30 outubro 2009

Criado o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo - Agência Brasil

Christina Machado
Repórter da Agência Brasil


 A lei que cria o Dia Nacional e a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo está no Diário Oficial da União de hoje (30). O dia será comemorado em 28 de janeiro de cada ano. A lei foi sancionada ontem (29) pelo presidente da República em exercício, José Alencar.
A data foi escolhida para homenagear três auditores fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho assassinados em 28 de janeiro de 2004, durante vistoria a fazendas na zona rural de Unaí (MG).
Durante a solenidade de assinatura da lei, Alencar disse que todos os que atuam no combate ao trabalho escravo estavam sendo homenageados naquele momento.
O projeto que originou a lei é de autoria do senador José Nery (PSOL/PA), que preside a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, vinculada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
Ele lembrou que outra iniciativa legislativa sobre o tema ainda precisa ser votada na Câmara dos Deputados: a proposta de emenda à Constituição (PEC 438/01) - do então senador Ademir Andrade - que prevê a expropriação de terras em que haja comprovação da prática de trabalho escravo. A matéria, segundo o senador, pode ser votada ainda este ano.

fonte : Agência Brasil


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Marighella - Debate na Alerj - 05/11/2009

No próximo 5 de novembro, às 18h, o mandato Marcelo Freixo, o MST! , a Consulta Popular e o MTD realizam debate para lembrar os 40 anos da morte de Carlos Marighella. A atividade será no auditório do prédio anexo da Alerj e faz parte da semana de homenagens ao revolucionário, que vai de 4 a 14 de novembro


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Carlos Marighella - 40 Anos de sua Morte


Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão.
 
Assassinado no dia 4 de novembro de 1969, na alameda Casa Branca, na capital de São Paulo, Carlos Marighella foi sepultado por seus algozes como indigente no cemitério de Vila Formosa, onde permaneceu praticamente incógnito. Somente em dezembro de 1979, há três mêses de promulgada a Anistia e há dez anos de seu assassinato, seus familiares conseguiram resgatar seu corpo e transportar para a Bahia.

No cemitério de Quintas, em Salvador, há uma lápide desenhada pelo arquiteto Oscar Niemmeyer, em que está gravada uma figura humana em posição de luta e uma frase muito cara a Carlos Marighella: "Não tive tempo de ter medo".

LIBERDADE
Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”
São Paulo, Presídio Especial, 1939.


RONDÓ DA LIBERDADE
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocaçãodevem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
São Paulo, Presídio Especial, 1939

" Quando te vestiram de lama e sangue, quando pretenderam te marcar com o estigma da infâmia, quando pretenderam enterrar na maldição tua memória e teu nome.
Para que jamais se soubesse da verdade de teu gesto, da grandeza de tua saga, do humanismo que comandou tua vida e tua morte.
Escreveram a história pelo avesso, para que ninguém percebesse que eras pão e não erva daninha, que eras vozerio de reinvidicações e não pragas, que eras poeta do povo e não algoz.
Retiro da maldição e do silêncio e aqui inscrevo teu nome de baiano: Carlos Marighella. "
Jorge Amado

Vai, Carlos, ser Marighella na vida
Ai Brasil,
Quem escapa do desamor em tuas noites ferozes
Quem se salva da ciência dos teus doutos sábios doutores
Quem foge de teus senhores algozes
Nasce com alguma forma de homem
E se não morre dos sete dias
Nem do angu de farinha
Vai um dia pro batismo
Recebe por sorte um nome
Vai ser João ou Maria
Vai ser José ou das Dores
Vai ser de Deus Jesus ou dos Santos
Ou serão Carlos que nunca foram
E serão assim brasileiros como tantos
E serão sempre brasileiros
Que serão de algum terreiro
Bloco sujo carnavalesco
Lesco-lesco café ralo com torresmo
Ou de nada nada mesmo
Como nós assim a esmo
E quem capitão de areia num livro de Jorge Amado
Aprende lição das coisas
E quem insone nas madrugadas é mulher de lobisomem
Ou aprende nas ciladas que o pior lobo dos homens
Talvez seja o próprio homem
Quem retirante escapa num quadro de Portinari
Quem poeta quer ter frátria de Veloso ou de Vinícius pátria amada
Quem gracilianamente deságua desta vida seca agrária
Ou na solidão urbana sonha a vida humana solidária
Quem na cartilha suburbana soletra o nome fulô
Quem nasce de negra índia ou branco
E sobe ligeiro ou manco as ladeiras do Pelô
Quem descasca uma banana
E se consome no sonho da grande mesa comum
Para a imensa toda fome
Quem assim vive não morre
Vai virando jacarandá ou poesia pau-brasil
Virando samba e cachaça
Se torna gol de Garrincha se torna mel de cabaça
Se torna ponta de lança do esporte clube da raça
Se torna gente embora gente nem nascida
Mas (quem sabe?) pode ser
Um dia gauche na vida
Se torna nossa aquarela
Torna-se Carlos Marighella
Um anjo doce na morte
Que os homens tortos quiseram
Sem que te matassem ainda 
José Carlos Capinan - maio de 1994





