31 março 2009

No Dia Em Que A Liberdade Foi-se Embora - Celso Lungaretti*

Eu tinha 13 anos em 31 de março de 1964.

Puxando pela memória, só consigo me lembrar de que, naqueles dias, a TV vendia o golpe de estado em grande estilo, insuflando tal euforia patrioteira que os cordeirinhos faziam fila para atender ao apelo: "Dê ouro para o bem do Brasil!".

Matronas iam orgulhosamente tirar suas alianças e oferecê-las para os novos redentores da Nação, torcendo para que as câmeras as estivessem focalizando naquele momento solene.

Desde muito cedo eu peguei bronca dessas situações em que a multidão se move segundo uma coreografia traçada por alguém acima dela, com cada pessoa esforçando-se para parecer mais sincera no papel representado... de forma tão exagerada que acaba se mostrando, isto sim, artificial e canastrônica.

De paradas de 7 de setembro a procissões, eu não suportava a falsa uniformidade. Gostava de ver cada indivíduo sendo ele mesmo, igual a todos e diferente de todos ao mesmo tempo.

E, na preparação do clima para a quartelada, houvera a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade, com aquelas senhoras embonecadas e aqueles senhores engravatados me parecendo sumamente ridículos.

Aqui cabe uma explicação: duas fortes influências me indispunham contra a marcha da classe média baratinada.

Minha família era kardecista e, quando eu tinha oito, nove anos, me levava num centro espírita cujo orador falava muito bem... e era exacerbadamente anticatólico.

A cada semana recriminava a riqueza e a falta de caridade da Igreja, contrastando-a com a miséria do seu rebanho. Cansava de repetir que Cristo expulsara os vendilhões do tempo, mas estes estavam todos encastelados no Vaticano.

Vai daí que, cabeça feita por esse devoto tardio do cristianismo das catacumbas, eu jamais poderia aplaudir um movimento de católicos opulentos.

E eu devorara a obra infantil de Monteiro Lobato inteira. Com ele aprendera a prezar a simplicidade, desprezando a ostentação e o luxo; a respeitar os sábios e artistas, de preferência aos ganhadores de dinheiro.

Mas, afora essa rejeição, digamos, estética, eu não tinha opinião sobre o golpe.

Escutava meu avô dizendo que, se viesse o comunismo, ele teria de dividir sua casa com uma família de baianos (o termo pejorativo com que os paulistas designavam os excluídos da época, predominantemente nordestinos).

Registrava a informação, que me parecia um tanto fantasiosa, mas não tinha certeza de que o meu avô estivesse errado.

O certo é que os grandes acontecimentos nacionais me interessavam muito pouco, pois pertenciam à realidade ainda distante do mundo adulto.

Na canção em que Caetano descreve sua partida de Santo Amaro da Purificação para tentar a sorte na cidade grande, ele lembrou que "no dia em que eu vim-me embora/ não teve nada de mais", afora um detalhe prosaico: "senti apenas que a mala de couro que eu carregava/ embora estando forrada/ fedia, cheirava mal".

Da mesma forma, o dia que mudou todo meu futuro -- seja o 31 de março festejado pelos tiranos, seja o 1º de abril em que a mentira realmente tomou posse da Nação -- não teve nada de mais.

Gostaria de poder afirmar que percebi, logo naquele momento, estarmos começando a carregar uma fedorenta mala sem alça, da qual não nos livraríamos por 21 longos anos.

Mas, seria abusar da licença poética e eu não minto, nem para tornar mais vistosas as minhas crônicas.

Os mentirosos eram os outros. Os fardados, as embonecadas e os engravatados.


Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate

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29 março 2009

O Legado da Ditadura dos Generais - Celso Lungaretti*

Ao completarem-se 45 anos da quebra da normalidade institucional no Brasil, mergulhando o País nas trevas e barbárie durante duas décadas, é oportuno evocarmos o que realmente foi essa nada branda ditadura de 1964/85, defendida hoje com tamanha desfaçatez pelos jornalões, seus editorialistas e articulistas.

Como frisou a bela canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, cabe a nós, sobreviventes do pesadelo, o papel de sentinelas do corpo e do sacrifício dos nossos irmãos que já se foram, assegurando-nos de que a memória não morra – mas, pelo contrário, sirva de vacina contra novos surtos da infestação virulenta do totalitarismo.

Nessa efeméride negativa, o primeiro ponto a destacar é que a quartelada de 1964 foi o coroamento de uma longa série de articulações e tentativas golpistas, nada tendo de espontâneo nem sendo decorrente de situações conjunturais; estas foram apenas pretextos, não causa.

Há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo. Mas, é incontestável que a ultra-direita vinha há muito tempo tentando usurpar o poder.

