, nos quais foram colados avisos de “sem dinheiro”. Uma fração infinitesimal da usura consentida pela Justiça e abençoada pelo sistema foi detida. Vem-me à lembrança uma música de Sérgio Ricardo, ídolo dos universitários responsáveis pelas ocupações de quatro décadas atrás: “Os bancos e caixas-fortes/ que eram rocha, se quebraram/ e um rio de dinheiro correu”.

À saída, lanço um último olhar a esses jovens belos, brilhantes e idealistas, aparentemente tão frágeis, mas dispostos a enfrentar a tropa de choque da PM, se isso for necessário. Espero, torço para que não venha a ser.

Volto para o mundo real da desigualdade, da competição e da ganância, depois de um breve reencontro com o faz-de-conta revolucionário. Ciente de que há um longo caminho a percorrer até que os voluntários da utopia voltem a ser em número suficiente para tentarem ir além do faz-de-conta.

E, mesmo assim, esperançoso, pois um passo importante está sendo dado, com esse renascer do movimento estudantil que ora se delineia. É tudo de que precisamos, a renovação e oxigenação da esquerda, depois de tantas desilusões e defecções.

As pedras voltam a rolar.

P.S. – Já me preparava para expedir este texto em várias direções quando foi anunciado que, "a pedido" dos reitores da USP, Unicamp e Unesp, bem como do presidente da Fapesp, Serra reformulou um e deu nova interpretação a outros quatro daqueles decretos contestados pelos estudantes, funcionários e professores por ferirem a autonomia universitária. Conseqüentemente, os “vândalos”, “baderneiros” e “arruaceiros” é que estavam certos. Seus detratores, se tivessem um mínimo de dignidade, lhes pediriam desculpas publicamente.

*Celso Lungaretti é jornalista e escritor

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26 maio 2007

Vale a pena ver de novo!!!

Esta é antológica. Nos anos 90, Leonel Brizola ganhou na Justiça um direito de resposta contra a TV Globo. Resultado: o locutor Cid Moreira foi obrigado a ler um texto de mais de três minutos esculhambando a emissora (Blog do Cid Benjamim)


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23 maio 2007

Ex Presidente da UNE chama a polícia contra Estaudantes - Celso Lungaretti*

“Hoje o samba saiu, lá lalaiá, procurando você. Quem te viu, quem te vêQuem não a conhece não pode mais ver pra crer. Quem jamais esquece não pode reconhecer”
(Chico Buarque, “Quem Te Viu, Quem Te Vê”)

Termine como terminar a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo por estudantes indignados com uma possível quebra da autonomia da instituição, o grande perdedor, claro, é o governador José Serra, que começou sua trajetória política como presidente da União Nacional dos Estudantes e agora repete as práticas autoritárias do ministro da Educação da ditadura, Jarbas Passarinho. Faz lembrar a propaganda contra armas que eu via nos ônibus quando criança: “hoje mocinho, amanhã bandido”.

Depois que o estado de direito foi restabelecido no Brasil, a atitude de tratar protestos justificados como caso de polícia parecia estar destinada à lata de lixo da História (bem como, aliás, quase todo o “legado” do regime militar). Foi estarrecedora a decisão de Serra, de erigir a Polícia Militar em sua “negociadora” com os estudantes.

É mais uma personalidade empenhada em incinerar seu currículo, talvez até como forma de se tornar palatável para os inimigos de ontem. Afinal, é assim que agem alguns homens de esquerda quando colocam a Presidência da República como seu objetivo supremo...

Os estudantes ocuparam a reitoria no último dia 3, reagindo a um decreto promulgado pelo Governo do Estado que altera a estrutura das universidades públicas estaduais. O educador Antonio Carlos Robert Moraes critica a medida sob vários ângulos:
não constava do programa de governo de Serra, nem foi levantada em sua campanha eleitoral;

  • não houve discussões prévias com a comunidade uspiana;
  • sua necessidade para aprimoramento do ensino é das mais discutíveis no caso da USP, que estava mantendo a excelência de sua produção acadêmica e vinha expandindo vagas;
  • além de aparentemente desnecessário, o decreto continha graves lacunas e imprecisões, só sanadas com as alterações efetuadas depois da promulgação.