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29 outubro 2009

Marighella receberá título de cidadão paulistano


No dia 4 de novembro, completam-se 40 anos do assassinato de Marighella, em uma emboscada armada pela polícia política comandada pelo delegado Fleury, no centro da cidade de São Paulo. Nesse dia, Marighella tinha um encontro marcado com frades dominicanos. Acabou sendo emboscado e fuzilado, sem chance de defesa. A data será motivo de várias homenagens. Entre elas, a entrega do título de Cidadão Paulistano "in memorian", às 19h, no salão nobre da Câmara de Vereadores de São Paulo.
A Câmara de Vereadores de São Paulo entregará, dia 4 de novembro, às 19 horas, o título de Cidadão Paulistando “in memorian” a Carlos Marighella, deputado constituinte em 1946 pelo Partido Comunista Brasileiro e criador da Ação Libertadora Nacional (ALN), que participou da resistência armada à ditadura militar. Iniciativa do vereador Ítalo Cardoso, a homenagem ocorrerá no salão nobre da Câmara Municipal.

No dia 4 de novembro, completam-se 40 anos do assassinato de Marighella, em uma emboscada armada pela polícia política comandada pelo delegado Fleury, no centro da cidade de São Paulo. Nesse dia, Marighella tinha um encontro marcado com frades dominicanos. Acabou sendo emboscado e fuzilado, sem chance de defesa. A data será motivo de várias homenagens.

Ainda no dia 4, será realizado, às 11h, um ato político no local onde ele foi assassinado (Alameda Casa Branca, 806, Jardim Paulista). Às 18h, ocorrerá a exibição do filme “Marighella; retrato falado de um guerrilheiro”, de Silvio Tender, no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo.

No dia 7 de novembro, às 11h, será aberta a exposição “Marighella”, no Memorial da Resistência de São Paulo (Largo General Osório, 66). Às 11h30min, ocorrerá apresentação de poemas de Marighella, musicados pelo percussionista Dinho Nascimento, acompanhado por Gabriel Nascimento e Cecília Pellegrini. Às 12h30min, será a vez do espetáculo “O Amargo Santo da Purificação”, do grupo Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz. A exposição vai de 8/11 a 25/04 de 2010, com entrada gratuita de terça a domingo, entre às 10 e 17h30min.


Fotos: Divulgação


fonte :  Carta Maior 
 

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28 outubro 2009

Assembléia Geral ONU condena bloqueio a Cuba

Pelo 18° ano consecutivo, órgão se reúne para discutir o assunto; Estados Unidos, Israel e Palau votam contra fim do embargo.
A Assembleia Geral da ONU voltou a exigir nesta quarta-feira (28) o fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba.
Este é o 18° ano consecutivo em que o órgão se reúne para discutir o assunto.

Fim do Embargo

Na resolução, 187 países votaram pelo fim do embargo. Estados Unidos, Israel e Palau votaram contra e as Ilhas Marshall e a Micronésia se abstiveram.
Em discurso antes da votação, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, afirmou que 76% dos norte-americanos se opõem ao bloqueio.
Segundo ele, o presidente Barack Obama deveria aproveitar a oportunidade histórica de liderar a transição para um nova relação entre os países.
Parrilla ressaltou que o embargo dificulta a compra de equipamentos médicos e remédios, além de atrapalhar o intercâmbio cultural.

Estados Unidos

Já a embaixadora dos Estados Unidos, Susan Rice, disse que seu país começou um nova etapa de relações com Cuba.
Como exemplo, ela citou a tomada de negociações bilaterais sobre assuntos de interesse comum, onde o principal é a migração.
O embargo norte-americano ao país existe desde 1962.

Fonte: Rádio ONU  Matéria de Pollyana de Moraes


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27 outubro 2009

Lançada a página do Instituto Luiz Carlos Prestes


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Costa-Gavras: "A América-Latina está se libertando dos EUA"

O realizador grego-francês Costa-Gavras, que denunciou em célebres filmes como "Estado de Sítio (1972)" e "Desaparecido" (1982) a mão invisível dos Estados Unidos na política latino-americana, confessa agora sua alegria pelo fato de "a América Latina estar, enfim, se libertando dos Estados Unidos". 
Em entrevista à imprensa espanhola, ele diz que tem admiração especial pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
"Na minha geração, vimos como os EUA controlavam tanto ditaduras como democracias na América Latina. O primeiro que teve a valentia de enfrentá-lo foi Fidel Castro e Cuba pagou e está pagando muito caro por isso", diz, em uma entrevista à imprensa madrilenha o diretor.
"Outros encontraram outras maneiras de fazer isso. E, em mim, o que mais admiração desperta é Lula da Silva. Há países que, ao contrário, parece que nunca sairão desta situação, como o México", assinalou.
Agora, o diretor, que oferecera uma refrescante análise da ditadura de Augusto Pinochet no Chile e se aproximara da realidade dos guerrilheiros tupamaros no Uruguai, retorna para os problemas europeus no Éden à l'Ouest, estrelado pelo ator italiano Riccardo Scamarcio. 

