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31 março 2010
Serra e seu discurso de despedida
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Realmente há alguma coisa de errado com os valores da sociedade em que vivemos.
Voltando ao "vencedor" fiquei sabendo que quem ganhou foi um candidato que durante todo o programa se mostrou preconceituoso e homofóbico, tanto que a Globo teve que dar destaque a questão da transmissão de Aids em função de coisas ditas por ele. Parece que venceu com 60% dos votos.
E é isso que chama a atenção. Durante toda a semana passada as emissoras e os jornais davam destaque ao julgamento dos Nardonis em São Paulo e tentavam destacar a mobilização e "clamor popular por justiça". No dia da decretação da sentença exploraram ao máximo as manifestações exaltadas das pessoas que se aglomeravam nas grades em frente ao Fórum. e teve de tudo, choros, fogos de artifício e outras demonstrações.
Pois bem, com 60% de votos não deve ser difícil imaginar que muitas dessas pessoas, que estavam lá , naquele dia, são as mesmas que fizeram suas ligações telefônicas, também pagas, para o programa. Ou seja num dia se exaltam cobrando justiça para um crime bárbaro e no outro elegem alguém que não demonstra o menor respeito pelo outro, somente porque tem uma opção sexual diferente da dele. Alguns até devem ter se identificando com ele.
Também são os mesmos que enviam cartas e comentários para os sites dos jornais atacando políticas mais progressistas em relação aos Direitos Humanos, que chamam de "baderna" greves e outros atos dos movimentos sociais, como a mobilização dos professores em São Paulo ou a ocupação de uma fazenda "grilada". São as mesmas que se degladiam após uma partida de futebol e cobram desempenho do ídolo do momento mas são incapazes de fazer o mesmo com quem mete a mão no dinheiro público ou administra mal sua cidade ou até mesmo seu condomínio, pelo contrário as reelegem.
Provavelmente em outubro serão as mesmas que estão elegendo candidatos conservadores, retrógrados e não menos preconceituosos, alguns de passado nada elogiável. Infelizmente ainda o retrato e a cara de nosso país.
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46 velinhas vermelhas.... de sangue
Ao completarem-se 46 anos da quebra da normalidade institucional no Brasil, mergulhando o País nas trevas e barbárie durante duas décadas, é oportuno evocarmos o que realmente foi essa nada branda ditadura de 1964/85, defendida hoje com tamanha desfaçatez pelos jornalões, seus editorialistas e articulistas.
Como frisou a bela canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, cabe a nós, sobreviventes do pesadelo, o papel de sentinelas do corpo e do sacrifício dos nossos irmãos que já se foram, assegurando-nos de que a memória não morra – mas, pelo contrário, sirva de vacina contra novos surtos da infestação virulenta do totalitarismo.
Nessa efeméride negativa, o primeiro ponto a se destacar é que a quartelada de 1964 foi o coroamento de uma longa série de articulações e tentativas golpistas, nada tendo de espontâneo nem sendo decorrente de situações conjunturais; estas foram apenas pretextos, não causa.
Há controvérsias sobre se a articulação da UDN com setores das Forças Armadas para derrubar o presidente Getúlio em 1954 desembocaria numa ditadura, caso o suicídio e a carta de Vargas não tivessem virado o jogo. Mas, é incontestável que a ultra-direita vinha há muito tempo tentando usurpar o poder.
Em novembro/1955, uma conspiração de políticos udenistas e militares extremistas tentou contestar o triunfo eleitoral de Juscelino Kubitscheck, mas foi derrotada graças, principalmente, à posição legalista que Teixeira Lott, o ministro da Guerra, assumiu. Um dos golpistas presos: o então tenente-coronel Golbery do Couto e Silva, que viria a ser o formulador da doutrina de Segurança Nacional e eminência parda do ditador Geisel.
Em fevereiro de 1956, duas semanas após a posse de JK, os militares já se insubordinavam contra o governo constitucional, na revolta de Jacareacanga.
Os oficiais da FAB repetiram a dose em outubro de 1959, com a também fracassada revolta de Aragarças.
E, em agosto de 1961, quando da renúncia de Jânio Quadros, as Forças Armadas vetaram a posse do vice-presidente João Goulart e iniciaram, juntamente com os conspiradores civis, a constituição de um governo ilegítimo, só voltando atrás diante da resistência do governador Leonel Brizola (RS) e do apoio por ele recebido do comandante do III Exército, gerando a ameaça de uma guerra civil.
Apesar das bravatas de Luiz Carlos Prestes e dos chamados grupos dos 11 brizolistas, inexistia em 1964 uma possibilidade real de revolução socialista. Não houve o alegado "contragolpe preventivo", mas, pura e simplesmente, um golpe para usurpação do poder, meticulosamente tramado e executado com apoio dos EUA. Derrubou-se um governo democraticamente constituído, fechou-se o Congresso Nacional, cassaram-se mandatos legítimos, extinguiram-se entidades da sociedade civil, prenderam-se e barbarizaram-se cidadãos.
A esquerda só voltou para valer às ruas em 1968, mas as manifestações de massa foram respondidas com o uso cada vez mais brutal da força, por parte de instâncias da ditadura e dos efetivos paramilitares que atuavam sem freios de nenhuma espécie, promovendo atentados e intimidações.
Até que, com a edição do dantesco AI-5 (que fez do Legislativo e o Judiciário Poderes-fantoches do Executivo, suprimindo os mais elementares direitos dos cidadãos), em dezembro de 1968, a resistência pacífica se tornou inviável. Foi quando a vanguarda armada, insignificante até então, ascendeu ao primeiro plano, acolhendo os militantes que antes se dedicavam aos movimentos de massa.
As organizações guerrilheiras conseguiram surpreender a ditadura no 1º semestre de 1969, mas já no 2º semestre as Forças Armadas começaram a levar vantagem no plano militar, introduzindo novos métodos repressivos e maximizando a prática da tortura, a partir de lições recebidas de oficiais estadunidenses.
Em 1970 os militares assumiram a dianteira também no plano político, aproveitando o boom econômico e a euforia da conquista do tricampeonato mundial de futebol, que lhes trouxeram o apoio da classe média.
Nos anos seguintes, com a guerrilha nos estertores, as Forças Armadas partiram para o extermínio premeditado dos militantes, que, mesmo quando capturados com vida, eram friamente executados.
A Casa da Morte de Petrópolis (RJ) e o assassinato sistemático dos combatentes do Araguaia estão entre as páginas mais vergonhosas da História brasileira – daí a obstinação dos carrascos envergonhados em darem sumiço nos restos mortais de suas vítimas, acrescentando ao genocídio a ocultação de cadáveres.
O milagre brasileiro, fruto da reorganização econômica empreendida pelos ministros Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, bem como de uma enxurrada de investimentos estadunidenses em 1970 (quando aqui entraram tantos dólares quanto nos 10 anos anteriores somados), teve vida curta e em 1974 a maré já virou, ficando muitas contas para as gerações seguintes pagarem.
As ciências, as artes e o pensamento eram cerceados por meio de censura, perseguições policiais e administrativas, pressões políticas e econômicas, bem como dos atentados e espancamentos praticados pelos grupos paramilitares consentidos pela ditadura.
Corrupção, havia tanta quanto agora, mas a imprensa era impedida de noticiar o que acontecia, p. ex., nos projetos faraônicos como a Transamazônica, Ferrovia do Aço, Itaipu e Paulipetro (muitos dos quais malograram).
A arrogância e impunidade com que agiam as forças de segurança causou muitas vítimas inocentes, como o motorista baleado em 1969 apenas por estar passando em alta velocidade diante de um quartel, na madrugada paulistana (o comandante da unidade ainda elogiou o recruta assassino, por ter cumprido fielmente as ordens recebidas!).
Longe de garantirem a segurança da população, os integrantes dos efetivos policiais chegavam até a acumpliciar-se com traficantes, executando seus rivais a pretexto de justiçar bandidos (Esquadrões da Morte).
O aparato repressivo criado para combater a guerrilha propiciava a seus integrantes uma situação privilegiadíssima. Não só recebiam de empresários direitistas vultosas recompensas por cada "subversivo" preso ou morto, como se apossavam de tudo que encontravam de valor com os resistentes. Acostumaram-se a um padrão de vida muito superior ao que sua remuneração normal lhes proporcionaria.
