31 maio 2008

Capa Jornal Extra - 31/05/2008


VOTARAM SIM
ALESSANDRO CALAZANS (PMN)
ANABAL (PHS)
APARECIDA GAMA (PMDB)
ÁTILA NUNES (DEM)
AUDIR SANTANA (PSC)
BEATRIZ SANTOS (PRB)
CHIQUINHO DA MANGUEIRA (PMDB)
CORONEL JAIRO (PSC)
DÉLIO LEAL (PMDB)
DIONÍSIO LINS (PP)
DOMINGOS BRAZÃO (PMDB)
DR. WILSON CABRAL (PSB)
ÉDINO FONSECA (Prona)
EDSON ALBERTASSI (PMDB)
FÁBIO SILVA (PMDB)
GERALDO MOREIRA (PMN)
GERSON BERGHER (PSDB)
GLAUCO LOPES (PSDB)
GRAÇA MATOS (PMDB)
IRANILDO CAMPOS (PTB)
JOÃO PEDRO (DEM)
JOÃO PEIXOTO (PSDC)
JORGE BABU (PT)
JORGE PICCIANI (PMDB)
LUIZ PAULO (PSDB)
MARCELO SIMÃO (PHS)
MARCO FIGUEIREDO (PSC)
MARCUS VINICIUS (PTB)
MÁRIO MARQUES (PSDB)
NATALINO (DEM)
PAULO MELO (PMDB)
PEDRO PAULO (PSDB)
RAFAEL ALOISIO FREITAS (DEM)
ROGÉRIO CABRAL (PSB)
RONALDO MEDEIROS (PSB)
SHEILA GAMA (PDT)
SULA DO CARMO (PMDB)
TUCALO (PSC)
WALDETH BRASIEL (PL)
WILSON CABRAL (PSB)

VOTARAM NÃO
ALESSANDRO MOLON (PT)
CIDINHA CAMPOS (PDT)
COMTE BITTENCOURT (PPS)
DR. ALCIDES ROLIM (PT)
FERNANDO GUSMÃO (PCdoB)
FLÁVIO BOLSONARO (PP)
GILBERTO PALMARES (PT)
INÊS PANDELÓ (PT)
MARCELO FREIXO (PSOL)
NILTON SALOMÃO (PMDB)
OLNEY BOTELHO (PDT)
PAULO RAMOS (PDT)
RODRIGO NEVES (PT)
SABINO (PSC)
WAGNER MONTES (PDT)

FALTARAM
*ÁLVARO LINS (PMDB) - o acusado
ALAIR CORRÊA (PMDB)
ALTINEU CORTES (PT)
ANDRÉ CORRÊA (PPS)
ANDRÉ DO PV (PV)
ARMANDO JOSÉ (PSB)
GRAÇA PEREIRA (DEM)
JODENIR SOARES (PTdoB)
JOSÉ NADER (PTB)
JOSÉ TÁVORA (DEM)
MARCOS ABRAHÃO (PSL)
NELSON GONÇALVES (PMDB)
PEDRO AUGUSTO (PMDB)
ROBERTO DINAMITE (PMDB)
ZITO (PSDB)

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30 maio 2008

Documentário sobre o Araguaia - TV Cultura

A TV Cultura apresentou no Domingo, dia 27/05 o documentário: A Guerrilha do Araguaia – As Faces Ocultas da História.
Depoimentos de ex-guerrilheiros como Zezinho do Araguaia e José Genoíno e também de ex-oficiais combatentes.
Se alguem viu e gravou poderia postar algo aqui

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Reparação Histórica - Chico Alencar

Artigo do Deputado Federal Chico Alencar-PSOL/RJ, publicado no Jornal O Globo em 26/05/2008
Com 98 anos de atraso, um decreto legislativo concebido pelo senador Rui Barbosa, em 1910, vai passar a vigorar de verdade: trata-se da concessão de anistia post-mortem a João Cândido e demais participantes da Revolta da Chibata, que eclodiu em 22 de novembro daquele ano.
O projeto, de iniciativa da senadora Marina Silva (PT/AC), que terá a merecida alegria de aprová-lo definitivamente no seu retorno à Casa, é uma denúncia da traição do governo do Marechal Hermes, que acenou com o perdão dos revoltosos para que eles depusessem armas.
E um anúncio de que a justiça histórica é sempre possível, mesmo que demore quase um século.
O motim da marujada naquela que era, no início do século passado, uma poderosa Armada, teve objetivo de dignidade humana: o fim dos castigos corporais na Marinha do Brasil. Motivo nobre e atual: na verdade, João Cândido, alcunhado de "Almirante Negro", liderou um movimento contra a tortura. Esta, ao contrário da praticada na ditadura de 1964/1984, tinha estatuto legal, determinando-se sangrentas chibatadas e "bolos" na palma das mãos para quem não obedecesse estritamente às ordens superiores.
Os marinheiros rebelados mostraram perícia incomum no manejo dos vasos de guerra, e as autoridades da então capital da República ficaram assustadas. "Como estes analfabetos, negros e mulatos na sua maioria, ousam agir assim, e com tal destreza?" - indagavam.
Canhoneiras apontadas das águas da Guanabara para os prédios do poder, restou aos seus donos a negociação.
O senador Rui, que até então defendera os castigos, reconheceu que os rebeldes "tinham sido fiéis à sua idéia, tinham sido leais uns com os outros e desinteressados na luta contra a situação terrível em que estavam colocados, com necessidades irrecusáveis".
Herdeiros do autoritarismo imperial, os dirigentes da nossa singular República sem povo, oligárquica, reagiram tão logo puderam, após o aparente reconhecimento dos pleitos dos insurretos: todos os líderes foram presos.
Os que sobreviveram à masmorra foram condenados à miséria para o resto de suas vidas.
João Cândido, que faleceu esquecido e pobre, aos 89 anos, tornou-se vendedor de peixes no antigo entreposto da Praça XV. "Depois da cadeia, ainda tentei trabalhar no mar, mas fui sempre muito perseguido, até na Marinha Mercante", testemunhava ele.
Desta luta inglória, agora oficialmente reconhecida como constitutiva da nossa História, restou, apesar da cruel repressão, a abolição dos castigos corporais como método de manutenção da hierarquia militar. Falta o reconhecimento daquele que "tem por monumento as pedras pisadas do cais", como canta o belíssimo (e censuradíssimo, quando lançado) samba de João Bosco e Aldir Blanc, "O Mestre-Sala dos Mares".
Estátuas e monumentos de nossa cidade, quase sempre, homenageiam os dominantes de cada época, em função da leitura parcial que se faz do nosso processo histórico.
É chegada a hora de se valorizar os lutadores do povo, que reagiram às injustiças.
No velho cais do Paço e das barcas, onde a estátua do monarca D. João VI pontifica, há lugar para João Cândido e sua simbologia.
Salve o Almirante Negro!

