30 setembro 2007
Veja mira Guevara e dá tiro no pé - Celso Lungaretti
Os 40 anos da morte de Ernesto Guevara Lynch de la Serna, a se completarem no próximo dia 9, dão ensejo a uma nova temporada de caça ao mito Che Guevara por parte da imprensa reacionária, começando por Veja, que acaba de produzir uma das matérias-de-capa mais tendenciosas de sua trajetória.
"Veja conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas”, afirma a revista, numa admissão involuntária de que não praticou jornalismo, mas, tão-somente, produziu uma peça de propaganda anticomunista, mais apropriada para os tempos da guerra fria do que para a época atual, quando já se pode olhar de forma desapaixonada e analítica para os acontecimentos dos anos de chumbo.
Não houve, em momento algum, a intenção de se fazer justiça ao homem e dimensionar o mito. A avaliação negativa precedeu e orientou a garimpagem dos elementos comprobatórios. Tratou-se apenas de coletar, em todo o planeta, quaisquer informações, boatos, deturpações, afirmações invejosas, difamações, calúnias e frases soltas que pudessem ser utilizadas na montagem de uma furibunda catalinária contra o personagem histórico Ernesto Guevara, com o propósito assumido de se demonstrar que o mito Che Guevara seria uma farsa.
Assim, por exemplo, a Veja faz um verdadeiro contorcionismo retórico para tentar tornar crível que, ao ser preso, o comandante guerrilheiro teria dito: "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto". Ora, uma frase tão discrepante de tudo que se conhece sobre a personalidade de Guevara jamais poderá ser levada a sério tendo como única fonte a palavra de quem posou como seu captor, um capitão do Exército boliviano (na verdade, eram oficiais estadunidenses que comandavam a caçada).
É tão inverossímil e pouco confiável quanto a “sei quando perco” atribuída a Carlos Lamarca, também capturado com vida e abatido como um animal pelas forças repressivas.
E são simplesmente risíveis as lágrimas de crocodilo que a Veja derrama sobre o túmulo dos “49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia” e morreram perseguindo os guerrilheiros. Além de combater um inimigo que tinha esmagadora superioridade de forças e incluía combatentes de elite da maior potência militar do planeta, Guevara ainda deveria ordenar a seus comandados que fizessem uma cuidadosa triagem dos alvos, só disparando contra oficiais...
É o mesmo raciocínio tortuoso que a extrema-direita utiliza para tentar fazer crer que a morte de seus dois únicos e involuntários mártires (Mário Kozel Filho e Alberto Mendes Jr.) tenha tanto peso quanto a de quatro centenas de idealistas que arriscaram conscientemente a vida e a liberdade na resistência à tirania, confrontando a ditadura mais brutal que o Brasil conheceu.
Típica também – e não por acaso -- da retórica das viúvas da ditadura é esta afirmação da Veja sobre o legado de Guevara: “No rastro de suas concepções de revolução pela revolução, a América Latina foi lançada em um banho de sangue e uma onda de destruição ainda não inteiramente avaliada e, pior, não totalmente assentada. O mito em torno de Che constitui-se numa muralha que impediu até agora a correta observação de alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas”.
Assim, a onda revolucionária que se avolumou na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970 teria como causa “as concepções de revolução pela revolução” de Guevara e não a miséria, a degradação e o despotismo a que eram submetidos seus povos. E a responsabilidade pelos banhos de sangue com que as várias ditaduras sufocaram anseios de liberdade e justiça social caberia às vítimas, não aos carrascos.
É o que a propaganda enganosa dos sites fascistas martela dia e noite, tentando desmentir o veredicto definitivo da História sobre os Médicis e Pinochets que protagonizaram “alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas”.
Não existe muralha nenhuma impedindo a correta observação desses episódios, tanto que ela já foi feita pelos historiadores mais conceituados e por braços do Estado brasileiro como as comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos. Há, isto sim, a relutância dos verdugos, de seus cúmplices e de seus seguidores, em aceitarem a verdade histórica indiscutível.
E a matéria-de-capa da Veja não passa de mais um exercício do jus esperneandi a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes.
"Veja conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas”, afirma a revista, numa admissão involuntária de que não praticou jornalismo, mas, tão-somente, produziu uma peça de propaganda anticomunista, mais apropriada para os tempos da guerra fria do que para a época atual, quando já se pode olhar de forma desapaixonada e analítica para os acontecimentos dos anos de chumbo.
Não houve, em momento algum, a intenção de se fazer justiça ao homem e dimensionar o mito. A avaliação negativa precedeu e orientou a garimpagem dos elementos comprobatórios. Tratou-se apenas de coletar, em todo o planeta, quaisquer informações, boatos, deturpações, afirmações invejosas, difamações, calúnias e frases soltas que pudessem ser utilizadas na montagem de uma furibunda catalinária contra o personagem histórico Ernesto Guevara, com o propósito assumido de se demonstrar que o mito Che Guevara seria uma farsa.
Assim, por exemplo, a Veja faz um verdadeiro contorcionismo retórico para tentar tornar crível que, ao ser preso, o comandante guerrilheiro teria dito: "Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto". Ora, uma frase tão discrepante de tudo que se conhece sobre a personalidade de Guevara jamais poderá ser levada a sério tendo como única fonte a palavra de quem posou como seu captor, um capitão do Exército boliviano (na verdade, eram oficiais estadunidenses que comandavam a caçada).
É tão inverossímil e pouco confiável quanto a “sei quando perco” atribuída a Carlos Lamarca, também capturado com vida e abatido como um animal pelas forças repressivas.