Daí terem resistido encarniçadamente à disposição do ditador Geisel, de desmontar essa engrenagem de terrorismo de estado, no momento em que ela se tornou desnecessária. Mataram pessoas inofensivas como Vladimir Herzog, promoveram atentados contra pessoas e instituições (inclusive o do Riocentro, que, se não tivesse falhado, provocaria um morticínio em larga escala) e chegaram a conspirar contra o próprio Geisel, que foi obrigado a destituir sucessivamente o comandante do II Exército e o ministro do Exército.
A ditadura terminou melancolicamente em 1985, com a economia marcando passo e os cidadãos cada vez mais avessos ao autoritarismo sufocante. Seu último espasmo foi frustrar a vontade popular, negando aos brasileiros o direito de elegerem livremente o presidente da República, ao conseguir evitar a aprovação da emenda das diretas-já.
* Jornalista, escritor e ex-preso político.
Blogues:
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
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Depoimento sem dano de crianças vítimas de abuso é adotado no país, mas método ainda não é uma unanimidade
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Golpe Militar - Página infeliz na nossa história
Saudamos aqueles que resistiram e a memória dos que tombaram "Ousando Lutar", muitos nos porões sob tortura.
Ditadura Nunca Mais!!!
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30 março 2010
Dois dias sem foto no Facebook e Orkut
Na quarta-feira (24 de março), a Argentina lembrou o aniversário do golpe militar de 1976, que derrubou o governo de Isabelita Perón e deu início a uma ditadura militar no país. Desde 2006 o dia 24 de março é feriado na Argentina, sendo chamado Dia Nacional de la Memoria por la Verdad y la Justicia .
Na rede social Facebook, uma interessante ideia surgiu entre os argentinos : uma convocação aos usuários para retirarem suas imagens de perfil no dia 24 de março, deixando no lugar apenas a silhueta que aparece quando não se escolhe nenhuma foto. Eis o motivo (que tomei a liberdade de traduzir ao português):
Para que quem ainda pergunta por que este dia é feriado, veja como seria se muitas pessoas queridas se ausentassem todas juntas, como aconteceu durante a ditadura.
Logo que tomei conhecimento da mobilização argentina (aliás, à qual eu aderi), pensei: que tal fazermos algo semelhante no Brasil? Seja em 31 de março ou 1º de abril, o golpe militar que derrubou João Goulart completará 46 anos. E por aqui não temos feriado, muito menos lembranças – o que facilita a vida dos que dizem não ter havido ditadura no Brasil (negar algo contra todas as evidências históricas, isso lembra algo, né? ou, que até teve, mas ela foi branda, “ditabranda” .
Pensando melhor, não basta tirarmos imagens de perfil no Facebook (e também no Orkut, onde há muito mais brasileiros). Façamos mais: é necessário que as pessoas entendam que há um motivo importante para a mudança da imagem e assim seja atiçada a sua curiosidade: “o que ele(a) quer dizer?” – do contrário, poderá parecer apenas uma falha do Facebook ou do Orkut.
Assim, nos dias 31 de março e 1º de abril, substituamos nossas imagens de perfil no Facebook e no Orkut por um NUNCA MAIS. Pode ser apenas as duas palavras em um fundo branco, ou a silhueta de quando não se escolhe nenhuma foto – também com o NUNCA MAIS, é claro. Induzamos as pessoas a pensarem, a lembrarem que houve uma ditadura militar em nosso país, e que isto não deve ser esquecido.
Claro que poderá acontecer de muitos não entenderem o motivo do NUNCA MAIS, daí a importância de se colocar no perfil uma explicação – pode ser lembrando que 31 de março/1º de abril é aniversário do golpe de 1964, e que nosso objetivo é dizer DITADURA NUNCA MAIS.
Procure difundir esta ideia, seja em blogs ou por e-mail, para que tenhamos a maior adesão possível.
fonte : http://www.viomundo.com.br/
Nota do Blog:
Estaremos apoiando essa idéia e chamamos os companheiros a aderirem também
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The Hurt Locker: aprender a matar e morrer
"The Hurt Locker" (que no Brasil, como é de tradição, foi pessimamente traduzido por Guerra ao Terror) não trata de nenhum terror. No filme não há terrorismo, porque todos os alvos são militares. Aborda a resistência iraquiana contra a ocupação dos estadunidenses. Porque esse elemento não pode ser apagado da guerra, não é um Estado que domina o outro, tão somente, mas é uma população soberana que domina outra. Existe um gosto pela guerra, e há sustentação desse gosto pelos fluxos da população que se pretende dominante. O artigo é de Cesar Kiraly.
Devemos começar com uma pergunta: de que modo as imagens podem ser imorais? Esta pergunta parte de uma concepção que admite que existem imagens morais e outras imorais, e se pergunta sobre o como da imoralidade imagética. Uma imagem nunca é uma imagem isolada, o que também significa dizer que uma imagem nunca é uma imagem sozinha. Em toda imagem que aparece existem tessituras de imagens que sustentam o efeito de enunciação, o aparecimento, e toda imagem possui no seu pigmento uma paixão. Essas paixões podem ser culturalmente elaboradas, ao que poderíamos dizer que numa imagem também pode estar contido um valor. Assim como, a elaboração de uma imagem pode ser apenas uma estratégia cultural para esconder o significado da paixão dissolvida no pigmento que vemos. Dessa forma, quando as imagens interessam à investigação política é necessário que elas sejam submetidas a um esforço de crueldade daquele que se interessa pelo fenômeno, algo como uma crueldade na visão, para que a crueldade da imagem não possa restar escondida.
Então, de que forma uma imagem pode ser imoral? Justamente quando esconde a sua crueldade. O que devemos fazer diante de uma imagem imoral? Investigá-la no sentido de expor a sua composição. Assim, nenhuma imagem imoral é essencialmente imoral, ela o é no sistema de imagens que sustenta a sua imoralidade, o que significa que toda imagem pode ser exposta, algo como uma disposição do espírito a apreender com a insuportabilidade que algumas imagens, nos seus mundos, provocam. Uma imagem que tem a sua crueldade exposta passa a ser uma imagem que combate a crueldade. Expor a crueldade, portanto, é a tarefa da crítica.
The Hurt Locker (que no Brasil, como é de tradição, foi pessimamente traduzido por Guerra ao Terror) não trata de nenhum terror. No filme não há terrorismo, porque todos os alvos são militares. Aborda a resistência iraquiana contra a ocupação dos estadunidenses. Porque esse elemento não pode ser apagado da guerra, não é um Estado que domina o outro, tão somente, mas é uma população soberana que domina outra. Existe um gosto pela guerra, e há sustentação desse gosto pelos fluxos da população que se pretende dominante.
Assim, a vida na guerra não é tão distinta da vida em qualquer outro lugar, e como o modo de vida estadunidense é ampliado para lugares pobres, e nem tanto, podemos ver vidas muito parecidas com as dos combatentes em qualquer lugar. Qual é a vida de um combatente, tal como revelada na película? Ela é a vida de um adolescente médio, ou de um adulto que ainda insiste numa certa adolescência. Poderíamos indagar que isso se dá, porque todos são muito jovens. Mas o fato é que os desarmadores de bombas usam robôs de plástico para fazer os primeiros contatos, entre uma coisa e outra jogam um desafio eletrônico com bastante violência, de noite, eles bebem bastante, e brincam de brigar, e, para completar, recebem ajuda psicológica comportamental, sob o aviso de que podem ser tudo o que quiserem ser, ou que a guerra pode ser uma boa experiência. Sem falar que se trancam nos quartos para ouvir heavy metal. Se uma vida é igual em suas imagens, e sustentação de imagens, penso que é bem provável que seja a mesma vida.
A forte imoralidade das imagens que ainda não foram exumadas por uma forte crítica da crueldade se esconde na afirmação logo inicial de que a guerra pode ser um vício. Compondo-se com a atitude bastante impulsiva do protagonista desarmador de bombas. Porque qualquer amante de peças de plástico é capaz de entender que a guerra é o seu mundo, mas que é preferível não lutar. Até aquele que parece ter na guerra a sua fonte única de felicidade, sabe, que, na verdade, não possui felicidade alguma. Não foi a guerra que lhe destruiu a vida, mas ela também nada lhe restitui.
