31 outubro 2008

Mostra em BH/MG - 68: Utópicos e Rebeldes

A Secretaria Especial de Direitos Humanos e o Ministério da Cultura, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizam entre os dias 10 e 19/11/08, em Belo Horizonte, a mostra "68, Utópicos e Rebeldes – A geração que disse não", na Faculdade de Direito da UFMG - campus Pampulha
A mostra tem o objetivo de mostrar iniciativas e experiências de 1968, bem como mostrar seus significados na política, cultura e comportamento, além de discutir e analisar os desdobramentos daquele daquele ano que influenciam a sociedade brasileira até hoje
O evento já foi montado em São Paulo - na Cinemateca do Estado - e, depois de Minas Gerais, será visto, também, no Paraná e no Rio de Janeiro
Mostra iconográfica
Com fotos, jornais e documentos diversos dos fatos mais relevantes da cultura, política, comportamento e manifestações sociais do país e também alguns eventos internacionais.
10 a 19/11, de 2ª a 6ª feira, das 8h às 21h
Praça de Serviços da UFMG - Campus Pampulha
Debates Cultura e Política em 68
Com: Conceição Imaculada, Plínio Arantes, Pedro Paulo Cava, Nilmário Miranda, Fernando Brant e Bernardo Matta Machado (mediador)
10 de novembro, às 19h00, na Faculdade de Direito da UFMG
Av. João Pinheiro nº 100, 2º andar - prédio II
Mostra cinematográfica
Filmes de ficção e documentários, nacionais e internacionais que discutem, revisam ou rememoram aquele período, além dos mais representativos do período de 68, independente do seu conteúdo
De 11 a 18/11, às 19h
Faculdade de Direito da UFMG
Av. João Pinheiro 100, 2º andar - prédio II
11
Ato de Fé, de Alexandre Rampazzo
Memória e história em utopia e barbárie, de Silvio Tendler
12
Memória do Movimento Estudantil, de Silvio Tendler
13
Terra em Transe, de Glauber Rocha
14
Blá Blá Blá, de Andrea Tonacci
O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla
17
Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos de Oliveira
18
1968, de Glauber Rocha e Afonso Beato
Câncer, de Glauber Rocha
Informações: (31) 3293-5796 / 3293-5713

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25 outubro 2008

A Vocação Que a Pesso Tem Para Ser Otária - Pablo Emanuel

FOI CRIADO nesse país um mito acerca da escola e o seu papel, de modo que a sociedade se comporta diante disso como uma imbecil consumada, acrítica e acéfala, do jeito mais descarado que se pode conceber.

Para aqueles que nunca encararam uma regência em sala de aula resta simplificar e reduzir tudo à idéia de que a escola significa inclusão social, como se o indivíduo fosse apenas resultado do que ele é nesse processo, e como se a família que o gerou (e as tranqueiras com quem conviveu) não tem nenhuma parcela de responsabilidade nas suas desgraças, ou ele próprio, de forma independente.

Inculpar sempre a escola é confortável. E pior: inculpar o professor. Como também é muito cômodo não pensar, e deixar que os outros pensem por nós.

A verdade é essa: não é a escola que inclui ninguém. É a pessoa dentro da escola que amplia suas possibilidades de não ser chutada para escanteio.

E outra: por mais que a escola tenha ótima estruturação, excelentes servidores, professores com doutorado na Sorbonne, instalações adequadas e limpas, se o educando não tiver consciência de seus deveres, a escola nada poderá fazer por ele.

Ou seja: a criatura entra nela ou amorfa ou deformada, e sai dela com um conceito numérico estampado numa folha de papel, sendo uma analfabeta em todos os sentidos.

Quem está na escola tem mais deveres a cumprir do que propriamente direitos a adquirir. Mas o aluno (tanto o pobre quanto o rico) não liga para isso. Acha que o mundo inteiro está ao seu dispor para servi-lo e posar de saco de pancada para satisfazer a primariedade do seu pugilato e de suas vontades baixas, caprichosas.

A pior pessoa desse mundo é aquela que só sabe reclamar por direitos quando não quer nem ouvir falar de adimplir deveres. Essa pessoa pode ser menor ou maior de idade, não interessa. Ela faz uma opção e encontra sua vocação para a patifaria irrestrita, ampla, geral.

Muito bem.

Como salvar uma pessoa que está se afogando se ela nem mesmo se dá ao trabalho de estender o braço? Por acaso ela espera que eu pule dentro da água e vá por baixo dela para que me afogue também e morram os dois?

Eu não vou rezar para infiéis.

Agora, vamos ilustrar as seguintes situações. Vem comigo.

Imagine um sujeito que mora ao lado da sua casa e que nunca cessa de fazer estardalhaço.

Imagine o churrasco dele, com aqueles elementos que descem do carro, na calçada, trajando bermudas, segurando a latinha de cerveja numa mão e na outra possuindo a cintura da namorada de óculos escuros, de tipo “piriguete”, todos de chinelos, roupas cavadas, corpos tatuados e carros incrementados com um sistema de som que faz com que até os ETs, no espaço, consigam escutar a nojeira que eles ouvem.