E são simplesmente risíveis as lágrimas de crocodilo que a Veja derrama sobre o túmulo dos “49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia” e morreram perseguindo os guerrilheiros. Além de combater um inimigo que tinha esmagadora superioridade de forças e incluía combatentes de elite da maior potência militar do planeta, Guevara ainda deveria ordenar a seus comandados que fizessem uma cuidadosa triagem dos alvos, só disparando contra oficiais...
É o mesmo raciocínio tortuoso que a extrema-direita utiliza para tentar fazer crer que a morte de seus dois únicos e involuntários mártires (Mário Kozel Filho e Alberto Mendes Jr.) tenha tanto peso quanto a de quatro centenas de idealistas que arriscaram conscientemente a vida e a liberdade na resistência à tirania, confrontando a ditadura mais brutal que o Brasil conheceu.
Típica também – e não por acaso -- da retórica das viúvas da ditadura é esta afirmação da Veja sobre o legado de Guevara: “No rastro de suas concepções de revolução pela revolução, a América Latina foi lançada em um banho de sangue e uma onda de destruição ainda não inteiramente avaliada e, pior, não totalmente assentada. O mito em torno de Che constitui-se numa muralha que impediu até agora a correta observação de alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas”.
Assim, a onda revolucionária que se avolumou na América Latina durante as décadas de 1960 e 1970 teria como causa “as concepções de revolução pela revolução” de Guevara e não a miséria, a degradação e o despotismo a que eram submetidos seus povos. E a responsabilidade pelos banhos de sangue com que as várias ditaduras sufocaram anseios de liberdade e justiça social caberia às vítimas, não aos carrascos.
É o que a propaganda enganosa dos sites fascistas martela dia e noite, tentando desmentir o veredicto definitivo da História sobre os Médicis e Pinochets que protagonizaram “alguns dos mais desastrosos eventos da história contemporânea das Américas”.
Não existe muralha nenhuma impedindo a correta observação desses episódios, tanto que ela já foi feita pelos historiadores mais conceituados e por braços do Estado brasileiro como as comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos Políticos. Há, isto sim, a relutância dos verdugos, de seus cúmplices e de seus seguidores, em aceitarem a verdade histórica indiscutível.
E a matéria-de-capa da Veja não passa de mais um exercício do jus esperneandi a que se entregam os que têm esqueletos no armário e os que anseiam por uma recaída totalitária, com os eventos desastrosos e os banhos de sangue correspondentes.
*Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Celso Lungaretti,
Lungaretti,
Política
28 setembro 2007
Se mandar calar mais eu falo
Terça-feira - 9 de outubro - 20 horasShows com Geraldo Azevedo e Daniel Gonzaga
Circo Voador - Rua dos Arcos, s/n, Lapa (Rio de Janeiro)
O evento é promovido pelo Grupo Tortura Nunca Mais (GTNM) e a renda será destinada ao pagamento das custas do processo movido por 4 agentes federais contra o GTNM, por ter repercutido em sua página na internet denúncia de um cidadão de que foi preso e violentamente agredido por aqueles policiais.
… leia na íntegra e comente
26 setembro 2007
Se é transgênico, tem que rotular
A Justiça de São Paulo concedeu liminar a uma ação do Ministério Público paulista obrigando as empresas Bunge e Cargill a rotularem seus óleos, respectivamente Soya e Liza, como transgênicos.
Ambos são produzidos com soja geneticamente modificada, mas os consumidores não são informados disso conforme manda a lei em vigor.
A ação do MP foi baseada na denúncia feita pelo Greenpeace em 2005, que provou o uso de soja transgênica pelas duas empresas na fabricação dos óleos mais vendidos no Brasil.
… leia na íntegra e comente
21 setembro 2007
Prêmio Congresso em Foco - 2007
Até 18 de novembro os internautas poderão votar nos melhores parlamentares de 2007, em eleição realizada pelo sítio Congresso em Foco
Clique Aqui para ver a relação dos finalistas e votar.
A lista é composta por 25 deputados e 16 senadores, pré-selecionados por 188 jornalistas que acompanham o dia-a-dia de Brasília.
Segundo os profissionais de mídia, Chico Alencar é o segundo melhor colocado entre os 513 deputados federais.
Além disso, todos os demais parlamentares do PSOL - Luciana Genro, Ivan Valente e José Nery - ficaram entre os 15 primeiros.
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Chico Alencar,
Congresso,
Ivan Valente,
Política,
PSOL
16 setembro 2007
Utilidade Pública
Relação de email´s de nossos digníssimos Senadores
A mesa telefônica central atende pelos números 0800-612211 e (61) 33114141
… leia na íntegra e comente
Copa América 2007
Comentários dos Jornalistas Esportivos da Argentina antes da final contra o Brasil, na Copa América 2007, na Venezuela.
O Brasil venceu por 3 x 0
O Brasil venceu por 3 x 0
… leia na íntegra e comente
14 setembro 2007
34 anos do Golpe no chile
Neste 11 de setembro, completam 34 anos do sangrento golpe militar patrocinado pelos Estados Unidos no Chile. O golpe resultou de uma quartelada que derrubou o governo socialista de Salvador Allende e implantou a ditadura do general Augusto Pinochet.
Um relatório oficial concluiu que 3.197 pessoas foram assassinadas por razões políticas durante a ditadura de Pinochet, que durou de 1973 a 1989.
Mais de dez mil pessoas foram presas, torturadas e exiladas no período ditatorial.
Em 1973, o prédio fora bombardeado e tomado de assalto pelas tropas de Pinochet, que assassinaram o presidente constitucional do país, o companheiro Allende.