Ela apenas dá oportunidade para que um morto vivo possa ter algum estímulo para andar. Ele, o desarmador mor, de alguma forma é o mais lúcido dos personagens, isso fica muito claro na conversa final com seu filho pequeno, que ainda não o compreende, ele parece explicar ao filho que de alguma forma, toda aquela felicidade infantil não significa que não possa a vida fazer dele um natimorto. Assim, o combate contra a guerra é o combate a uma forma de vida?
Este modo de vida do americano do norte que obriga os iraquianos a lutar uma confusa guerra de resistência possui um aprendizado da morte. Ou seja, a vida do estadunidense o prepara a morrer. Existe um difuso esforço de resignação quanto a perda dos entes queridos, jogos psicológicos muito populares de aceitação do mundo tal como ele é, brinquedos e dispositivos eletrônicos de violência etc. Contudo, como não é um aprendizado filosófico da morte, envolve, necessariamente, um aprendizado do tirar a vida do outro.
A cena em que estão combatendo numa emboscada explicita bem esse princípio, uma vez que conseguem sobreviver, e o desarmador mor congratula o seu colega, bom atirador, com um conhecido: - boa noite, obrigado por jogar. Logo após ter acertado o oponente. O efeito de câmera lenta utilizado pela diretora ressalta ainda mais a fantasia de vida eletrônica que prepara o soldado para matar e para morrer. Mas o esforço de investigação não deve recair sobre a visibilidade, porque essa é bastante evidente, mas sobre a dramaturgia da sustentação das imagens, essa sim mais relevante.
A visibilidade não importa muito, ou não importa mais, porque sabemos de um modo geral que a pobreza e a violência, no nosso tempo, são cinza, um pouco pelo cimento, outro pouco pelos blocos de concreto, e mais ainda, pela poeira levantada pela manipulação ou explosão das entidades portadoras dessas cores. Ainda mais evidente, porque a dominação usa peças de plástico. A dramaturgia dessas peças de plásticos é o que me interessa. Os soldados estão todos em casa no meio de suas peças de plástico. Mas eles não estão em casa. Eles estão bem longe de casa exercendo o ofício perigoso de desarmar bombas. Mas parecem que se sentem em casa de alguma forma.
Em todo o cenário de violência, podemos cometer pequenas violências interpretativas. Todo esse plástico decorre de uma opção de direção. Na verdade, uma opção pelas imagens domésticas no campo de guerra. Afinal a dramaturgia desse filme de guerra é fortemente doméstica, ela chega a despertar aconchego. Essa nova guerra de plástico é irreflexiva de um jeito que só é franqueado aqueles que estão em casa. Até mesmo a resposta é aconchegantemente doméstica. O desarmador negro pergunta ao desarmador mor, mas como pode assumir o risco? E recebe a resposta que recebemos na mesa de jantar: - Eu apenas não penso nisso.
Cesar Kiraly é doutor em Ciência Política pelo IUPERJ, e neste coordena o Laboratório de Estudos Hum(e)anos.
fonte Carta Maior
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À mestra, com carinho
Maria da Conceição Tavares completa 80 anos
“Eu pessoalmente já fui para a cadeia, sem nem saber porque, dado que sou apenas uma rebelde, pelo que escrevo, pelo que esbravejo.. Mas a voces quero dizer o seguinte: já estou velha e cansada, mas não desisti. Não desiti ! Eu acho que tem que estudar mais, aprofundar, aprofundar a análise, batalhar”. Maria da C. Tavares, Jornal dos Economistas, Corecon RJ, nº 181, p: 8 e 11
Maria da Conceição Tavares completa 80 anos no dia 24 de abril de 2010. Matemática, economista, intelectual com vasta formação histórica, filosófica e literária, professora, militante, deputada federal, torcedora fanática do Vasco da Gama e da Mangueira, Maria da Conceição se transformou nos últimos 50 anos, numa figura publica emblemática, e numa referencia decisiva dentro da vida cultural e intelectual brasileira. Conceição nasceu num povoado, no interior de Portugal, perto de Anádia, na região de Aveiro.
A familia de sua mãe era católica e monarquista, mas seu pai era anarquista, e esta divisão familiar, ideológica e política, marcou toda a sua infancia, vivida em plena ditadura salazarista, e durante a Guerra Civil espanhola.
Em 1953, Maria da Conceição se graduou em Matemática, na Univesidade de Lisboa, e pouco depois se mudou para o Brasil, aos 23 anos de idade, alguns meses antes do suicídio de Getulio Vargas. Em vários depoimentos sobre sua própria vida, Conceição confessa que se de deixou envolver imediatamente pelo “otimismo brasileiro da década de 50”, e pela intelectualidade carioca, apaixonada pelo sonho de Brasilia, do Plano de Metas, da Bossa Nova, e do Desenvolvimentismo, cantado em verso e prosa nos salões intelectuais do Rio de Janeiro, liderados pela geração de Darcy Ribeiro, Mario Pedrosa e Anibal Machado. Ao lado dos nacional-desenvolvimentistas do ISEB, e da geração de cientistas que começava a se reunir, naquela época, em torno da SBPC.
Em 1960, Maria da Conceição Tavares se formou em Economia, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde foi aluna e assistente de Otavio Gouveia de Bulhões, ao mesmo tempo em que trabalhava com Inácio Rangel e com os economistas heterodoxos do BNDE. Um pouco depois, já no escritório da CEPAL, no Rio de Janeiro, Conceição estabeleceu relações pessoais e intelectuais definitivas com Celso Furtado, Anibal Pinto, e Raul Prebish. E foi assim, com um pé na ortodoxia neoclássica, o outro na heterodoxia estruturalista, e com uma forte formação marxista e keynesiana, que Maria da Conceição ingressou no debate economico latino-americano, ao publicar, em 1963, um artigo clássico, sobre o “auge e o declínio do processo de substituição de importações”, onde ela explicava, de forma pioneira, os limites estruturais da estrategia de industrialização que era preconizada - naquele momento – por quase todos os economistas desenvolvimentistas.
A partir daí, e nas décadas seguintes, Conceição participou de quase todas as grandes polemicas econômicas, do Brasil e do continente: ainda nos anos 60, ela criticou a “tese estagnacionista” de Celso Furtado, e dos “teóricos da dependencia”; nos anos 70, denunciou os limites financeiros do modelo de crescimento adotado pelo governo militar brasileiro; no início dos anos 80, participou intensamente da discussão sobre a origem e a natureza da crise economico e da hiper-inflação, no Brasil; e durante a década de 90, escreveu inúmeros artigos e livros criticando as políticas e reformas neoliberais associadas à ideologia da globalização.
Por fim, Maria da Conceição escreveu dois trabalhos de longo fôlego, sobre o “movimento cíclico da economia brasileira”, que se transformaram, nas suas teses de doutoramento, em 1974, na UNICAMP, e de Livre Docencia, na UFRJ, em 1977. Além disto, nas décadas de 80 e 90, Conceição participou do debate internacional sobre a “crise da hegemonia americana”, inaugurando o campo da economia política internacional, no Brasil. Neste período, Maria da Conceição foi professora, sucessivamente, da UFRJ, da FGV-RJ, da CEPAL, da Universidade do Chile, da Universidade Nacional do Mexico, e da Universidade de Campinas, onde teve papel decisivo, na formação da sua escola de economia.
Depois do Golpe Militar, de 1964, Maria Conceição viveu no Chile, no México, e na França, antes de voltar ao Rio de Janeiro, e ser presa, em 1974. No Chile, Conceição participou da equipe economica do governo de Salvador Allende, e depois, já de volta ao Rio, militou na luta pela redemocratização brasileira, dentro do PMDB, onde ajudou a formular o seu primeiro programa de governo, que se chamou de “Mudança e Esperança”, e foi escrito em 1982. Uma década depois, Maria da Conceição Tavares ingressou no Partido dos Trabalhadores, e foi eleita deputada federal, pelo Rio de Janeiro, em 1994.