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Requerimento de Chico Alencar na Comissão de Direitos Humanos da Camara

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

REQUERIMENTO (Do Sr. Deputado Chico Alencar)

Sr. Presidente, submeto à apreciação desta Comissão moção de apoio, conforme anexo, ao Ministro da Justiça, por suas declarações referentes à abertura de processos judiciais para julgar os responsáveis pela tortura no Brasil no período da ditadura militar (1964-1985).

Sala das Comissões, 27 de maio de 2008.

Chico Alencar - Deputado Federal, PSOL/RJ

MOÇÃO DE APOIO
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados associa-se a autoridades, a diversas vítimas do regime militar e a entidades de Direitos Humanos na defesa do julgamento de torturadores que atuaram no regime militar brasileiro (1964-1985), apoiando, assim, as declarações do Senhor Ministro da Justiça, Tarso Genro.
Delitos praticados na ditadura, acobertados pelo aparato do Estado, precisam ser reconhecidos e julgados, nos marcos legais existentes. Brasileiras e brasileiros que resistiram ao arbítrio foram perseguidos, presos, mortos, julgados, banidos do país, vítimas de todo o tipo de violência, com marcas psicológicas irreversíveis para muitos/as. Já os seviciadores continuam inteiramente impunes.
A anistia para os opositores do regime, que o poder arbitrário definiu, incidiu sobre procedimentos políticos conhecidos e que foram expostos publicamente. No entanto, no caso dos torturadores da ditadura, seus crimes não foram sequer reconhecidos pelo regime.
A tortura nunca foi legalizada no Brasil. No entanto, foi amplamente utilizada nos inquéritos policiais contra ativistas, praticada por servidores públicos nas dependências de repartições públicas e movida com recursos públicos.
O julgamento dos torturadores não significa ofensa à qualquer instituição do Estado, pois a própria ditadura nunca defendeu a tortura, nem tampouco admitiu que fosse praticada pelo Estado. Vale lembrar que o ex-Presidente Geisel, tomando conhecimento dessa prática nas dependências militares, destituiu o comandante do 2º Exército, em São Paulo.
O Estado tem um débito com a memória da Nação que só será pago quando os torturadores estiverem sentados, finalmente, no banco dos réus. As indenizações pagas pelo Estado aos perseguidos e torturados políticos representam uma forma de reconhecimento e reparação parciais aos danos provocados.
Falta concluir esse processo de reparação. Processar os que praticam terrorismo de Estado não é revanchismo político. Em nenhuma legislação tortura é considerada crime político, mas crime contra a vida.
O regime autoritário brasileiro permitia abusos como prisões arbitrárias e até inconstitucionais, mas a tortura nunca foi admitida pelas próprias leis da ditadura. A assinatura do Brasil na Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, não foi revogada nem suspensa. E ali está dito que "ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante".
A violência contra uma pessoa presa ou indefesa é considerada crime comum, seja cometida por agentes do Estado, seja por pessoas contrárias ao regime. Nenhum servidor público militar, de qualquer escalão, defende a tortura como prática institucional.
A impunidade dos que torturam é uma afronta histórica à Nação. Apagamentos históricos, invisiblidades e silenciamentos possibilitam a repetição de erros e crimes. A Justiça ainda está por ser feita. Nesse aspecto, estamos muito atrasados em relação a países vizinhos.
Processar e julgar os torturadores é um direito das famílias dos/as torturados e desaparecidos e um dever do Poder Público para com nosso processo civilizatório.

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21 maio 2008

De Falácias e Má Fé - Celso Lungaretti

“Em um país sem memória, é muito fácil reescrever a história”, afirmou Marco Antonio Villa, que leciona tal matéria na Universidade Federal de São Carlos, em seu artigo “Falácias Sobre a Luta Armada na Ditadura” (Folha de S. Paulo, 19/05/2008).

Confiante nessa facilidade, Villa não se deu sequer ao trabalho de reescrevê-la de com algum apuro, como se constata neste parágrafo, o mais revelador das intenções subjacentes à sua racionália tortuosa:“Argumentam que não havia outro meio de resistir à ditadura, a não ser pela força.
Mais um grave equívoco: muitos dos grupos existiam antes de 1964 e outros foram criados logo depois, quando ainda havia espaço democrático (basta ver a ampla atividade cultural de 1964-1968). Ou seja, a opção pela luta armada, o desprezo pela luta política e pela participação no sistema político e a simpatia pelo foquismo guevarista antecedem o AI-5 (dezembro de 1968), quando, de fato, houve o fechamento do regime.”...
A simplificação dessa história equivale à sua desfiguração – e o professor Villa sabe muito bem disso.
Acreditou que ninguém percebesse a falácia por ele cometida ao estender aos contingentes que ingressaram na luta armada a partir do AI-5 as acusações que faz aos pioneiros.
E mesmo com estes foi injusto, ao omitir que os de origem militar foram privados de suas carreiras, perseguidos e levados ao desespero pelo arbítrio instaurado no País, não sendo de estranhar, portanto, que acabassem optando por ações desesperadas.
Até para reescrever a história é necessário algum talento.
Apenas má fé não basta.


A íntegra do artigo DE FALÁCIAS E MÁ FÉ está em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate

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As Cotas Raciais e os 113 Tolos Pomposos - Celso Lungaretti *

“É uma história contada por um tolo,
cheia de som e fúria, significando nada”
(William Shakespeare, “Macbeth”)

Sou signatário do Manifesto em Defesa da Justiça e da Constitucionalidade das Cotas raciais. Mas não, certamente, o mais entusiasta.

Tal documento e o outro a que ele veio responder – o dos Cidadãos Anti-Racistas contra as Leis Raciais – visam pressionar os juízes do Supremo Tribunal Federal no sentido de que mantenham ou rejeitem a política de reservar-se determinado número de vagas para os negros nos estabelecimentos de ensino superior.

Meu pouco entusiasmo se deve, primeiramente, ao ranço elitista de tais manifestações. Uns e outros apostam, implicitamente, em que seu prestígio e/ou representatividade vá ser determinante junto à opinião pública e aos mais altos magistrados da Nação.

Cidadãos como Caetano Veloso, Ferreira Gullar, João Ubaldo Ribeiro e José Goldemberg supõem que a simples menção de seus nomes seja capaz de mover céus e terras. Daí terem restringido seu abaixo-assinado anticotas a 113 personalidades e luminares, pois tico-ticos destoariam ao lado de tão fulgurantes pavões...

O manifesto pró-cotas também tem lá seus notáveis, mas a porta foi deixada aberta para todos aqueles que quisessem entrar: numa primeira fase, a rede dos organizados; e, a partir da disponibilização on-line, os internautas em geral.

Temos, portanto, duas amostragens de minorias articuladas pretendendo representar a maioria desinteressada, extenuada e desesperançada, que está a anos-luz de distância desse debate.

O saudoso jornalista Cláudio Abramo, há pelo menos duas décadas, escreveu um artigo assustador e profético, alertando que a real participação no jogo democrático ficaria cada vez mais limitada àqueles que integrassem o sistema como produtores e consumidores. Estes disporiam das informações, teriam as ferramentas e tomariam as decisões.