Se um eminente professor como Moraes reclama que a “Universidade de São Paulo não pode ser colocada na ‘bacia das almas’ do jogo de interesses mercantis, partidários ou político-eleitorais”, é fácil imaginar como tudo isso repercutiu entre os estudantes.

Serra, mais do que qualquer outro, tem a obrigação de saber que a tradição da USP é de resistir a imposições autoritárias. Deveria ter revogado o decreto e aberto a discussão. Em vez disso, preferiu enfiá-lo pela goela dos professores e alunos adentro. Será o grande responsável por tudo de mau que vier a acontecer.

*Celso Lungaretti é jornalista e escritor

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27/05 - PSOL na orla de Copacabana

No próximo domingo, dia 27 de maio, o PSOL marca sua presença na orla de Copacabana, em frente à Rua Santa Clara, a partir das 10h, com a apresentação musical de Lucio Sanfilippo.
Esta é uma atividade conjunta dos mandatos Eliomar Coelho, Marcelo Freixo e Chico Alencar. Apareça!!

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Pronunciamento de Chico Alencar

O PSOL, ao proferir seu voto contrário ao reajuste remuneratório dos deputados, o fez por uma razão muito objetiva: mais uma vez legislamos mal sobre a matéria. Desperdiçamos a chance de resolver essa questão de maneira abrangente, definitiva, austera e, assim, aceitável para a população que nos sustenta.
Leia o pronunciamento de Chico Alencar.
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todos os que assistem a esta sessão ou nela trabalham:
O PSOL, ao proferir seu voto contrário ao reajuste remuneratório dos deputados, senadores, presidente da República e ministros, o fez por uma razão muito objetiva: mais uma vez legislamos mal sobre a matéria. Desperdiçamos a chance de resolver essa questão de maneira abrangente, definitiva, austera e, assim, aceitável para a população que nos sustenta.
Os Projetos de Decretos Legislativos que aprovamos na última quarta-feira, fixando a "recomposição de perdas inflacionárias", foram ocasionais e superficiais. Ao fim e ao cabo, apenas ampliamos o custo-parlamentar em 28%, visto que nossa remuneração passará de 33 para 43 salários-mínimos.
O PSOL também votou contra a "urgência urgentíssima" para a matéria porque não a entendíamos como "de inadiável interesse nacional". Consideramos que
:1) jogamos fora a oportunidade de cortar gastos significativos nas despesas parlamentares, como proposto por estudo da Fundação Getúlio Vargas, encomendado (e pago) pela própria Câmara. Sequer consideramos mecanismos para evitar desvios recorrentes com a verba indenizatória e sua paulatina extinção;
2 ) elevamos a remuneração do presidente e dos ministros - que ainda assim não vão ganhar o mesmo que nós, como seria razoável - sem levar em conta tudo o que de fato recebem através de gastos com cartões corporativos, auxílio moradia e, no caso dos ministros, jetons por participação em conselhos de estatais, às vezes superiores até aos salários nominais que percebem. Nem tocamos nestas questões, que logo serão problematizadas (como, de resto, o pleito corporativo de "reposição de perdas", tão logo elas existam);
3) não enfrentamos o problema do piso e do teto nacional (este o do Judiciário, costumeiramente ultrapassado), nem os reajustes, sempre insuficientes e com nova perspectiva de congelamento, dos servidores públicos de carreira. Apesar de sermos servidores públicos temporários, agimos com espírito de casta, alheios a milhões de outros que têm igualmente funções públicas e vêem seus prometidos planos de cargos e vencimentos engavetados e seus salários arrochados, como é, no momento, o caso dos trabalhadores da Cultura;
4) descuidamos do "efeito cascata" - e note-se que boa parte dos que votaram a favor do reajuste são defensores ardorosos do preceito neoliberal de contenção de gastos do setor público. A aprovação dos PDLs vai elevar - a partir do defensável princípio da "correção de perdas inflacionárias" - o dispêndio com prefeitos e secretários de 5561 municípios, com 51.819 vereadores, com governadores e secretários de 27 estados e com 1059 deputados estaduais. O gasto estimado ultrapassa os R$ 600 milhões.
As tensões com essa questão voltarão, pois, com olhar miúdo e legislando em causa própria, apenas "empurramos com a barriga" a solução do problema. Para evitar novo desgaste, um grupo de parlamentares está comprometido em produzir, até o último ano desta Legislatura, uma proposta que estabeleça critérios razoáveis, transparentes e permanentes para a remuneração e o custo social dos que têm responsabilidade de direção no Executivo, da alta hierarquia do Judiciário e dos membros do Congresso Nacional, de forma a não ficarmos cada vez mais distantes da população a quem devemos, com despojamento, servir.
Além disso, suponho ser empenho de todos fazer a produção legislativa andar. Ganhamos muito bem para isso. Há matérias de alto interesse da população brasileira, como o repasse integral, e desde já, de mais 1% no Fundo de Participação dos Municípios, a Reforma Política, a conclusão da votação das Emendas Constitucionais do fim do voto secreto no Parlamento, do rigor contra o trabalho escravo, do fim do nepotismo, as restrições à edição banalizada de Medidas Provisórias...
Mãos à obra, portanto. Menos politicagem, mais política. Menos preocupação rasteira com a mera reprodução de mandatos, mais preocupação com as sofridas condições de vida dos que pretendemos representar.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 15 de maio de 2007.
Chico Alencar - Deputado Federal PSOL-RJ