(Curiosidade: pesquisas recentes apontam a barulheira do vizinho porco como sendo a mais grave perturbação depois da poluição sonora do trânsito).

Então, eles entram na casa do seu vizinho. Começa a gritaria, os urros de asno e a bebedeira desenfreada. Enquanto isso, você tenta assistir televisão, ouvir música num volume suportável e civilizado, ou então você tenta ler ou estudar.

Os gritos e as conversas de bêbado não cessam, do meio-dia até a primeira hora da madrugada, bem como o fumacê fedorento cujo alcatrão que expele vai demorar um ano para sair do ar e de dentro da sua casa.

O barulho dos orgíacos fica nos seus ouvidos, você não consegue dormir, não tem direito a ter sossego.

Quando as tranqueiras (ainda não totalmente exaustas) resolvem ir embora, a balbúrdia continua na rua, com os pândegos folgados ligando os motores e tentando “cavalos de pau” numa rua que mede, transversalmente, uns cinco metros, debaixo de batucadas, sertanejo e funk do Comando Vermelho.

Imagine um sujeito, desse tipo de imbecil que a gente costuma ver com abadás de micareta, um folgazão bizarro, com sua lata de cerveja que já é praticamente um apêndice do corpo do elemento abusado, aumentando o volume de um “funk-chic” cuja letra diz:

“Você quer uma punheta
Ou que eu te dê minha buceta?”

Agora, tente pensar em você chegando próximo dessa malta de vagabundos e mal-educados pedindo um pouco de respeito para com as outras pessoas que não pactuaram da orgia imunda que eles perpetraram durante todo o fim de semana, com urros vergonhosos.

Aí, um deles se arvora e te diz, no cúmulo do autoritarismo, como se só ele existisse na rua, no país, no mundo e no cosmos:

“Mas eu tô na minha casa, eu quero ouvir o que eu quiser!”

Depois de escutar tamanha sandice, insolência e loucura, só resta ao reclamante recolher-se à sua casa e não debater com a figura grotesca, para não ser agredido ou até assassinado por um sujeito que tem a cara duríssima de exclamar tal disparate.

Isto significa o mesmo que (imagine a situação) você pedir a uma pessoa que está sentada num bar a dois metros de você, fumando, que vá fumar distante dos não-fumantes.

É lógico que ele vai dizer (sim, porque é um otário acabado, perfeito) que ele está na cadeira dele e tem o direito de fumar.

Isto nos faz recordar daquela liçãozinha que sempre ouvimos por aí, sobre muitas pessoas que estão dentro de um barco quando uma delas resolve fazer um furo no casco, ao que é advertida de imediato por alguém mais sensato:

“Seu estúpido, a água vai entrar por aí!”

E ele: “Fica na sua, eu estou furando do meu lado!”

Mas que bom seria se o som, a fumaça e a agüinha do naufrágio respeitassem limites e ficassem estagnados e restritos à esfera em que os imbecis incuráveis estão, sem atormentar o direito alheio à serenidade.

Direito que suprime direito não é direito: é abuso, é descompostura, deselegância, coisa de mau caráter.

Agora, vamos nos perguntar: por acaso foi a escola a formadora desses tipinhos de espírito-de-porco?

Foram os professores deles que os ensinaram a ser tão vulgares, baixos, petulantes, vergonhosos, pequenos e mesquinhos?

Essas coisas que eu cito acima vêm à baila apenas para termos um panorama do nível a que pode descer um ser humano sem ética (e muitas vezes caprichoso ao afirmar que aceita Jesus de Nazaré como seu salvador!).

Se nem a religião pôde incutir valores nesse naipe de gente sinistra, a escola haverá de fazê-lo? O professor? O teólogo? Moisés, Jesus?

Ora, não sejamos uns idiotas. Não sejamos um aglomerado de cretinos no Patropi.

Vamos desvincular ética de religião e escola. Essas questões podem muito bem jamais interagir umas com as outras. A primeira não está necessariamente vinculada às outras duas.

Nós devemos reservar a esse povo o chicote. Existem pessoas que só, e somente só, entendem a linguagem da violência, quando são esgotadas as possibilidades do diálogo educado e da Justiça.

A esquerda, de cujo ramo faço parte, eu mesmo, autor desse texto, precisa parar de afirmar determinismos e reducionismos, colocando a culpa de tudo apenas na exclusão social. Isso é praticamente eximir os canalhas do mundo de seus crimes, sejam eles jovens ou de cabeça branca e calva.

Por mais que nós lutemos (e sejamos mortos) para construir uma sociedade fraterna, justa, calcada em valores solidários, éticos, sempre haverá elementos para trazer o distúrbio, a lazeira e a perturbação, e o pior: a barbárie, a insolência e o crime.

O imbecil faz uma escolha, e ele é vocacionado. Nem sempre é determinado por uma ou duas coisas. E o ignorante, como bem o disse La Fontaine, é mais nocivo do que um inimigo inteligente, que é preferível a ele.