Leia o último discurso do presidente Salvador Allende
"Compatriotas: Esta será seguramente a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A aviação bombardeou as antenas de Radio Portales e Radio Corporación. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção, e elas serão o castigo moral para os que traíram o juramento feito: soldados de Chile, comandantes-em-chefe titulares e mais o almirante Merino, que se autodesignou, e o señor Mendoza, esse general rasteiro, que ontem manifestara-me sua fidelidade e lealdade ao governo.Frente a estes fatos, só me cabe dizer aos trabalhadores: não vou renunciar!
"Compatriotas: Esta será seguramente a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A aviação bombardeou as antenas de Radio Portales e Radio Corporación. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção, e elas serão o castigo moral para os que traíram o juramento feito: soldados de Chile, comandantes-em-chefe titulares e mais o almirante Merino, que se autodesignou, e o señor Mendoza, esse general rasteiro, que ontem manifestara-me sua fidelidade e lealdade ao governo.Frente a estes fatos, só me cabe dizer aos trabalhadores: não vou renunciar!
Colocado neste transe histórico, pagarei com minha vida a lealdade do povo, e digo-lhes que tenho certeza que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser apagada definitivamente. Eles têm a força, mas não se detêm processos sociais pelo crime e pela força. A História é nossa, ela é feita pelos povos.
Trabalhadores da minha pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram e a confiança que depositaram num homem que foi apenas intérprete dos seus anseios de justiça, que empenhou sua palavra no respeito à Constituição e à lei, e que a respeitou. Neste momento definitivo, o derradeiro em que posso me dirigir a vocês, peço que aproveitem a lição.
O capital estrangeiro, o imperialismo unido à reação, criou o clima para que as Forças Armadas rompessem uma tradição que lhes ensinou Schneider e que reafirmou o comandante Anaya, vítimas do mesmo setor social que hoje está nas suas casas esperando através de mão alheia reconquistar o poder, para seguir defendendo seus privilégios.
Me dirijo sobretudo à modesta mulher da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à operaria que trabalhou mais, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças.
Me dirijo aos profissionais patriotas que há dias continuam trabalhando contra a sedição auspiciada por órgãos de classe, para defender as vantagens que a sociedade capitalista deu a uns poucos.
Me dirijo à juventude, àqueles que cantaram, que entregaram sua alegria e seu espírito de luta.
Me dirijo ao homem chileno, operário, camponês, intelectual, àqueles que serão perseguidos porque em nosso país o fascismo já se faz presente há algum tempo em atentados terroristas, sabotagens de estradas de ferro e pontes, oleodutos e gasodutos.
Frente ao silêncio dos que tinham a obrigação [interrupção momentânea da transmissão de Radio Magallanes] ... a que estavam submetidos. A História os julgará.
Seguramente, Radio Magallanes será calada e o metal tranqüilo da minha voz não chegará mais a vocês... Não importa ... Não importa, vocês seguirão me ouvindo, estarei sempre junto de vocês, pelo menos minha lembrança será de um homem digno, leal à lealdade dos trabalhadores.
O povo deve se defender, mas não se sacrificar. Não deve deixar-se arrasar nem crivar de balas, mas tampouco pode se deixar humilhar.
Trabalhadores da minha pátria: tenho fé no Chile e no seu destino. Este momento cinzento e amargo, onde a traição pretende se impor, será superado. Sigam sabendo que muito mais cedo do que tarde de novo se abrirão as grandes avenidas por onde passará o homem digno que quer construir uma sociedade melhor...
Viva Chile, viva o povo, vivam os trabalhadores... Estas são minhas últimas palavras ... Tenho certeza de que meu sacrifício não será em vão, tenho certeza de que pelo menos será uma lição moral que castigará a felonia, a covardia e a traição...".
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Chico Alencar,
Congresso,
Ditadura Militar,
Política,
PSOL,
Repressão
12 setembro 2007
Renan Absolvido - VERGONHA!!!! (3)
Duas pérolas produzidas por Francisco Dornellles (INFELIZMENTE SENADOR PELO MEU ESTADO):
- Crime tributário não é causa para quebra de decoro.
- Amanhã, isso pode ser usado contra os senhores. Porque muitos aqui têm problemas fiscais.
… leia na íntegra e comente
CPI do Pan - Camara RJ
Para aqueles que são do Rio de Janeiro assinem a PETIÇÃO PELO NÃO ADIAMENTO DA CPI DO PAN
A iniciativa é do Vereador Eliomar Coelho - Psol
A iniciativa é do Vereador Eliomar Coelho - Psol
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Eliomar Coelho,
Política,
PSOL
Renan Absolvido - VERGONHA!!!! (2)
Aloisio Mercadante (PT-SP) informa: ele foi um dos seis senadores que cravaram "abstenção" no julgamento desta tarde de Renan Calheiros (PMDB-AL). Quer dizer: embora tenha cabalado votos pela absolvição de Renan, ele não votou pela absolvição.Quem se absteve ajudou Renan a se salvar. Ele só seria cassado se 41 dos 81 senadores o condenassem. Somente 35 o fizeram.
… leia na íntegra e comente
Renan Absolvido - VERGONHA!!!!
Este o o email do Senado Federal, vamos fazer a nossa parte e protestar contra o Coorporativismo e esta decisão absurda, principalmente quais foram os 6 SENADORES que reolveram ficar em cima do muro
webmaster.secs@senado.gov.br
webmaster.secs@senado.gov.br
… leia na íntegra e comente
08 setembro 2007
07 setembro 2007
Duas do Leminsk
Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno
Paulo Leminski
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez
Paulo Leminski
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno
Paulo Leminski
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez
Paulo Leminski
… leia na íntegra e comente
É Proibido Sonhar - Frei Betto
No passado, o futuro era melhor. Ao menos para a minha geração, a dos que tinham 20 anos na década de 1960 (Cuba, Che, Vietnã, Bossa-Nova, Cinema Novo, Nouvelle Vague, Beatles, tropicalismo etc).