Na América Latina, de acordo com ele, já criaram a sua própria voz. "Sem dúvida, Argentina, Brasil e Peru estão oferecendo um dos melhores cinemas sociais do momento", disse ele, que deu o Urso de Ouro para Tropa de Elite, DE José Padilha, quando presidiu o júri do Festival de Berlim em 2007.
Apesar de seu otimismo sobre a política latino-americana, Costa-Gavras mostra decepção com a dormência social no mundo em geral. "A sociedade tem ido de mal a pior. Antes, ao menos havia esperança ", explica ele que, talvez por este sentimento de desilusão, tenha decidido imprimir um tom de fábula mágica a seu novo filme.
"Tudo mudou radicalmente e eu também envelheci muito", disse, com mais firmeza que melancolia. "Nos sessenta e setenta podíamos ter posições claras. Havia dois grandes blocos e escolher um deles, filosoficamente, marcada já o caminho", coloca. "Hoje, se fala de duas ideias muito básicas, como a liberdade e a democracia, como se elas pudessem resolver todos os problemas. Mas a democracia se banalizou absolutamente. O mundo está dirigido pelas grandes empresas", assegura ele.
À procura de uma nova linguagem para os novos tempos, Eden à l'Ouest aborda a migração de uma perspectiva diferente. "Eu queria mostrar não o imigrante como um portador de drama e tragédia, mas como alguém que traz luz para os povos desse mundo supostamente mais rico", explica ele. Assim, Elias, o protagonista, se mascara no magnetismo sexual do ator italiano Riccardo Scamarcio que, desde que desembarca nas ilhas gregas até chegar a Paris, atua como um catalisador para os problemas emocionais que emergem no bem-estar.
"Há tanta solidão de um lado como do outro", diz o diretor. E garante que, em Eden à l'Ouest, decidiu se concentrar mais em pessoas comuns que no poder. No entanto, "ninguém como indivíduo pode dar solução ao problema da migração", sentencia. "O máximo que podemos fazer é, como acontece no filme, dar-lhes um casaco, almoço ou na cama. A verdadeira responsabilidade cabe aos governos." 

Costa-Gavras, que, a exemplo de cineastas como Roman Polanski, desenvolveu um tipo de cinema itinerante, admite que a sua decisão de escolher a nacionalidade de um filme depende apenas da história.
"Eu faço o filme no país em que me deixem fazer o que eu quero e com meus meios. Se não, eu não faço ", disse o cineasta que, para Éden à l'Ouest, contou com dinheiro da França, Itália e Grécia. O próximo alvo de sua denúncia ainda é indefinido. "Infelizmente, ainda há muitas histórias a serem contadas. Eu só tenho que ver o que posso contar melhor".

Fontes




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26 outubro 2009

HENFIL



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MST x Ruralistas



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Manifesto Em Memória de Carlos Marighella


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25 outubro 2009

Olimpíada do Social - Frei Betto

O governo divulgou dados do Censo Agropecuário, que dão razão ao MST quando reivindica reforma agrária. São 5,175 milhões de propriedades rurais, que ocupam 329,9 milhões de hectares. Um hectare equivale a um campo de futebol. Essas propriedades empregam 16,5 milhões de pessoas, e mais 11,8 milhões de informais (bóias-frias, diaristas, etc).
A concentração de terras em mãos de poucos é 67% superior à da renda no País, cuja desigualdade se destaca entre as maiores do mundo. Essa concentração é agravada pelo agronegócio voltado à exportação.
A mesa do brasileiro continua a ser abastecida pela agricultura familiar, que emprega 12 milhões de pessoas, enquanto o agronegócio contrata apenas 600 mil. Na mesa do brasileiro, campeia a química que prejudica a saúde humana. São 713 milhões de litros de veneno injetados, por ano, na lavoura.
Em dezembro, os chefes de Estado se reunirão em Copenhague para debater o novo acordo climático. Segundo dados da ONU, em 2050 – quando haverá aumento de 50% da população do planeta — a escassez de alimentos ameaçará 25 milhões de crianças, pois a produção mundial, devido ao aquecimento, cairá 20%. Hoje, a fome ameaça 1,02 bilhão.
Apesar dos dados positivos de nossa produção agropecuária, ainda convivemos com a fome (11,9 milhões de brasileiros); a mortalidade infantil (23 em cada 1.000 nascidos vivos) e o analfabetismo (15 milhões). Bom seria se a nação também se mobilizasse para a Olimpíada do Social e o Brasil promovesse as prometidas e adiadas reformas: agrária, política, educacional, sanitária e tributária.

fonte : Jornal O Dia RJ - 25/10/09



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22 outubro 2009

Manifesto em defesa do MST - Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais

Manifesto assinado intelectuais do Brasil e do mundo em defesa do MST e contra a proposta de CPI que pretende “investigar” o movimento.

As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.

Bloquear a reforma agrária

Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.

Concentração fundiária

A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.

Não violência

A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.

É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.

Contra a criminalização das lutas sociais

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.