Quem quer ser pigmeu, escolhe portar-se dessa forma.

Pelo amor de DEUS, ó esquerda, direita, centro, apolíticos, pessoas e pessoinhas desse mundo, sejamos mais interdisciplinares, pluralistas, autocensuráveis, disciplinados e auto-emancipados!

Para que amanhã os autoritários e os fascistas não venham querer dobrar nosso pescoço, acusando-nos de imorais e susceptíveis de regramento à força!

Ou tomamos uma posição civilizada agora ou cavemos ainda mais fundo o inferno em que já estamos, definitivamente.

Sejamos mais intolerantes.

Com a imbecilidade, o abuso, a injustiça e o mal intrínseco, inato, que há tanto em mim como naquele que se julga santo e salvo (no sangue do “Cordeiro” morto) só por estar adorando uma figura sobrenatural, enquanto eu, por não crer, sou rebaixado à condição de ímpio pela tirania espiritual das turbas insensatas.

Porque a única coisa que difere um homem bom de um homem ruim, perverso, é o fato de que o primeiro impõe uma censura a si mesmo, disciplina-se, renuncia à superstição imunda e à postura de verme, aos clichês, aprende a pensar, reconhece o alheio e luta consigo mesmo para ser alguém melhor todos os dias.

Ao passo que o perverso acha prazer no que pensa e faz, e tenta se justificar com o injustificável, tenta encontrar limpeza no meio da merda e da corrupção e canta aos quatro cantos do mundo a máxima lamentável:

“O mundo é dos espertos!”

Sejamos mais intolerantes com essa categoria de indivíduos. Não vamos compactuar com eles nem comungar da podridão interior que possuem
PABLO EMMANUEL é Docente da rede pública de ensino do Distrito Federal

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24 outubro 2008

Ação contra terceirização da merenda no Estado do Rio

Marcelo Freixo e Comte Bittencourt, vice-presidente e presidente da Comissão de Educação da Alerj, entraram com uma Ação Popular contra o Governo Estadual para inviabilizar o fornecimento de merenda escolar em forma de quentinhas.
Em vez da direção das escolas, empresas ficariam responsáveis pelo serviço.
Os deputados constataram que o ato em questão contraria normas do Programa Nacional de Alimentação Escolar, além de privatizar um espaço que é público, o das cozinhas das escolas.
Além de tudo, a terceirização da alimentação escolar tira a função de centenas de merendeiras concursadas e efetivadas e, conforme verificado em demais estados que realizaram esta experiência, aumenta sobremaneira o custo, sem garantias de qualidade,! de prazo de vencimento e em especial o risco de azedar, tal e qual acontece com a alimentação de presidiários.

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Perguntas para o futuro prefeito do Rio

Em parágrafo único, a Constituição Brasileira, que acaba de completar 20 anos, define que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes ou diretamente.
É nessa irrevogável condição cidadã que todos devemos fazer questões aos dois postulantes à honrosa função de prefeito do Rio.
E é na busca da legitimidade da representação tão questionada em nosso degradado sistema político que Eduardo Paes e Fernando Gabeira deveriam responder.
Leia as perguntas formuladas por Chico Alencar em www.chicoalencar.com.br/

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Qual socialismo? - Leandro Konder

A experiência histórica do movimento socialista, em suas formas cada vez mais variadas, ensina que o socialismo só avança quando consegue se renovar. E, atualmente, ela já ensina, também, que a reflexão socialista precisa de interlocutores “externos”, quer dizer, precisa ─ para renovar-se ─ do diálogo com linhas de pensamento não comprometidas com os projetos socialistas.
Renovar-se não é uma operação simples, automática; é um processo nque passa por autocríticas intranqüilizadoras, freqüentemente dolorosas. Em sociedades politicamente complexas, os sujeitos empenhados em transformar as relações sociais precisam se criticar mutuamente, se reeducar, uns aos outros. A eficácia da autocrítica depende da liberdade de crítica assegurada aos outros. A verdadeira renovação passa a depender, cada vez mais, do pluralismo.
Por isso, a vanguarda do pensamento marxista está muito empenhada, hoje, numa revalorização do pluralismo. E os marxistas de vanguarda, na Itália, já se deram conta da extrema importância de um interlocutor como Noberto Bobbio.
Bobbio, pensador político, professor de filosofia do direito, é um homem de imensa cultura e estupenda honestidade intelectual. É um liberal que estudou Marx, conhece os meandros do pensamento marxista e não se sente nem um pouco constrangido em acolher tudo o que nele lhe parece bom. É exatamente essa abertura em face de Marx que lhe permite, por outro lado, questionar de maneira bastante despreconceituosa e fecunda uma série de aspectos da perspectiva filosófica e política do pensador alemão.
A história do século XX mostra que a conquista do poder, nas revoluções, não resolve o problema de como exercê-lo. Nenhuma revolução, até agora, enfrentou seriamente a questão das garantias contra os abusos do poder. A teoria da ditadura do proletariado deu no que deu. Bobbio, então, nos incita a refletir sobre a concepção do Estado em Marx: uma concepção que precisa de desenvolvimentos, complementações e ─ também ─ correções, revisões.
Não temos o direito de nos esquivar ao exame das questões relativas a como o poder se exerce. Os riscos de uma omissão, nas condições atuais, seriam enormes. A humanidade está duplamente ameaçada de extinção, diz Bobbio: pela guerra atômica e pelo esgotamento dos recursos do planeta. Seríamos sumamente insensatos se não nos dispuséssemos a aprender um pouco sobre as condições ─ não necessariamente mais humanas, porém menos ferozes ─ que podemos criar para o exercício do poder.A tarefa é grave e delicada. Cumpre enfrentá-la com prudência. B
obbio sabe disso e evita se apresentar como “dono da verdade”. Seu método lembra o do velho Sócrates: ele aparece diante de nós como um arguto perguntador. Não é casual que todos os ensaios deste volume tenham títulos interrogativos.
Qual Socialismo? ─ como notou Celso Láfer ─ contém perguntas “incisivas e bem formuladas”, relativas a temas pára os quais Bobbio não pretende ter “respostas definitivas”.
[Texto de orelha de Leandro Konder In BOBBIO, Noberto. Qual socialismo?: debate sobre uma alternativa. Tradução de Iza de Salles Freaza. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.]
Leandro Konder é filósofo marxista e escritor.