Com o que sonham os jovens de hoje? Minha geração sonhou com a mudança do Brasil (castrada pelo golpe militar de 1964) e do mundo (congelada pela queda do Muro de Berlim).
A globocolonização neoliberal cuidou de privatizar, não apenas empresas públicas e estatais, mas também os sonhos.
Os jovens já não sonham em escala nacional e planetária, exceto no que concerne à preservação da natureza. Sonham em escala individual e familiar: conforto, riqueza, beleza e poder.
Quem roubou os grandes sonhos? Por que o vocábulo ‘utopia’ desapareceu da linguagem corrente e é suspeito aos olhos dos intelectuais europeus?
Quem primeiro falou em utopia (do grego utopos, lugar nenhum) foi Hesíodo, poeta do século VIII a.C., em seu famoso texto "Os trabalhos e os dias". Evoca os homens que viviam como deuses, "sem preocupações em seus corações, protegidos da dor e da miséria." Ninguém envelhecia e, dotadas de "vigor incansável", as pessoas desfrutavam das "delícias dos banquetes". "Não conheciam o constrangimento e viviam em paz e abundância como os senhores de sua terra."
Hesíodo não nutria veleidades nostálgicas. Seu texto aproxima-se mais da literatura profética que da idílica. A era de ouro havia desaparecido porque os homens "não foram capazes de evitar a violência imprudente entre si e não queriam reverenciar os deuses."
Agora, diz Hesíodo ao comparar a realidade ao sonho, não há "nenhum amor entre amigos ou irmãos, como no passado. Os contraventores saquearão as cidades uns dos outros e o poder fará a lei e o pudor desaparecerá."
A palavra ‘utopia’ foi cunhada por Thomas Morus em 1516, como título de seu mais conhecido livro. Essa idéia de que em tempos primordiais havia uma sociedade perfeita e que nos cabe, agora, resgatá-la, é mais acentuada nos filhos da tradição judaico-cristã. O mito bíblico do Paraíso isento de toda dor e pecado ecoa forte em nosso inconsciente. Aquilo que foi, será.
Nem Marx logrou libertar-se do paradigma bíblico. Seu comunismo primitivo, imune à alienação e exploração, é a imagem de um passado refletido no futuro: a construção da sociedade comunista, onde haverá a adequação entre existência e essência do ser humano. Em que ponto da Terra sobrevive a utopia que, no século XX, mobilizou milhões de militantes dispostos a dar a vida para que todos tivessem vida?
O fundamentalismo islâmico não se compara ao ardor dos jovens revolucionários. Estes queriam mudar o mundo, não impor uma crença religiosa; buscavam implantar a justiça, não a predominância de uma fé; almejavam uma nova sociedade, não a hegemonia de uma religião; vislumbravam o êxito na derrubada do poder opressor, não na morte coroada pelo martírio.
O socialismo foi a grande utopia de minha geração. Sonhávamos com uma sociedade na qual ninguém estaria ameaçado pela fome, a guerra, a exploração, a discriminação e a marginalização. A Rússia foi a primeira a implantar, em 1917, o novo sistema esboçado na crítica de Marx e Engels ao capitalismo.
Em 1949 o gigante chinês deu o mesmo passo. Embora o socialismo tenha representado grandes avanços quanto aos direitos sociais, não tardaram a se repetirem as "desilusões de Hesíodo": crimes de Stalin, Revolução Cultural chinesa, imperialismo político, a ditadura do proletariado reduzida à ditadura dos dirigentes do partido único etc.
Hannah Arendt, militante da esquerda alemã, ao renegar suas idéias revolucionárias cometeu o equívoco de encarar o marxismo e o fascismo como diferentes versões do totalitarismo. Disseminou, pois, o pensamento antiutópico, hoje representado no Brasil pelo PSDB e pelo PT. Assim, cerrou o horizonte da esperança e reforçou o neoliberalismo.
Para os adeptos do antiutopismo, que já não crêem em sociedade pós-capitalista, há sim identificação entre este sistema e democracia. O capitalismo seria perverso em seus abusos, não em sua essência. Acreditam, portanto, em ser possível "humanizá-lo", sem atinarem para as conexões entre Wall Street e a Etiópia, o bem-estar dos países escandinavos e a presença significativa de seu capital e de suas empresas em países emergentes.
Sofre-se, hoje, de distopia, a utopia deteriorada, ceticismo, desencanto, que induzem muitos a se acomodarem tristes em seu canto.
O que resta da esperança quando já não cremos em líderes, partidos, doutrinas e ideologias?
O que resta quando, à nossa volta, se fecham todas as portas e janelas?
Resta a amargura, o desalento, a repulsa ao poder. Esse o momento em que o sistema comemora a sua vitória sobre nós.
Esvaziar-nos de utopia, neutralizar-nos, cooptar-nos, eis a tática daqueles que professam o dogma de que "fora do mercado não há salvação".
Quem não sonha com a utopia corre o sério risco de recorrer ao sonho químico das drogas, que sempre termina em pesadelo.
Frei Betto - Frei dominicano.
Escritor. [Autor de "Sinfonia Universal - a cosmovisão de Teilhard de Chardin" (Ática), entre outros livros].
