30 abril 2009

1º Maio


“A história do Primeiro de Maio mostra, portanto, que se trata de um dia de luto e de luta, mas não só pela redução da jornada de trabalho, mais também pela conquista de todas as outras reivindicações de quem produz a riqueza da sociedade.” – Perseu Abramo

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Pérolas em busca da canonização - Chico Alencar

Daniel Dantas não é banqueiro, não contribuiu para campanhas eleitorais e sua prisão se assemelha às ocorridas contra políticos na ditadura militar. Essas e outras pérolas foram destacadas por Chico do depoimento que o "investidor" deu na CPI sobre as escutas ilegais.
Pronunciamento
(Do Senhor Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ)
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todos os que assistem a esta sessão ou nela trabalham:
O deputado Nelson Pellegrino apresentou hoje o seu Relatório sobre as escutas telefônicas ilegais. Para os que acreditaram no que o 'investidor' Daniel Dantas disse na CPI na quinta passada, 16/4, na Câmara dos Deputados; relembro as pérolas:
- O contrato com a Kroll, quando o banqueiro dirigia a Brasil Telecom, não foi para fazer espionagem de seu interesse no processo de privatização da Telebrás, mas sim para se proteger delas;
- Dantas desconhece qualquer ação judicial movida pelos atuais gestores da Brasil Telecom contra a Kroll, nos EUA, para obter documentos que sumiram depois que ele e seus sócios saíram da empresa;
- Ele não contribuiu para qualquer campanha política;
- Sua prisão é semelhante às detenções sofridas por muitos brasileiros ilustres, como os ex-presidentes FHC e Lula, durante a ditadura militar;
- Sua condenação recente a dez anos de cadeia por corrupção ativa foi baseada em provas falsas e o flagrante do suborno em SP, quando seu sócio Humberto Vaz negociou R$ 1 milhão para tirá-lo das investigações, foi uma armação;
- Dantas não é banqueiro nem tem grupo econômico; define-se como investidor, tão somente, e atua apenas nos ramos da mineração, construção, mercado de capitais, transportes e… alimentação - que, após insistência dos deputados, explicou ser "atividades com terra e gado";
- Tudo isso "é um cisco", se comparado com outros empreendimentos, como, por exemplo, os da Telecom Itália;
- O investidor desconhece a prorrogação, por ato unilateral do governador Cabral, da concessão para exploração do Metrô/Rio pela Opportrans por mais 20 anos, pois saiu da empresa antes disso;
- Tudo o que as Operações Chacal e Satiagraha, da Polícia Federal, imputam a ele é fruto de perseguição e foi feito a serviço dos seus concorrentes no mundo dos negócios.
Observação: pela suavidade da voz, às vezes quase inaudível, e pela postura fria, Dantas parecia querer merecer, isso sim, um processo da canonização no Vaticano...
Em tempo: Satiagraha, do sânscrito, significa "firmeza na verdade". É o nome da Operação coordenada pelo delegado Protógenes Queiroz, que só agora - estranha coincidência! - a Polícia Federal acusa de ter participado de atividade político-partidária em Poços de Caldas, há seis meses, justificando com isso seu afastamento, e baseando-se em lei de 1965, da ditadura.
Os criminosos de colarinho-branco agradecem.
Agradeço a atenção,Sala das Sessões, 23 de abril de 2009.
Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ

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Imprensa democrática ?