Em novembro/1955, uma conspiração de políticos udenistas e militares extremistas tentou contestar o triunfo eleitoral de Juscelino Kubitscheck, mas foi derrotada graças, principalmente, à posição legalista que Teixeira Lott, o ministro da Guerra, assumiu. Um dos golpistas presos: o então tenente-coronel Golbery do Couto e Silva, que viria a ser o formulador da doutrina de Segurança Nacional e eminência parda do ditador Geisel.

Em fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, os militares já se insubordinavam contra o governo constitucional, na revolta de Jacareacanga.

Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças.

E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart e iniciaram, juntamente com os conspiradores civis, a constituição de um governo ilegítimo, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil.

Apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos chamados grupos dos 11 brizolistas, inexistia em 1964 uma possibilidade real de revolução socialista. Não houve o alegado "contragolpe preventivo", mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpação do poder, meticulosamente tramado e executado com apoio dos EUA. Derrubou-se um governo democraticamente constituído, fechou-se o Congresso Nacional, cassaram-se mandatos legítimos, extinguiram-se entidades da sociedade civil, prenderam-se e barbarizaram-se cidadãos.

A esquerda só voltou para valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas com o uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações.

Até que, com a edição do dantesco AI-5 (que fez do Legislativo e o Judiciário Poderes-fantoches do Executivo, suprimindo os mais elementares direitos dos cidadãos), em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa.

As organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses.

Em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média.

Nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio premeditado dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados.

A Casa da Morte de Petrópolis (RJ) e o assassinato sistemático dos combatentes do Araguaia estão entre as páginas mais vergonhosas da História brasileira – daí a obstinação dos carrascos envergonhados em darem sumiço nos restos mortais de suas vítimas, acrescentando ao genocídio a ocultação de cadáveres.

O milagre brasileiro, fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem.

As ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, bem como dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura.

Corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram).

A arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, como o motorista baleado em 1969 apenas por estar passando em alta velocidade diante de um quartel, na madrugada paulistana (o comandante da unidade ainda elogiou o recruta assassino, por ter cumprido fielmente as ordens recebidas!).

Longe de garantirem a segurança da população, os integrantes dos efetivos policiais chegavam até a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte).

O aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam de empresários direitistas vultosas recompensas por cada "subversivo" preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os resistentes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria.

Daí terem resistido encarniçadamente à disposição do ditador Geisel, de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária. Mataram pessoas inofensivas como Vladimir Herzog, promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se não tivesse falhado, provocaria um morticínio em larga escala) e chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o ministro do Exército.

A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia marcando passo e os cidadãos cada vez mais avessos ao autoritarismo sufocante. Seu último espasmo foi frustrar a vontade popular, negando aos brasileiros o direito de elegerem livremente o presidente da República, ao conseguir evitar a aprovação da emenda das diretas-já.

Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate
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28 março 2009

Che O Filme e o Mito - Celso Lungaretti

“El nombre del hombre muerto ya no se puede decirlo, quién sabe?
Antes que o dia arrebente, antes que o dia arrebente
El nombre del hombre muerto, antes que a definitiva noite se espalhe em Latinoamérica
El nombre del hombre es Pueblo, el nombre del hombre es Pueblo”
(“Soy Loco Por Ti America”, Capinan, Gil e Torquato)

Che, de Steven Soderbergh, consegue um prodígio, em termos de grandes produções estadunidenses enfocando personagens revolucionários: é um filme honesto.

Claro que, precavendo-se contra as inevitáveis críticas dos direitistas, Soderbergh e o roteirista Peter Buchman evitaram manifestar simpatia ostensiva pela causa revolucionária, limitando-se a colocar na tela os episódios narrados nos diários de Che Guevara.

Então, os aspectos políticos, como o relacionamento entre a guerrilha e a oposição desarmada, são tratados de forma muito superficial, enquanto as cenas de batalhas tomam tempo demais do filme.

Um cineasta do ramo, como Costa-Gravas, certamente aprofundaria mais os personagens e situações, ao invés de ficar no meramente descritivo. Só que Hollywood jamais bancaria um filme sobre Guevara que tivesse Costa-Gravas como diretor...

Justiça seja feita: o atual Che é extremamente mais digno do que o Che! de 1969, dirigido por Richard Fleischer, com Omar Shariff no papel principal. Caricaturas e preconceitos desta vez ficaram de fora. A guerra fria acabou, felizmente.

Chamou-me a atenção o tratamento respeitoso que Fidel Castro (interpretado pelo bom ator mexicano Demián Bichir) recebe. Ele é mostrado como líder inconteste da revolução: ao mesmo tempo o visionário que apostou numa possibilidade remotíssima de vitória, o carismático que soube contagiar os outros com seu sonho e o pragmático que tomou quase sempre as decisões corretas ao longo da campanha.

