31 janeiro 2009

A Hidra da Criminalidade - Pablo Emanuel

Além de enfrentar um país caro, em que o custo de vida galopante praticamente achaca as possibilidades de um aumento no salário mínimo corresponder à decência, o brasiliano tem que matar um dinossauro todos os dias para ir trabalhar e alimentar a expectativa de voltar vivo para casa.
O Brasil está entregue nas mãos do tráfico de drogas. O poder parapolítico e paramilitar dos traficantes envenenou todas as classes sociais, e está inclusive lá dentro da escola, na sala de aula, perpetrado por falsos estudantes que se matriculam na rede pública de ensino apenas para ampliar seus negócios ilícitos e fazer do estabelecimento uma boca-de-fumo.
Quero agora trazer à lembrança o assassinato do professor e diretor Carlos Mota, no mês de junho do ano passado em Brasília, no Centro de Ensino Fundamental Lago Oeste, alvejado à bala por ex-alunos traficantes que ele resolveu combater para afastar do ambiente escolar a influência insalubre dos selvagens, dos vagabundos e dos folgados acintosos.
Provavelmente neste mês, segundo informações do sindicato dos professores, ocorrerá a primeira sessão de julgamento, sob júri popular, dos quatro acusados de praticar o bárbaro homicídio. Esperamos que recebam as penas mais duras, não de caráter ressocializante, mas estritamente punitivo, de fato, para que envelheçam na cela e de lá só saiam quando seus espíritos estiverem plenamente depauperados e destruídos.
Em agosto de 2008, para responder à afronta, o Sinpro-DF lançou uma campanha contra a violência nas escolas, com o slogan "Quem bate na escola, maltrata muita gente", numa grande reunião que contou com a presença de várias autoridades, populares, alunos e membros do Ministério Público.
A campanha em favor da paz nas escolas será incessante. O Distrito Federal está entre as unidades da federação onde há maior incidência de ações violentas entre alunos e deles contra servidores da Secretaria de Educação.
Com o crescimento absurdo e desordenado dos arredores de Brasília, fruto de políticas populistas e da ação impune de grileiros, a cidade hoje vive com medo, não só de seus criminosos locais, mas dos bandidos oriundos de municípios goianos limítrofes ao DF, que não deixam nada a dever ao que campeia nos territórios ocupados pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
Agora que a barbaridade faz parte das rotinas escolares, o que mais chama a atenção é a ofensiva de certos setores da sociedade, do governo e da mídia contra os professores e a escola pública.
Ficou-se convencionado que o professor do DF é como um típico e estável burocrata de cafés-com-cigarros e papos para o ar. Para se ter uma ideia do preconceito contra ele, um atestado médico de professor vale menos que um atestado tirado por algum servidor federal que está no alto clero do serviço público na corte da capital republicana.
Com a violência, ampliam-se entre os docentes os casos de afastamento por doenças relacionadas à ansiedade generalizada e à depressão. Apesar de tudo isso, a fama do professor de Brasília é a do sujeito que ganha muito bem, mais do que seus congêneres de categoria dos demais estados, para não trabalhar muito, como se suportar malandros e marginais dentro de classe, muitas vezes armados e chafurdados no entorpecente, dispostos a tudo se forem contrariados com o menor "não", fosse motivo para se criar um mito assim tão hediondo a respeito desses trabalhadores.
Nesse sentido, a campanha de calúnias contra a classe não tem medida, fazendo com que o aluno, que já não acatava a autoridade do docente, agora o ameace conforme sua vaidade entende, na hora que desejar, apenas porque tem toda a proteção das leis que o escusam de punição, enquanto que ao professor é reservado o direito e o dever de ficar calado para não ter o carro depredado ou tomar sopapos e tiros.
O exemplo do professor Carlos Mota nos dá a dimensão do que o profissional da educação, em todo o país, tem de enfrentar para realizar suas tarefas.
Tarefas que ele mesmo se impõe para impor aos seus alunos, que não fazem o menor esforço por adquirir responsabilidades nem cumprir com seus compromissos mais elementares e primários. Portanto, para tais tipos, não podemos aplicar, de forma cabal, a tese de exclusão social que supostamente muitos deles sofrem, porque têm a oportunidade de se escolarizar, e não o fazem por conta ou de seus caprichos individuais de mau caráter, ou de suas famílias irresponsáveis e frouxas que reproduzem suas ruínas internas na geração que é demanda atual nos serviços públicos.
Não há políticas de inclusão que tenham sucesso se aplicadas àqueles que nada fazem por si e ainda sabotam o processo ensino-aprendizagem, querendo desorganizar a escola e levar o ultraje, o terror e o homicídio contra quem se levanta para preservar o pouco espaço de que a cidadania dispõe.
Fica aqui minha homenagem ao professor Mota, cujo nome agora, justamente, está escrito na fachada da escola que ele quis proteger e transformar num lugar civilizado. Por causa da sua atitude revolucionária e cheia de coragem, terminou fulminado por safados vagabundos que jamais deveriam ter tido o direito a uma cadeira na escola, mas à mais dura malha de xadrez de ferro que lhes cobrisse do pé direito até o chão todo o cubículo.
Malditos sejam.