Hoje, olhando em perspectiva, se pode ver com claridade o papel decisivo que as suas idéias tiveram na formação do “pensamento econômico da UNICAMP”, que hoje é hegemônico dentro do Segundo Governo Lula; e também, na inflexão tardia e “desenvolvimentista” do PT, partido que se formou no início dos anos 80, sem nenhuma concepção econômica própria, e sob forte influencia das idéias anti-estatistas, anti-nacionalistas e anti-getulistas de quase toda a intelectualidade paulista, liberal e marxista, desde os anos 50.
Somando e subtraindo, Maria da Conceição Tavares, em toda a sua vida, foi sobretudo uma professora e uma humanista que ensinou várias gerações - dentro e fora do Brasil - a pensarem o mundo com paixão, mas com absoluto rigor analítico; com coragem, mas com total lucidez; com espírito critico, mas com grande otimismo histórico; com rebeldia anárquica, mas com um profundo sentido de compromisso com o seu povo e com as angustias do seu tempo. Além disto, em todos os lugares onde esteve, Conceição foi sempre uma mente provocadora e incapaz de acovardar-se ou de negar o seu próprio passado Poucos professores no mundo, ao chegar aos 80 anos, poderão assistir- como ela - uma eleição da importância da que ocorrerá no Brasil, em 2010, e saber que os dois principais candidatos à presidência da República foram seus alunos e se consideram, até hoje, seus discípulos. Parabéns e obrigado, Maria da Conceição.
José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
fonte : Correio do Brasil
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Show Mariana Baltar na Fnac da Barra
Show na Fnac ( Barra Shopping )
Av. das Américas 4666, Barra da Tijuca, RJ.
Entrada Franca!
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Conheça o Blog do Fã Clube Oficial Mariana Baltar:
www.faclubemarianabaltar.musicblog.com.br
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Militância se organiza para eleger Plínio candidato do PSOL à Presidência em 2010
Ao todo, são reconhecidos 156 delegados à Conferência Nacional, que será realizada nos dias 10 e 11 de abril, na cidade do Rio de Janeiro. Do universo de representantes dos estados eleitos como delegados à etapa nacional 79 são apoiadores de Plínio Arruda Sampaio. Além desses, 67 estão apoiando Martiniano Cavalcante e 10 defendem a pré-candidatura de Babá.
A vitória de Plínio vai garantir ao PSOL aparecer no processo eleitoral como uma verdadeira alternativa de esquerda, que priorizará a contraposição à falsa polarização PT-PSDB, mas se colocará também contra a candidatura do PV (que defender o modelo neoliberal praticado no país, a liberação dos transgênicos, a transposição do rio São Francisco e outras agendas que vão na contramão de um projeto ecossocialista).
Além disso, com Plínio Arruda Sampaio à frente da disputa presidencial, ganha impulso a perspectiva para a a retomada da Frente de Esquerda (PSOL, PSTU e PCB), que por sua vez favorece a manutenção e ampliação das bancadas parlamentares do PSOL e a possibilidade das legendas parceiras na Frente também buscarem representação legislativa.
Na relação com os movimentos sociais, a candidatura de Plínio também colocará o PSOL num patamar diferenciado, dialogando com os setores organizados da sociedade e apoiando as lutas dos trabalhadores e o processo de reorganização sindical em curso (que em junho será marcado pelo CONCLAT e a fundação de uma nova central sindical de esquerda no país).
fonte : http://pliniopresidente.com/
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Durval Barbosa diz que a coisa ainda nem esquentou
Durval não respondeu as perguntas dos parlamentares valendo-se de um habeas corpus concedido pela justiça, mas fez algumas declarações ao membros da CPI.
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A ilha desconhecida já está de volta!
Click aqui e assista o video ,onde o blogueiro cubano comenta o caso em seu novo blog com outro provedor.
Porém o antigo blog, com o mesmo nome, volta a funcionar no mesmo lugar de sempre, ou seja aqui.
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A indústria das multas no Detran do Rio
Leia a reportagem completa
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29 março 2010
Arruda entra mudo e sai calado
A orientação para que Arruda não falasse partiu de seuas advogados.
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Livro de Rubim Aquino torna inesquecíveis os anos de chumbo
A publicação é uma tentativa de manter viva a memória em relação ao nosso passado recente de torturas e violência praticadas no período da Ditadura Militar.A partir de uma pesquisa de mais de 20 anos, o autor traz à tona histórias sobre o aparato repressivo do Estado Brasileiro de décadas atrás. Ele mostra como a violência em suas variadas formas, física e psicológica, e os sistemas de informação e vigilância foram institucionalizados em nosso país.
O historiador fala sobre os principais centros oficiais e clandestinos de tortura e mortes criados, além de apresentar uma lista de centenas de pessoas envolvidas direta e indiretamente com a repressão. Dentre elas estão alguns médicos legistas que falsificaram certidões de óbitos.
Este livro consiste em um “alerta contra as mais variadas formas de tortura, tão banalizadas e, mesmo, aplaudidas por vários segmentos sociais nos dias de hoje. Livro que é um brado contra a prática da tortura, ainda defendida por alguns como um ‘mal menor’ e por vezes, necessário”, diz a psicóloga Cecília Coimbra, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, na apresentação do livro.
fonte : NPC
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Cidade não é negócio
Com participação de cerca de duas mil pessoas por dia, está acontecendo nesta semana o Fórum Social Urbano (FSU). Com 113 atividades, conta com debatedores como David Harvey e Peter Marcuse. O evento nasceu como contraponto ao Fórum Urbano Mundial (FUM), organizado pela ONU. A intenção é criar espaços de reflexão real sobre os conflitos urbanos, gerando alternativas justas de cidade onde o espaço público não seja visto como mercadoria.
Leia pronunciamento de Chico Alencar, e veja as fotos do FSU
fonte : http://www.chicoalencar.com.br
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PSOL já tem pré candidatos no Rio
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Carta Michael Moore
En mi último film hablo por primera vez sobre mis propias creencias en una película. Siempre creí que las preferencias religiosas son profundamente personales y que deben ser mantenidas en la privacidad. Después de todo hemos escuchado demasiado en las tres últimas décadas sobre como uno debería comportarse y debo decir que estoy bastante quemado de piedades y de lugares comunes considerando que somos una nación violenta que invade otros países y nos castiga por tener la audacia de afrontar tiempos difíciles.
Estoy igualmente en contra de cualquier tipo de proselitismo. No pretendo ciertamente que nadie adhiera a mi fe. Como católico, tengo también mucho que decir sobre la Iglesia como institución, pero lo dejaré para otro día (o para otra película).
A todos los tipos perversos de Wall Street y a los corruptos miembros del Congreso a que me refiero en “Capitalismo. Una historia de amor”, les planteo en la película una sola pregunta: “¿Es un pecado el capitalismo?” y sigo preguntando “¿Habría sido Jesús capitalista?, “¿Habría pertenecido a un Fondo buitre? ¿Podemos aprobar un sistema que permite que el 1% más rico pueda financiar su salud mientras que el 95% de la población no puede?
Estoy inclinado a creer que no es ningún hallazgo creer que el capitalismo se opone a todo lo que Jesús (y Moisés y Mahoma y Buda) predicó. Todas las grandes religiones tienen clara una cosa: es perverso apropiarse de la mayor parte de la torta y dejar a los demás pelearse por el resto. Jesús dijo que a los ricos les será muy difícil entrar en el cielo. Nos enseñó que debemos cuidar a nuestros hermanos y a nuestras hermanas y que la riqueza debe ser compartida. Dijo también que si no le das abrigo a los sin techo y no alimentas al hambriento, te será muy difícil encontrar el código que te permita abrir las puertas celestiales.
Sospecho que para nosotros los usamericanos hay malas noticias Sabemos que ahora tenemos la más alta tasa de desempleo desde 1983. Se cierra un puesto de trabajo cada 7,6 segundos, todos los días 14 mil personas pierden su seguro de salud. Es así como entendemos el “benditos sean los pobres”
Al mismo tiempo los banqueros de Wall Street (“Bendita sea la Riqueza”) acumulan más y más bienes – y se esmeran en pagar cada vez menos impuestos (en el último año el promedio de impuestos de Goldman Sachs fue de apenas un 1%) ¿Hubiera aprobado esto Jesús? Si no ¿porqué dejamos que siga este maldito sistema? No me parece que usted pueda ser al mismo tiempo Capitalista Y Cristiano – porque usted no puede amar el dinero Y amar a su vecino cuando usted le está negando a su vecino la posibilidad de concurrir al médico solo porque usted puede tener algo más que lo esencial. Eso es “inmoral” y usted está cometiendo un pecado cuando obtiene beneficios a expensas de los demás.