Pronunciamento
(Do Senhor Deputado Chico Alencar, PSOL/RJ)
Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados e todos os que assistem a esta sessão ou nela trabalham:
O Jornal o Estado de São Paulo, de 15/04/09, publicou matéria intitulada "Escândalos em série" em que nos coloca absurdamente como mandato com pouco zelo pelo dinheiro público da verba indenizatória, fazendo coro a Cesar Maia e Bolsonaro...
Fiz carta ao jornal, não publicada! Exemplo da falta de espírito democrático em alguns órgãos da nossa mídia grande.
Sonegado no meu direito de resposta, publico-a aqui.
"Sr. Editor:
A propósito do item "Consultor Amigo", que OESP relaciona em sua edição de hoje, 15/4, como um dos "Escândalos Em Série" do Legislativo, informo que já respondi ao questionamento formal sobre isso feito pelo deputado Bolsonaro (PP/RJ) através da Corregedoria da Câmara.
Anexei 124 documentos comprobatórios dos serviços efetivamente prestados e da inteira idoneidade da EcoSocial Consultoria e do ambientalista João Alfredo Telles Melo, que não exercia qualquer mandato público na ocasião.
Não há óbice, em razão de filiação partidária, a que um ex-parlamentar trabalhe ou preste serviços de sua competência.
O PSOL, que tem compromisso com a ética pública, já apresentou diversas propostas para se avançar na transparência no Parlamento, como a publicização das notas fiscais dos ressarcimentos feitos com a verba indenizatória, afinal em vigor, e o impedimento de financiamento de campanhas eleitorais por empresas que mantenham ou tenham mantido contratos com os governos.
Grato pela publicação desta, escrita por dever de informar aos leitores do Estadão, entre os quais me incluo.
Chico Alencar, deputado federal (PSOL/RJ)
PS: espero que este esclarecimento receba tratamento diferente do feito anteriormente, por ocasião da "denúncia", e que não mereceu publicação.
"A revista semanal VEJA fez o mesmo na edição dessa semana (18 a 24/04), colocando-me ao lado de praticantes de procedimentos duvidosos.
Registro aqui a carta que enviei, com os repetidos esclarecimentos, na expectativa de sua publicação:
"Sr. Diretor de Redação:
Os serviços de consultoria ao meu mandato, prestados pela EcoSocial e pelo Dr. João Alfredo Telles Melo - cuja reconhecida competência garantiu-lhe trabalhar também para o Greenpeace, entre outras entidades - foram inteiramente legais, efetivos e de alta utilidade social, não gerando qualquer benefício de ordem pessoal para as partes contratantes.
Listá-los como "farra com o dinheiro público", aproximando-os de procedimentos questionáveis, é absolutamente injusto.
Minha manifestação a respeito na Corregedoria da Câmara dos Deputados tem 124 documentos comprobatórios.
O fato de o advogado e especialista em direito ambiental João Alfredo ser filiado ao PSOL - sem exercer mandato público quando realizou a referida consultoria - não o impedia de praticar seu direito ao trabalho.
Grato pela publicação do esclarecimento,
Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ."

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22 abril 2009

Bate Boca no STF


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Nossa vida no Acre - Oscar Espellet Soares

Li hoje uma crônica do diário do amazonas que saiu no dia do índio. “”Taqui pra ti”” de Ribamar Bessa. O texto, muito bem feito ,é uma denúncia contra o pensamento que reina na nação sobre o que é o índio brasileiro, principalmente como pensam nossos congressistas socialistas sobre a questão. Em suma, o indígena ainda é concebido como um ser primitivo. No texto ,o dinossauro legislativo era Aldo rebelo, um deputado federal comunista de carteirinha que hoje flerta com arrozeiros e militares (comunista, repito). Isto me lembra um tio meu lá no interior do Rio Grande. Comunista, também de carteirinha, porém, fazendeiro, latifundiário...e rico. Porém, comunista. Repito, comunista (repito, rico). Tudo bem, nossa família sempre achou aquilo um excentrismo sem importância. Como ,de fato, era. Charmoso.

Mas agora vejo claro esta questão. O pensamento da nação mudou muito pouco, desde os tempos de antanho. Predomina ainda a régia idéia que a ordem se dá pela força (militares), a moral pela religião (igreja) e o zelo se dá pelo serviço público (legislativo, executivo e judiciário). As bases da sociedade brasileira nestes 500 anos.

Convenhamos, você acredita nisto? Talvez não, mas suspeito que são poucos aqueles que lutam contra. Voce está entre eles? Este é um assunto que te interessa? Tomara!

Levante, meu filho, abra os olhos, ponha a mão na massa, por favor!

Afinal, a nação esta sem rumo.

( não sou comunista, não)


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Bandalha, Terror e Morte: A Farra dos Inimputáveis no Dia do Aniversário da Capital Federal - Pablo Emanuel

No dia em que nos lembramos de Tiradentes, um dos homens mais importantes da nossa história que ousou combater inimigos poderosos e cruéis, também comemoramos o aniversário de fundação de Brasília. Dia 21 de abril.

Muito bem.

Neste último dia 21, na Esplanada dos Ministérios, houve uma série de festejos populares. O ápice estaria nos concertos musicais que o governo colocou à disposição do povo, gratuitamente. Só veio o sofrível do quinhão mais rico do mercado fonográfico, como Xuxa, J. Quest, Cláudia Leite, e por aí vai. Enfim, uma porcaria digna de se ficar mesmo é em casa, em segurança.

Os shows, na verdade, foram marcados pela presença da violência mais bárbara e gratuita que se possa imaginar.