http://www.socialismo.org.br/portal/

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Novo Blog na Praça

Blog que vale a pena acompanhar
Oscar Espellet Soares é um médico dedicado a causas nobres e diria impossíveis, pois na verdade estamos neste país onde a politica do "é dando que se recebe" não fica restrita às "damas da vida fácil", com todo o respeito que elas merecem e já me desculpando antecipadamente por compara-las a outras classes profissionais menos nobres
Oscar atendeu durante anos a população indigena do Xingú, na região de São gabril da Cachoeira/AM e hoje vive em Cruzeiro do Sul/AC
E contrariando o Brizolla sobre esse aí eu me apresso em dizer que cunhado é parente sim

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Mudar o modelo econômico - Paulo Passarinho

Já está mais do que clara a situação em que se encontram os chamados mercados.
Não se trata mais de uma mera crise de liquidez, provocada por uma crise de confiança a partir das lambanças do subprime, e do estouro de uma certa bolha imobiliária.
Fora simples, as monumentais injeções de liquidez que os principais bancos centrais do mundo vêm dando ─ desde o ano passado ─ já teriam estancado a sangria que empresas de crédito imobiliário, bancos de investimentos, seguradoras, bancos comerciais e empresas produtivas estão sofrendo.
A partir de uma crise provocada por uma acentuada queda no preço de ativos ─ utilizados como lastro formal de uma gigantesca e desproporcional pirâmide de negócios financeiros com forte conotação especulativa ─ desenvolveu-se uma crise que atinge de forma sistêmica o núcleo do funcionamento dinâmico de uma economia capitalista: o sistema financeiro como um todo. O Diretor-geral do FMI chegou a afirmar que o sistema financeiro internacional estava derretendo.
Depois de sucessivas operações coordenadas e sincronizadas dos bancos centrais dos Estados Unidos, da Europa e do Japão, o grupo dos sete países mais ricos do mundo se reuniu, buscando afinar posições, antes da reunião do chamado G-20, curiosamente presidido no momento pelo Brasil.
Aparentemente, o resultado palpável dessas articulações foi a adoção do “modelo britânico”, que prevaleceu com a decisão de fortes injeções de capital estatal nos bancos, através da aquisição de ações preferenciais dessas empresas, garantia de empréstimos interbancários e aumento do crédito oficial.
Os números envolvidos nessas operações impressionam e tiveram a capacidade de retirar Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, de uma espécie de ostracismo e símbolo da decadência inglesa, ao menos momentaneamente. Ele está sendo apresentado como o “pai da idéia” que acabou sendo adotada como a melhor fórmula para enfrentar a crise, por parte dos países centrais do capitalismo, incluindo os Estados Unidos.
O plano inicial dos americanos ─ formulado pelo homem de mercado Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA ─, de aquisição de títulos podres das instituições financeiras, foi substituído pela decisão do governo americano de comprar ações de nove grandes bancos, como forma de utilização inicial e parcial dos US$ 250 bilhões aprovados pelo Congresso americano. Somente esta decisão irá custar metade desse valor, com o restante dos recursos devendo ser utilizado na aquisição de novas participações acionárias em outros bancos.
A posição errática dos governos frente à crise e a apresentação de soluções que, da noite para o dia, passam a ser consideradas as mais adequadas e suficientes para uma resposta à altura da complexidade da crise, apenas revelam o quanto as principais autoridades financeiras do mundo encontram-se perdidas.
Enquanto isso, os sintomas mais fortes da crise bateram no Brasil, pelo lado onde somos mais frágeis, que é a área cambial.
Em decorrência da superação da fase de forte valorização do Real ─ prejudicial às receitas dos exportadores e conseqüência direta da indecente taxa de juros do Banco Central ─, muitas empresas do setor acabaram por amargar fortes prejuízos no mercado de câmbio. Empresas exportadoras, na busca de ampliação de seus lucros pela via financeira, em operações estimuladas e orientadas por bancos, especulavam no mercado de câmbio futuro, apostando na valorização do real, ao vender contratos de câmbio futuro a preços de cotação que não imaginavam que tão cedo a moeda americana pudesse atingir.
Com a eclosão da crise e a forte desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, o jogo virou e essas empresas começaram a acumular fortíssimas perdas. Algumas delas, como é o caso da Sadia, da Aracruz e do Grupo Votorantin resolveram encerrar as suas posições com prejuízo, conforme noticiado pelos jornais. Contudo, o rombo envolve um número muito maior de empresas e algumas fontes já estimam que o prejuízo alcança o montante de R$ 35 bilhões.