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30 janeiro 2009

Cesare Battisti: Martírio Sem Fim - Celso Lungaretti

Foi das mais decepcionantes a iniciativa do ministro Cezar Pelulo, relator do processo de extradição de Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal, de adiar mais uma vez o desfecho de uma pendenga que já está verdadeiramente decidida desde o momento em que o governo brasileiro concedeu o refúgio humanitário ao perseguido político italiano..

O ponto final da novela seria na próxima 2ª feira. Não será mais: Peluzo concedeu à Itália cinco dias para apresentar seus argumentos, aliás sobejamente conhecidos.

Quando um caso ganha a repercussão que este adquiriu, trava-se uma verdadeira guerra de versões, tão discrepantes entre si que torna quase impossível a qualquer cidadão isento situar-se nesse cipoal de informações e interpretações conflitantes.

Então, chega um momento em que se deve confiar, acima de tudo, na própria sensibilidade e espírito de justiça.

O que salta aos olhos no caso é que Cesare Battisti foi inicialmente condenado por delitos menores e anos depois, graças à delação premiada de um indivíduo obcecado em transferir suas responsabilidades para costas alheias, recebeu a pena máxima.

É indiscutível que esse julgamento final transcorreu num momento político no qual já não se faziam verdadeiros julgamentos na Itália, mas sim linchamentos com verniz de legalidade.

Para quem, como eu, passou pelos tribunais de exceção da ditadura militar, há um odor inconfundível de armação exalando do processo em que, de um momento para outro, apareceram testemunhas prontas a jurar que era culpado quem antes ninguém inculpava.

Quando o dedo do Estado apontou para Battisti, no auge do macartismo à italiana deflagrado pelo assassinato de Aldo Moro, todas as peças se juntaram para formar um bom dossiê acusatório.

Que não passa de uma obra de homens falíveis, capazes de pautar suas ações por sentimentos menores como a covardia, o oportunismo e o revanchismo; nunca a tábua dos dez mandamentos, como os reacionários tentam fazer crer.

Ficaram de fora desse dossiê as torturas a que os acusados foram submetidos, ao arrepio de qualquer lei e cuja mera existência na fase policial é suficiente para contaminar qualquer processo judicial.

Também se fez vista grossa ao fato de Battisti ter sido julgado à revelia, não exercendo plenamente seu direito de defesa. Preferiu-se dar crédito a uma carta com sua assinatura, teoricamente instruindo o advogado sobre a linha a ser adotada no tribunal.

No entanto, a perícia insuspeita de uma das principais especialistas francesas constatou que a assinatura de Battisti precede de vários anos o texto que outra pessoa, com outra caligrafia, acrescentou.

Ou seja, antes de fugir da Itália ele deixou assinada uma carta em branco para que o advogado em quem confiava pudesse providenciar alguma procuração que se fizesse necessária.

Ao invés disto, tal advogado, priorizando outros réus, não só colocou um texto altamente lesivo aos interesses de Battisti, como deu um jeito de fazê-lo chegar às mãos dos acusadores.

Uma farsa sórdida que, por incompetência ou má fé, o tribunal inquisitorial italiano avalizou.

E há aberrações jurídicas como o fato de que crimes ocorridos na década de 1970 foram enquadrados numa lei dos anos 80, para que se pudesse impor a Battisti a prisão perpétua.

Há até quem encontre argumentos para justificar a retroatividade, mas nosso senso comum se rebela.

Se couber ao Estado fixar, depois de cometido um delito, qual a pena cabível, abre-se a porta para todo tipo de perseguições e injustiças.

Cuspir no chão pode ser pretexto para condenação à morte, num estado policial. E a Itália, com seu passado fascista não muito distante, está longe de poder ser considerada uma nação imune ao totalitarismo.

Na excelente matéria de capa que a revista IstoÉ acaba de publicar sobre Battisti ( http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2047/artigo124312-1.htm ), um detalhe menor me chamou a atenção: a tendenciosa versão italiana era de que ele não passava de um pequeno marginal que, preso por delitos comuns, havia sido doutrinado pelos comunistas com os quais passou a conviver no cativeiro.