No enorme gramado que fica defronte ao Congresso Nacional, o povo compareceu em peso. E, no meio das massas populares, uma enormidade de criminosos, bandidos, latrocidas, larápios, homicidas e agressores dispostos a cometer qualquer ato de violência de forma indiscriminada, contra tudo e contra todos.

O saldo foi trágico. Mais de 20 pessoas tomaram facadas, uma das quais faleceu na hora, e por motivo torpe. O Corpo de Bombeiros realizou centenas de atendimentos, a maioria por conta de agressão a garrafadas, pauladas e facadas.

Hordas de adolescentes formavam um cinturão do qual ninguém podia escapar. A onda de terror deixava as pessoas sem pertences e feridas por gargalos de garrafas quebradas, estiletes, murros, pontapés e linchamentos. Câmeras de algumas emissoras locais flagraram alguns destes atentados. Um escândalo, muito comum em Brasília, quando o povo é reunido em um festejo gratuito que envolva shows musicais.

A tradição de violência em shows na capital é uma marca fiel da cidade. Pancadarias gratuitas, tentativas de assassinato, arremesso de garrafas de vidro na cabeça das pessoas (elas são jogadas ao acaso, e onde batem ali que fiquem, bem como ficam muito mal os que recebem a porrada e os cortes profundos na cabeça).

Os carnavais fora de época foram proibidos na Esplanada. Eram shows de horror e promiscuidade, uma imundície. Assaltos descarados de três ou quatro indivíduos contra um só, em arrastão. Mesmo assim, a beijação sebosa de boca permanecia sendo o atrativo, como aliás sempre haverá de ser, com ou sem violência.

Nesta última terça-feira, a maior parte das brutalidades que ocorreu durante as apresentações foi perpetrada por menores de 15 e 16 anos. Dois deles foram presos, suspeitos de homicídio.

Foi uma festa para estes inimputáveis que foram à Esplanada com perversidade no sangue, visando apenas a bandalha e a tirania de seu livre arbítrio. Os relatos apontam que eles chegavam com extrema violência, à procura de confusão, de forma gratuita, aleatória. Fosse quem fosse, levava facada e pancada. Residia nisso a diversão de tais elementos.

Quando Brasília assiste a eventos como este, cuja participação é franqueada livremente à população, o governo do Distrito Federal chega a arcar com custos absurdos para trazer os “artistas” milionários para a cidade, a fim de entreter o gado.

Só o cachê da apresentadora Xuxa Meneghel deve ter beirado o meio milhão de reais, fora o de Cláudia Leite e outros baianos chatos e pomposos, cujas vozes são sempre iguais, bem como suas letras e sua alegria idiota, traduzida em sonoridades de mau gosto, repetitivas e insuportáveis a qualquer cidadão que tenha senso estético e crítico.

O governo do DF gasta milhões de reais para fazer propaganda na televisão, a fim de informar sobre seus feitos, e agora para outra coisa também: denegrir a imagem dos professores que estão em greve justa, lançar o povo contra eles, e não somente o povo, mas grande parte do Brasil, ao ficar comparando salários de docentes entre os estados federados, para reforçar o mito de que o professor de Brasília é um folgado e um privilegiado.

Nosso dinheiro deve ter pago muito bem os bufões da música nacional no 21 de abril passado. O governo tem dinheiro para tudo.

O repasse do Fundo Constitucional foi feito, há caixa para se pagar o pretendido pela categoria (isto está em lei aprovada, que não é cumprida pelo Estado), mas, como a televisão está na mão do DEM, que, de fato, é muito democrático ao afirmar que a crise baixou a arrecadação do governo, e mais democrático ainda ao usar os meios de comunicação para marionetar a opinião pública em prol de suas futuras campanhas para 2010.

Enfim, que trágico foi este feriadão em Brasília. Tanta violência e covardia por parte de uma ralé fedorenta de bandidos perversos, inimputáveis.

No Brasil, meus amigos, nunca faltará dinheiro para badernas, orgias, festejos e feriadões. Nunca.

Mas, sempre faltará para construir hospitais, creches, reformar escolas e para melhorar a vida das pessoas. Nunca há dinheiro em caixa para determinadas prioridades, de modo que as prioridades são redefinidas, prevalecendo, na maioria das vezes, o mau senso e os vícios mais hediondos da política.

Porque nós somos um povo que enaltece analfabetos ignaros e milionários, pagando o rendimento deles e colocando-os, de vez em quando, nos poderes constituídos do Estado, tanto na esfera federal quanto na estadual e municipal.