Aos desempregados, subempregados e miseráveis estaria reservado o papel de parias, só lembrados na hora das eleições para encherem urnas com votos de cabresto. E a democracia sofreria um esvaziamento real, na medida em que só existiria para alguns e estes falariam em nome de todos.

É, cada vez mais, o que se passa na era da internet, quando batalhas de Itararé (aquela que não houve, segundo o grande humorista Apparício Torelly) como essa dos manifestos são travadas apaixonadamente pelos bem-pensantes e passam quase despercebidas para o homem das ruas.

Muito barulho por nada? – Quanto ao mérito da questão, há uma certeza e dois principais questionamentos.

A certeza é de que os negros escravizados foram vítimas de práticas aberrantes, repulsivas e ignominiosas.

Os questionamentos são quanto à reparação proposta para essa injustiça histórica:
· Até que ponto o menor acesso dos negros atuais às faculdades se deve a ocorrências anteriores a 1888?
· Até que ponto tais políticas compensatórias sanarão ou atenuarão o problema?

Para não embarcarmos numa discussão interminável e que talvez nem sequer comporte uma conclusão inequívoca, vamos admitir que negros e pobres tenham suas oportunidades reduzidas em função da desigualdade e da desumanidade que caracterizam o capitalismo no Brasil; e que os negros enfrentem dificuldades maiores ainda que as dos outros pobres.

Então, para os seres humanos justos e solidários, pouco importa se os negros estão em desvantagem por causa da escravidão passada ou por encontrarem-se hoje sob o fogo cruzado do capitalismo e de um racismo dissimulado, mas não menos real. Merecem, sim, que os pratos da balança sejam reequilibrados em seu favor.

Quanto à eficácia das políticas compensatórias, ela só poderá ser realmente aferida depois de um período razoável de implementação. Por que, afinal, abortarmos essa tentativa no nascedouro?

Os 113 cruzados do “não” carregam nas tintas, adotando uma retórica cujo alarmismo beira o ridículo: “as cotas raciais (...) ocultam uma realidade trágica e desviam as atenções dos desafios imensos e das urgências, sociais e educacionais, com os quais se defronta a nação”, “leis raciais (...) passam uma fronteira brutal no meio da maioria absoluta dos brasileiros”, etc.

À primeira vista, parece muito barulho por nada. Será mesmo?

O fato é que, em meio às terríveis distorções que o ensino superior vem sofrendo em função de seu atrelamento aos interesses capitalistas – começando por sua ênfase na especialização castradora que forja meros profissionais, desprezando a formação crítica e universalizante que engendra verdadeiros cidadãos –, eles magnificaram um problema menor, em detrimento, exatamente, “dos desafios imensos” que dizem existir.

Por que, afinal, nunca demonstraram idêntico empenho em relação a esses desafios imensos? A carapuça de estarem desviando as atenções do fundamental não lhes caberia melhor do que aos seus adversários?

Um amigo, militante do Movimento Negro, garante que o inspirador desse manifesto foi Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Rede Globo e autor de “Não Somos Racistas”, livro de cabeceira de alguns dos piores porta-vozes da direita golpista na mídia brasileira.

Aí estaria tudo explicado, pois esses mesmos propagandistas atacam da mesmíssima forma o programa federal de anistia às vítimas da ditadura militar, atribuindo uma relevância desmesurada ao que eles alegam ser um terrível desperdício do dinheiro do contribuinte, mas, na pior das hipóteses, não passaria de uma gota d’água no oceano de iniqüidades de Brasília. E, na verdade, trata-se apenas do fiel cumprimento das normas que a ONU prescreve para as nações saídas do totalitarismo.

Para finalizar, eis o segundo motivo para eu considerar a política das cotas raciais apenas um paliativo, não uma solução: ela ataca somente um dos elos da corrente da injustiça. Não garante que os negros cheguem às portas da faculdade, apenas as abre para os que as houverem conseguido alcançar por seus próprios esforços. E também não garante que tenham igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.

Nem, muito menos, que seus talentos e conhecimentos sejam posteriormente utilizados para o seu perfazimento como seres humanos e em real benefício da sociedade, em vez de servirem à acumulação do capital.

Entre os partidários da competição insensível entre seres humanos movidos pela ganância e os cidadãos decentes que procuram minorar as mazelas do capitalismo, eu me alinharei sempre com estes últimos. Mas, sem ilusões: as injustiças só serão realmente erradicadas quando o bem comum prevalecer sobre os interesses individuais, numa nova forma de organização social.

Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate

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18 maio 2008

Violencia no Rio de Janeiro

Os dados apresentados sobre a violência policial são assustadores.
Segundo a ONG Rede contra Violência, o número de mortos pela polícia fluminense avançou de 1063 em 2006 para 1330 em 2007, um crescimento de 25%.
Os efeitos de uma política de segurança pública que vê as comunidades pobres como um lugar gerador delinqüência são nefastos, pois passa a naturalizar a relação entre pobreza e violência, como se o problema das desigualdades sociais e da pobreza fosse a própria existência dos pobres.

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João Candido - O Almirante Negro

Alto sentido de reparação histórica do Projeto de Lei aprovado às 22 horas desta terça-feira, 13 de maio, por unanimidade na Câmara dos Deputados.
Através dele "é concedida anistia post mortem a João Cândido Felisberto, líder da chamada revolta da Chibata, e aos demais participantes do movimento", com o objetivo de restaurar o que lhes foi assegurado pelo decreto nº 2280, de 25 de novembro de 1910.
A anistia produzirá todos os seus efeitos, inclusive em relação às promoções a que teriam direito os anistiados se tivessem permanecido em serviço ativo, bem como em relação ao benefício da pensão por morte.

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Brasil pede perdão a ex-estudantes perseguidos - Por Priscila Lobregatte*

Anistia: Brasil pede perdão a ex-estudantes perseguidos
“Pedimos desculpas em nome do Estado brasileiro pelo sofrimento causado durante a ditadura”.
É desta forma que a Comissão de Anistia tem encerrado cada um dos casos deferidos pelos conselheiros incumbidos de julgar os processos que tramitam no órgão do Ministério da Justiça. A sessão ocorrida nesta quinta-feira, dia 15, anistiou seis ex-estudantes, mas também marcou a assinatura do decreto que cria o Memorial da Anistia e da portaria que reconheceu como anistiada post mortem a histórica comunista Elza Monnerat.
Os julgamentos, desta vez, ocorreram no terreno da Praia do Flamengo, número 132, no Rio de Janeiro, endereço da sede da UNE incendiada pelos militares logo no começo da ditadura.
Como parte da Caravana da Anistia – parceria entre a Comissão e a entidade máxima dos estudantes brasileiros – a sessão teve início por volta das 11 da manhã, com um ato que contou com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro e dos presidentes da OAB, Cezar Brito; da UNE, Lucia Stumpf; da UBES, Ismael Cardoso e da ABI, Maurício Azedo.O destaque ficou para o ministro da Justiça.
Em tom crítico, Tarso Genro abriu sua fala respondendo às colocações feitas na quarta-feira pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Durante audiência pública na Câmara para discutir a demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, Bolsonaro chamou o ministro de terrorista. “Um dos parlamentares”, disse Genro sem citar nomes, “se sentiu incomodado naquele ambiente de debate democrático”. A reação de Bolsonaro, de acordo com a avaliação do ministro, “demonstra que na sociedade brasileira ainda há resíduos autoritários e ditatoriais que permanecem na cabeça das pessoas”.