Benicio Del Toro, obviamente, é quem sustenta o filme.

A opção foi abarcar, nesta primeira parte do épico -- há uma segunda, Che - A Guerrilha, que ainda não tem estréia marcada no Brasil --, o período que vai do primeiro encontro entre Che e Fidel (1955) até a derrubada do ditador Fulgencio Batista (1959); afora isto, só existe um pequeno salto para o futuro, o pronunciamento de Guevara na ONU (1964).

Nesses quatro anos de que se ocupa o filme, o idealismo e a capacidade de enternecer-se de Guevara não se ressalta tanto nas situações propriamente ditas, como nos Diários de Motocicleta, de Walter Salles.

Aqui e ali, o roteiro cumpre esse papel, como ao mostrar Guevara fragilizado ao sofrer ataques de asma, compassivo no trato com os camponeses e solidário com um novato a ponto alfabetizá-lo nos intervalos das batalhas e caminhadas.

E há também a bela frase dos diários do Che, sobre o amor que move os revolucionários.

Mesmo assim, dependia em muito do ator passar ou não para os espectadores a humanidade de um herói que não foi um homem de ferro e, muito menos, o sanguinário em que parte da mídia o quer hoje transformar.

Benício conseguiu, oferecendo-nos um verdadeiro tour de force interpretativo . Seu Che é mesmo um idealista obrigado a endurecer-se para cumprir seu papel histórico, mas que não perde a ternura jamais.

Enfim, o cinema ainda continua nos devendo um filme definitivo sobre a revolução cubana. Mas, tenho a impressão de que este Che é o máximo que podemos esperar de Hollywood.

E vale para estimular o interesse das novas gerações por um dos personagens mais emblemáticos do século passado.

CULTO PERENE

É claro que muitos jovens, antes desse filme, já viam Guevara como o próprio símbolo da revolução.

Enquanto Marx, Lênin, Stalin, Trotsky, Mao e o próprio Fidel só significam algo para os politizados, o Che tem uma força simbólica indiscutivelmente maior -- e muito mais adeptos na faixa da adolescência e mocidade.

Quais os motivos de culto tão perene?

Há quem o atribua, depreciativamente, à semelhança visual entre o Che abatido e o Cristo crucificado, omitindo que as trajetórias também são semelhantes.

Ambos desdenharam os bens materiais e foram solidarizar-se com os pobres, oferecendo-lhes apoio e esperanças. Despertaram a fúria dos poderosos de seu tempo e foram por eles destruídos, terminando sua jornada com muito sofrimento.

Evidentemente, os relatos que chegaram até nós sobre Jesus Cristo não têm áreas nebulosas como aqueles episódios em que Guevara parece haver incorrido em violência excessiva.

Mas, se o Salvador disse que não vinha “trazer a paz, mas a espada”, foi Guevara quem a empunhou. E a guerra nunca inspirou os melhores sentimentos ao ser humano. Pelo contrário, desperta seus piores instintos.

Então, a luta justificada e necessária contra o tirano Fulgêncio Batista pode ter feito aflorar o Robespierre latente naquele homem afável, tão bem retratado nos Diários de Motocicleta.

Mas, contradições são inerentes a todo ser humano. Não existe o herói perfeito e impoluto, salvo em nossa imaginação.

O certo é que Guevara continuou sacrificando tudo por seu ideal de justiça social. Como Garibaldi, foi levar a chama da revolução a outro mundo, a África. E tentou outra vez na Bolívia, onde finalmente o Império o fez executar (mais um paralelo com Cristo!).

Sua vida só foi uma sucessão de fracassos (como já se alegou) para quem reduz a existência à busca do sucesso fácil, descartando valores como a solidariedade, a coerência e a dignidade.

Os que o recriminam, certamente jamais agiriam como Guevara, abrindo mão do poder e honrarias para efetuar desesperadas tentativas de romper o isolamento da revolução cubana.

Pode-se supor que, como Trotsky, ele tenha concluído que a revolução invariavelmente se deforma quando fica restrita a um só país – ainda mais uma nação pobre, atrasada e asfixiada pelo embargo comercial, como Cuba. E fez o que poucos fariam: assumiu a missão de encontrar uma saída para o impasse, nas condições mais desfavoráveis.

No mundo todo, os jovens que também lutavam contra o Império se identificaram com seus sonhos e seu martírio. Não foram uma foto e um pôster que o transformaram em mito, mas sim esse exemplo de dedicação a uma causa justa até o sacrifício extremo.

E, como os corações mais sensíveis e as mentes mais lúcidas não conseguiram vencer o sistema regido pela desigualdade e ganância, Che inspira até hoje os que não aceitam o capitalismo globalizado como o fim da História.