Somos um povo que prioriza sempre as orgias e a nossa estúpida alegria por sermos brasileiros. Tudo isso para fecharmos os olhos e dormirmos com o barulho, diante do qual conseguimos dormir, mesmo, já que vivemos anestesiados pela falsa imagem que criamos de nós mesmos e pelas ninharias que recebemos daqueles que não fazem senão suas obrigações públicas, mas que são vistos de maneira messiânica, idiota, como se fizessem favores à população.

Basta de barbaridade nesse país. Basta de entorpecimentos, de drogas alucinógenas que nos fazem ter a sensação de que somos felizes.

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19 abril 2009

CQC na CPI dos Grampos


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Chico Alencar rebate Marclo Itajiba na CPI dos Grampos


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PSOL questiona Dantas, banqueiro condenado por Corrupção

Os parlamentares do PSOL participaram nesta quinta-feira da sessão da CPI das Escutas Clandestinas que ouviu o banqueiro Daniel Dantas, dono do banco Opportunity, investigado na Operação Satiagraha da Polícia Federal. Condenado em primeira instância por crime de corrupção o banqueiro estava protegido por um habeas corpus que lhe abriu precedente de não falar a verdade
Leia mais em

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PF na Contramão - Chico Alencar (PSOL RJ)

Ao afastar de suas funções o delegado Protógenes Queiroz, a Polícia Federal transita na contramão da boa investigação, segundo Chico Alencar (PSOL RJ), que em pronunciamento esta semana protestou contra a determinação.
Em ação paralela na defesa das investigações da Operação Satiagraha, parlamentares de diferentes partidos assinam um manifesto em apoio ao juiz Fausto De Sanctis.
Leia o artigo publicado no JB do dia 15, onde afirma que "o delegado não é "Dom Quixote" nem "Macunaíma". Nas aproximações literárias, assemelha-se mais a um 'Policarpo Quaresma'."

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Professor, Sua Profissão é ser Garçon - Pablo Emanuel

O aluno do Distrito Federal é um dos mais privilegiados do Brasil em questão de impunidade escolar e facilidades vergonhosas.

Como o Estado quer fazer um profundo derrame de pessoas despreparadas, bufonas e estéreis, apenas para ficar bonito nas estatísticas, a previsão para logo é das mais pessimistas, sem me arrogar o direito de ser cartomante. Como poderia ser diferente?

A média para aprovação em Brasília é 5,0. Mas, não é só isso. Você não precisa ter apenas 20 pontos para dividir pelos quatro bimestres de tortura. Em Brasília, você pode ser aprovado com 19 pontos, enquanto em outras unidades da federação, alunos enfrentam a escola que lhe impõe uma média de 7,0 pontos para fins de aprovação. É isso mesmo.

Depois de todas as chances que são dadas ao indivíduo, muitas vezes um cretino, mequetrefe e projeto de fumante de Vila Rica, como várias recuperações, "pontinhos extras" e outros tipos de benesses que retiram do professor a autoridade, para que seja espezinhado, de propósito, por estudantes medíocres e cheios de más intenções, o futuro "Peer Gynt" é brindado com o direito de te enxovalhar com calúnias e insuportáveis vilipêndios.

Diante deste quadro pavoroso, resta ao professor calar a boca diante da vaia. Se fica nervoso, não consegue mais sair do ciclo psiquiatra-farmácia-casa-psiquiatra. Eu conheço vários que estão assim. Estes, por sua vez, conhecem outros, e assim se forma a corrente destes infelizes que são odiados tanto pelo governo quanto pelos alunos e seus pais.

“Pedagogia do Afeto” é o cacete. A classe tem é que ser muito bem remunerada para dar conta de pagar por tantos calmantes e outras bolinhas psicoativas, que são remédios extremamente caros.

Eu só tenho dois lados na minha face: o esquerdo e o direito. Depois de ser surrado em um deles, vou oferecer o outro? Até quando o Estado e a comunidade vão me pedir para que eu ofereça a minha face a vida toda, a fim de que o aluno se divirta, além do que já se diverte em sala de aula, e se farte de sua luxúria de impunidades?

A partir do exemplo de liberalismo de que goza o estudante candango, veja você, meu amigo, e pense muito bem quando for cursar uma licenciatura. Por tentar ajudar um aluno, você corre o risco de ser chamado de idiota, primeiro, por ele mesmo, e depois pelos pais. E lembre-se: eles são intocáveis e querem, a cada minuto que passa nessa vida, mais e mais direitos, sem dever nenhum.

A escola deixou de ser um campo para a reprodução do conhecimento para ser um antro de humilhação, intimidação e aborrecimento.