Cuando usted esté en la Iglesia esta mañana piense por favor en todo esto. Quiero pedirle que les permita acercarse a sus “mejores ángeles” Y si usted está entre los millones de usamericanos que están luchando semana a semana, sepa que yo he prometido hacer todo lo posible para detener este mal – y espero que usted se una a mí hasta que no haya un solo ser humano que no pueda sentarse a la mesa.
Gracias por escucharme. Estaré en misa dentro de un rato. Le preguntaré al sacerdote si el cree que Jesús habría especulado con hipotecas y sus derivados. Creo que él debe haber sido bueno en matemáticas, sino ¿cómo hubiera podido multiplicar y repartir los panes y los cinco pescados entre 5 mil personas?
O él fue el primer socialista o sus discípulos no fueron eficientes. O ambas cosas.
Suyo
Michael Moore es un cineasta documentalista usamericano que denuncia a través de sus filmes la violencia que genera la tenencia de armas (Bowling for Columbine), las falencias de los seguros de salud (Sicko) y desnuda en esta última película (Capitalismo. Una historia de amor) el drama capitalista, siempre en el marco de su propio país.
Traducción: Susana Merino - ECUPRES
fonte : Argenpress
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Zé Celso e As Bacantes
Para nós, hoje, com mais de 60 anos, o Teatro Oficina foi a nossa universidade possível em anos muito difíceis. Em 1964, as escolas e universidades enveloparam o saber, rotulando como subversivos tudo e todos que ainda pensavam. Mas o ciclo militar não foi só empobrecedor como doloroso. Não só incorporou a desgraça como espetáculo, como também o gangsterismo dos despreparados, mas obcecados pelo poder.
Duas décadas de irresponsabilidade e atraso. Deu no que deu; Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula-lá...Todos zeladores de um continuísmo diferente na forma, mas igual no conteúdo demagógico. E com um detalhe importante; todos com um vasto sorriso nos lábios, vendidos como democratas
Só que das maquinações do poder não se pode esperar outra coisa, que não um profundo desprezo pelo pensamento profundo. Elemento espectral que nunca deixam expandir pois a m... imutável da TV, dá-lhes mais segurança no confinamento palaciano, onde tramam uma eterna continuidade da mesmice política, econômica e cultural, virando o mundo de hoje “num laboratório do apocalipse’’. Sábio Karl Kraus! E através da conservação do horror sempre espetacularizado, uma constante e eficiente reprodução da ideologia dominante.
Ou seja, é-nos traumático e cômico vermos ainda hoje, os velhos e “novos” políticos sempre falando pomposas besteiras na TV. Meticulosos na grossura, não lhes faltam habilidades para mentir. Lamacentos e primitivos acham-se deuses, só que de significação alguma. Diante de total perplexidade nos voltamos uma vez mais para o Teatro Oficina, sabiamente transformado em Usina/Uzona.
Uma vez mais um novo deslumbramento pânico do prazer e do corpo como referência de um saber mais precioso do humano lado da vida. Um novo ensinamento que nos refaz de décadas e décadas de vergonha e tristeza. Não há mais tempo para, uma vez mais, esquecermos do sonho. É o que nos ensina estas Bacantes incrustadas nas brasas do prazer, do afeto, do humor e do sorriso da criança que descobre o mundo.
De um José Celso Martinez Correa humano, demasiadamente humano, como profetizava a arte fundada nas origens da tragédia. Com este mestre brasileiro pondo de ponta-cabeça o nosso racionalismo ocidental, numa simbiose de atemporalidade com os deuses, para provar que nenhum poder possui autonomia genuína, então, também, não possui história genuína. Sem legitimidade, portanto, na imposição ideológica para fazer de nós o que sempre faz, massificando tudo e todos.
Em Bacantes, as diferenças despontam entre Apolo e Dionísio, o diretor/Tirésias, faz simbiose de co-irmãos, entre deuses olímpicos e não olímpicos. Com o teatro Oficina, esta Usina/Uzona transformada na maior biodigestora de tragédias do planeta, dando vida humana à barbárie. A divina Grécia, a origem de Homero, nesse culto assombroso é uma experiência pioneira, épica, em um verdadeiro arrebatamento pela beatificação da orgia, única no teatro brasileiro. É impressionante como José Celso assumiu a sua total atemporalidade transcendente, superando a realidade banalizada e vigiada.
Impondo-se como sujeito além do passado, para carregá-lo sem a tormenta da melancolia de não transformá-lo. E sem querer assumir seu papel como vanguarda, o que geralmente acontece com aqueles que nem estão à altura de beijar-lhes os pés! Na realidade, a dita vanguarda nada teria a definir nesse universo nietzschiano, além das dialéticas que a arte carrega e, só ela pode carregar, como o espaço da utopia.
O grande perigo e ameaça de trabalhos como o desse mestre do teatro no Brasil é que se houver pelo menos um seguidor a coisa por aqui pode melhorar muito, subvertendo até este teatrão medíocre de maus atores televisivos. Corre-se o risco de até o nome do país mudar: Grécia/Brasil! Pela pulsão de vida abatendo a morte! A derrota desta herança maldita de vivermos mascarados! A apoteose final, um arrebatamento que nos deixará de vez no paraíso!
Com o início de última cena denso e cadenciado, com todos os gêneros e estilos musicais, com a preferência pelo andante, com o agradecimento pelas premissas de um novo tempo, de uma gloriosa caminhada em verdadeira manifestação com todos: atores, deuses e platéia na celebração de uma conjunção de harmonias. Para despertar a alma de um país que não pode adormecer sem a grandeza dessa embriaguez do conhecimento.
Nessa Grécia/Brasil das Bacantes, José Celso, além da direção difícil e complexa, superou tudo com nada o intimidando. Tirésias, o mitológico cego, sábio e adivinho, é também um verdadeiro Apolíneo, a desbarbarizar e purificar cultos e magias pela descontração entre a tensão e a poesia. E por que não, sendo também, um nosso verdadeiro Eurípedes, pela ossatura compacta e magistral de difícil espetáculo?
Uma concepção operística bem Brasil, carnavalizada, crítica, satirizante, doce, lírica e musical demais, humanamente musical! Estético e formal! Pelo domínio livre e seguro da concepção. De um grande teatro de arena, para um teatro de galerias, Usina/Uzona! O universo do caos transformando a nossa cultura espetacularizada em uma bacanalização, em que o mundo dos deuses não nos chega como ópio, confrontos ou antagonismos. Mas como atemporalidade de entendimentos e da máxima projeção possível, fazendo o passado dançar pelo seu horror, na embriaguez do prazer e da alegria, pactuando com o presente para um melhor entendimento de nossas mazelas.
Só carregamos esquecimentos e aculturações para a periferia, mas sem poder transfigurá-la, pois somos também, dor da melancolia, como em Walter Benjamin. Vemos, então, que sob as graças de uma compulsiva direção, podemos definir a grandeza e a riqueza da concepção, pelo encurtamento de espaços definida também, pela atemporalidade e sinapses de fundo sintagmático enriquecido: teatro/cinema.
Com a peça virando filme. Teatro, cinema, ciência e tecnologia, modernidade e cultura na superação de ideologias e tecnologias. Na superação dos falsos valores que, diariamente, mais de 100 milhões de telespectadores, julgando-se exorcizados pela ignorância, o desentendimento, a banalização do consumo e o fetiche, se dão como carrascos e linchadores dos culpados que os catatônicos espetáculos das telinhas se esmeram em criar e produzir em altíssimo nível digital e tecnológico. Na entronização dos deuses que o biodigestor da humana Usina/Uzona irá reciclar na atemporalidade das mutações das Bacantes.