Pela abertura dos arquivos:
Dirigindo-se ao atual secretário de Meio Ambiente do PCdoB, Aldo Arantes, Genro lembrou da coragem daqueles que lutaram contra o sistema outrora vigente, “que não se submeteram às suas normas e que por isso foram torturados em salas da Operação Bandeirantes”.
Pela abertura dos arquivos
Em defesa da abertura dos arquivos da repressão, Genro destacou que não se pode sonegar o debate ideológico sobre a ditadura. “Porque ao mesmo tempo em que impõe um modelo econômico, a ditadura também impõe um modo de vida às pessoas. O Estado age na mente e no coração das pessoas, subjugadas em função dos interesses daqueles que colaboram com o seu aparelho burocrático-militar”. Para ele, os torturadores deveriam responder por seus crimes antes de serem anistiados, como acabou fazendo a lei promulgada em 1979. “Eles se escondem hoje em uma postura arrogante”, declarou. O ministro defendeu o fortalecimento da democracia no país, com a participação dos diversos setores da sociedade, e salientou que a anistia “é um processo integrante da construção de um projeto republicano e efetivamente democrático para o Brasil”.
Liberdade de Imprensa- Reconstrução da SEDE da UNE

“Liberdade de imprensa”Genro, mais uma vez, criticou a hegemonia dos grandes órgãos de comunicação que, uníssonos, defendem as posições do status quo.
“Se as nossas opiniões não transitam de maneira integral nos grandes jornais do país e são apenas colocados na parte de ‘cartas dos leitores’ ou no pé da página, temos que nos mobilizar e discutir publicamente em grandes plenárias, nos jornais alternativos e sindicais, nos panfletos das organizações dos movimentos sociais”. Para ele, é preciso conjugar liberdade de imprensa com a liberdade de se veicular livremente a diversidade de idéias.
“Hoje, sonega-se a opinião alternativa, contrária àquela defendida pelos que controlam a mídia”, avaliou. Na sessão da Comissão de Anistia, disse, “os cidadãos podem exercer seu direito de ter voz, inclusive para responder às formulações que transitam em determinadas colunas, certamente originárias dos arquivos escondidos pelos torturadores”, denunciou. E lembrou que Bolsonaro tinha consigo um dossiê sobre a vida pregressa do ministro.
“Tenho orgulho do meu passado, que pode ser apresentado publicamente, diferentemente do passado dos torturadores deste país”, finalizou sob aplausos.
Reconstrução da sede
A presidente da UNE, em sua fala, enfatizou a luta por reformas estruturais no Brasil, a necessidade de se abrir os arquivos da ditadura e a luta da UNE pela reconstrução de sua sede. Nos próximos dias, o presidente Lula deverá se reunir com a direção da entidade para tratar do assunto. O valor a ser repassado para a construção do novo prédio é de cerca de 30 milhões de reais. “O primeiro ato do regime militar foi destruir nossa sede. Agora é a hora da reconstrução”. Sobre os documentos, Lucia disse que é “a partir da reconstituição do passado que podemos garantir o futuro” e destacou que “os sonhos de 68 ainda são os nossos sonhos hoje”.

algumas colocações de ex-estudantes

Para o presidente da OAB, Cezar Brito, a anistia é “a possibilidade de dizermos hoje quem estava certo, quem queria o fim da ditadura, quem era contra o FMI e contra a tortura.
O tempo mostrou que eles estavam errados”, alfinetou. Para ele, “é uma ousadia o Estado dizer, através da anistia: ‘perdoe-me; eu errei’”.
Paulo Abrão, presidente da Comissão da Anistia, por sua vez salientou que a atividade deste 15 de maio era histórica. “Há 14 anos o presidente Itamar Franco devolvia o terreno para a UNE. Se pudéssemos dar anistia para pessoa jurídica, a UNE seria merecedora”.
Sobre o memorial, que ainda não tem local definido, mas deve ser sediado em Brasília, Abrão disse que será um centro de documentação rico, deixado desta para as outras gerações. Para Honestino e Elza
Falar de ditadura militar é lembrar daqueles que lutaram por sua queda. E dois nomes foram merecidamente homenageados nesta sessão: Honestino Guimarães e Elza Monnerat
Juliana Botelho Lopes, filha do presidente da UNE de 1973, do pai com quem conviveu por apenas três anos. “Sei que ele dizia que a revolução exige urgência”, e lembrou que Honestino, aluno do curso de Geologia na Universidade de Brasília e militante da AP, achava dormir um desperdício. “Meu pai usava todo o tempo possível para estudar”, recordou.
Honestino é considerado desaparecido e data de 10 de outubro de 1973 o seu desaparecimento, após ter sido preso pelos militares.

Elza Monnerat

Elza Monnerat foi lembrada por meio de um vídeo que teve como trilha sonora a canção “Xambioá”, de Itamar Correia. Ana Rocha, presidente do PCdoB do estado do Rio de Janeiro e que à tarde seria anistiada pela Comissão, homenageou a comunista que no Araguaia era conhecida como Dona Maria.
Para Ana, Elza “plantou a semente da resistência por um Brasil melhor, democrático e socialista; e faz parte de uma legião de mulheres que não cruzaram os braços diante das injustiças e foram à luta”.Elza nasceu em 19 de outubro de 1913.
Em fevereiro de 1962 participou da Conferência Extraordinária da Mantiqueira, que garantiu ao PCdoB continuar na linha revolucionária. A partir do golpe passou a trabalhar clandestinamente na montagem de aparelhos do partido.
Com 63 anos, ao ser presa por seus algozes, gritou sem medo: “abaixo a ditadura! Viva o proletariado!”. Apesar da idade, a comunista não foi poupada das torturas. A revolucionária sobreviveu à ditadura, ao massacre dos guerrilheiros do Araguaia, à Chacina da Lapa e morreu em 11 de agosto de 2004, aos 91 anos.
Para Ana Rocha, naquele dia, Elza se foi, mas “ficou aqui a semente que plantou de simplicidade e solidariedade, de abnegada militância por um mundo melhor. Que as novas gerações reguem, façam crescer e se reproduzir a semente plantada por Elza Monnerat”.