E não há preço para o aborrecimento. Ele é impagável. É impossível perdoar alguém que te aborrece.

Se isto fosse meditado um pouco, talvez não seria tão difícil entender porque tenho me tornado um sujeito nervoso e intolerante, ou seja, alguém que eu nunca fui, alguém que eu não sou e que não quero ser, em definitivo!

Se for para ser favorável a uma pedagogia criadora de folgados, prefiro me voltar para o conteudismo e a indiferença. Porque eu não tenho muitas faces para oferecer, muito menos a aluno bufão que me impede de cumprir com meus deveres, entre os quais está ensinar-lhe a desfrutar da liberdade e assimilar o mínimo razoável do ensino sistematizado, sem o qual a escola não existe nem resiste.

Que saudade dos tempos em que eu não via ninguém ser aprovado com menos de 20 pontos! A gente reclamava, sim, mas não era tratado como imbecil.

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O Caso da Ficha Difamatóia - Celso Lungretti*

Dilma Roussef acusou: "é falsa, é uma montagem recente" a ficha policial supostamente de algum órgão de segurança da ditadura que a Folha de S. Paulo utilizou para ilustrar a controvertida reportagem Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim, no domingo retrasado ( http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0504200908.htm ).
Acrescenta que o documento não consta dos arquivos do regime militar que foram pesquisados a seu pedido.
A Folha de S. Paulo, por sua vez, publicou nota esclarecendo que vai fazer agora aquilo que deveria ter feito antes de reproduzir um item ilustrativo de origem suspeitíssima, que certamente criaria prevenções contra Dilma: "
Tão logo a ministra colocou em dúvida a autenticidade de uma das reproduções publicadas, a Folha escalou repórteres para esclarecer o caso e publicará o resultado dessa apuração numa próxima edição" ( http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1804200920.htm ).
Na ficha, Dilma é qualificada de "terrorista/assaltante de bancos" e aparece uma relação de ações armadas das quais ela teria participado. Como legenda, a Folha colocou: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu".
Na verdade, essa ficha circula na internet desde a segunda quinzena de novembro, amplamente postada, publicada e repassada pelos antipetistas.No dia 20/11/2008, publiquei no meu blogue o artigo Ficha da ditadura é munição para ataque virtual a Dilma Roussef ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2008/11/ficha-da-ditadura-munio-para-ataque.html ) que foi reproduzido até no site de campanha da própria Dilma. Esclareci que pelo menos quatro das acusações feitas a ela eram falsas, pois tinham sido ações da VPR, à qual Dilma nunca pertenceu; sobre as demais eu não tinha elementos para opinar.
Enfim, não é nos arquivos policiais que tem de ser buscada essa ficha, mas sim nas redes de extrema-direita que atuam na web. Se chegar-se a quem a colocou em circulação, poderá se saber de onde saiu.
Não é necessariamente falsificada. Pode ser uma ficha operacional que não deixaram no arquivo exatamente por estar recheada de erros crassos.
Mas que teria permanecido nas mãos dos antigos torturadores, os quais hoje utilizam esse entulho ditatorial para redigir as peças de propaganda enganosa dos sites ultradireitistas. Depois, os discípulos os pulverizam nas redes de e-mails.
Então, se o Governo ou a Folha quiserem mesmo rastrear a origem essa infâmia, não precisarão ir muito longe.De resto, companheiros já me repassaram novas montagens acusando Dilma de responsabilidade nas mortes de Alberto Mendes Jr. e Mário Kozel Filho que, é público e notório, igualmente nada tiveram a ver com ela.
A campanha eleitoral de 2010 já começou... imunda!


Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em:

Celso Lungaretti - Jornal O Rebate

Blog de Celso Lungaretti – Náufrago da Utopia


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11 abril 2009

O Dia a Dia de Quem Resistia à Ditadura - Celso Lungaretti*

Mesmo nos tempos em que o Paulo Francis ainda era o principal jornalista de esquerda brasileiro, ele se referia à seção de cartas dos jornais como “muro das lamentações”.
É que, apesar da censura e das intimidações, os jornalistas de esquerda acabavam quase sempre encontrando brechas para ocupar tribunas importantes.
Vez por outra, seus textos não eram apenas desfigurados, mas inteiramente vetados pelos censores. Vez por outra, passavam dias, até semanas, presos.
Mas continuavam presentes e ativos, ora falando as coisas com mais clareza, ora usando sua imensa criatividade para passar mensagens cifradas aos leitores.
[Alberto Dines que o diga: seu Jornal dos Jornais era uma aula semanal de resistência jornalística ao despotismo...]
Então, as seções de cartas só serviam mesmo para o leitor comum chorar suas mágoas. Os jornalistas de verdade as desdenhavam.
Hoje, a imprensa brasileira consegue ser pior ainda do que nos tempos da ditadura: baniu quase por completo os jornalistas de esquerda. Fez o que os militares sonharam e não conseguiram, tornar os jornais e revistas importantes veículos de uma mão só, que noticiam e destacam o que convém aos interesses dominantes, relegando as verdades indigestas a notinhas de pé-de-página ou as ignorando por completo.
Um exemplo prosaico, dentre centenas que eu poderia citar. Alguém tomou conhecimento de que “a Comissão Nacional de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil aprovou, por maioria de votos, parecer do constitucionalista José Afonso da Silva, que considerou legal a decisão tomada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder ao italiano Cesare Battisti a condição de refugiado político”?
É notícia recente, do último dia 7. Está no site da OAB e um ou outro serviço de notícias jurídicas. Mais nada. A grande imprensa a escondeu dos seus leitores, assim como lhe daria grande destaque se a Ordem tivesse impugnado a decisão soberana de Tarso Genro. Dois pesos, duas medidas. Sempre.
A PESTILÊNCIA E O RESPIRADOURO - Então, hoje a seção de cartas dos jornais passou a ser freqüentada por jornalistas e cidadãos renomados que, nem por isso, conseguem espaço mais destacado para manifestar sua discordância das falácias praticadas pelos veículos de comunicação.
De muro das lamentações, tornaram-se a último respiradouro da imprensa burguesa, uma lufada de ar puro em meio à pestilência por ela exalada.
É exatamente como as pessoas bem informadas e dignas receberão a vibrante mensagem de Adriana Tanese Nogueira no Painel do Leitor da edição de 09/04, sobre a desmoralizada reportagem com a qual a Folha de S. Paulo tentou envolver Dilma Rousseff com um seqüestro longínquo... e inexistente.
Grande Adriana, que é filha de um militante injustiçado pela VPR (esta história ela contará um dia) e, mesmo morando e trabalhando nos EUA, mantém viva a tradição familiar de engajamento nas causas justas!
Ela acertou na mosca ao dizer que a Folha repete “o mesmo discurso usado pela ditadura para justificar a violência institucionalizada” e que “banalizar a história é uma forma de servir a antigos senhores".
Mas, não é nem da carta de Adriana que eu quero mesmo falar aqui, mas sim da outra, a negativa, publicada logo abaixo.
Mensagem de um Carlos que não é Lamarca nem Marighella, capazes de dar a vida por seus ideais. De um Carlos que está mais para Lacerda, aquele que habita as lembranças das pessoas de bem como um corvo tramando em tempo integral contra a democracia.
É bem o leitor para quem a Folha direcionou seu exercício de manipulação de informações históricas do último domingo.
OS "BENEFÍCIOS" DOS ASSALTOS - Além de agradecer ao jornal por dar aos brasileiros “a noção exata de quem podem colocar para dirigir um país”, ele repetiu a cantinela habitual dos sites fascistas: “Quem se beneficiou do produto dos assaltos, sequestros, guerrilhas e assassinatos cometidos em nome da ideologia? Apenas eles, os ilegais, que hoje estão no poder...”.
Fiquemos por aqui, pois não quero provocar náuseas nos meus leitores.
Eu militei na VPR entre abril/1969 e abril/1970, quando fui preso pelo DOI-Codi/RJ, sofri torturas que me deixaram à beira de um enfarte aos 19 anos de idade e me causaram uma lesão permanente.