Bacantes, este orgulho para a eternidade da Grécia, símbolo da arte, marcando diferenças que somente a cultura do saber pode superar pela coragem e ousadia de Eurípedes, e que Zé Celso encarou para uma superação do Brasil. Aqui, um trabalho de dimensão Oswaldiana, Villalobiana e que Wilhem Reich, gostaria de ter assistido, homenageado que foi ao lado do cinema Glauberiano. Aqui o que esteve presente foi a mais apologética expressão de liberdade e a consciência de pulsão corajosa de prazer e alegria em sua máxima potência de embriaguês e prazer. Em uma humana epifania da transgressão!
Uma Bacante musical! Indispensável uma especialíssima reverência à grandeza musical deste trabalho que nos orgulha muitíssimo. Sem ela alguma coisa ficaria no ar, à procura de seu próprio corpo, perdidos os movimentos de que a expressão do humano e dos deuses precisam agregar. E de que não podem prescindir até o encontro de superações e entendimentos, para a harmonia do todo, o que a montagem sistematizou. Porque o silêncio musical é um mistério e, que a música deste trabalho, soube desvelar! Estamos ou estivemos por algumas horas sagradas no paraíso!
fonte: ViaPolítica
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Esboços para um futuro trabalho...
Qual o sentido e a importância da imprensa alternativa, perguntamos. Em passant, lembremo-nos dela durante a ditadura militar, ‘Opinião’, ‘Argumento’, ‘Pasquim’, ‘Movimento’, ‘Ex-‘, ‘Politika’, etc, etc...
Esses jornais não derrubaram os militares, mas, mesmo sob censura férrea, davam um novo ânimo aos militantes e aos não-militantes, simpatizantes, era uma fonte plausível e confiável de informação.
Lia-se então nas entrelinhas, as ‘insinuações’...
E hoje?
A sociedade, quer durante a ditadura Militar ou hoje, continua dividida entre dominantes e dominados, portanto, mídia de ‘esquerda’ ou ‘direita’...(sejamos um pouco simplistas...)
A mídia de ‘esquerda’, hoje, continua tão ou até mais importante que antes, pois vivemos um simulacro de democracia, onde os grandes meios, os oligopólios são hegemônicos e o ‘inimigo’ tornou-se sutil e diáfano, as vezes, imperceptível. Inexiste aquela dicotomia “os bons contra os maus”, os ‘revolucionários contra os reacionários’.
Daí a importância de jornais como ‘Caros Amigos’, ‘ Le Monde Diplomatique’, ‘Brasil de Fato’, etc...Eles são o contraponto necessário aos jornalões do poder...
E os Blogues?
Ponho um blogue na mesma categoria de uma ‘Caros Amigos’. Informar, com independência e sem medo, contradizer as ‘informações’ oficiais...seria a ‘imprensa clandestina’ de hoje...
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A marcha da hipocrisia - Nelson Peralta
A Dow Chemical, responsável pela morte de milhares de pessoas na Índia e fabricante do agente laranja usado na guerra do Vietnã, agora diz “defender” a água e o ambiente.
A Live Earth, criada por Al Gore e pelo produtor e empresário de mídia Kevin Wall, organizou, a propósito do dia da água, mais um evento à escala mundial. Em várias cidades de todo o planeta, além de concertos e atividades educacionais, as comunidades locais foram envolvidas em caminhadas de 6 km, a distância média que muitas mulheres e crianças fazem todos os dias para obter água potável.
A "The Dow Live Earth Run for Water" realizada nas vésperas do dia mundial da água, deve o seu nome ao patrocinador, a The Dow Chemical Company, e tem como objetivo alertar para o problema e recolher fundos.
Tudo muito ambientalmente correto, não fosse a Dow uma das empresas que mais terá contribuído para a poluição das águas do planeta. A Dow é hoje a proprietária da Union Carbide que, em 1984, devido a um vazamento na sua fábrica em Bhopal (Índia), terá provocado a morte de 15 mil pessoas. Hoje em dia, 100 mil pessoas continuam a sofrer problemas de saúde em resultado do acidente, sem o devido tratamento ou compensação, vivendo na penúria e sem que o meio ambiente tenha sido devidamente descontaminado.
Contudo, e apesar dos esforços persistentes de Ong's, a Dow não assume qualquer responsabilidade pelo vazamento, por suas consequências ou pela poluição resultante da fábrica. A Anistia Internacional chegou mesmo a requerer uma investigação à Dow, face ao que considera serem pressões inaceitáveis da empresa sobre o governo indiano, para se livrar das suas responsabilidades legais na catástrofe química de Bhopal.
Mas a atividade da Dow é bastante vasta. Foi uma das produtoras do famoso agente laranja (herbicida utilizado na guerra do Vietnã, com consequente impacto ambiental e na saúde de militares norte-americanos e da população vietnamita) e, um pouco por todo o globo, tem um enorme histórico de contaminação de águas e do meio ambiente.
Agora, esta empresa descobriu um novo nicho de mercado: o tratamento de água! Nada melhor do que ganhar dinheiro com a poluição que lhe permitiu acumular lucros à custa do ambiente e da saúde das populações. Necessita, portanto, de lavar, perdão, reconverter a imagem, o que sai certamente mais barato que limpar o seu rasto de caos e destruição.
Esta Marcha assume transversalmente um caráter de higienização da opinião pública. Não deixa assim de ser curioso que, para além de toda a midiatização, a página inglesa da wikipedia sobre esta iniciativa tenha sido recentemente alterada, retirando as referências ao alarme público que o patrocínio da Dow provocou.
A Marcha pela Água decorreu nas maiores cidades mundiais, por vezes com a legitimação de um apoio institucional, mais ou menos direto. Em Portugal, a iniciativa teve o seu ponto alto em Estarreja, onde foi co-organizado com a Câmara Municipal, no local onde a empresa tem uma fábrica.
A legitimação institucional eleva a propaganda a outro patamar, e aí nem a autarquia quis ficar de fora. Aproveitando o balanço, a Câmara Municipal anunciou que iria assinar a petição para que o acesso à água seja consagrado como um direito básico na Declaração dos Direitos Humanos da ONU. Isto apesar de há poucos meses a Câmara Municipal de Estarreja ter aderido a uma nova parceria para o abastecimento e saneamento das águas, que vai exatamente no sentido oposto, tratando a água como uma mera mercadoria e preparando a sua concessão a privados.
Refira-se ainda que, por duas vezes, o BE apresentou na Assembleia da República uma proposta para a realização de um estudo epidemiológico no conselho de Estarreja, para aferir se as doenças com causas ambientais – como o cancro – terão aí uma maior incidência que no resto do país. A existência de um grande complexo químico, onde, aliás, se situa a Dow, e os dados empíricos justificam que se averigue a situação, seja para tranquilizar a população ou para garantir uma resposta mais eficaz às causas, à detecção e ao tratamento dessas doenças. Contudo, esta proposta tem sido inviabilizada por PS/PSD/CDS-PP com o silêncio cúmplice da Câmara de Estarreja e do seu presidente.
De fato, o verde lava mais branco, mas certamente que merecemos um poder público que pugne pela defesa dos interesses da população e não que se comporte como mero relações públicas do poder econômico, seja por omissão seja por ação.
fonte: ViaPolítica e Esquerda.net
http://www.esquerda.net/content/view/15769/130/
Mais de Nelson Peralta em: http://ailusaodavisao.blogspot.com/
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A la maestra, con cariño - José Luis Fiori
María da Conceiçâo Tavares cumple 80 años el día 24 de abril de 2010. Matemática, economista, intelectual con vasta formación histórica, filosófica y literaria, profesora, militante, diputada federal, hincha fanática del Vasco da Gama y de la Mangueira, María da Conceiçâo se transformó en los últimos 50 años en una figura pública emblemática, y en una referencia decisiva dentro de la vida cultural e intelectual brasileña.
Conceiçâo nació en un pueblo, del interior de Portugal, cerca de Anadia, en la región de Aveiro. La familia de su madre era católica y monárquica, pero su padre era anarquista, y esta división familiar, ideológica y política marcó toda su infancia, vivida en plena dictadura salazarista y durante la Guerra Civil Española.