Teatro de Rua : A Ditadura e anistiados

Enfim, anistiados
Vitor experimentou ser morto por um dia. O feito foi durante a apresentação da trupe de teatro “Ta na rua”. Depois de baleado por um soldado, o falso cadáver foi carregado nos ombros dos companheiros enquanto atores, conselheiros da Comissão, estudantes e participantes da sessão seguravam velas.
A encenação trouxe um pouco do sofrimento enfrentado por milhares de brasileiros nos anos de chumbo. E terminou bradando: “tão criminoso quando fazer um cadáver é oculta-lo”. A peça encerrou a primeira parte das atividades.
A segunda teve início no começo da tarde, com o julgamento dos requerimentos de Mario Magalhães Lobo Viana, Dione Damasceno, Olívia Rangel Joffilly, Solange Lourenço Gomes, Ana Maria Santos Rocha e Edson Menezes da Silva, todos deferidos por unanimidade.
Dione Damasceno era estudante de Medicina na Universidade Federal de Goiás, quando foi presa, em 1972.
Além de ter sua vida acadêmica interrompida, Dione foi torturada com choques nos mamilos, orelhas e órgãos genitais. Depois procurou exílio na Alemanha, foi mais tarde para a Suécia e só retornou ao Brasil em 1983.
Olívia Rangel cursava Ciências Sociais na Unicamp quando começou sua militância, primeiro na Ação Popular e depois, com sua incorporação ao PCdoB, passou a participar das atividades do partido. Por conta da perseguição, teve de mudar seu nome para Olívia Rangel Magalhães e seu marido, Bernardo Joffily – hoje editor do portal Vermelho e membro do Comitê Central do PCdoB – foi “rebatizado” José Ricardo Magalhães.
Temendo por sua vida, Olívia foi para a Albânia em 1974, onde ficou até 1979. Retornando ao Brasil, conta que continuou sofrendo perseguição, apesar da Lei da Anistia já ter sido então promulgada.

O exemplo demagogo da mídia contado hoje

Hoje presidente do PCdoB-RJ, Ana Rocha era estudante de Psicologia na Universidade Federal da Bahia quando passou a ser perseguida por sua atuação militante no partido, juntamente com o então marido Edson Silva, igualmente anistiado. Ambos tiveram de rumar para a Albânia por também teme em cair nos cárceres da ditadura.
Um dos casos mais dramáticos julgados hoje, no entanto, foi o de Solange Lourenço Gomes, levado à Comissão pelo viúvo Celso Livi.
Sua esposa foi presa na Bahia em 1971, onde foi barbaramente torturada. Jornais da época noticiaram o suposto arrependimento de Solange por sua militância política, manobra dos militares com o propósito de desgastar os militantes políticos, o que a deixou profundamente deprimida.
Abalada emocionalmente por todos os sofrimentos trazidos pela ditadura, Solange suicidou-se em 1982. Por sua situação, a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos classificou sua morte como de responsabilidade do Estado brasileiro.
Hoje, 26 anos após sua partida, Solange teve reconhecido o direito à anistia post mortem. O Brasil pediu, finalmente, perdão pelos males causados à militante e sua família pela ousadia de questionar o regime autoritário da caserna.

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07 maio 2008

Dilma responde à Agripino

Em sessão da Comissão de Infra-estrutura do Senado, realizada nesta quarta-feira, 7, para a qual foi convocada a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o senador Agripino Maia (DEM-RN) citou uma declaração concedida por Dilma, na qual ela admitia ter mentido durante a ditadura.
A ministra, que esteve presa por 3 anos e foi torturada durante o regime militar, rebateu: "Me orgulho imensamente de ter mentido, porque salvei companheiros da tortura e da morte".
Na década de 60, Dilma participou la luta armada contra a ditadura e, inclusive, integrou o Comando de Libertação Nacional (COLINA).

O Presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cézar Britto critica a menção ao período da ditadura, feita pelo senador:- Foi uma comparação infeliz do senador Agripino Maia, porque a condição de presa e torturada é completamente diferente da condição de ministra depondo ou explicitando suas declarações perante o Congresso Nacional. Lá a mentira era um direito, no Congresso a verdade é um dever (...) Só aquele que sofreu o dissabor da tortura e da perseguição sabe do potencial destrutivo de um interrogatório, ainda mais no neste período em que a tortura e o desaparecimento de pessoas era uma constante.
Britto destaca ainda que o "mentir, omitir ou ficar calado durante interrogatório é direito fundamental do cidadão", independente da condição de seu interrogador, seja ele um torturador ou um agente policial.
Agripino Maia - Um 'democrata' que militava no partido que sustentava os torturadores há 48 anos ... e hoje um senador "DEMocrata" Que tal fazermos uma radiografia do congresso Hoje: Quem foi o que? Quem é quem?Garanto que vamos ter muitas coisas ...Vamos lá?
A revista Caros Amigos na penultima edição publica uma matéria contando a trajetória e o passado do Agripino.... vale a pena ler.... é uma beleza o curriculum do senador....risos
Link com o trecho do depoimento

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04 maio 2008

Antigas celas do Dops SP dão lugar a Memorial

As antigas celas do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), palco de um dos piores momentos da história do país, deram lugar ao Memorial da Resistência, em São Paulo.
O local havia sido reaberto em 2002 com o nome de Memorial da Liberdade, mas mudou de nome a pedido de ex-presos políticos que discordavam do "liberdade". Era lá que os presos políticos eram levados para serem interrogados --e acabavam sendo torturados.
Arquivo Nacional Imagem dos presos políticos que foram trocados pelo embaixador americano Elbrick.
A mudança de nome ocorreu nesta quinta-feira (1º), quando Secretaria de Estado da Cultura inaugurou a exposição fotográfica "Direito à Memória e à Verdade - a Ditadura no Brasil: 1964-1985".
A data de abertura da exposição coincide com os 40 anos da revolta estudantil de maio de 1968 e com os 60 anos da Declaração dos Direitos do Homem. Claudinéli Moreira Ramos, coordenadora da UPPM (Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico), diz que o fato da exposição ocorrer nas celas do Dops mostra que as novas funções culturais do edifício --a Estação Pinacoteca-- não representam o esquecimento do que ocorreu no local na época da ditadura.
"A exposição marca uma atuação cada vez mais incisiva do Memorial da Resistência em dar visibilidade à memória da resistência e da repressão, apresentando ao público em geral e, em especial, às novas gerações, um lado da história recente do país que pouca gente conhece e que teve muita importância na luta pela reafirmação da democracia", afirma a diretora.
A exposição reúne painéis compostos por 110 fotografias, com 1,60m de altura e uma extensão de 70 metros lineares. No local haverá visitas guiadas uma vez por semanas, que serão monitoradas por ex-presos políticos. A programação inclui palestras, debates e apresentações de vídeo uma vez por mês, aos sábados, no auditório da Estação Pinacoteca.
A exposição pode ser vista na Estação Pinacoteca, no largo General Osório, 66, Luz, região central de São Paulo, de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30.
A entrada é grátis.
Mais informações pelo telefone 0/xx/11 3337-0185.