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Aumento dos Deputados





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12 maio 2007

Desagravo aos ex Presos-Políticos - Celso Lungaretti

É HORA DE PROTESTARMOS CONTRA AS MÁS PRÁTICAS JORNALÍSTICAS DA VEJA!
Como ex-preso político que fui entre 1970 e 1971, tendo sofrido lesão permanente nos porões da ditadura e amargado a perda de pelo menos 20 companheiros e amigos queridos, fiquei chocado ao constatar que a revista Veja, na matéria “Um Perigo Chamado MR-8” (edição de 09/05/2007), exumara a propaganda enganosa que os serviços de guerra psicológica das Forças Armadas idealizaram durante o período mais brutal do regime militar, ao qualificar o MR-8 como “terrorista”.
A Veja, que jamais se refere aos déspotas fardados do período como “carrascos” ou “genocidas”, atentou contra o princípio de isenção e eqüidistância que deve nortear a atuação da imprensa, ao encampar a terminologia da extrema-direita, igualando-se aos Brilhantes Ustras da vida.
Escrevi imediatamente carta à redação, cuja publicação deveria servir de desagravo não só a mim, como a todos os ex-presos políticos e suas famílias, insultados pelos conceitos Veja emitiu e pelo jargão que utilizou.
No entanto, numa demonstração de que sepultou também a obrigação de dar voz ao “outro lado”, a Veja preferiu selecionar para publicação apenas oito cartas louvaminhas que concordavam com os exageros e faniquitos de prima dona com que Diogo Mainardi relatou o episódio em sua coluna, não aproveitando nenhuma das dez mensagens que os leitores encaminharam a respeito do texto “Um Perigo Chamado MR-8”.
Então, enviei novamente minha carta à Veja, exigindo sua publicação, mesmo que atrasada, como leitor frustrado e cidadão agredido por aquela matéria.
Durante a ditadura, fui apontado como “terrorista” e “assassino de pais de família” em cartazes afixados nos logradouros públicos de todo o País, sem nunca ter cometido esses delitos nem haver sido deles acusado nas auditorias militares.
Imputação semelhante, por parte de um veículo da grande imprensa, a qualquer movimento ou cidadão envolvido na resistência à tirania dos militares, equivale a tripudiar sobre meu sofrimento e o de todos os heróis e mártires que se sacrificaram no limite das suas forças para que o estado de direito fosse restabelecido no País.
Apelo também a todos os companheiros, amigos e cidadãos com senso de justiça, no sentido de que abarrotem a caixa de mensagens da Veja ( veja@abril.com.br ) com protestos contra suas más práticas jornalísticas e seu desrespeito pela justa indignação dos ex-presos políticos.
Eis a carta enviada à Veja em 12/05/2007:
"Como ex-preso político agredido pelos conceitos emitidos e pelo jargão utilizado na matéria "Um perigo chamado MR-8" (edição 2007, de 09/05/2007), exijo que a Veja cumpra o dever jornalístico de abrir espaço para o outro lado, publicando esta carta que reapresento por haver sido ignorada na edição passada.
Em seu texto alarmista e tendencioso a Veja encampou a propaganda enganosa da linha-dura militar de outrora e dos néo-integralistas atuais, ao qualificar, logo no subtítulo, o MR-8 de "terrorista na ditadura".
Em seguida, afirmou que "O MR-8 e a ALN foram duas das organizações esquerdistas que, sob a bandeira da luta contra o regime militar, promoveram seqüestros, roubos a banco e atos de intimidação".
O regime militar foi fruto da usurpação do poder por um grupo direitista que vinha conspirando contra a democracia desde os anos JK e já fizera várias tentativas golpistas (a principal delas quando quase impediu a posse de João Goulart). Ao conseguir êxito em 1964, rasgou a Constituição e governou sob terrorismo de estado. Então, os heróis e mártires que ousaram enfrentar o arbítrio, em situação de terrível desigualdade de forças, nada mais fizeram do que exercer o direito de resistência à tirania, que nos foi legado pela civilização grega, tanto quanto a democracia.
Os verdadeiros terroristas eram aqueles niilistas do século XIX que, incapazes de conduzir o povo à revolução, tentavam, com balas e bombas, criar o caos e impedir que a classe dominante governasse. Os movimentos de resistência ao nazi-fascismo e às ditaduras militares latino-americanos jamais quiseram criar o caos, mas sim conscientizar as massas e organizá-las para a derrubada dos tiranos.
Os seqûestros de diplomatas serviram para salvar presos políticos da morte e das torturas mais atrozes. As expropriações de bancos, para sustentar militantes clandestinos nas condições de rigorosa clandestinidade. E nenhum ato de intimidação porventura cometido pelos idealistas (sempre há excessos em conflitos desse tipo) equivale à prática sistemática da tortura por parte dos militares, atingindo dezenas de milhares de brasileiros, ou à política de extermínio por eles adotada a partir de 1971, quando passaram a levar os resistentes aprisionados diretamente para centros clandestinos de tortura, nos quais os massacravam e depois executavam, dando sumiço até em seus restos mortais."
CELSO LUNGARETTI