Daí a inutilidade dos frequentes ataques à memória do homem Ernesto Guevara -- como os lançados pela mídia reacionária, a Veja à frente, quando do 40º aniversário da morte do herói.

Jamais atingirão, contudo, o mito Che Pueblo, personificação dos ideais igualitários que os melhores seres humanos vêm acalentando através dos tempos.

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27 março 2009

Brasil de Fato - seis anos de imprensa livre

O Jornal Brasil de Fato, um jornal de esquerda, completa seis anos de imprensa popular (2003-2009) e lança uma campanha por assinaturas. Hoje o jornal impresso circula às quartas-feiras.

Além dele há o boletim eletrônico distribuído para 84 mil militantes de movimentos sociais e o site www.brasildefato.com.br

Quem tiver interesse deve ligar para (11) 2131 0800 ou enviar e-mail para assinaturas@brasildefato.com.br


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Tiro n'água - Chico Alencar

Provocado por uma representação de cunho meramente político do deputado Bolsonaro (PP/RJ), adversário ideológico no Rio, nosso mandato entregou à Corregedoria da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, 25/03, um detalhado esclarecimento sobre os serviços prestados a nós pela Ecosocial Consultoria e pelo advogado e ambientalista João Alfredo Telles Melo.
Ele também assessorou o Greenpeace, neste período, quando não exercia qualquer mandato público.
Nossa manifestação de 12 páginas tem 15 anexos e nada menos que 124 documentos!
Ali está provado e comprovado, inclusive com diversas proposições legislativas, que a consultoria foi concreta, útil, legal e legítima. Aliás, ressarcimento de assessoria técnica é reconhecidamente, uma das utilizações mais nobres da chamada "verba indenizatória".
Como testemunhas listamos, entre outros, os senadores Eduardo Suplicy, Pedro Simon e Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente) e os deputados Fernando Gabeira, Ciro Gomes Flávio Dino, Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia, ex-presidentes da Câmara dos Deputados. A expectativa é a de que eles sequer sejam ouvidos, com o liminar arquivamento da inepta representação, por falta de substância fática e jurídica.

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A Indonésia é aqui ? - Chico Alencar

“Molhar a mão” do guarda, do funcionário da repartição pública, do agente penitenciário. “Acertar os 10%” para ser favorecido em alguma licitação. “Dar um jeitinho” para fazer a papelada andar. Desviar verba pública para a conta pessoal. Tudo isso está arraigado na cultura da... Indonésia! Esse cotidiano de corrupção coloca aquele país com um dos mais corruptos do mundo, e deve ser horrível viver num lugar assim.

Recentemente, a Indonésia republicana resolveu combater pela raiz o problema, através da Comissão Anti-Corrupção. Um dos seus instrumentos mais valorizados foram aulas com orientação de moralidade e transparência na vida cotidiana para crianças e jovens. E testes práticos, com os bazares das escolas sem vendedores, apenas com os seus produtos – de sanduíches a cadernos – e caixas para receber o dinheiro colocado pelos estudantes. As subtrações ilícitas são poucas. Há também prisões e uniformes especiais para corruptos, além da pena de morte.

Seria o caso de copiarmos essas experiências de combate à essa doença social que também nos atinge? A educação é decisiva na formação do caráter das pessoas. É preciso, mais do que nunca, educar nos valores da solidariedade, da igualdade, da justiça e da ética. Educar nos valores da partilha pela matemática, da comunicação amorosa pela língua nacional, do respeito à diversidade através da geografia, do sentido gregário da existência através da história, da ternura para com o próximo, meu igual, através da educação física... Com esse arcabouço ético e de compreensão moral, os atos de corrupção serão progressivamente “excomungados” para o rol das atitudes vergonhosas. Não há necessidade de aulas, cursos ou disciplinas de “Moral e Cívica” – que aqui no Brasil, aliás, serviu à doutrinação da ditadura, quando, no cantar de Chico Buarque e Francis Hime, “sofria a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações”.

Como as prisões especiais para corruptos, se nem às comuns eles costumam chegar, e sequer as investigações sobre os crimes do colarinho branco costumam prosperar? Delegados e juízes que levam a sério a apuração da grande corrupção acabam perseguidos e não raro tornam-se réus. O poder do capital nunca se dá mal.

Resta-nos o desânimo? Não! O Brasil, no seu ainda débil processo de democratização, tem excelência acadêmica em educação. A terra de Fernando Azevedo, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire tem milhares de trabalhadoras da educação comprometidas com uma pedagogia libertadora e, consequentemente, ética.