Nesse ano em que me beneficiei do produto dos assaltos praticados pelas organizações de resistência à tirania implantada pelos usurpadores do poder, como foi minha vida de nababo?
Na verdade, recebia o estritamente necessário para subsistir e manter a minha fachada de vendedor autônomo.
No início, fui obrigado a me abrigar em locais precaríssimos, como o porão de um cortiço na rua Tupi, próximo da atual estação do metrô Marechal Deodoro, na capital paulistana. Era só o que eu conseguia pagar com o produto dos assaltos.
Cada quarto era um cubículo mal ventilado. Enxames de pernilongos me atacavam durante o sono. Afastava-os com espirais que mantinha acesos durante a noite inteira... e me faziam sufocar.
O que mudou quando minha organização fez o maior assalto da esquerda brasileira em todos os tempos, apossando-se dos dólares da corrupção política guardados no cofre da ex-amante do governador Adhemar de Barros? Quase nada.
Era dinheiro para a revolução, não para gastos pessoais. Apesar de integrar o comando estadual de São Paulo e depois exercer papel semelhante no Rio de Janeiro, continuei levando existência das mais austeras.
Meu último abrigo foi o quarto alugado no amplo apartamento de uma velha senhora do Rio Comprido. Fazia tanto calor que eu era obrigado a dormir despido sobre o chão de ladrilhos, que amanhecia ensopado de suor.
uando tinha de abandonar às pressas um desses abrigos, todos os meus bens cabiam numa mala de médio porte. Vinham-me à lembrança os versos de Brecht, “íamos pela luta de classes, desesperados/ trocando mais de países que de sapatos”.
Havia, sim, um dinheiro extra, que equivaleria a uns R$ 10 mil atuais. Mas, tratava-se do fundo a que recorreríamos caso ficássemos descontatados e tivéssemos de sobreviver ou deixar o país por nossos próprios meios, sem ajuda dos companheiros que já estariam presos ou mortos.
Nenhum de nós gastava essa grana, era ponto de honra. Os fundos de reserva acabaram chegando, intactos, às garras dos rapinantes que nos prendiam e matavam. Nunca prestaram conta disso, nem dos carros, das armas e até das peças de vestuário que nos tomaram.
E, mesmo que tivéssemos dinheiro para esbanjar, como o gastaríamos? Éramos procurados no país inteiro, com nossos nomes e fotos expostos em cartazes falaciosos.
Eu, que nunca fizera mal a uma mosca, aparecia nesses cartazes como “terrorista assassino, foragido depois de roubar e assassinar vários pais de família”. O Estado usava o dinheiro do contribuinte para me fazer acusações mentirosas e difamatórias!
Para manter as aparências, éramos obrigados a sair cedo e voltar no fim do dia. Os contatos com companheiros eram restritos ao tempo estritamente necessário para discutirmos os encaminhamentos em pauta; dificilmente chegavam a uma hora.
Sobravam longos intervalos, com nada para fazermos e a obrigação de ficarmos longe de situações perigosas. Tínhamos de procurar locais discretos, tentando passar despercebidos...por horas a fio. Sujeitos a, em qualquer momento, sermos surpreendidos por uma batida policial.
Vida amorosa? Dificílima. Cada momento que passássemos com uma companheira era um momento em que a estávamos colocando em perigo. Ninguém corria o risco de ir transar em hotéis, sempre visados (e nossa documentação era das mais precárias, passei uns oito meses tendo apenas um título eleitoral falsificado). E as facilidades atuais, como motéis, quase inexistiam.
Aos 18/19 anos, senti imensa atração por duas aliadas, uma em São Paulo e outra, meses mais tarde, no Rio de Janeiro. Com ambas, o sentimento era recíproco. E nos dois casos mal passamos dos beijos apaixonados com que nos cumprimentávamos e despedíamos. Qualquer coisa além disso seria perigosa demais.
Enfim, esta é a vida que levávamos, acordando a cada manhã sem sabermos se estaríamos vivos à noite, passando por freqüentes sustos e perigos, recebendo amiúde a notícia da perda de companheiros queridos (eu até relutava em abrir os jornais, tantas eram as vezes que só me traziam tristeza).
Sobreviver alguns meses já era digno de admiração. Ao completar um ano nessa vida, eu já me considerava (e era considerado pelos companheiros) um veterano. Caí logo em seguida.
Dos tolos que saem repetindo essas ignomínias marteladas dia e noite pela propaganda enganosa da direita, nem um milésimo seria capaz de encarar a barra que encaramos, não pelas motivações ridículas que nos atribuem, mas por não agüentarmos viver, e ver nosso povo vivendo, debaixo das botas dos tiranos!