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03 maio 2008

Ideais de 68 voltarão em nova maré revolucionária? - Celso Lungaretti

O ideário político dos contestadores de 1968 é pouco lembrado e reverenciado, já que não convém aos que hoje confrontam o capitalismo e suas inúmeras mazelas a partir de posições mais ortodoxas.
Nas barricadas parisienses, muitos estudantes erguiam as bandeiras negras do anarquismo, que marcara forte presença nos movimentos revolucionários do século 19, mas havia perdido terreno desde a vitória do bolchevismo.
Para Marcuse, somente os descontentes com a sociedade (pós) industrial perceberiam seu totalitarismo intrínseco e seriam capazes de revoltar-se contra ela. Os demais, partícipes do sistema como produtores e consumidores, seguiriam mesmerizados por sua racionalidade perversa.
O esmagamento das primaveras de Paris e de Praga não conteve o impulso dessa nova maré revolucionária, que continuou pipocando nos vários continentes.
Foi, principalmente, nos EUA que os novos anarquistas se lançaram à criação de comunidades urbanas e rurais para praticarem um novo estilo de vida, solidário e livre. Substituíam os antigos laços familiares pela comunhão grupal e dividiam fraternalmente as tarefas relativas à sua sobrevivência.
A idéia era a de irem expandindo a rede de territórios livres até que engolfassem toda a sociedade. Então, em vez de colocarem a tomada do poder como ponto-de-partida para as transformações sociais, deflagradas de cima para baixo, eles pretendiam expandir horizontalmente seu modelo, até que se tornasse dominante.
Acreditavam que, descaracterizando seus ideais para conquistarem os podres poderes, os revolucionários acabavam sendo mudados pelo mundo antes de conseguirem mudar o mundo.
Então, era preciso que ambos os processos ocorressem simultaneamente: deveriam construir-se como homens novos à medida que fossem construindo a sociedade nova.
Esse anarquismo renascido das cinzas e atualizado foi o último grande referencial revolucionário do nosso tempo...
A íntegra do artigo 1968, O RENASCER DAS CINZAS E O HOMEM NOVO está em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com

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Documentário Condor de Roberto Mader

Foi lançado em 1 de maio, “Condor” , documentário de Roberto Mader que procura revelar a história da operação de mesmo nome que uniu as ditaduras de nosso Cone Sul para reprimir qualquer oposição ao regime.

Roberto Mader percorreu diversos países latino-americanos, principalmente o Chile, Argentina e Uruguai, além dos EUA, para investigar como funcionou a operação e narra suas diferentes versões através de depoimentos emocionantes de algumas vítimas e personagens desse período marcante da história da América Latina.

Entre os entrevistados estão o general Manoel Contreras (braço direito de Pinochet), Pinochet Jr., Jarbas Passarinho e Hebe Bonafini, do grupo das Mães de Maio.

O longametragem foi o vencedor dos prêmios de Melhor Documentário no Festival do Rio e Prêmio Especial do Júri em Gramado em 2007.

Rio de Janeiro - Botafogo Espaço de Cinema
Rua Voluntários da Pátria 35, Botafogo - Tel.: (0xx21) 2226-1986 - Sala 3: 14:30, 16:45, 19:00, 21:15

São Paulo - 
Cine Bombril
Av. Paulista 2.075, Conj. Nacional - Tel.: (0xx11) 3285-3696 - Sala 2: 18:00
Frei Caneca
Unibanco Arteplex São Paulo - Rua Frei Caneca 569, 3. piso - Tel.: (0xx11) 3472-2365 - Sala 8: 14:00, 16:00, 20:00, 22:00

BH
Espaço Unibanco Ponteio - Sala 11 - 6h/20h

Brasilia
Academia de Tênis 3 - 17:40 19:40

Nota do Blog
Eu assisti em 02/05 e coloquei nos comentários o que achei, mas já adianto que fui na maior expectativa e saí frustrado...

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Jornais Alternativos 1964 à 1985

O jornalista Bruno Brasil do Museu de História Natural do Rio de Janeiro, está fazendo um levantamento sobre jornais alternativos publicados no período de 64/85.
Interessados em colaborar podem entrar em contato com o Jorge no endereço:
modesto.jorge@gmail.com

ou com o Bruno nos endereços:
brunobrasil@bn.br ou imeio_do_bruno@hotmail.com

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02 maio 2008

PSOL Bahia

O PSOL da Bahia repudia as declarações racistas do professor Antonio Dantas, da Faculdade de Medicina da UFBA

A Bahia, terra de todas as cores, de todos os sons, de todos os tons e letras tremeu de indignação ao ser surpreendida com as declarações de um certo senhor Antonio Dantas. Esse senhor se diz professor, mas considerá-lo assim é manchar uma profissão tão nobre. Coordenador do Curso de Medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia) esse senhor teve publicadas no jornal Folha de São Paulo desta quarta-feira, 30/04, declarações acerca das notas dos alunos de medicina que submeteram-se ao ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes). Nessas declarações esse senhor atribuiu as notas baixas ao "baixo QI (Quociente de Inteligência) dos baianos", e que “o resultado mostra a baixa inteligência dos alunos”. Acrescentou ainda que o suposto baixo QI dos baianos é hereditário e verificado "por quem convive com os baianos".
Segundo Jaques Jesus, doutorando em Psicologia Social pela UNB, esse senhor se utiliza do conceito ultrapassado de QI, superado pela ciência psicológica e pelo bom senso, em virtude das lutas dos movimentos em prol dos direitos humanos. Por esse conceito, determinados grupos sociais têm menor desempenho comparativamente a outros em virtude de características inatas, no caso em questão, a região de origem. Esse senhor se esqueceu de que as diferenças sociais, as características culturais, as conjunturas políticas e as construções históricas são as verdadeiras responsáveis por graves desigualdades entre os seres humanos, e não a sua cor, raça, etnia, sexo, orientação sexual, idade, habilidade física ou local de origem. Essas desigualdades vêm se solidificando por pessoas com pensamentos retrógrados e com ausência de conhecimento como é o caso de Antonio Dantas. Se não bastasse, foi adiante e declarou que "o baiano toca berimbau porque só tem uma corda, se tivesse mais cordas, não conseguiria”. Dizendo isso se auto-declarou uma pessoa franca e que "reconhece a limitação dos que o cercam". Ou seja, ele acha que nós baianos somos ignorantes por natureza, apesar de se achar muito esperto!
Esse tipo de declaração, nitidamente preconceituosa e racista, não pode passar incólume. O referido senhor parece ainda hoje defensor das “teorias racialistas”, que nos séculos XIX e XX fundamentaram o chamado “racismo científico” base de movimentos de extrema direita cuja maior expressão foi o nazi-fascismo. Na Bahia, tais referências vitimaram profundamente todos nós, afro-descendentes, que tivemos nossa cultura, religião e vida social violentamente reprimidas, sob o argumento da suposta inferioridade racial. É estarrecedor que esse tipo de mentalidade continue tendo espaço em nossa sociedade e na comunidade acadêmica.
Declarações da Associação de Reitores veiculadas na mídia reconhecem que o desempenho ruim dos quatro cursos de medicina das universidades federais no ENADE deveu-se a um boicote dos estudantes por entenderem que este tem um caráter pontual e punitivo. São nesses Estados que os Diretórios Acadêmicos têm maior atuação no repúdio a esse tipo de avaliação. Isso se deu também no PROVÃO, no ENADE de 2004 e no ENADE de 2007. Além de repudiarmos essa atitude, devemos nos atentar, que de acordo com o DAMED (Diretório Acadêmico de Medicina da UFBA) as condições de infra-estrutura e ensino da FAMED-UFBA (Faculdade de Medicina da UFBA) são semelhantes às encontradas em qualquer universidade Federal no Brasil, denunciadas há décadas pelos movimentos de professores, funcionários e estudantes. Isso tudo faz parte do projeto de sucateamento das Universidades Brasileiras, patrocinado por vários governos, inclusive o atual. Um dos maiores problemas dos cursos de medicina das instituições federais hoje é a dívida dos hospitais universitários. O débito já soma R$ 450 milhões, o que dificulta a modernização dos equipamentos. Com as declarações do coordenador Antonio Dantas fica claro que o boicote dos estudantes se estende também à coordenação do curso na Bahia.
Ainda de acordo com o DAMED as declarações feitas pelo Coordenador de curso Antônio Dantas de que o baixo desempenho da faculdade está relacionado ao sistema de cotas da UFBA e ao baixo QI dos baianos embasam-se nas idéias de "contaminação" racial, determinismo genético e inferioridade dos povos, as quais legitimaram a escravidão e os campos de concentração nazistas. Não possuem, ainda, embasamento real, haja vista o bom desempenho obtido pela UnB e UERJ, pioneiras na implementação da política de Ações Afirmativas. Além disso, em 2004, quando não houve participação de alunos provenientes do sistema de cotas, a nota da FAMED também foi baixa.
O surto de incapacidade externado nas declarações de Antonio Dantas o coloca como exceção entre os baianos, terra de um povo inteligente, educado e receptivo, terra de encantos, de beleza, de magia, de cultura, de música... nomes como Ruy Barbosa, Teixeira de Freitas, Glauber Rocha, Milton Santos..., tremeriam como fomos, outrora, exortados a fazê-lo por Castro Alves, diante os horrores dos porões dos navios negreiros, mancha vergonhosa em nossa história. E o que diriam os versos de Maria Bethânia, Gal Costa, Simone, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto, entre outros?!
Com isso, o PSOL da Bahia vem a público protestar vigorosamente contra esse atentado contra nosso povo e nossa cultura, ao tempo em que exige providências imediatas das instâncias da UFBA. Uma pessoa que dá declarações racistas desse tipo não tem condições de ocupar um cargo de direção e nem mesmo de professor, ou seja, responsável pela educação de nossa juventude, especialmente sendo ele coordenador do Curso de Medicina mais antigo do Brasil, fundado há mais 200 anos.
Marcos Mendes
Presidente do PSOL - Bahia / Partido Socialismo e Liberdade