… leia na íntegra e comente
O aquecimento global, os agrocombustíveis e o direito humano à alimentação
Expositores
1. Horácio Martins de Carvalho, agrônomo, especialista em Ciências Sociais, professor universitário, de pós-graduação, consultor do PNUD, da FAO e de uma série de instituições e movimentos sociais, ex-presidente e membro do Conselho da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA);
2. Donald Sawyer, sociólogo, Ph.D. em Sociologia, professor universitário, de pós-graduação, consultor da UNESCO e de uma série de outras instituições, membro fundador e presidente do Instituto Sociedade, População e Natureza;
3. Ricardo Baitelo, engenheiro eletricista, mestre em Planejamento Energético pela USP e coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace/Brasil
Audiência pública "O aquecimento global, os agrocombustíveis e o direito humano à alimentação"
Quando: 12/09/2007 - 14h
Onde: Plenário 12, Anexo II (corredor de comissões) da Câmara dos Deputados - Brasília(DF)
Contatos: Gabinete do Deputado Chico Alencar
Fone: (61) 3215.5848
dep.chicoalencar@camara.gov.br
Fone: (61) 3215.5848
dep.chicoalencar@camara.gov.br
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Chico Alencar,
Congresso,
Política,
PSOL
A Independencia que ainda chegará
por Chico Alencar
Ser patriota é lutar, organizadamente, como cidadão, para afastar do nosso país a injustiça e a opressão. Ser patriota é conhecer um pouco a nossa história: é saber que, há 185 anos, ficamos livres de Portugal mas continuamos presos ao latifúndio e à escravidão.
Leia o pronunciamento de Chico Alencar.
A melhor maneira de comemorar esse 7 de setembro, dia da Pátria e data nacional, é revigorar em nós o orgulho de ser brasileiro, isto é, cidadão e cidadã lutador(a).
Exemplos dessa brasilidade sadia não faltam. Recomendo que, nesse fim de semana prolongado, olhemos para nós mesmos, para nossas desventuras e belezas, assistindo às mais novas pérolas do vigoroso cinema nacional.
Você ficará engrandecido vendo na tela grande " Três Irmãos de Sangue", que relata a saga comovente dos manos Henfil, Chico Mário e Betinho, ou "Milton Santos: O Mundo Global Visto do Lado de Cá", em que o nosso geógrafo - sociólogo expõe os problemas do globolitarismo, ou da globoconolonização que nos envolve, ou "Brasileirinho", no qual a história do choro revela a alma musical e cantante do Brasil. Reconhecermo-nos nos torna mais patriotas!
Ser patriota é mais do que cantar o hino nacional com emoção.
Ser patriota é ajudar a construir, com exemplos cotidianos, na família, na rua onde se mora e no trabalho, um Brasil melhor. Seja tratando todos com consideração, seja não jogando lixo no chão.
Ser patriota é lutar, organizadamente, como cidadão, para afastar do nosso país a injustiça e a opressão.
Ser patriota é conhecer um pouco a nossa história: é saber que, há 185 anos, ficamos livres de Portugal mas continuamos presos ao latifúndio e à escravidão.
Ser patriota é entender que o gosto pela nossa terra não é maior nem menor que o de outros povos por suas nações. E que todos devemos trabalhar para que um dia não haja mais qualquer divisão de fronteiras e sim , como queria o Papa Paulo VI em sua encíclica Populorum Progressio, um governo mundial cooperativo.
Santo Agostinho dizia que só há nação quando um povo tem um sonho comum. O Brasil contraditório desse século XXI deve nos dar orgulho por sua cultura, sua ciência e a criativa operosidade do povo, tão pouco reconhecida no país do desemprego e dos salários aviltantes.
No dia 7 de setembro de 1822 nascia uma nova nação. Um príncipe português separava o Brasil de sua antiga metrópole. Para setores da classe dominante como os fazendeiros do Sudeste, uma vitória. A população de São Paulo e do Rio de Janeiro ficou empolgada. Comemorações e fitinhas verde-amarelas dominavam o ambiente.
Mas, na verdade, nada se modificou em profundidade. O que significou o Grito do Ipiranga para milhares de trabalhadores escravos e para tantos brancos e mulatos pobres? A nova nação que nascia continuava a ter a mesma estrutura dos três séculos de vida colonial: a grande propriedade - concentrada em poucas mãos; a monocultura - mantendo sua dependência externa; e a escravidão - que oprimia e degradava a vida de tantos seres humanos, construtores da riqueza nacional.
A tarefa histórica da soberania nacional e da igualdade continua urgente.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 06 de setembro de 2007.
Chico Alencar - Líder do PSOL
Ser patriota é lutar, organizadamente, como cidadão, para afastar do nosso país a injustiça e a opressão. Ser patriota é conhecer um pouco a nossa história: é saber que, há 185 anos, ficamos livres de Portugal mas continuamos presos ao latifúndio e à escravidão.
Leia o pronunciamento de Chico Alencar.
A melhor maneira de comemorar esse 7 de setembro, dia da Pátria e data nacional, é revigorar em nós o orgulho de ser brasileiro, isto é, cidadão e cidadã lutador(a).
Exemplos dessa brasilidade sadia não faltam. Recomendo que, nesse fim de semana prolongado, olhemos para nós mesmos, para nossas desventuras e belezas, assistindo às mais novas pérolas do vigoroso cinema nacional.
Você ficará engrandecido vendo na tela grande " Três Irmãos de Sangue", que relata a saga comovente dos manos Henfil, Chico Mário e Betinho, ou "Milton Santos: O Mundo Global Visto do Lado de Cá", em que o nosso geógrafo - sociólogo expõe os problemas do globolitarismo, ou da globoconolonização que nos envolve, ou "Brasileirinho", no qual a história do choro revela a alma musical e cantante do Brasil. Reconhecermo-nos nos torna mais patriotas!