Ana Clara Ribeiro
Ana Esther Ceceña
Boaventura de Sousa Santos
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Claudia Santiago
Claudia Korol
Ciro Correia
Chico Alencar
Chico de Oliveira
Daniel Bensaïd
Demian Bezerra de Melo
Fernando Vieira Velloso
Eduardo Galeano
Eleuterio Prado
Emir Sader
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Heloisa Fernandes
Isabel Monal
István Mészáros
Ivana Jinkings
José Paulo Netto
Lucia Maria Wanderley Neves
Luis Acosta
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Maria Orlanda Pinassi
Marilda Iamamoto
Maurício Vieira Martins
Mauro Luis Iasi
Michael Lowy
Otilia Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sergio Romagnolo
Virgínia Fontes
Vito Giannotti 

para assinar clique  Manifesto em favor do MST


fonte : Chico Alencar - PSOL RJ





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Segurança pública: cobrar é preciso ! - Chico Alencar

Chico Alencar afirmou em pronunciamento que o povo das comunidades pobres é quem mais sofre, vive no terror, marginal ou oficial, e que o discurso de enfrentamento interessa também aos grandes produtores de armas. Questionou qual gasto público é mais eficiente na redução da violência: mil professores trabalhando por um ano ou um helicóptero bélico (ao custo de R$12 milhões)? 
Leia na integra Chico Alencar - PSOL RJ


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Indignação com as laranjeiras - Bresser Pereira

Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?

HÁ UMA semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: "E as laranjeiras?" -como se na pergunta tudo estivesse dito.

Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela "fúria de militantes irracionais".

Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: "Para plantar feijão". Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, "transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura".

Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.

Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior -o princípio da ordem-, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.

Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?

A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma "longa jornada de lutas sociais" levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil -e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA , 75, professor emérito da Fundação Getulio Vargas, ex-ministro da Fazenda (governo Sarney), da Administração e Reforma do Estado (primeiro governo FHC) e da Ciência e Tecnologia (segundo governo FHC), é autor de "Macroeconomia da Estagnação: Crítica da Ortodoxia Convencional no Brasil pós-1994". Internet:   www.bresserpereira.org.br

Folha de S. Paulo - 19/10/09


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CPI MST - Dep Ivan Valente - PSOL SP

Pronunciamento na Camara do Dep Federal Ivan Valente PSOL SP

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, a leitura dessa CPI, nesse momento, mostra que o poder de um setor econômico da sociedade, o agronegócio, associado a um outro da mídia brasileira conservadora, fazendo lavagem cerebral, direcionando reportagens, leva à recriação da CPI, porque já houve uma CPI Mista do MST aqui, há menos de 4 anos, que não investigou coisa alguma. Isso é uma vergonha e mostra o conservadorismo, a hegemonia do agronegócio.

Sr. Presidente, o que está acontecendo de verdade aqui é a criação de uma CPI, não só contra o MST, mas contra a reforma agrária no Brasil. Está se criando uma CPI aqui a favor do agronegócio, da monocultura e para criminalizar um movimento social no nosso País. A luta vai ser também criminalizada, assim como a reivindicação. É a lógica que existe neste momento, ou seja, criminalizar os movimentos sociais.

Tínhamos que investigar por que um setor que se volta só para a monocultura, para a exportação, para a reprimarização do País. Quero investigar as isenções milionárias, os incentivos à exportação, o adiamento e o cancelamento de dívidas do Banco do Brasil para uma setor que já é ultraprivilegiado no nosso País.

Por isso, Sr. Presidente, entendemos que atrás disso tem uma campanha midiática.

Inclusive a CNA produziu ou encomendou uma pesquisa ao IBOPE que é uma vergonha em matéria de demonstração de produtividade inclusive do setor agrícola.

E eu queria dizer neste momento, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, que não precisa ser lutador, aliado ou admirador do MST para dizer que ele tem razão. Tenho aqui em mãos o artigo do ex-Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira, que eu vou colocar nos Anais desta Casa, insuspeito, alguém do PSDB para dizer o seguinte, que o MST talvez seja o movimento mais conhecido de defesa dos pobres deste País.

Em segundo lugar, as terras que foram apresentadas na televisão da Cutrale são reivindicadas pelo INCRA como terras griladas. E isso a imprensa não fala, que uma grande exportadora de laranjas ocupa terra grilada no nosso País. Isso é crime. Isso precisa sim ser criminalizado. Em terceiro lugar, que aquela demonstração, se há críticas há fazer, era um combate à monocultura, quer-se-ia mostrar que se pode plantar outras coisas também nesse processo.

Sr. Presidente, a verdade é que rigorosamente a pequena propriedade no nosso País, a agricultura familiar, como diz o próprio artigo do Bresser Pereira, é responsável por três quartos da mão-de-obra utilizada no campo, ocupando apenas um quarto das áreas cultiváveis. Essa é que é a relação.

Por isso, Sr. Presidente, entendemos que essa movimentação que se faz para recriarmos a CPI é, na verdade, a lógica da criminalização do movimento social e da luta. Peço aos Deputados e Senadores que assinaram isso, que assinem, sim, uma CPI para assinar os privilégios deste País, os ganhos milionários com juros e amortização da dívida pública. Está lá a CPI boicotada pela maioria dos Partidos.