O Banco Central, por sua vez, resolveu seguir os seus pares americanos e decidiu liberar progressivamente parte dos depósitos compulsórios, com o pretexto de destravar as operações de crédito, inclusive no mercado interbancário. Entretanto, a razão dessa medida é apenas dar um alívio aos bancos, frente à inadimplência das empresas exportadoras, com seus contratos de câmbio, algumas delas já levando o problema para a Justiça resolver. E os próprios efeitos dessa injeção de liquidez se mostram inócuos. O crédito continua paralisado e empresas com planos de investimento e operações de financiamento em curso estão sendo informadas pelos bancos da paralisação sine die dos negócios em andamento.
Tudo indica que esses recursos liberados possam estar se dirigindo para as tradicionais e super-rentáveis operações de aquisição de títulos públicos do governo, brindadas pela excepcional rentabilidade garantida pela taxa Selic.
Além disso, o governo editou uma Medida Provisória ─ nº 442 ─ que amplia substancialmente a autonomia do Banco Central, inclusive na utilização das reservas de divisas do país, com o objetivo de viabilizar linhas de crédito a bancos brasileiros com filiais no exterior e a empresas exportadoras!
Ou seja: frente a uma forte especulação contra o Real, quando agentes econômicos correm para o dólar, o Banco Central passa a poder alimentar ainda mais esse jogo, e com a ampla possibilidade de utilização das reservas internacionais. Não custa lembrar, neste aspecto, que já há algum tempo o Bacen autorizou às empresas exportadoras a não mais precisarem internalizar as suas receitas de exportação para o país, com o objetivo de lhes conferir maior flexibilidade em seus negócios no exterior.
O fato é que com esse tipo de Banco Central, e sua atual direção ─ inteiramente comprometida com os interesses imediatos do setor financeiro ─ estaremos crescentemente vulneráveis.Urge, portanto, uma mudança completa na política econômica, e no próprio modelo de economia que vem sendo construído no Brasil nos últimos anos.
A crise financeira, que abala mercados e coloca graves perspectivas para o emprego, para a produção e para o bem-estar de milhões de pessoas ao redor do mundo, exige que façamos uma revisão completa do projeto econômico em curso no país, sob pressão justamente de bancos e transnacionais, principais responsáveis pelas incertezas que assolam a economia mundial.
Boa parte dos atuais integrantes do governo federal tem perfeita consciência dos riscos que estamos correndo. Foram solidários a Lula e à cúpula do PT que, por um cálculo mesquinho e oportunista da noção de governabilidade, optaram por manter o modelo e a política econômica que no passado tanto combateram.
Agora, avizinha-se uma conjuntura que imporá o desemprego, o comprometimento do crescimento econômico e a ampliação da miséria caso continuemos sob o comando de financistas, como é o caso de Henrique Meireles.
Há de se ter a coragem de mudar, enquanto temos reservas internacionais e um mínimo de margem de manobra.
O objetivo maior da mudança deve ser o fortalecimento do mercado interno, e o estreitamento comum do enfrentamento da crise junto com os países da América do Sul.
Frente às ameaças ao Real, torna-se essencial um rígido controle sobre as nossas reservas cambiais e a centralização do câmbio é uma medida clássica que devemos acionar. Isto, de imediato, permitiria uma forte redução na taxa real de juros, criando-se melhores condições de sobrevivência a milhares de empresas e de seus empregos. Às empresas exportadoras seria necessário que a prerrogativa que hoje dispõem de manter os seus dólares no exterior fosse revogada.
Esse novo quadro nos permitiria reduzir fortemente os recursos orçamentários esterilizados em nome do superavit primário, ampliando-se as possibilidades de aumento de gastos do governo em investimentos e no fortalecimento da máquina pública.É absolutamente essencial, também, que o governo retire do Congresso projetos como o da reforma tributária e de criação do Fundo Soberano, alterando-os substantivamente, de acordo com as premissas do novo modelo de economia que queremos construir.
E no plano da articulação sul-americana, o governo brasileiro deveria assumir integralmente a proposta de criação do Banco do Sul, não somente enquanto um banco de desenvolvimento regional. Acompanhando a proposição defendida em especial pelo Equador, entre outros países, é necessário que esta instituição ganhe força e prática como uma instância de proteção cambial aos nossos países, e prepare as condições de uma melhor integração dos nossos países nas áreas comercial e monetária.
O Brasil é por demais importante para continuar nas mãos de estrangeiros e especuladores, e a hora ─ caso haja coragem e compromisso com as maiorias do país ─ é de mudança.
Paulo Passarinho é economista e vice-presidente do CORECON-RJ.