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A UNE volta para CASA

 Para minha geração que cresceu durante a Ditadura Militar esta é uma vitória. Para quem não sabe, no terreno da Praia do Flamengo 132 existia o Clube Germania, entidade de cunho facista e em 1942 foi doado a UNE no Governo Getulio Vargas.





Há 43 anos em 1º abril de 1964, em uma da primeiras arbritariedades do Regime Militar, o prédio foi invadido e incendiado e a UNE foi clocada na ilegalidade







Nas decadas de 50, 60 e 70 a UNE e o MOVIMENTO ESTUDANTIL tiveram papel importante na defesa de nossa Nacionalidade e no desenvolvimento cultural do País e na decada de 80 na recontrução democrática do País.





 
 
 
 
 
Eu estava lá em 1979 na última tentativa de recuperar o prédio da Praia do Flamengo e fomos escurraçados pelo rescaldo da repressão. Logo em seguida o prédio foi demolido e virou um estacionamento irregular.
 
O então Presidente Itamar Franco devolveu, durante seu governo, o terreno à UNE, porém somente agora a retomada se concretizou. Com projeto de Oscar Niemeyer um nova sede será reerguido
 
Hino da Une (Carlos Lyra e Vinícius de Morais)
União Nacional dos Estudantes
Mocidade brasileira
Nosso hino é nossa bandeira

De pé a jovem guarda
A classe estudantil
Sempre na vanguarda
Trabalhar pelo Brasil

A nossa mensagem de coragem
É que traz um canto de esperança
Num Brasil em paz

A UNE reúne futuro e tradição
A UNE, a UNE, a UNE é união
A UNE, a UNE, a UNE somos nós
A UNE, a UNE, a UNE é nossa voz

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11 maio 2007

Dia da Mães

PARA SEMPRE
Carlos Drummond de Andrade
Por que Deus permite que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apagaquando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondidona pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passasem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

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