Essa, sim, destina 282 bilhões de reais do ano passado para juros e amortizações. Isso ninguém quer investigar. Agora, uma entidade que usou 5 ou 10 milhões precisa ser investigada. Não é nada disso. Temos de investigar o que faz e a lógica do agronegócio, que, aliás, é a mesma lógica que se está analisando na Comissão Especial que analisa o Código Florestal em nosso País.

O que se quer ali é revogar toda a legislação ambiental, que vai do sistema de unidade de conservação, o código florestal, a lei de crimes ambientais, o sistema nacional de meio ambiente, tudo por pressão do agronegócio dominado por ruralistas, que chegam aqui eleitos. Cento e vinte, 130 Parlamentares formam uma bancada específica, tencionam o Congresso e o Governo. Aqui queremos dizer claramente: somos radicalmente contrários a este tipo de CPI, porque o que ela visa é criminalizar o movimento social e a defesa da propriedade, e não da vida.

O que se defende aqui é que a propriedade está acima da vida. É o nosso repúdio, Sr. Presidente.


Câmara dos Deputados, 21 de outubro de 2009

fonte :  Dep Ivan Valente PSOL SP


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CPI do MST - Qual o Real Objetivo?

Assista o Vídeo com o Dep Ivan Valente PSOL SP sobre o assunto
Ivan Valente defende o MST dos ataques da direita






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16 outubro 2009

1ª COMUCOM-RIO



Programação - 1ª COMUCOM-RIO
1º dia - Sexta-feira, 16/10
17h - Inscrições;
18h - Votação do regimento interno;
18h30 - Palestra;
19h30 - Mesa solene;

2º dia - Sábado, 17/10.
08h - Inscrições;
09h às 11h - debate "Produção de Conteúdo";
11h30 às 13h30 - debate "Meios de Distribuição";
15h às 17h - debate "Cidadania: Direitos e Deveres";
17h – Encerramento


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15 outubro 2009

Educar é humanizar

por Chico Alencar 

Oficializada pelo presidente João Goulart, em 1963, a data de hoje, dia dos Mestres, foi inspirada no 15 de outubro de 1827, quando D. Pedro I decretou que todas as vilas e cidades do Brasil criassem escolas primárias. 

Essas escolas só ganharam vida com a ação de nossos professores, que têm empenhado suas vidas na educação de nossas crianças, jovens e adultos. Nessa data, que é também o dia de Santa Teresa D'Avila, mestra da espiritualidade, devemos refletir qual o significado do ofício de nossos educadores.

Riobaldo, o jagunço-filósofo do Guimarães Rosa, costumava dar, sem saber, lições ao pé das lamparinas ou à sombra das árvores retorcidas do cerrado do grande sertão. Ensinava que "buriti quer o azul do céu mas não se aparta de sua água, carece de espelho: mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende".

Nas veredas da minha vida docente aprendi mais que ensinei. Um desses aprendizados veio a partir de uma jovem aluna da disciplina de Prática do Ensino de História, que ministrei na UFRJ. Eu pontificava, talvez com certa soberba, do "alto da experiência" de duas décadas na rede pública municipal, sobre a necessidade de o professor ter o raciocínio rápido e se mostrar dotado da agilidade mental que devia estimular no alunado, quando ela me interrompeu:

- Está certo, professor. Então diga pra gente, em dez afirmações, o que é educar!

Claro que a cobrança deu o rumo da prosa, isto é, do restante da aula. E gerou um debate muito rico. Ali, a dinâmica dialógica, substituindo o monólogo, provocou uma elaboração coletiva, isto é, produziu conhecimento. A "tempestade cerebral" revelou o interesse geral. Sem consultar nada além das informações acumuladas das leituras que ficaram - são as que prestam, na verdade - conseguimos criar algo que foi útil para todos, e nos melhorou como pessoas e como professoras (a maioria da turma era de mulheres e quase todas já lecionavam, ainda que sem licenciatura plena). Hannah Arendt, Paulo Freire, Rubem Alves, Darcy Ribeiro, Emilia Ferrero, Anísio Teixeira, Makarenko, Carlos Rodrigues Brandão e muitos outros - pedagogos, sociólogos, historiadores, antropólogos - foram sendo lembrados e nos ajudaram a compor esse decálogo, necessariamente sintético, que apresento aqui:
 
1. Educar é humanizar, é tornar o ser humano, que tem condição e não natureza pré-determinada, mais humano, racional e gregário;

2. Educar é descentrar, isto é, ajudar a superar o "pecado original" do egocentrismo, que está em toda criança, para encaminhá-la rumo à socialização;

3. Educar é ensinar a olhar para fora - leitura do mundo, reconhecimento do outro - e para dentro - auto-conhecimento;

4. Educar é fazer ler, escrever e contar para tornar o educando capaz de reflexão, narrativa e partilha;

5. Educar é facilitar a percepção de cada um e de todos como seres naturais e culturais, dotados de objetividade e subjetividade, quebrando a dissociação corpo/espírito;

6. Educar é ensinar a grande geografia, a percepção do nosso espaço vivido, e a imprescindível ecologia, pela qual nos compreendemos como parte da natureza, e não seus dominadores e exploradores;

7. Educar é despertar em cada um a consciência da história, que valoriza o passado que nos constituiu, o presente que nos explica e o futuro socialmente mais justo e igualitário a ser construído;

8. Educar é politizar, ou seja, estimular em cada aluno a consciência de classe e de cidadania, o espírito crítico e o ânimo participativo na civitas, na polis, na sociedade humana;

9. Educar é possibilitar o discernimento entre informação, em geral meramente publicitária e dispersa, moldada para forjar consumidores, e conhecimento, que vai fundo no entendimento do mundo, e forma pessoas;

10. Educar, enfim, é fazer artesanato, com a consciência de que a escola, por si só, não muda a sociedade, mas pode e deve transformar as pessoas, e essas, organizadas na cena pública, poderão revolucionar o mundo.