En 1953, María da Conceiçâo se graduó en Matemática, en la Universidad de Lisboa, y poco después se trasladó a Brasil, a los 23 años, algunos meses antes del suicidio de Getulio Vargas. En varios relatos sobre su propia vida, María da Conceiçâo confiesa que se dejó contagiar inmediatamente por el “optimismo brasileño de la década de 1950”, y por la intelectualidad carioca, apasionada por el sueño de Brasilia, del Plan de Metas (1), de la Bossa Nova, y del Desarrollismo, cantado en verso y en prosa en los salones intelectuales de Río de Janeiro, liderados por la generación de Darcy Ribeiro, Mario Pedrosa y Aníbal Machado.
Al lado de los nacional-desarrollistas del ISEB (Instituto Superior de Estudios Brasileños) y de la generación de cientistas que comenzaba a reunirse en aquella época en torno de la SBPC (Sociedad Brasileña para el Progreso de la Ciencia).
En 1960 María da Conceiçâo Tavares se formó en Economía, en la Universidad Federal de Río de Janeiro, donde fue alumna y asistente de Otavio Gouveia de Bulhôes, al mismo tiempo que trabajaba con Inácio Rangel y con los economistas heterodoxos del Banco Nacional de Desarrollo Un poco después, ya en las oficinas de la CEPAL, en Río de Janeiro, Conceiçâo estableció relaciones personales e intelectuales definitivas con Celso Furtado, Anibal Pinto y Raúl Prebisch.
Y fue así, con un pié en la ortodoxia neoclásica, otro en la heterodoxia estructuralista y con una fuerte formación marxista y keynesiana, que María da Conceiçâo ingresó al debate económico latinoamericano, al publicar, en 1963, un artículo clásico sobre el “auge y la declinación del proceso de sustitución de importaciones”, donde ella explicaba, de forma pionera, los límites estructurales de la estrategia de industrialización que era preconizada – en aquél momento – por casi todos los economistas desarrollistas.
A partir de allí, en las décadas siguientes, Conceiçâo participó de casi todas las grandes polémicas económicas del Brasil y del Continente: ya en los años ´60, ella criticó la “tesis del estancamiento” de Celso Furtado, y de los “teóricos de la dependencia”; en los años ´70, denunció los límites financieros del modelo de crecimiento adoptado por el gobierno militar brasileño; en el inicio de los años ´80, participó intensamente de la discusión sobre el origen y la naturaleza e la crisis económica y de la hiper-inflación en el Brasil; y durante la década del ´90 escribió numerosos artículos y libros criticando las políticas y reformas neoliberales asociadas a la ideología de la globalización.
Finalmente, María da Conceiçâo escribió dos trabajos de largo aliento, sobre el “movimiento cíclico de la economía brasileña”, que se transformaron en sus tesis de doctorado, en 1974, en la UNICAMP, y de Libre Docencia, en la UFRJ de la FGV-RJ, de la CEPAL, de la Universidad de Chile, Universidad Nacional de México, y de la Universidad de Campinas, donde tuvo un papel decisivo, en la formación de su escuela de economía.
Después del golpe militar de 1964, María da Conceiçâo vivió en Chile, en México y en Francia, antes de regresar a Río de Janeiro, y ser encarcelada en 1974. En Chile, Conceiçâo participó del equipo económico del gobierno de Salvador Allende, y después, ya de vuelta en Río de Janeiro, militó en la lucha por la redemocratización brasileña dentro del PMBD, donde ayudó a formular su primer programa de gobierno, que se llamó “Cambio y Esperanza”, y fue escrito en 1982.
Una década después, María da Conceiçâo Tavares ingresó al Partido de los Trabajadores, y fue electa diputada federal por Río de Janeiro, en 1994. Hoy, mirando en perspectiva, se puede ver con claridad el papel decisivo que sus ideas tuvieron en la formación del “pensamiento económico de la UNICAMP”, que hoy es hegemónico dentro del Segundo Gobierno de Lula; y también, en la inflexión tardía y “desarrollista” del PT, partido que se formó en el inicio de los años ´80, sin ninguna concepción económica propia, y bajo la fuerte influencia de las ideas antiestatistas, antinacionalistas y antigetulistas de casi toda la intelectualidad paulista, liberal y marxista desde los años ´50.
Sumando y restando, María da Conceiçâo Tavares, en toda su vida fue sobretodo una profesora y una humanista que enseñó a varias generaciones – dentro y fuera de Brasil – a pensar en el mundo con pasión, pero con absoluto rigor analítico; con coraje, pero con total lucidez; con espíritu crítico pero con gran optimismo histórico; con rebeldía anárquica pero con un profundo sentido de compromiso con su pueblo y con las angustias de su tiempo. Además de esto, en todos los lugares donde estuvo, Conceiçâo fue siempre una mente provocadora e incapaz de acobardarse o de negar su propio pasado. Pocos profesores en el mundo, al llegar a los 80 años, podrán asistir – como ella – a una elección de la importancia como la que se realizará en Brasil en octubre, y saber que los dos principales candidatos a la presidencia de la República, fueron alumnos suyos, y se consideran, hasta hoy, sus discípulos.
Felicidades y gracias, María da Conceição.
NOTA: [1] Plan Quinquenal lanzado por Juscelino Kubitschek durante su gobierno 1956-1961.
José Luis Fiori, profesor de economía política en la Universidad Federal de Río de Janeiro, es miembro del Consejo Editorial de SINPERMISO.
Traducción para www.sinpermiso.info: Carlos Abel Suárez
fonte : SinPermiso e Carta Maior, 28 marzo 2010
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No diário espanhol El País procuras a palavra 'Honduras' e saem as 'Damas de Branco'

Nestes dias Cuba e Venezuela açambarcam as capas dos jornais.
Ninguém, repito ninguém, pode pretender que na Colômbia ou Honduras se respeitam mais os direitos humanos que em Cuba ou Venezuela. Os assassinatos de opositores, sindicalistas, jornalistas e defensores de direitos humanos são diários naqueles países. Dois Estados que estão no mesmo meio regional que Cuba ou Venezuela.
O El País é um diário espanhol (até agora) tido por progressista. Os seus responsáveis vendem a independência de suas informações. Para comprovar se são objectivos ou tendenciosos na sua informação internacional cabe fazer uma prova singela: a do buscador. Vamos comparar os títulos sobre os quatro países citados.
No domingo 28 de março de 2010, se formos à capa do diário El País e procurarmos “Cuba”, aparecem “1.438 resultados encontrados”, as três primeiras notícias são “Silvio Rodríguez reclama mudanças em Cuba”, “Silvio Rodríguez reclama mudanças em Cuba e uma “revisão de montes de coisas”, “Obama pede o fim da repressão em Cuba” .
Se procurarmos “Venezuela” aparecem “1.336 resultados”, e os primeiros titulares que encontramos são “Human Rights Watch critica as detenções na Venezuela”, “Detido na Venezuela o presidente de Globovisión por criticar o Governo” e “Convalescente OEA”.
O mais curioso ocorre se procurarmos informação relativa a “Honduras”, país em que há um regime produto de um golpe de Estado e onde diariamente se assassina opositores (e neste sábado assassinaram dois jornalistas). O El País oferece-nos a seguinte informação, dos escassos 833 resultados encontrados: “Convalescente OEA” , “Milhares de pessoas marcham em Miami pelas Damas de Branco” , “Que representa a reeleição de Insulza à frente da OEA?” e “Daniel Ortega tenta desmantelar a democracia”. Não é que não ofereçam notícias sobre os direitos humanos ou a democracia em Honduras, apesar da penosa situação desse país, como aproveitam novamente para nos impingir informação tendenciosa contra Cuba e Nicarágua.
Sobre “Colômbia” aparecem também menos resultados que sobre Cuba ou Venezuela: (1.306 resultados encontrados), oferecendo-nos como notícias mais relevantes sobre este país as seguintes: “Uma estrela da televisão latina nos EUA promociona o Caminho”, “Convalescente OEA”, “Os Legionários renegam de seu fundador”, “Ratzinger calou perante as denúncias contra o abusador de 200 meninos”, “Um carro bomba mata seis pessoas na Colômbia”, “O presidente pede ao Exército a captura do chefe das FARC”…
Temos que seguir procurando notícias sobre a Colômbia (entre as quais há numerosas de carácter negativo ou insidioso referidas à Venezuela) até o resultado 122 para encontrar uma informação referente às violações de direitos humanos por parte do exército ou os paramilitares colombianos. Estas notícias, ocultas já de por si, contam, ainda, com títulos dóceis e submisos com o Governo de Uribe.