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O consenso conservador e o massacre das máquinas - Leo Lince

Todo processo eleitoral, mesmo quando corre no leito estreito de uma democracia formal e amplamente submetida ao tacão do poder econômico, é cenário de múltiplas revelações. A roda viva da disputa intensifica o tempo da política e entremostra, mesmo no teatro de sombras de uma eleição morna, o grau de servidão e a grandeza potencial da cidadania que, em tese, tem a primazia de, na eleição, definir rumos e interferir na constituição do poder público.
Infelizmente, na disputa eleitoral em curso, o cidadão não foi o soberano da política.
Assim como na eleição do “Cruzado”, nos tempos do Sarney, e do “Real”, nos tempos do Fernando Henrique, uma marca escarlate projetará na história o pleito municipal de 2008: a apoteose do “lulismo”.
Como o próprio nome indica, apoteose é ponto culminante de um processo amplo, do qual a popularidade alcançada pelo presidente no curso da campanha é apenas a feição mais visível. Complexo e contraditório, o “lulismo” é apenas um invólucro político. Uma forma maleável no interior da qual se articula o mais poderoso consenso conservador já produzido na história do Brasil.
No vértice da pirâmide social, os donos do poder, contemplados por uma política econômica que lhes enche as burras, funcionam como solistas do coral dos contentes. Na base, a multidão dos desvalidos, abrigados nos currais compensatórios das políticas sociais focadas, compõe um conformado e silencioso fundo de palco. Nos setores intermediários, a “peleguização” de movimentos sociais antes combativos completa o quadro de despolitização, desmobilização e conformismo.
Neste quadro, a conjuntura da eleição esteve marcada pela revitalização de um padrão recorrente no processo social brasileiro. Um padrão segundo o qual a política é uma emanação do Estado e não se concebe o seu exercício eficaz senão a partir da máquina estatal. “Estadania”, “cidadania regulada”, “leviatãs benevolentes” são alguns dos conceitos elaborados a partir da observação ao longo do tempo das práticas da velha política. Práticas agora renovadas pelo consenso conservador que se articula sob a égide do “lulismo”. .
O clima da campanha foi definido pelo amálgama dos interesses dominantes. Coligações disparatadas, ajuntamentos nada programáticos, cartas embaralhadas, espaços abertos para a supremacia absoluta da pequena política. Não por acaso, essa foi a eleição do continuísmo.
A maioria esmagadora dos prefeitos candidatos à reeleição, qualquer que fosse o seu partido, foi reconduzida. O uso desbragado da máquina pública e o abuso do poder econômico foram as marcas mais fortes do processo. O presidente sapateia nos palanques do PAC, os governadores e os prefeitos das cidades grandes, médias ou nos grotões seguem-lhe o exemplo. O financiamento privado, fator incontrolável de corrupção, garantiu grana grossa para os partidos da ordem.
Os pontos fortes do poder econômico e os meios de comunicação de massas, sempre afinados com o ideário dominante, alimentaram e abriram espaços para as máquinas eleitorais acoitadas nas máquinas dos diferentes níveis de governo. O processo ainda está em curso, mas as disputas que restam para o segundo turno não se destinam a alterar o sentido político da eleição.
Até o que aparece como surpresa, o caso do Rio e de Belo Horizonte, não opera no sentido da contestação ao conservadorismo. Pelo contrário, são estilos até mais agressivos de conformismo ativo com a lógica dominante.
A apoteose do “lulismo” como garante do consenso conservador foi a marca forte desta eleição. E apoteose, no caso, como nos desfiles das escolas de samba, é a véspera da dispersão. Um conceito assemelhado ao de florescimento na botânica: ponto a partir do qual toda a evolução posterior assuma a forma inevitável da decadência.
A projeção do resultado atual sobre a disputa de 2010 é uma incógnita absoluta. Depende de variáveis que ninguém controla. A crise mundial do neoliberalismo deve produzir abalos no consenso conservador e na dinâmica dos conflitos sociais. O futuro é incerto, será definido na vertigem da luta política. No entanto, qualquer que seja o rumo do desmoronamento, a eleição municipal de 2008 ficará gravada pelo consenso conservador que abriu espaços para o massacre das máquinas.

Léo Lince é sociólogo e mestre em ciência política pelo IUPERJ.

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10 outubro 2008

Solidariedade a Cuba



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O PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE FEZ DIFERENÇA!