Agradeço a atenção,
 
Sala das Sessões, 15 de outubro de 2009.
Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ
 

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15 de Outubro - Dia do Professor

Neste 15 de outrubro a lembrança de quem verdadeiramente lutou pela transfromação da educação no Brasil e valorização do ENSINO PÚBLICO



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13 outubro 2009

A preocupação é que tudo se repita - Eliomar Coelho

Muito se falou do legado que os Jogos Pan-Americanos - 2007 deixariam para a cidade do Rio de Janeiro após o seu término. Por conta dessa promessa, feita pelo ex-prefeito Cesar Maia e pelos dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), os cofres públicos foram abertos sem controle, sem transparência e sem responsabilidade. Baixada a poeira, o saldo que se tem do evento é extremamente triste: zero de legado, denúncias gravíssimas de malversação de verbas e nenhum estímulo ao esporte.
A Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) orçou Os Jogos Pan-Americanos 2007 em torno de 400 milhões de reais e se gastou dez vezes mais, no mínimo. O Pan do Rio de Janeiro foi o mais caro de toda a história dos jogos e virou caso de polícia. Várias obras e serviços foram realizados sem licitação ou superfaturadas e o tamanho do estrago e os verdadeiros beneficiados estão sendo revelados pouco a pouco pelo Tribunal de Contas da União (TCU), já que a Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por mim solicitada, apesar de aprovada, foi impedida de realizar os seus trabalhos pelos aliados do prefeito.
Dentre os beneficiados pela farra do Pan 2007, certamente não estão os atletas, nem a população da cidade. Todos os equipamentos construídos foram entregues à iniciativa privada a preço de banana. A Arena Multiuso, por exemplo, foi alugada para a um banco internacional, que, em vez de esportes, realiza espetáculos de toda natureza. O Engenhão também está com suas pistas de atletismo abandonadas e o Parque Aquático Maria Lenk, cedido ao COB por 20 anos, mantém-se sem nenhuma atividade. Esses equipamentos poderiam estar servindo como fomentadores de modalidades olímpicas e poderiam se transformar em espaços para a capacitação de professores de educação física ou escolinhas gratuitas para crianças e jovens.
O Parque Aquático Júlio Delamare, palco do Pólo Aquático no Pan 2007, cuja reforma custou R$ 10 milhões, será demolido para dar lugar a um amplo estacionamento no Maracanã.  Esse parque é um dos maiores da América Latina, com 18,5 m², piscina olímpica de 25m x 50m, tanque para saltos de 25m x 25m, com profundidade de cinco metros e piscina coberta para aquecimento de 10m x 25m. Os alunos e nadadores que frequentam o parque estão desolados. Outro equipamento que está com os dias contados é o Estádio de Atletismo Célio de Barros. A cada dia, o que vemos, portanto, é o desmanche do que foi reformado ou construído para a realização dos Jogos Pan-Americanos. É dinheiro jogado fora de forma irresponsável.
Agora, o Rio encontra-se em plena campanha para abrigar os Jogos Olímpicos de 2016 e o orçamento inicial já está na casa dos R$ 30 bilhões, disparado o maior entre as quatro cidades concorrentes - Rio, Madri, Chicago e Tóquio. Quantos desses bilhões serão destinados para atenuar os graves problemas cariocas, como transporte, habitação e saneamento, etc.?  O justo legado é quando o dinheiro público é usado para servir aos excluídos dessa cidade, inclusive os seus bravos atletas!
Deixando claro que sou favorável à realização das Olimpíadas de 2016 no Rio, minha preocupação é que o exemplo do Pan 2007, que de exemplar foi somente a atuação do público e dos esportistas, seja lamentavelmente repetido. Por isso, todo cuidado é pouco. Todos os gastos, caso o Rio saia vitorioso da disputa, têm que se ser fiscalizados com extremo rigor, para que não surjam mais escândalos e denúncias de corrupção.
Fonte:  JB, 09/08/2009
Eliomar Coelho é engenheiro e vereador no Rio de Janeiro (PSol-RJ)

fonte : Fundação Lauro Campos - PSOL

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É preciso reconceituar o jornalismo - Marcelo Salles