O povo brasileiro também conquistou um arcabouço jurídico e político, a partir da Constituição Cidadã de 1988, que, se bem utilizado, pode reverter mais rapidamente a continuada lama. Nesse campo, o Ministério Público, o fiscal da lei, sem prepotência, exerce papel decisivo. Para avançar com a ética na política, há lei que criminaliza a compra de votos e sucessivas campanhas pelo voto consciente. E a urgência de uma reforma política que acabe com o financiamento privado das campanhas eleitorais. Para o acompanhamento dos Executivos, temos a Controladoria Geral da União, que faz excelente rastreamento de concorrências públicas nos municípios, por amostragem, e volta e meia desmonta grandes esquemas fraudulentos. Até mesmo o Judiciário, com sua tradição de distanciamento aristocrático, já comporta o movimento dos “Juízes pela Democracia” e a Associação dos Magistrados do Brasil, além de aceitar, afinal, do controle externo, exercido ainda timidamente pelo Conselho Nacional de Justiça.

A melhor tipificação dos crimes financeiros, a recuperação de ativos desviados, o bloqueio de todos os bens dos suspeitos de alta corrupção e a transparência sobre mega-operações estão ao alcance das autoridades que não se acumpliciarem com o sistema dos negócios intocáveis e dos subornos milionários. No rastreamento dessa engenharia financeira, a informática presta imprescindível serviço. A corrupção ficou mais sofisticada mas o seu combate também.

O substrato de tudo isso, porém, é a consciência e a mobilização da cidadania. Sem elas, sem um forte movimento de indignação popular organizada, o banditismo dos de cima sempre triunfará – e continuará estimulando indiretamente o banditismo social, “pé de chinelo”.

Chico Alencar é Deputado Federal pel PSOL/RJ
Este artigo foi publicado no Jornal do Brasil em 23/03/09

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22 março 2009

Manifesto pelos Direitos Quilombolas

Encaminhado a partir da mensagem enviada por Domingas Dealdina Quilombola do Sapê do Norte-ES.

Prezados amigos ,parceiros e parentes Quilombolas,

Pedimos que entrem no link abaixo e assinem o Manifesto pelos Direitos Quilombolas.
Estimamos existir cerca de 5.000 Comunidades Quilombolas no Brasil, dessas aproximadamente 1.500 estão com processo de titulação aberto no INCRA, baseado no decreto 4887/03.
Hoje, a política para quilombos, sobretudo a de regularização fundiária, está ameaçado por uma série de investida da direita, representada por partidos políticos, pela bancada ruralista, pelo setor do agronegócio e a grande mídia.
Precisamos que essa matéria ganhe vulto nacional e internacionalmente, favor assinar o nosso manifesto como pessoa física ou jurídica e encaminhar essa mensagem para seus contatos. Junte-se a nós nessa luta por justiça social.
Por favor encaminhe este e-mail também para a sua lista de amigos.
Desde já agradecemos.

http://www.PetitionOnline.com/conaq123/petition.html

Secretaria Executiva da CONAQ
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
conaqsecretaria@yahoo.com.br

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Che de Steven Soderbergh - Estréia



Estreia dia 27/03

Elenco: Benício Del Toro, Demián Bichir, Santiago Cabrera, Catalina Moreno, Julia Ormond, Lou Phillips, Franka Potente, Edgar Ramirez, Victor Rasuk, Rodrigo Santoro.
Direção: Steven Soderbergh
Gênero: Drama
Duração: 125 min.
Distribuidora: Europa Filmes

Sinopse: O filme será dividido em duas partes: 'The Argentine' e 'The Guerrilla', que narram a vida do guerrilheiro baseado no próprio diário de Guevara.

Curiosidades:
» Primeira parte do épico sobre as guerrilhas de Che Guevara, centrado na batalha de 1956 contra o então presidente de Cuba Fulgencio Batista

» No Brasil os filmes deverão estrear com os títulos 'Che' e 'Che - A Guerrilha', pela Europa filmes.

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21 março 2009

Chaim Litewski e Palmares Produções tem a satisfação de convidá-lo para as primeiras exibições públicas do filme "Cidadão Boilesen", documentário que revela a ligação entre empresários e militares no combate à luta armada no período da ditadura militar.

As sessões acontecerão no Rio, em São Paulo e Brasília nas seguintes datas e horários:
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 29/03 - 20H00
CINESESC (SÃO PAULO - SP) - 30/03 - 21H00
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (BRASÍLIA - DF) - 22/04 - 20H30
Lembramos também das reprises em todas as cidades:
UNIBANCO ARTEPLEX (RIO DE JANEIRO - RJ) - 30/03 - 14H00
OI FUTURO (RIO DE JANEIRO - RJ) - 31/03 - 19H30
CINESESC (SÃO PAULO - SP) - 31/03 - 15H00
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (SÃO PAULO - SP) - 05/04 - 13H00
CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (BRASÍLIA - DF) - 24/04 - 18H30
Visto que o festival nos permite um número limitado de convites, pedimos a todos que cheguem com pelo menos trinta minutos de antecedência à sessão. Contamos com a presença de todos!