O PSOL fez 25 vereadores em 13 estados, dentre esses nossos companheiros Eliomar e Renatinho, eleitos, respectivamente, no Rio e em Niterói.
A força do voto de legenda (aqui, maior do que a do PSDB, DEM, PPS, PSB e PDT), as importantes votações de nossos candidatos à prefeitura em várias capitais e a histórica votação de nossa companheira Heloísa Helena em Maceió - marco político nacional desta campanha municipal - atestam que travamos o bom combate, fortalecendo o PSOL.
Fizemos uma bela campanha no Rio de Janeiro. Firme e digna. Comparecemos a todos os debates promovidos por entidades da sociedade civil organizada. Registramos em cartório nosso compromisso público e não recebemos contribuições de campanha provenientes de empreiteiras e bancos.
Tivemos no companheiro Chico Alencar a expressão plena de nossas idéias, causas e propostas. E na militância aguerrida, o exemplo permanente de mobilização em torno de nosso projeto de transformação social.
As eleições municipais no Brasil confirmaram o predomínio da despolitização e do liberalismo, em suas várias versões. Os partidos que saíram vitoriosos eleitoralmente desse processo, PMDB e PT, constituem o núcleo central da base do Governo Lula e são os braços políticos que operam as privatizações aliadas às políticas clientelistas.
No Rio, a campanha foi a da mais descarada compra de voto. As ruas da cidade eram tomadas por “boqueiros” que recebiam para segurar placas. Não se tratou apenas de campanha paga, mas de um novo tipo de compra de votos que se agrega a indústria de eleições já existente, que movimenta bilhões, serve para lavar dinheiro e muitas vezes serve de instrumento ao crime organizado, aquele estruturado pelas classes dominantes, principalmente o que opera por intermédio de agentes do Estado.
Com esse quadro adverso para a esquerda as eleições significaram um enorme desafio para o jovem Partido Socialismo e Liberdade em todo o país. Enfrentamos as máquinas partidárias de direita – que, em geral, utilizaram-se das estruturas públicas – e o financiamento milionário de campanhas, por parte de empresas interessadas em negócios nas prefeituras.
Fizemos malabarismos no exíguo tempo que a distribuição antidemocrática nos meios de comunicação nos destinou. Não houve debate entre candidatos e a cobertura tendenciosa nos jornais e TV impossibilitou o confronto de idéias e propostas. Essa eleição foi marcada pela despolitização da política
Nossa coligação apresentou um projeto que combateu os interesses do grande capital.Fizemos o contraponto àqueles que, sob o discurso da modernidade e da eficiência administrativa, representavam na verdade alternativas conservadoras.
No Rio de Janeiro, no contexto do segundo turno, entendemos que a candidatura de Eduardo Paes – hoje Sérgio Cabral e Lula, ontem, Marcello Alencar e FHC, anteontem César Maia - expressa a vontade de implementar no Rio as políticas do PMDB. As mesmas praticadas nos governos Garotinho e Rosinha, tão nocivas ao nosso Estado e marcadas pela privatização, pela retirada de direitos e pela criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.
Reconhecemos que parte significativa dos que votaram no candidato Gabeira o fez a partir de um olhar progressista. Sua candidatura, entretanto, sustentada pelo PSDB e naturalmente apoiada por César Maia, do PFL/DEM, com quem o PV governou o Rio por 12 anos, incorpora um projeto privatista e antipopular. Nesse cenário, o PSOL não apoiará nenhuma das alternativas apresentadas ao segundo turno. Continuaremos na busca da organização popular e da mobilização cidadã em defesa dos interesses da maioria da população. Com coerência e responsabilidade, os esforços do PSOL serão para crescer e se credenciar como alternativa política, ideológica e eleitoral para o município e o estado do Rio de Janeiro.
QUALQUER QUE SEJA O ELEITO, NOSSA ATUAÇÃO SERÁ SEMPRE CRÍTICA E PROPOSITIVA, PAUTADA NOS INTERESSES DO POVO CARIOCA.

Executiva do PSOL-RJ
Rio de Janeiro, 10 de outubro de 2008.