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01 maio 2008

40 Anos de Maio de 68


Entre os dias 12 e 15 de maio haverá um seminário no Rio de Janeiro para relembrar e discutir a efervecência política e cultural de maio de 1968 em todo o mundo. "Nós que amamos tanto a revolução", a série de debates, tem início no Palácio Gustavo Capanema, a partir das 10h.

Programação

12 de maio
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16 - Centro - Rio de Janeiro

1968 no mundo

Debate às 10 horas com:
Edgar Sanchéz - Lider estudantil no México em 68 - PRT (México)
Valério Arcary - Professor do CEFET/SP
Carlos Nelson Coutinho - Professor da UFRJ
Mediadores:
Chico Alencar - Professor e deputado federal - PSOL/RJ
Adriana Facina - Professora da UFF e do OiCult

Oficina às 14 h
Exibição e debate de filmes sobre 1968
Sala 106 - IFCS/ UFRJ
Largo de São Francisco - Centro

Atividade Cultural às 18h
Samba, choro e cinema
Beco do Rato
Rua Morais e Vale, 11 - Lapa

13 de maio
CFCH - Praia Vermelha/UFRJ

Movimento estudantil e educação: a atualidade de 1968

Debate às 10 horas com
Roberto Leher - Professor da UFRJ - LPP
Patrícia Mafra - Professora da rede estadual-RJ
Elinor Brito - Presidente FUEC em 1968
Mediadores:
Cyro Garcia - Presidente do PSTU/RJ
DCE da UFRJ

Oficina às 14h
Oficina com o Grupo Tortura Nunca Mais
Auditório do CFCH
Praia Vermelha/UFRJ
Atividade Cultural às 18h
Apresentação teatral
Teatro de Arena da UFRJ

14 de maio
Bloco O - Gragoatá - UFF

1968 sob a ótica da luta de classes

Debate às 10 horas com:
Mário Maestri - Professor da UFPF/RS

Milton Temer - Presidente da Fundação Lauro Campos PSOL/RJ
Marcelo Badaró - Professor da UFF
Mediadores:
Marcelo Freixo - Professor e deputado estadual PSOL/RJ

MST

Oficina às 14h
Os Comunistas na década de 60:
Ivan Pinheiro - Presidente do PCB/RJ

Claudio Gurgel - Professor da UFF

Atividade Cultural às 18h
Cineclube OiCult

Filme - Os Sonhadores
Debate com:
Maurício Vieira - Professor da UFF

15 de maio
Sala Celso Lemos - IFCS/UFRJ

Lutas anti-imperialistas e movimentos sociais
Debate às 10 horas com:
Carlos Walter - Professor da UFF
Virgínia Fontes - Professora da UFF
Marildo Menegatti - Professor da UFRJD
Waldyr Calheiros - Bispo emérito de Volta Redonda
Mediadores:
Eliomar Coelho - Vereador PSOL/RJ

Demian Melo - Grupo de estudo GETTHI-Marx

ATO PÚBLICOÀS 15 HORAS

Atividade Cultural
Confraternização de Encerramento
Ocupação Manoel Congo

Rua Evaristo da Veiga, 17 - Térreo

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Navio Nuclear pra que? - Chico Alencar

Pronunciamento
(Do Sr. Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ)