Ser patriota é mais do que cantar o hino nacional com emoção.
Ser patriota é ajudar a construir, com exemplos cotidianos, na família, na rua onde se mora e no trabalho, um Brasil melhor. Seja tratando todos com consideração, seja não jogando lixo no chão.
Ser patriota é lutar, organizadamente, como cidadão, para afastar do nosso país a injustiça e a opressão.
Ser patriota é conhecer um pouco a nossa história: é saber que, há 185 anos, ficamos livres de Portugal mas continuamos presos ao latifúndio e à escravidão.
Ser patriota é entender que o gosto pela nossa terra não é maior nem menor que o de outros povos por suas nações. E que todos devemos trabalhar para que um dia não haja mais qualquer divisão de fronteiras e sim , como queria o Papa Paulo VI em sua encíclica Populorum Progressio, um governo mundial cooperativo.
Santo Agostinho dizia que só há nação quando um povo tem um sonho comum. O Brasil contraditório desse século XXI deve nos dar orgulho por sua cultura, sua ciência e a criativa operosidade do povo, tão pouco reconhecida no país do desemprego e dos salários aviltantes.
No dia 7 de setembro de 1822 nascia uma nova nação. Um príncipe português separava o Brasil de sua antiga metrópole. Para setores da classe dominante como os fazendeiros do Sudeste, uma vitória. A população de São Paulo e do Rio de Janeiro ficou empolgada. Comemorações e fitinhas verde-amarelas dominavam o ambiente.
Mas, na verdade, nada se modificou em profundidade. O que significou o Grito do Ipiranga para milhares de trabalhadores escravos e para tantos brancos e mulatos pobres? A nova nação que nascia continuava a ter a mesma estrutura dos três séculos de vida colonial: a grande propriedade - concentrada em poucas mãos; a monocultura - mantendo sua dependência externa; e a escravidão - que oprimia e degradava a vida de tantos seres humanos, construtores da riqueza nacional.
A tarefa histórica da soberania nacional e da igualdade continua urgente.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 06 de setembro de 2007.
Chico Alencar - Líder do PSOL
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Chico Alencar,
Congresso,
Política,
PSOL
06 setembro 2007
Renan

Apesar de todas as forças e manobras o Conselho de Ética do Senado federal acabou dando seu parecer favoravel a cassação de Renan Calheiros e agora vamos ver o que vai ocorrer no Plenário
Pena que possa ser somente uma manobra, em virtude do voto aberto no Conselho, e que, sobre o manto do voto secreto em plenário, alguns dos que se manifestaram favoráveis a cassação apenas para ficar de bem com a opinião pública votem pela absolvição
Só nos resta aguardar
… leia na íntegra e comente
Grito dos Excluídos - 2007
O Grito dos Excluídos é uma grande manifestação popular para denunciar todas as situações de exclusão e assinalar as possíveis saídas e alternativas. É um grito que ganha os ares, entra pelas portas e janelas, toma os espaços. Tem como objetivo unificar todos os gritos presos em milhões de gargantas, desinstalar os acomodados, ferir os ouvidos dos responsáveis pela exclusão e conclamar todos à organização e à luta.
É o grito dos empobrecidos, dos indefesos, dos pequenos, dos sem vez e sem voz, dos enfraquecidos - numa palavra, o grito dos excluídos. Quer ser uma instância articuladora, animadora e interpeladora dos movimentos sociais; um espaço facilitador das diversas lutas e demandas sociais
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Grito do Excluídos
01 setembro 2007
O Biombo Hediondo do Voto Secreto
por Chico Alencar
O Senado Federal, inicialmente através do seu Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, tem a grave tarefa de julgar a representação que nós, do PSOL, oferecemos, com abertura de processo disciplinar contra o senador Renan Calheiros.
Que o faça de forma objetiva e transparente aos olhos da Nação: os representados têm direito de saber como votam seus representantes.
Nunca é demais lembrar que a nossa representação, a primeira de três que o senador enfrenta, indica quebra de decoro por possível pagamento de despesas pessoais através de alto funcionário da empreiteira Mendes Jr, empresa interessada em negócios públicos, aumento ilegal de patrimônio e colocação de bens em nome de terceiros.
A documentação que o senador apresentou como "prova cabal" de que toda sua movimentação financeira e patrimonial se dera nos marcos legais e que, com isso, provaria ter recursos suficientes para arcar com a pensão paga à jornalista Mônica Veloso, é um dos aspectos da análise da procedência - que sustentamos com convicção - do pedido de interrupção de seu mandato e suspensão de seus direitos político-eletivos.
A perícia do Instituto de Criminalística, nesse sentido, é reveladora e contundente:
a conta corrente do representado apresentada para exame não tem saques ou transferências bancárias coincidentes ou correspondentes nos valores e períodos dos repasses para a sra. Mônica;
a quantidade de reses declaradas no Imposto de Renda é incompatível com os dados de vacinação do rebanho;
não foi possível comprovar nem a propriedade do senador quanto à totalidade do rebanho negociado nem sua venda nos valores das notas fiscais; há inconsistências entre as notas fiscais e as Guias de Transporte Animal apresentadas; uma nota fiscal número 102 tem emissão anterior à nota fiscal número 101;
um aditamento de empréstimo (não declarado ao Imposto de Renda) de R$ 178 mil, tomado à Costa Dourada Veículos, é absolutamente incongruente, inclusive com promissórias de quitação de valores superiores a R$ 500 mil;
a verba indenizatória (para ressarcimento de gastos feitos no exercício do mandato) foi apresentada como rendimento;
o crescimento extraordinário do patrimônio do senador derivou, em boa parte, daquilo que o laudo pericial denomina "atividade rural fictícia", com inexistência de gastos com custeio das atividades nas fazendas, recibo de vendas de gado para empresas fantasmas e superdimensionamento do rebanho.