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06 outubro 2008

É POSSÍVEL FAZER POLÍTICA COM IDÉIAS E CAUSAS! - CHICO ALENCAR

Nossa campanha à prefeitura do Rio, fundada em propostas, transparência e militância, conquistou poucos votos. Mas elegeu Eliomar Coelho vereador da cidade. O PSOL, na relação candidato majoritário/legenda, obteve o mais alto percentual: 50%! Sinal de que já somos um projeto partidário reconhecido, embora ainda iniciante. Tivemos mais votos de legenda do que o PSDB, o DEM, o PPS, o PDT, o PP, o PSB e outros. Para além da derrota eleitoral, reiteramos que:
1 - é possível fazer campanha política com idéias e causas, sem somas milionárias e a multidão de cabos eleitorais pagos e placas;
2 - é imperioso revelar com toda a transparência os recursos de campanha: nós arrecadamos R$ 129.105,88, exclusivamente de contribuições cidadãs, e colocamos tudo no site de campanha (transferidos agora para o do mandato de deputado federal);
3 - é urgente que os candidatos - em especial os que foram para o segundo turno - publiquem de imediato os valores arrecadados e gastos em setembro, e seus doadores, ainda ocultos;
4 - sem debate promovido pelos grandes meios de comunicação de massa a eleição fica insossa e despolitizada; o resultado é o voto em "personalidades" (ou contra "encarnação do Mal"), desprezando-se os projetos políticos que representam, e uma Câmara Municipal com 2/3 de eleitos vinculados ao clientelismo e diversos outros acusados por atividades criminosas;
5 - candidato que respeita a população comparece a debates promovidos por entidades da sociedade; eles foram mais de 40, mas poucos de nós tivemos essa atenção, e alguns faltaram sistematicamente (Eduardo Paes, Crivella, Jandira e Solange);
6 - a Reforma Política e a vedação a candidaturas de condenados em primeira instância por crimes graves continuam sendo uma necessidade urgente da nossa débil democracia representativa;
7 - o PSOL não tem caciques e assim, ouvindo os militantes, definirá sua posição face ao segundo turno das eleições cariocas, após análise dessa conjuntura na qual a esquerda não está representada;
8 - em tempos de estio recolhem-se poucos grãos; mas eles, semeados mais à frente, em solo fértil, promoverão farta colheita.
Chico Alencar, ex-candidato a prefeito do Rio pela Frente Rio Socialista, deputado federal (PSOL-RJ)

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01 outubro 2008

O que fazer no Domingo 05/10?

No domingo 05/10 lembre-se
50 vereador + 50 prefeito = voto 100% consciente!

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A Utilidade do Voto - do Blog do Chico Alencar

A eleição em dois turnos foi uma conquista democrática de grande importância para a livre escolha do cidadão. O principal beneficiário é o eleitor que pode, caso nenhum dos candidatos conquiste a maioria absoluta dos votos no primeiro turno, votar duas vezes no mesmo processo eleitoral.
O voto no primeiro turno é o da identidade do eleitor com o programa, o candidato, o partido ou a coligação da sua preferência. Demanda e propicia a nitidez das propostas em disputa e, a partir da escolha soberana do cidadão, fortalece a democracia. Um voto que se repete com entusiasmo redobrado no segundo turno, ou, caso o candidato preferido não chegue até lá, o segundo voto se orienta para derrotar o principal oponente da escolha original.
Assim se define a utilidade do voto nas eleições de dois turnos.
O debate sobre “voto útil” na reta final do primeiro turno é, antes de tudo, uma agressão à liberdade de escolha do eleitor. São iniciativas, quase sempre, oriundas de um misto de arrogância e desespero de candidatos em queda na disputa, com o objetivo de embaralhar as cartas para melhor pescar em águas turvas. Um viés autoritário que agride a soberania do eleitor e faz pouco caso da livre manifestação das diferenças.
A investida de alguns apoiadores da candidata do Partido Comunista do Brasil se enquadra como exemplo típico de tal postura antidemocrática.
O apelo para que os “eleitores progressistas e de esquerda” abandonem suas candidaturas para votar em Jandira não faz, por várias razões, o menor sentido. Jandira, Crivella, Paes e Molon são aliados. Seus partidos (PCdoB, PRB, PMDB e PT) apóiam, participam e recebem as benesses das máquinas dos governos federal e estadual.
Seria até lógico que, nos termos do revelado pacto Jandira/Crivella, se juntassem os que estão e vão continuar no mesmo campo político. No entanto, bate em porta errada quem busca em desespero o voto progressista e de esquerda.
As pesquisas precárias, que trabalham com margens de erro altas e amostragens pequenas para o tamanho do nosso eleitorado, apontam que a eleição no Rio de Janeiro segue indefinida.
Os que começaram na frente, Crivella e Jandira, estão caindo. O que assumiu a dianteira está em patamar baixo. Os quatro seguintes estão embolados no empate técnico.
Na resposta espontânea, a maioria não definiu candidato e o IBOPE, precavido, aferiu que 25% dos eleitores só fará sua escolha no último dia. Não há, ainda, polarizações definidas para a única coisa certa: haverá segundo turno.
É bom lembrar o que aconteceu, em 1996, com Chico Alencar, então candidato pelo PT e atual candidato da Frente Rio Socialista.
Ele foi boicotado pela direção nacional petista e vitimado pela manipulação grotesca das pesquisas. Lula, Dirceu e Delúbio defendiam o “voto útil” da esquerda no candidato que estava na frente nas pesquisas, Miro Teixeira.
A pesquisa JB-Vox Populi, publicada em letras garrafais no dia da eleição, o apresentava em queda quando ele estava em ascensão vertiginosa. Deixou de ir ao segundo turno por um “beicinho de pulga” e teve quase o triplo dos votos do preferido da direção petista.
O eleitorado progressista e de esquerda se orienta por programas e valoriza a coerência dos que respeitam a vontade soberana e livre do cidadão. Rechaça, ao mesmo tempo, o oportunismo eleitoral dos que pedem votos da esquerda para governar com a direita.
O voto útil é o voto consciente.
A alternativa de esquerda, nesta eleição, é Chico Alencar, 50, da Frente Rio Socialista.

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