Celso Lungaretti é jornalista e escritor. Outros artigos em: Celso Lungaretti - Jornal O Rebate


Leia os comentários diários dos últimos acontecimentos. Acesse o Blog de Celso Lungaretti – Náufrago da Utopia

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Novo Blog na área

Novo Blog que vale a pena acompanhar
Ele está sendo criado pela amiga Marcia Brasil
Nas palavras dela:
"Cansei de tanta palhaçada no país, principalmente no Estado e Cidade que vivo: na educação, saúde, transporte, meio ambiente, na política de governos corruptos, e o povo sendo enganado, com dispersão e manipulação. Mas não cruzo os braços. Por todos os lados, existem pessoas que sonham e lutam por um Brasil melhor..."
http://marciabrasileirinha.blogspot.com/

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01 abril 2009

1964: democratas e ditatoriais - Emir Sader

Os golpistas – incluída toda a imprensa, menos a Última Hora – insistiam em dizer que a data era 31 de março; nós, que era primeiro de abril. Ainda mais que eles tentavam dizer que tinha sido uma “revolução”, confessando o prestigio da palavra revolução – até ali identificado com a revolução cubana.

O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?

Medido no tempo, parece algo distante. Afinal, tinham transcorridos apenas 34 anos desde a revolução de 30 - o momento de maior ruptura progressista na história brasileira. Período que incluiu os 15 anos do primeiro governo de Getúlio e os 19 de democracia liberal, incluídos os 4 do novo mandato de Getúlio e os 5 do JK.

Nem é necessário discorrer muito para dizer que se tratou de um golpe militar, que introduziu uma ditadura militar. Nem a “ditabranda” da FSP (Força Serra Presidente), nem o “autoritarismo” de FHC – todas tentativas de suavizar o regime. Um regime dirigido formal e realmente pela alta oficialidade das FFAA, que reorganizou o Estado em torno dessas instituições, tendo o SNI como seu instrumento de militarização das relações sociais. Um regime que atuou politicamente a favor da hegemonia do grande capital nacional e internacional. Para isso, entre suas primeiras medidas estiveram a intervenção militar em todos os sindicatos e o arrocho salarial – a proibição de qualquer campanha salarial, sonho de todo grande empresário.

Para que se criasse um clima que desembocou no golpe militar, foi montada uma campanha de desestabilização que – hoje se sabe, pelas atas do Senado dos EUA – tinha sua condução diretamente naquele país, com participação direta do então embaixador norte-americano e a cumplicidade ativa da grande mídia – que até hoje não fizeram autocrítica do papel ditatorial que tiveram, nem mesmo a FSP, que emprestou seus carros para ações repressivas da Oban -, somada às mobilizações feitas pela Igreja Católica e pelos partidos de direita – com o lacerdismo moralizante na cabeça.

Nunca como naquele período as grandes empresas privadas lucraram tanto. Foram elas as maiores beneficiárias da repressão – prisões arbitrárias, torturas, fuzilamentos, desaparições, entre outras formas de violência de um regime do terror. Foram o setor economicamente hegemônico durante a ditadura –ao contrário da visão inconsistente de FHC, de que uma suposta “burguesia de Estado” seria o setor hegemônico, para absolver os grandes monopólios nacionais e internacionais.

O Brasil vinha vivendo um processo importante de democratização social, política e cultural. O movimento sindical se expandia, os funcionários públicos passavam a incorporar-se a ele, os militares de baixa graduação passavam a poder se organizar e se candidatar ao Parlamento, se desenvolvia a sindicalização rural, acelerava-se a criação de uma forte e diversificada cultural popular – no cinema, no teatro, nas artes plásticas, -, um movimento editorial de esquerda se fortalecia muito.

Foi para brecar a construção da democracia que o golpe foi dado. Com um caráter abertamente antidemocrático e fortemente antipopular – como as decisões imediatas contra os sindicatos e campanhas salariais demonstram -, foi um instrumento do grande capital e da estratégia de guerra fria dos EUA na região.

1964 se constituiu em um momento de forte inflexão na história brasileira. O modelo de desenvolvimento industrial passou a se centrar na produção para a alta esfera do consumo e a para a exportação, acentuando a concentração de renda e a desigualdade social, assim como a dependência.

O Brasil que saiu da ditadura, 21 anos depois, era um país diferente daquele de 1964. As organizações democráticas e populares haviam sido duramente golpeadas. A imprensa havia sido depurada dos órgãos de esquerda. (Não esquecer que a resistência na imprensa foi feita pela chamada imprensa nanica, por si só uma denúncia da imprensa tradicional.) O país havia se transformado no mais desigual do continente mais desigual do mundo.

Vários dirigentes da ditadura ainda andam por aí, junto com seus filhos e netos, dando lições de democracia, sendo entrevistados e escrevendo artigos na imprensa. A imprensa não dirá nada ou tentará, uma vez mais, se passar por vítima da ditadura, escondendo o papel real que desempenhou. (Que tal republicar as manchetes de cada órgão naquele primeiro de abril de 1964?) Na resistência e na oposição à ditadura se provou quem era e é democrata no Brasil.

Postado no Blog do Emir Sader em 29/03/09

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