A "verdade" que o senador Renan Calheiros tanto diz buscar está aí, devastadora: a promiscuidade entre grandes interesses privados e exercício de mandato público é total, e sua atividade política, como é comum na má tradição nacional,comprova-se fundada no patrimonialismo e na construção ilícita de um império político mandonista, familiar e oligárquico, típico do "coronelismo moderno".
A teia de relações de compadrio e a habilidade no trato com a corporação parlamentar não elidem a triste conclusão de que a ética e o decoro parlamentar foram esquecidas, de há muito. O Senado da República, arrastado para o turbilhão da crise da representação política, precisa dar uma resposta à altura, sem o manto ilegítimo do voto secreto, sob pena de desmoralizar-se de vez.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões,
29 de agosto de 2007.
Chico Alencar - Deputado Federal PSOL-RJ
O Senado Federal, inicialmente através do seu Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, tem a grave tarefa de julgar a representação que nós, do PSOL, oferecemos, com abertura de processo disciplinar contra o senador Renan Calheiros.
Que o faça de forma objetiva e transparente aos olhos da Nação: os representados têm direito de saber como votam seus representantes.
Nunca é demais lembrar que a nossa representação, a primeira de três que o senador enfrenta, indica quebra de decoro por possível pagamento de despesas pessoais através de alto funcionário da empreiteira Mendes Jr, empresa interessada em negócios públicos, aumento ilegal de patrimônio e colocação de bens em nome de terceiros.
A documentação que o senador apresentou como "prova cabal" de que toda sua movimentação financeira e patrimonial se dera nos marcos legais e que, com isso, provaria ter recursos suficientes para arcar com a pensão paga à jornalista Mônica Veloso, é um dos aspectos da análise da procedência - que sustentamos com convicção - do pedido de interrupção de seu mandato e suspensão de seus direitos político-eletivos.
A perícia do Instituto de Criminalística, nesse sentido, é reveladora e contundente:
a conta corrente do representado apresentada para exame não tem saques ou transferências bancárias coincidentes ou correspondentes nos valores e períodos dos repasses para a sra. Mônica;
a quantidade de reses declaradas no Imposto de Renda é incompatível com os dados de vacinação do rebanho;
não foi possível comprovar nem a propriedade do senador quanto à totalidade do rebanho negociado nem sua venda nos valores das notas fiscais; há inconsistências entre as notas fiscais e as Guias de Transporte Animal apresentadas; uma nota fiscal número 102 tem emissão anterior à nota fiscal número 101;
um aditamento de empréstimo (não declarado ao Imposto de Renda) de R$ 178 mil, tomado à Costa Dourada Veículos, é absolutamente incongruente, inclusive com promissórias de quitação de valores superiores a R$ 500 mil;
a verba indenizatória (para ressarcimento de gastos feitos no exercício do mandato) foi apresentada como rendimento;
o crescimento extraordinário do patrimônio do senador derivou, em boa parte, daquilo que o laudo pericial denomina "atividade rural fictícia", com inexistência de gastos com custeio das atividades nas fazendas, recibo de vendas de gado para empresas fantasmas e superdimensionamento do rebanho.
A "verdade" que o senador Renan Calheiros tanto diz buscar está aí, devastadora: a promiscuidade entre grandes interesses privados e exercício de mandato público é total, e sua atividade política, como é comum na má tradição nacional,comprova-se fundada no patrimonialismo e na construção ilícita de um império político mandonista, familiar e oligárquico, típico do "coronelismo moderno".
A teia de relações de compadrio e a habilidade no trato com a corporação parlamentar não elidem a triste conclusão de que a ética e o decoro parlamentar foram esquecidas, de há muito. O Senado da República, arrastado para o turbilhão da crise da representação política, precisa dar uma resposta à altura, sem o manto ilegítimo do voto secreto, sob pena de desmoralizar-se de vez.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões,
29 de agosto de 2007.
Chico Alencar - Deputado Federal PSOL-RJ
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Chico Alencar,
Congresso,
Política,
PSOL
Direito a Verdade
por Chico Alencar
Em comunicação de liderança, Chico Alencar apóia o lançamento do livro DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE, que relata a tragédia de mais de 360 familias de desaparecidos políticos durante a ditadura militar. No mesmo pronunciamento, fala do indiciamento dos envolvidos no caso do mensalão, e mira no julgamento de Renan Calheiros no Conselho de Ética do Senado. Leia a comunicação de liderança
Em primeiro lugar, o PSOL registra uma iniciativa positiva do Governo ao qual nos opomos, o que não nos impede de reconhecer o lançamento que acontece neste momento, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do livro "Direito à Memória e à Verdade". É o relato da tragédia de mais de 360 famílias brasileiras que perderam seus entes queridos e não tiveram, durante a repressão militar da ditadura, o direito de sepultar seus corpos, de velar seus mortos. Essa publicação, coordenada pelo Secretário Paulo Vanucchi, mostra que o País, apesar de tudo, vai avançando etapas civilizatórias importantes. Mas elas só serão plenamente cumpridas nesse aspecto se os arquivos da repressão, da violência oficial, do terrorismo de estado, da tortura, do banimento, da morte e do desaparecimento de corpos sob custódia do poder autoritário também forem inteiramente abertos. Seguiremos cobrando isso.