Não faz mais nenhum sentido chamar de Jornalismo o que fazem as corporações de mídia. Quem se preocupa com o lucro em primeiro lugar não é uma instituição jornalística. Não pode ser. Quando uma empresa passa a ter como principal meta o lucro, essa empresa pode ser tudo, menos uma instituição jornalística. E aí não importa a quantidade de estrutura e dinheiro disponível, pois a prática jornalística é de outra natureza. Exemplo: eu posso passar uma semana no Complexo do Alemão com um lápis e um bloco de papel. Posso chegar até lá de ônibus. Posso bater o texto num computador barato. Mesmo assim, se a publicação para onde escrevo for jornalística, vou ter mais condições de me aproximar da realidade do que uma matéria veiculada pelas corporações de mídia.
Essas podem dispor de toda a grana do mundo, de carro com motorista, dos gravadores mais caros, das melhores rotativas, de alta tiragem e de toda a publicidade que o dinheiro pode comprar. No entanto, se não forem instituições jornalísticas, elas dificilmente se aproximarão da realidade da favela, isso quando não a distorcem completamente.
Existem outros exemplos para além da questão da favela. É o caso dos venenos produzidos pelas Monsantos da vida, que nunca são denunciados pelas corporações de mídia. Ou da retomada dos movimentos de libertação na América Latina, vistos como "ditatoriais"; a perseguição aos movimentos sociais e aos trabalhadores em geral; a eterna criminalização da política, de modo a manter as instituições públicas apequenadas frente ao poder privado. Enfim, você pode olhar sob qualquer ponto de vista que não vai enxergar Jornalismo.
Isso precisa ficar bem claro. Claro como a luz do dia. Para que as corporações pareçam ridículas quando proclamarem delírios do tipo: "somos democráticas", "únicas com capacidade de fazer jornalismo", "imparciais" e por aí vai. Fazer Jornalismo não tem esse mistério todo. Em síntese, é você contar uma história. Essa história deve ter alguns critérios que justifiquem sua publicação. Alguns deles aprendemos nas faculdades e são válidos; outros são ensinados, mas devem ser vistos com cautela. E outros simplesmente ignorados. Mas, no fundo, o importante é ser fiel ao juramento do jornalista profissional: "A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na sua luta por dignidade".
Essa frase, quase uma declaração de amor, não é minimamente observada pelas corporações de mídia. Vejamos: elas não têm espírito de missão, não respeitam nada, nem as leis, estimulam o preconceito, discriminam setores inteiros da sociedade, violam os direitos humanos e não sabem o significado da palavra "dignidade".
Mas por que o Jornalismo é tão importante para uma sociedade? Porque hoje, devido ao avanço tecnológico dos meios de comunicação - são praticamente onipresentes nas sociedades contemporâneas -, a mídia assume uma posição privilegiada no tocante à produção de subjetividades. Ou seja, a mídia, mais do que outras instituições, adquire enorme poder de produzir e reproduzir modos de sentir, agir e viver. Claro que somos afetados por outras instituições poderosas, como Família, Escola, Forças Armadas, Igreja, entre outras, mas a mídia é a única que atravessa todas as outras.
Fica claro, portanto, que uma sociedade será melhor ou pior dependendo dos equipamentos midiáticos nela inseridas. Se forem instituições jornalísticas sólidas e competentes, mais informação, dignidade, mais direitos humanos, mais cidadania, mais respeito, mais democracia. Se forem corporações pautadas pelo lucro, ou seja, entidades não-jornalísticas, menos informação, menos dignidade, menos direitos humanos, menos cidadania, menos respeito, menos democracia.
É por isso que eu sempre digo aqui, neste modesto, porém Jornalístico espaço: as corporações de mídia precisam ser destruídas, para o bem da humanidade! Em seu lugar vamos construir instituições jornalísticas. Ponto.
Marcelo Salles, jornalista, é coordenador da Revista Caros Amigos no Rio de Janeiro e editor do site Fazendo Média 



fonte Fundação lauro campos - PSOL

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10 outubro 2009

Premio Nobel da Paz 2009



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09 outubro 2009

TV Câmara - Jacob Gorender – A Esquerda Revelada

Assista amanhã (Sábado 09/10/2009) na TV Camara o  Documentário: 

Foram muitas décadas de dedicação ao Partido Comunista Brasileiro, o velho PCB. E o idealismo teve um preço alto: clandestinidade, prisão, dissidências, tortura. A partir da própria vivência e de pesquisas realizadas depois que saiu da prisão, na década de 1970, Jacob Gorender faz um recorte na história da esquerda no Brasil. A vida desse historiador judeu e marxista é a base do documentário “A esquerda revelada”, realizado pela TV Câmara para a série Memórias.
O depoimento lúcido e sincero de Gorender relembra a infância pobre na capital da Bahia, e o início da militância, aos 19 anos de idade. Formado na rígida disciplina do “Partidão”, o historiador enfrentou a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, a Segunda Guerra Mundial, as dissidências da esquerda, a prisão e tortura no regime militar de 64, e muitos anos de vida clandestina.
Ao abandonar a militância, foi com a mesma austeridade que se dedicou à pesquisa. “O Escravismo Colonial”, lançado em 1978, tornou-se referência no mundo acadêmico, ao reforçar o caráter escravista colonial do passado brasileiro, em contraposição às teses então vigentes nas ciências sociais, que enquadravam o país no modelo de desenvolvimento europeu – comunismo primitivo, escravismo clássico, feudalismo, capitalismo, socialismo.
Outro livro do autor que obteve destaque é “Combate nas Trevas”, a história da trajetória da esquerda na luta pela democracia no Brasil.
Depois de tantos anos, o espírito crítico da juventude está presente na análise que Gorender faz das crises internas do PCB e até mesmo de pontos ainda polêmicos para a esquerda, como resistência à tortura, traição e justiçamentos.