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19 março 2009

Há 45 anos o Brasil Entrava nas Trevas - Celso Lungaretti*

Ao completarem-se 45 anos da quebra da normalidade institucional no Brasil, mergulhando o País nas trevas e barbárie durante duas décadas, é oportuno evocarmos o que realmente foi essa nada branda ditadura de 1964/85, defendida hoje com tamanha desfaçatez pelos jornalões, seus editorialistas e articulistas.

Como frisou a bela canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, cabe a nós, sobreviventes do pesadelo, o papel de sentinelas do corpo e do sacrifício dos nossos irmãos que já se foram, assegurando-nos de que a memória não morra – mas, pelo contrário, sirva de vacina contra novos surtos da infestação virulenta do totalitarismo.

Nessa efeméride negativa, o primeiro ponto a destacar é que a quartelada de 1964 foi o coroamento de uma longa série de articulações e tentativas golpistas, nada tendo de espontâneo nem sendo decorrente de situações conjunturais; estas foram apenas pretextos, não causa.

Há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo. Mas, é incontestável que a ultra-direita vinha há muito tempo tentando usurpar o poder.

Em novembro/1955, uma conspiração de políticos udenistas e militares extremistas tentou contestar o triunfo eleitoral de Juscelino Kubitscheck, mas foi derrotada graças, principalmente, à posição legalista que Teixeira Lott, o ministro da Guerra, assumiu. Um dos golpistas presos: o então tenente-coronel Golbery do Couto e Silva, que viria a ser o formulador da doutrina de Segurança Nacional e eminência parda do ditador Geisel.

Em fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, os militares já se insubordinavam contra o governo constitucional, na revolta de Jacareacanga.

Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças.

E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart e iniciaram, juntamente com os conspiradores civis, a constituição de um governo ilegítimo, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil.

Apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos chamados grupos dos 11 brizolistas, inexistia em 1964 uma possibilidade real de revolução socialista. Não houve o alegado "contragolpe preventivo", mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpação do poder, meticulosamente tramado e executado com apoio dos EUA. Derrubou-se um governo democraticamente constituído, fechou-se o Congresso Nacional, cassaram-se mandatos legítimos, extinguiram-se entidades da sociedade civil, prenderam-se e barbarizaram-se cidadãos.

A esquerda só voltou para valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas com o uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações.

Até que, com a edição do dantesco AI-5 (que fez do Legislativo e o Judiciário Poderes-fantoches do Executivo, suprimindo os mais elementares direitos dos cidadãos), em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa.

As organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses.

Em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média.

Nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio premeditado dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados.

A Casa da Morte de Petrópolis (RJ) e o assassinato sistemático dos combatentes do Araguaia estão entre as páginas mais vergonhosas da História brasileira – daí a obstinação dos carrascos envergonhados em darem sumiço nos restos mortais de suas vítimas, acrescentando ao genocídio a ocultação de cadáveres.

O milagre brasileiro, fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem.

As ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, bem como dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura.

Corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram).

A arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, como o motorista baleado em 1969 apenas por estar passando em alta velocidade diante de um quartel, na madrugada paulistana (o comandante da unidade ainda elogiou o recruta assassino, por ter cumprido fielmente as ordens recebidas!).

Longe de garantirem a segurança da população, os integrantes dos efetivos policiais chegavam até a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte).

O aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam de empresários direitistas vultosas recompensas por cada "subversivo" preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os resistentes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria.

Daí terem resistido encarniçadamente à disposição do ditador Geisel, de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária. Mataram pessoas inofensivas como Vladimir Herzog, promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se não tivesse falhado, provocaria um morticínio em larga escala) e chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o ministro do Exército.

A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia marcando passo e os cidadãos cada vez mais avessos ao autoritarismo sufocante. Seu último espasmo foi frustrar a vontade popular, negando aos brasileiros o direito de elegerem livremente o presidente da República, ao conseguir evitar a aprovação da emenda das diretas-já.


Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate


Leia os comentários diários dos últimos acontecimentos. Acesse o Blog de Celso Lungaretti – Náufrago da Utopia

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Grupo Tortura Nunca Mais-RJ - 45 anos do golpe militar

No dia 31 de março de 1964, militares depuseram o presidente João Goulart e implantaram uma ditadura que durou 21 anos.