A verdade é bem outra, como se constata nestes trechos da longa entrevista: "Eu sou filho e neto de comunistas. Quando tinha dez anos, andava com meu irmão, com toda a família, com um cravo vermelho na roupa. (...) Entrei cedo na juventude comunista. Depois, saí do partido comunista e entrei no que era o movimento de extrema esquerda. (...) Nessa época, nós financiávamos os movimentos com furtos, pequenos assaltos. (...) Era na Frente Ampla. Todo mundo praticava ilegalidades nesta época. Chamávamos de expropriações proletárias. (...) Era uma prática generalizada. Servia para financiar nossos cartazes, jornais e pequenas revistas. As primeiras rádios livres, por exemplo, foram financiadas por atividades ilegais".

O Estado italiano tem todo direito de desconsiderar em termos legais a componente política dessa "prática generalizada", mas nenhum de caluniar um cidadão, apresentando-o ao mundo como um trombadinha que aderiu tardiamente à luta política, com a insinuação implícita de que queria apenas uma cobertura para dar vazão a seus instintos criminosos.

Quantas outras mentiras contra Battisti integrarão a história oficial que os italianos tentam nos impingir?

Enfim, estamos, como sempre, no terreno minado do campo de batalha em que se defrontam os inimigos e os partidários da justiça social.

Os primeiros querem ver exemplarmente punido um homem que lutou por seus ideais -- não pelos crimes que lhe imputam e pelos quais está muito longe de haver sido condenado em tribunais civilizados, mas por ser um símbolo da esperança num mundo bem diferente do que aí está.

E nós o defendemos em nome da solidariedade para com os injustiçados de todos os tempos e da compaixão por quem já sofreu demais.

A perseguição sem fim que é movida contra Battisti equivale a um martírio que poucos suportariam.

Trinta anos se passaram desde os crimes que lhe imputam. E nem o pior dos detratores consegue encontrar evidência de que ele tenha continuado um extremista após sua fuga para a França em 1981.

A sanha vingativa contra um homem a quem fazem acusações nebulosas e que leva vida laboriosa e das mais sofridas há pelo menos 27 anos, é algo que só Freud conseguiria explicar a contento.

Se conseguisse sublimar a repulsa que tais caças às bruxas, em todos os tempos, sempre causaram aos melhores seres humanos.



Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate


Leia os comentários diários dos últimos acontecimentos. Acesse o Blog de Celso Lungaretti – Náufrago da Utopia

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Número zero, da revista Socialismo e Liberdade


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Emir Sader, Carta Maior

“A mídia mercantil é um caso perdido para a compreensão do mundo contemporâneo. Não por acaso a crise atual a afeta diretamente. Não tardará para que comecem as quebras de empresa de jornalismo por aqui também. E eles serão vitimas da sua própria cegueira, aquela que lhes impede de ver os projetos do futuro da humanidade, que passeiam pelas veredas de Belém.

Emir Sader, Carta Maior

Mais uma vez a mídia privada não consegue ver o FSM. Os leitores que dependerem dela ficarão sem saber o que acontece aqui em Belém. Por que? O que impede uma boa cobertura, se a riqueza de idéias, a diversidade de presenças, a força dos intercâmbios – como não se encontra em lugar algum do globo – estão todos aqui? Há jornalistas, algum espaço é dedicado pela imprensa ao evento, mas o fundamental passa despercebido.

O fundamental não tem preço – diz um dos lemas melhores do FSM. Enquanto o neoliberalismo e o seu reino do mercado tentam fazer com que tudo tenha preço, tudo se venda, tudo se compre, ao estilo shoping-center, o FSM se opôs desde o seu começo a isso, opondo os direitos de todos ao privilégio de quem tem poder de compra, incrementando sempre mais as desigualdades.

Um jornalista da FSP (Força Serra Presidente) se orgulha de ter ido a todos os Foros de Davos e, consequentemente, a nenhum Forum Social Mundial. A espetacular marcha de abertura do FSM retratada com belíssimas fotos por Carta Maior, foi inviabilizada pela mídia mercantil.

A cobertura se faz com a ótica com que essa imprensa se comporta, com os óculos escuros que a impedem de ver a realidade. O FSM, como tudo, é objeto das fofocas sobre eventuais desgastes do governo Lula – a obsessão dessa mídia. Não cobrem o dia do Forum PanAmazônico, não deram uma linha sobre o Forum da Mídia Alternativa, não ouvem os palestinos, nem os africanos ou os mexicanos. Nada lhes interessa. No máximo aguardam para ver se Brad Pitt e Angelina Jolie vão vir.”