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O trator da grande mídia a serviço do agronegócio - Sérgio Domingues

Um trator derrubando pés de laranja pode pouco perto da aliança entre os controladores das ondas eletromagnéticas e os modernos latifundiários. É o monopólio do ar apoiando o monopólio da terra.

A imagem de um trator derrubando pés de laranja está em todos os telejornais. A máquina é dirigida por um militante do MST. O local é uma fazenda da Cutrale, empresa gigante do ramo de sucos. Depois de afirmar que a propriedade é produtiva, a reportagem ouve uma representante do Movimento. Ela afirma que os laranjais foram derrubados para que seja plantado feijão: “Ninguém pode viver só de laranja”.

Há uma comoção geral. Um sentimento de escândalo. Por que? Porque a cena toda apareceu fora de contexto. Trata-se de 2,7 mil hectares pertencentes à União e tomadas pela empresa ilegalmente. O plantio de laranja pode ser produtivo do ponto de vista dos lucros que vai gerar para a empresa. Mas não do ponto de vista social. No caso, trata-se de mais um exemplo de atividade típica do agronegócio. Geradora de bilhões em lucros e pouquíssimos empregos. E ainda por cima, fora da lei.

Mas, os grandes meios de comunicação não explicam nada disso. Exibem a imagem do trator derrubando árvores na Cutrale. Não mostram o exército de tratores do agronegócio que derrubam centenas de milhares de hectares de floresta amazônica e cerrado todos os anos. Não questionam o moderno latifúndio, que arrasa matas e animais, destrói comunidades, desvia rios, remove montanhas, abre crateras. Tudo em nome de uma produção para exportação, que gera poucos empregos, quase nenhum alimento e super-lucros para os de sempre.

Tudo isso poucos dias depois da divulgação dos dados do Censo Agropecuário do IBGE. Números que revelam o que já se sabe há muito tempo. O Brasil tem a maior concentração fundiária do mundo. Enquanto propriedades com até 10 hectares representam menos de 3% da área total, a parte ocupada por propriedades com mais de mil hectares concentram mais de 43%. Ao mesmo tempo, a agricultura familiar emprega 75% da força de trabalho no campo e produz 87% da mandioca, 70% do feijão, 58% do leite etc. Tudo com muito pouco apoio oficial.

Mas, nada vale tanto quanto a imagem de um trator derrubando pés de laranja. Comoção parecida ocorreu em março de 2006, quando mulheres da Via Campesina destruíram mudas de um viveiro da Aracruz. Naquela época, como agora, muita gente de esquerda, que apóia a luta dos Sem-Terra e da Via Campesina, condenou a ação. Considerou pouco tática.

Os que mais usam essa argumentação são “nossos aliados” no parlamento e no governo. Sempre tão cautelosos em relação à imagem dos movimentos sociais, não ajudaram a mostrar que as instalações da Aracruz nada tinham de cientificas. Que o plantio de eucaliptos é um dos maiores crimes ambientais e que a grilagem de terra é uma das especialidades dessa gigante do celulose.

O fato é que há questões e momentos em que os poderosos deixam pouco espaço para que a luta adote táticas sutis. Qual é a alternativa do MST à derrubada do laranjal? Distribuir panfletos nas grandes cidades denunciando as práticas de grilagem da Cutrale? Ou esperar que o Incra desaproprie a área tanto quanto espera há 29 anos que os índices de produtividade rural sejam revistos?

Os panfletos poderiam ser distribuídos aos milhões. Teriam pouco efeito frente ao apoio que uma Cutrale tem da grande mídia. Aquela que fala com milhões de pessoas a cada segundo. O caso dos índices de produtividade é um escândalo. Mas, 99,5% da população não sabem o que eles significam. Claro, a grande mídia não pautou a questão. Mal dedica meia dúzia de minutos por semana a ela. Não faz debates. E quando os faz, eles acontecem em horários inacessíveis, em canais fechados, com especialistas entendidos apenas por seus pares acadêmicos.

Enquanto poucos grupos poderosos continuarem a controlar a transmissão de informação pelas ondas eletromagnéticas a situação será esta. O monopólio do ar apóia o monopólio da terra. O monopólio da terra anda de braços dados com o grande capital. E este conta com total apoio dos vários níveis de governo. Todos unidos para manter os níveis extremos de desigualdade social no Brasil. Esta sim uma característica que dá ao Brasil um lugar no olimpo da exploração capitalista.

Sérgio Domingues

fonte :  Midia Vigiada  publicação em 07/10/2009 
Veja outros artigos em http://www.revolutas.net/



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Paris Setembro 2009 - II



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Paris Setembro 2009














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