No contraponto dessa boa notícia, nós, do Partido Socialismo e Liberdade, que nascemos da profunda crise em que mergulhou o PT, queremos dizer que se não tivéssemos razões sociais, políticas, históricas e éticas para construir uma alternativa partidária de transformação social e de busca da mudança dos péssimos hábitos políticos brasileiros, agora teríamos, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, a chancela jurídica para isso!
Será julgada na Alta Corte a adesão de uma cúpula partidária - para desgosto de muitos dos seus sinceros militantes - ao esquema corrompido da política tradicional, da financeirização da campanha, da banalização do crime,da malversação, da organização e da obtenção de apoio em nome de uma governabilidade que despreza a mobilização social e se restringe ao âmbito Parlamentar, sem estar ancorada em programas claros, em princípios, em propostas e em idéias.
A decisão do Supremo Tribunal Federal de abrir o processo e de colocar como réus figuras de proa do Partido dos Trabalhadores, e de outros partidos também, é, sobretudo, uma denúncia para que mudemos radicalmente nossa prática política, para que o abismo entre sociedade e instituição política e partido não continue se aprofundando.Aliás, amanhã teremos a chance, no Conselho de Ética do Senado - que devia se mirar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e votar aberto - de começarmos a nos redimir, minimamente: condenando esse esquema político apodrecido que aí está e que tanto a população condena.
O senador Renan Calheiros, que enfrenta processo disciplinar derivado de representação do PSOL, chegou ao absurdo de usar órgãos do Senado da República a serviço de uma parte em questão, que é ele próprio. Isso não é admissível, não é razoável, não é democrático! A nossa expectativa é que, amanhã, o Conselho de Ética, pela sua ampla maioria de seus membros, diga que certos procedimentos reiterados quebram a ética e o decoro Parlamentar.
Todos os Parlamentares da Frente Parlamentar pelo Fim do Voto Secreto, que aplaudimos a decisão do Supremo, devemos estar lá, avivando a memória dos nossos colegas Senadores quanto ao clamor social em relação à necessidade de o representado saber sempre como vota seu representante.Ficam todos convidados para acompanharem a sessão amanhã, às 10 horas da manhã.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
Em comunicação de liderança, Chico Alencar apóia o lançamento do livro DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE, que relata a tragédia de mais de 360 familias de desaparecidos políticos durante a ditadura militar. No mesmo pronunciamento, fala do indiciamento dos envolvidos no caso do mensalão, e mira no julgamento de Renan Calheiros no Conselho de Ética do Senado. Leia a comunicação de liderança
Em primeiro lugar, o PSOL registra uma iniciativa positiva do Governo ao qual nos opomos, o que não nos impede de reconhecer o lançamento que acontece neste momento, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do livro "Direito à Memória e à Verdade". É o relato da tragédia de mais de 360 famílias brasileiras que perderam seus entes queridos e não tiveram, durante a repressão militar da ditadura, o direito de sepultar seus corpos, de velar seus mortos. Essa publicação, coordenada pelo Secretário Paulo Vanucchi, mostra que o País, apesar de tudo, vai avançando etapas civilizatórias importantes. Mas elas só serão plenamente cumpridas nesse aspecto se os arquivos da repressão, da violência oficial, do terrorismo de estado, da tortura, do banimento, da morte e do desaparecimento de corpos sob custódia do poder autoritário também forem inteiramente abertos. Seguiremos cobrando isso.
No contraponto dessa boa notícia, nós, do Partido Socialismo e Liberdade, que nascemos da profunda crise em que mergulhou o PT, queremos dizer que se não tivéssemos razões sociais, políticas, históricas e éticas para construir uma alternativa partidária de transformação social e de busca da mudança dos péssimos hábitos políticos brasileiros, agora teríamos, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, a chancela jurídica para isso!
Será julgada na Alta Corte a adesão de uma cúpula partidária - para desgosto de muitos dos seus sinceros militantes - ao esquema corrompido da política tradicional, da financeirização da campanha, da banalização do crime,da malversação, da organização e da obtenção de apoio em nome de uma governabilidade que despreza a mobilização social e se restringe ao âmbito Parlamentar, sem estar ancorada em programas claros, em princípios, em propostas e em idéias.
A decisão do Supremo Tribunal Federal de abrir o processo e de colocar como réus figuras de proa do Partido dos Trabalhadores, e de outros partidos também, é, sobretudo, uma denúncia para que mudemos radicalmente nossa prática política, para que o abismo entre sociedade e instituição política e partido não continue se aprofundando.Aliás, amanhã teremos a chance, no Conselho de Ética do Senado - que devia se mirar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e votar aberto - de começarmos a nos redimir, minimamente: condenando esse esquema político apodrecido que aí está e que tanto a população condena.
O senador Renan Calheiros, que enfrenta processo disciplinar derivado de representação do PSOL, chegou ao absurdo de usar órgãos do Senado da República a serviço de uma parte em questão, que é ele próprio. Isso não é admissível, não é razoável, não é democrático! A nossa expectativa é que, amanhã, o Conselho de Ética, pela sua ampla maioria de seus membros, diga que certos procedimentos reiterados quebram a ética e o decoro Parlamentar.
Todos os Parlamentares da Frente Parlamentar pelo Fim do Voto Secreto, que aplaudimos a decisão do Supremo, devemos estar lá, avivando a memória dos nossos colegas Senadores quanto ao clamor social em relação à necessidade de o representado saber sempre como vota seu representante.Ficam todos convidados para acompanharem a sessão amanhã, às 10 horas da manhã.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
… leia na íntegra e comente
Marcadores:
Chico Alencar,
Congresso,
Desaparecidos,
Ditadura Militar,
Política,
PSOL,
Repressão
Assinar:
Postagens (Atom)




