A ASA, o grupo Tortura Nunca Mais e a Casa da América Latina promovem dois eventos para lembrar o período ditatorial, a luta pela redemocratização e os impactos do regime militar no Brasil de hoje.

Dia 22 de março, domingo, às 17 horas, na sala de vídeo (rua São Clemente, 155)

Exibição do documentário Tempo de Resistência, de André Ristum. A partir do depoimento de mais de 30 pessoas diretamente envolvidas na resistência à ditadura, com imagens de arquivo, o filme revela a história das duas décadas negras. Músicas de Chico Buarque, Francis Hime e Geraldo Vandré.

Dia 29 de março, domingo, às 17 horas, no auditório (rua São Clemente, 155)

Palestras com o professor de História Fernando Vieira, o diretor de Direitos Humanos da Casa da América Latina Modesto da Silveira e a vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais Victoria Grabois. Os temas irão da decretação do AI-5, em 1968, até as memoráveis campanhas pela anistia e por eleições diretas para presidente da República, passando pelos anos de chumbo da resistência aos ditadores.

Participação especial do Coral da ASA, que cantará músicas daquele período (Chico Buarque, Tom Jobim, Geraldo Vandré, Paulinho da Viola, Milton Nascimento, entre outros).

Programas fundamentais, especialmente para os jovens que desconhecem a experiência sufocante de um regime totalitário.

Estacionamento (pago) no local.
Entrada franca.

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13 março 2009

O Factóide do ex-Prefeito - Chico Alencar

O ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), em nota de seis linhas no seu ex-blog (9/3), com seu atual grande tempo livre e o velho estilo ferino, questionou o pagamento de serviços prestados ao nosso mandato pela EcoSocial Consultoria Sócio-agrário-ambiental Ltda., que tem no advogado, mestre em Direito Público e professor de Direito Ambiental João Alfredo Telles Melo seu grande nome. ,
Esclareço:

1. O ex-prefeito reconhece que obteve essas informações no próprio site do nosso mandato, que desde o ano passado, pioneiramente - como apenas quatro outros deputados, e nenhum do DEM! - detalha os gastos com a indenizatória: transparência é para quem nada tem a ocultar;

2. A verba indenizatória destina-se, entre outras finalidades, a ressarcir consultorias, que qualificam os mandatos nos campos de atuação onde são mais demandados;

3. A EcoSocial, devidamente registrada e apta, visa "a prestação de serviços de consultoria jurídico-político-legislativa (...) em questões agrárias, sócio-ambientais e de direitos humanos";

4. João Alfredo tem reconhecido saber nestas áreas, não exercia mandato público neste período nem estava cassado de seus direitos de cidadão trabalhador, profissionalmente habilitado. Aliás, também prestou assessoria para o Greenpeace, o que revela a excelência de sua especialização;

5. Nosso mandato e a sociedade brasileira agregaram valor com sua consultoria efetiva e absolutamente legal, traduzida, para além da presença regular em Brasília, em elaboração de pareceres e análises de iniciativas do Executivo, sugestões de projetos de lei, emendas e requerimentos de informação, pronunciamentos, acompanhamento da tramitação de matérias, seminários e audiências públicas, todas envolvendo as gravíssimas questões ambientais, fundiárias e de Direitos Humanos;

6. João Alfredo, como qualquer cidadão, tinha o direito de candidatar-se no pleito municipal de 2008, e sua postulação - em campanha austera e propositiva - foi referendada pela população de Fortaleza, que o tornou o vereador mais votado da cidade; no período pré-eleitoral e depois de sua posse os seus serviços de consultoria foram suspensos.

Esclarecimento feito, ficam duas indagações: a quem interessa criar uma cortina de fumaça para se desviar o foco das fraudes, da corrupção que subtrai milhões e do uso de recursos públicos em benefício pessoal, procedimentos que perigosamente vão sendo banalizados na vida nacional? Em sua nova armadura de cruzado moralista, por que Cesar não questionou em seu ex-blog a decisão recente de seu colega de partido, Efraim Morais (DEM/PB), que pagou R$ 8 milhões em "horas extras" para servidores do Senado, supostamente "trabalhadas" durante o recesso parlamentar?

O factóide só serviu para alimentar, objetivamente, três fortes tendências no Congresso Nacional: 1) a de limitar a transparência quanto ao uso dos recursos dispendidos por cada parlamentar (a fonte do ex-prefeito fomos nós mesmos, pois nada temos a esconder, mas vários colegas de representação criticaram a nossa "ingenuidade"); 2) a de incorporar a verba indenizatória ao salário nominal dos congressistas, que seriam, assim, elevados em 60%; 3) a de inibir o combate a procedimentos corrompidos na nossa vida política, já que estariam todos colocados na "vala comum" da falta de espírito público. O PSOL não se calará! Não passarão!