Houve tempo em que a presença de uma nave bélica dos Estados Unidos da América fundeada em nossas águas territoriais provocava toda sorte de protestos, pois simbolizavam - e, creio, ainda simbolizam - o poder imperial de quem, desde a doutrina do "big stick" de Teodoro Roosevelt, tem se notabilizado pela ingerência e violência contra os povos que lutam por sua liberdade.
Houve tempo em que naus estadunidenses aqui estiveram para dar cobertura a um golpe militar que infelicitou nosso país durante mais de 21 anos.
Sou de um tempo, Sr. Presidente, em que se queimava a bandeira dos EUA não para afrontar seu povo, mas para protestar contra governos que estiveram por trás das ditaduras militares - inclusive a brasileira - do Cone Sul, e, mais recentemente, tentam impor sua "pax americana" aos povos do Iraque e do Afeganistão.
Por isso, saber que está fundeada em nosso mar territorial a belonave mais poderosa da armada mais poderosa do mundo, com todo o seu arsenal de armas nucleares, helicópteros, bombardeiros, causa mais repulsa e estranheza. Muita estranheza.
Estranheza porque se trata de uma operação de exercícios navais na qual participa o nosso país, ao lado da Argentina, com o nosso vizinho do Norte.
Estranheza porque o comandante estadunidense, almirante Cullom, diz que a presença do "George Washington" traz uma mensagem política: "a de união entre os países que são responsáveis pela segurança da região", colocando o Brasil numa posição subalterna de auxiliar do país que se pretende xerife do universo.
Estranheza, porque, nesse momento, a não ser a voz solitária do Secretário do Ambiente do meu estado, Carlos Minc, não tenha ouvido nem lido nenhuma palavra de protesto ou de estranheza quanto a esse fato.
Onde estão os "patriotas" que, aparentemente preocupados com nossas fronteiras, se insurgiram contra a demarcação de terras indígenas em Roraima?
Que são dos nacionalistas que reclamam contra a posição do novo presidente do Paraguai, que quer uma revisão do tratado de Itaipu?
São valentes contra índios e paraguaios, e covardes diante do poderio da águia americana?
Ou é um patriotismo de ocasião que fecha os olhos à nossa posição de subalternidade frente ao império?
É por isso, Sr. Presidente, que estamos apresentando requerimento, solicitando aos Ministros de Estado do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa e do Ministério das Relações Exteriores, informações relativas à presença do porta-aviões USS George Washington - CVN 73 em águas territoriais brasileiras, no que tange:
a) à autoridade que liberou a presença do referido porta-aviões em águas brasileiras e a base legal da referida autorização;
b) ao tempo em que o porta-aviões permanecerá e território brasileiro,
c) às informações de quantitativos de armas existentes no porta-aviões, inclusive de armas atômicas e da realização de aferição, pela autoridade brasileira, das informações prestadas pelo comandante do referido porta-aviões;
d) à constitucionalidade das atividades que serão desenvolvidas em território brasileiro pelo referido porta-aviões;
e) às medidas de segurança nacional adotadas, inclusive as relativas à preservação do meio-ambiente em razão de eventual vazamento de carga radioativa.
Nosso requerimento se justifica, fundamentalmente, nos termos da Constituição Federal, tanto em seu art. 21, inciso XXIII, alínea "a", quando expressamente dispõe que "toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional", como pelo art. 4º., que estabelece, dentre os princípios que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil, estão: IV - a não- intervenção; VI - a defesa da paz; e VII - a solução pacífica dos conflitos.
Abaixo o imperialismo de George W. Bush. Fora o George Washington das águas brasileiras.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 30 de abril de 2008.
Chico AlencarDeputado Federal, PSOL/RJ

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Recuperar o sentido do 1º de Maio - Chico Alencar

Pronunciamento
(Do Sr. Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ)

Em tempos de globalização há um credo que liberais de todo mundo repetem: as contradições entre capital e trabalho desapareceram. Nessa mesma lógica, afirmam que a luta de classes é um lembrança remota de séculos passados. No entanto, diversas contradições fundamentais entre produção coletiva e apropriação privada não esvaneceram nas últimas décadas.
A concentração de riqueza continua acentuada. Em um mundo de tecnologias só imagináveis em filmes de ficção, o drama da fome continua a assolar o mundo. O capitalismo alimenta-se da morte de milhões e milhões de pessoas, seja através do incentivo e fabricação de guerras, a destruição de alimentos (em nome da manutenção de preços competitivos), a destruição de economias nacionais.
Durante séculos, o capitalismo explorou livremente a força de trabalho. Apenas em meados do século XIX os/as trabalhadores/as começaram a exigir de forma organizada, através de sindicatos, a regulamentação da relação capital e trabalho pelo Estado.
Foi nesse contexto que trabalhadores/as de Chicago foram às ruas pela redução da jornada de trabalho.
A proposta das oito horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, e se tornou o eixo principal de reivindicação dos/as trabalhadores/as. Apesar da pressão do governo e dos patrões, foi criada nos Estados Unidos, em 1885, a Federação dos Grêmios e Sindicatos Operários, comandada por lideranças operárias inspiradas por idéias anarquistas ou socialistas.
Sua primeira resolução foi convocar uma greve geral em todo o país para o dia 1º de maio de 1886, tendo como eixo a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e quatro horas aos domingos, e o fim do trabalho infantil.
Em diversas cidades dos EUA a paralisação reuniu milhares de trabalhadores e foi acompanhada por comícios, sendo alvo da repressão policial. Em Chicago a adesão à proposta da Federação foi massiva e cerca de 400 mil operários das fábricas cruzaram os braços. Aparentemente surpreendidos patrões e governo deixaram que o movimento transcorresse pacificamente.
A repressão se iniciou no dia seguinte e a partir de então foi marcada por fortes conflitos.
No dia 2 de maio, a polícia entrou em choque com os grevistas numa pequena cidade vizinha de Chicago, deixando um saldo de nove mortos. Um dos líderes da greve, o anarquista August Spies, convocou para o dia seguinte, dia 4 de maio, um ato público contra a repressão policial no centro de Chicago, que reuniu cerca de 15 mil pessoas e foi cercada pela polícia fortemente armada.
Uma nova tragédia aconteceria. A polícia abriu fogo contra os manifestantes e provocou a morte de 80 operários e mais de uma centena ficou ferida. Vários manifestantes, em especial os líderes da greve e organizadores do comício foram presos. O processo, reconhecido posteriormente como uma grande farsa pela própria justiça norte-americana, voltou-se contra os líderes do movimento que foram condenados à morte.
Em 1889 foi criado o Dia Mundial do Trabalho no Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago
No Brasil, a data é comemorada desde 1895 e virou feriado nacional em setembro de 1925 por um decreto do presidente Artur Bernardes. Ao longo dos anos, a data foi se legitimando como um momento de luta e reflexão sobre as condições de vida dos/as trabalhadores/as no Brasil.
Está na ordem do dia recuperar o sentido histórico do 1º de Maio. Vivemos conflitos entre capital e trabalho característicos do período da chamada acumulação primitiva. O Brasil ainda convive com o trabalho escravo de homens, mulheres e crianças.
O trabalho infantil, embora proibido pela Constituição e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente até os 16 anos, atinge 2,2 milhões de crianças de 5 a 14 anos de idade, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD-IBGE/2001). Ou seja, até o mínimo do capitalismo, a regulamentação da relação entre capital e trabalho, ainda não foi implementada no Brasil.
Por outro lado, as conquistas dos/as trabalhadores/as, como a carteira assinada, sofrem ameaças e ataques por todos os lados.
Governo e patrões continuam unidos na precarização do trabalho. A Medida Provisória que possibilita ao patrão não assinar a carteira dos/as trabalhadores/as rurais é um exemplo dessa política. Mais do que nunca é necessário fazermos sindicalismo combativo e autônomo.
Mais do que nunca, a luta de classes deve ser explicitada em todas as esferas sociais, e também no âmbito parlamentar, espaço do dissenso civilizado, mas real.
Agradeço a atenção,
Sala das Sessões, 30 de abril de 2008.
Chico AlencarDeputado Federal, PSOL/RJ

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