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21 janeiro 2009

Memorial da Resistencia

Data: dia 24 de janeiro de 2009

Hora: 11 horas

Local: Memorial da Resistência (Estação Pinacoteca - Largo General Osório, 66)

Estacionamento no local

O novo Memorial da Resistência quer mostrar que a Humanidade foi mais forte, derrotou a opressão, a tortura e a barbárie.

Mais importante que tudo é passar para as novas gerações a certeza de que vale a pena lutar por Liberdade, Justiça e por uma Sociedade Justa e Igualitária.

Contamos com sua presença e participação!

Raphael Martinelli, Maurice Politi e Ivan Seixas

Fórum Permanente dos ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo

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20 janeiro 2009

Forum Social Mundial

27 de janeiro a 1° de fevereiro de 2009 - Belém - Pará - Brasil

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14 janeiro 2009

PERFIL DO DIREITISTA BRASILEIRO

Alertado pela Amiga Nadia vi que deixei de acrescentar a origem deste texto
Ele foi publicado originalmente no Blog do Jornalista Bruno Ribeiro (Botequim do Bruno) http://www.cosmo.com.br/blog/blog.php?blog_id=12

Como a direita conservadora e caricata está novamente na moda...


1. Ao contrário dos direitistas europeus e norte-americanos – patrióticos ao ponto da xenofobia – o direitista brasileiro odeia o Brasil. É curioso, porque nenhuma direita traz tantas marcas do seu lugar de origem como a brasileira.

2. O direitista brazuca sofre de profunda nostalgia. Entende-se: ele um dia teve Paulo Francis. Hoje deve contentar-se com Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. Ou seja, já completa uma geração em total orfandade de gurus. Anda tão carente que seu mais novo mestre é um auto-intitulado "filósofo" de cujo trabalho nenhum profissional de filosofia jamais ouviu falar.

3. Os direitistas tupiniquins em geral se dividem em dois grupos: os raivosos e os blasé. Os primeiros vociferam em blogs, lançam insultos, ordenam que os adversários se calem ou se mudem para Cuba. Reagem histericamente à própria infelicidade. Os segundos, em busca de uma elegância copiada de algum filme gringo, intercalam em suas frases expressões inglesas já completamente fora de uso. Reagem esquizofrenicamente à sua infelicidade, à sua incapacidade de reconciliarem-se com o que são.

4. O direitismo brasileiro costuma ser um grande clube do Bolinha. Tem verdadeiro pânico das mulheres, especialmente das mulheres fortes, seguras, profissionalmente bem-sucedidas. Estas últimas costumam ter o poder de fazer até mesmo do blasé um raivoso.

5. O direitista tupiniquim adora lamber as botas de Bush. Numa época em que até vozes do conservadorismo tradicional norte-americano reconhecem o caráter da mentirada sobre a qual se sustenta Bush, o direitista daqui ainda defende o genocídio praticado pelos EUA no Iraque.

6. O direitista tupiniquim tem pânico de discutir questões relacionadas a raça e etnia. Quando aflora qualquer conversa sobre a discriminação racial ou sobre o lugar subordinado do negro na sociedade, ele raivosamente acusa os interlocutores de estarem acusando-o de racista. Para essa “vestida de carapuça” Freud inventou um nome: denegação. É a atitude preferida do direitista quando o tema é relações raciais.

7. O direitista brasileiro louva e idolatra o mercado, mas curiosamente pouquíssimos espécimens dessa turma se estabeleceram no mercado com o próprio trabalho. É mais comum que herdem um negócio do pai, recebam via jabaculê o emprego que terão pelo resto da vida ou, mais comum ainda, que concluam a quarta década de vida morando com a mãe e tomando toddyinho.

8. O direitista brasileiro ainda acha que todo esquerdista é aquele tipo folclórico que não toma coca-cola, usa camiseta do Che Guevara e defende ditaduras comunistas, com uma bolsa de lona à tiracolo.

9. O direitista brasileiro tem certeza de que a ameaça comunista ainda é uma realidade a ser considerada no mundo e, portanto, deve ser combatida. Ele acha que existe um plano para implantar uma ditadura de esquerda em escala planetária envolvendo Lula, Hugo Chavez, Evo Morales, Fidel Castro, as FARC e o MST.

10. Na visão do direitista brasileiro, qualquer grevista não passa de baderneiro. Para a direita, a ordem se sobrepõe à Justiça, os interesses individuais são mais importantes que os interesses coletivos. Os movimentos sociais devem ser criminalizados. Os índios não merecem a demarcação de suas terras porque são vagabundos. Os negros têm de saber qual é o seu lugar. Os pobres são pobres porque não têm capacidade para enriquecer.

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12 janeiro 2009

Rio


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Paz, Peace







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02 janeiro 2009

Cântico II (Cecília Meireles)

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
És tu

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Página Infeliz da Nossa História



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