Chico Alencar, deputado federal (PSOL/RJ)

Esta nota foi encaminhada sob a forma de ofício para o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, e para a Corregedoria da Casa.


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Pela excomunhão da estupidez humana - Chico Alencar

Aprendi, desde os tempos da adolescência, na Juventude Estudantil Católica, que mais vale acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.

Ouvi, aqui e na sociedade, muitas críticas ao Bispo, muitas pessoas queixando-se do Bispo. Pois quero aqui elogiar o Arcebispo de Olinda e Recife... Dom Helder Câmara, antecessor do atual, que era um homem de grandezas, que era um homem de generosidade, que era um homem de veio profético.

Lembro-me - e eu era pouco mais que um menino -, no encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano ll, quando se procurava um diálogo inter-religioso tão fundamental para nossas próprias denominações.

Alguns bispos, não muitos, que tinham participado do concílio, escreveram o chamado Pacto das Catacumbas, em que afirmavam o compromisso, em primeiro lugar, de caminhar sempre atentos às dores do seu povo. Em segundo lugar, de construir uma Igreja despojada, inclusive de símbolos materiais. Eles todos abriram mão daqueles crucifixos dourados, prateados e de grande riqueza. Abriram mão, inclusive, das propriedades de ordem pessoal.

Alguns deixaram de ter contas bancárias, pois diziam que o essencial da fé e de qualquer religião é o amor, é a solidariedade. Procuraram viver assim.
Por isso, fazer esse elogio ao antecessor de Dom José Sobrinho é necessário neste momento, porque muita gente está dizendo que, em razão de uma atitude menor, pequena e obscurantista, a religiosidade não tem valor algum, não tem sensibilidade. E é exatamente o contrário que temos de procurar afirmar, com todas as nossas limitações, com todas as nossas debilidades.

Aproveito para fazer o registro do belíssimo artigo do jornalista Merval Pereira, publicado no jornal O Globo de sábado passado, 7/3, intitulado Estupra, mas não mata. Esta é uma afirmação estapafúrdia, e que, infelizmente, é recorrente na nossa história mais recente.

Esse tipo de caminho é o da barbárie e não o da libertação e do cuidado que devemos ter com a vida, em especial daqueles que estão chegando agora na sociedade, como as nossas crianças e os nossos jovens.

No domingo passado, o meu filho, que é jornalista, me ligou durante o plantão e disse: Pai, estou fazendo a pior matéria que já fiz. Uma menina de 5 anos, no Rio de Janeiro, sumiu de uma festinha e foi encontrada horas depois morta em um matagal, com sinais de violência sexual inclusive.

Uma menina de 5 anos de idade.

Atingimos um nível de atrocidade que precisa ser combatido permanentemente. Isto, sim: a estupidez humana deve ser excomungada cotidianamente por todos nós.


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11 março 2009

Jô Moraes reage a insulto de Bolsonaro

Depois de ouvir o discurso do deputado federal e militar reformado, Jair Bolsonaro (PP/ RJ), nesta manhã (11), em que elogia os governos militares - em especial o general Médici -; chama o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo Lula de “Proletários Armados pelo Comunismo” e as vítimas da Guerrilha do Araguaia de “marginais”, a deputada Jô Moraes (PCdoB/MG) não se conteve. Foi à tribuna e reverenciou a memória “dos que morreram lutando pela democracia e a liberdade”. A deputada, também foi vítima da perseguição do regime militar de 1964, quando, com apenas 17 anos, teve de deixar sua casa, a família e a escola para não ser presa. Jô, então estudante secundarista, viveu vários anos na clandestinidade, tendo sido acolhida por uma família mineira para não ser jogada nos porões do Dói-Codi, a polícia política do governo militar.
Vilipêndio
“Sou mulher que lutou no passado e continuo a lutar no presente pela democracia, pela liberdade. Fui presa duas vezes. Tenho orgulho de integrar um partido que teve suas vítimas mortas naquele período. Os seus ossos são um patrimônio sagrado da história da luta de nosso povo e a eles reverencio”, disse a parlamentar.
Em seu pronunciamento no plenário da Câmara, Bolsonaro afirmou não existir mais ossos dos combatentes do Araguaia, porque eles foram enterrados em cova rasa “e os porcos comeram os ossos”. O deputado também estendeu suas ofensas às mulheres ao elogiar aquelas que foram às ruas em apoio ao regime militar . “Quem pediu para que os militares assumissem? Foi a Igreja Católica, foram as mulheres de verdade naquela época — porque hoje em dia as mulheres não são de verdade como naquela época — , que fizeram passeatas na rua e pediram para que os militares assumissem”.

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08 março 2009

Ato Publico Folha de São Paulo - 07/03/09






























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