Com certeza, não vale a pena (por previsível) repetir a experiência referida a outro governo genocidas como o israelita, ou outras monarquias vizinhas como a marroquina. Os resultados obtidos são do El País, mas com toda a probabilidade são “melhores” que quase todos seus competidores.
O ataque aos processos revolucionarlos de Cuba e Venezuela faz-se a nome da democracia e a liberdade. Magra defesa faz-se da liberdade quando os cidadãos não recebem informação veraz nem completa. Também não parece possível a liberdade sem justiça e na informação, como no resto de nossas actividades sociais, também se deve ser justo. A informação dos grandes meios de comunicação referida sobre Cuba ou Venezuela é essencialmente injusta, como temos comprovado.
Sobre a preocupação da democracia, o paradoxal é que não podemos encontrar uma instituição tão falta de democracia como os meios de comunicação privados. Como em todas as empresas no capitalismo, são autênticas ditaduras onde a linha editorial a marca exclusivamente o dono, sob pena de ficares sem trabalho.
Não devemos cair na armadilha, nem os militantes de esquerda nem aquelas pessoas que tenham um mínimo sentido de justiça. A nossa capacidade de denúncia e luta é o nosso capital, não a malgastemos seguindo ditados da direita.
Fonte original: CubadebateTradução para o portuquês : Diário Liberdade
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Mulheres-bomba matam pelo menos 35 em metrô de Moscou
Promotores russos afirmam que as explosões foram provocadas por duas mulheres-bomba.
A primeira explosão ocorreu na estação central de Lubyanka, embaixo da sede da principal agência de inteligência russa, a FSB, e matou pelo menos 21 pessoas e deixando dez pessoas feridas. Informações iniciais diziam que parte das vítimas estava em um dos trens, outra parte na plataforma.
Uma porta-voz do ministério de Emergências disse que 14 pessoas morreram em um dos trens e 11 na plataforma.
A segunda explosão ocorreu na estação de Park Kultury, também segundo a agência, às 8h38 (1h38, no horário de Brasília), matando 14 pessoas. Outras 12 pessoas teriam ficado feridas.
"A explosão atingiu o segundo vagão do trem que parou em Lubyanka, às 7h56 (0h56, no horário de Brasília)", disse a porta-voz Irina Andrianova, segundo a agência Tass.
"Não houve fogo. Equipes de resgate dos serviços russos de emergência e bombeiros estão trabalhando no local."
A sede do Serviço de Segurança Federal da Rússia fica acima da estação de metrô.
Segundo o correspondente da BBC em Moscou Rupert Wingfield-Hayes, as explosões parecem ter sido planejadas para causar o maior dano possível, em um momento em que muitas pessoas estão indo para o trabalho.
Este foi o pior atentado em Moscou desde 2004, quando uma explosão em um trem, atribuída a separatistas chechenos, matou 40 pessoas.
fonte : BBC Brasil
Veja também
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Haja fairplay
Roseana reforçou que a decisão não afetará a amaizade e o relacionamento que a família mantém com Lula
Na tentativa de acordo Roseana havia prometido secretarias, o lugar de vice em sua chapa e é bom lembrar que o PT faz parte do governo de Roseana atualmente.
Segundo o Deputado Federal Domingos Dutra que trabalhou contra a aliança com o PMBD "Essa é a primeira vez na história do partido que a gente não está disputando entre petistas, estamos disputando com grupo de fora, com toda chantagem, com uso da máquina. Não estamos numa disputa interna, mas contra Sarney. E nós vencemos."
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Toque de Arte
Marcelo Eloi, Marcio Costa, Marcelo China e Fernando Regis.
Confira mais sobre eles em http://www.toquedearte.com.br
E para quem quiser conferir ao vivo dias 02 e 03 de abril no Café Cultural Sacrilégio, Rua do Lavradio na Lapa, Rio de Janeiro
O vídeo abaixo é de 2008 mas dá para ter uma noção do que eles são capazes.
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Capital das calcinhas - Mouzar Benedito
Tem capital do rocambole, da tecelagem em tear manual, do cavalo mangalarga, da cachaça, do fumo de corda e de um monte de outras coisas.
Como será que uma cidade se especializa tanto na produção de uma coisa?
Seria preciso estudar cada caso pra saber. Mas vou contar um pouco da história da capital da lingerie de Minas Gerais. Isso mesmo: capital da lingerie.
Chama-se Juruaia, palavra que em tupi significa barra mansa. Fica no sudoeste do Estado.
Tudo começou com uma mulher nascida naquela cidade que morava em São Paulo. Depois de se aposentar, resolveu voltar para a terrinha. Lá, procurando o que fazer, montou uma pequena fábrica de lingerie. E deu certo, a fábrica cresceu e ela começou a ganhar dinheiro como nunca.
Desacostumada com tanta grana, começou a comprar coisas exageradamente. Comprou tanto que mesmo ganhando muito não tinha como pagar. Faliu.
Como pagamento de parte das dívidas trabalhistas, deu para as empregadas as máquinas da sua fábrica. E cada uma abriu sua fabriqueta. E cada fabriqueta cresceu, dando muito lucro às antigas empregadas, que passaram a ser empregadoras de muitas moças da cidade.
Aí aconteceu uma coisa interessante. Normalmente, como em outras cidades pequenas, só os rapazes tinham dinheiro, antes desse fenômeno acontecer. Quando as meninas ficavam a fim de tomar uma cerveja, por exemplo, precisavam esperar o convite de algum rapaz. Com o sucesso das fábricas de lingerie, a coisa mudou. As meninas é que tinham dinheiro e podiam esnobar os rapazes, estes sim, às vezes desempregados.
Bom... Os homens começaram a vencer seus preconceitos e procuraram emprego nessas fábricas. Assim, muitos barbados largaram a lavoura do café pra costurar calcinhas e sutiãs.
Hoje, Juruaia tem muitas lojas de lingerie e vende sua produção para muitas capitais brasileiras e para o exterior. E praticamente não tem desempregados.
Cada vez mais, tem homens costurando calcinhas e sutiãs, ao lado das mulheres. E a cidade vai muito bem, obrigado.
fonte: ViaPolítica
O autor
Mais sobre Mouzar Benedito
De Mouzar Benedito, leia o recém lançado romance folhetinesco João do Rio, 45 (Ed. Limiar, 2009) sobre o dia-a-dia de uma casa típica da boêmia Vila Madalena, em São Paulo, nos anos 70.
E conheça Valadares, um jornalista de esquerda, grande bebedor de cachaça e militante por vocação, um contador de histórias que acontecem entre quatro paredes que têm ouvidos.
Site: www.editoralimiar.com.br
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Três homens de esquerda - Fernando Evangelista
O problema é que a dúvida durou pouco e ficou mais ou menos assim: exceto alguns inexpressivos grupos partidários, é de esquerda quem apóia o governo Lula, é de direita quem o critica. O curioso é que o próprio presidente disse, em mais de uma ocasião, que não é e nunca foi de esquerda. Porém, algumas coisas devem ser ignoradas porque senão tudo perde o sentido.
Vive-se um Fla-Flu político pouco polido e muito raivoso, e quanto mais próximas as eleições, maiores os decibéis da gritaria entre simpatizantes e críticos do governo. Por isso, de maneira simples e objetiva, destaco algumas posturas que, na minha visão, seriam os pressupostos formadores do homem ou da mulher de esquerda.
Escolhas
Ser de esquerda é não aceitar as injustiças, sejam elas quais forem, como um fato natural. É não calar diante da violação dos Direitos Humanos, em qualquer país e em qualquer momento. É questionar determinadas leis – porque a Justiça, muitas vezes, não anda de mãos dadas com o Direito; e entre um e outro, o homem de esquerda escolhe a justiça.
É ser guiado por uma permanente capacidade de se estarrecer e, com ela e por causa dela, não se acomodar, não se vender, não se deixar manipular ou seduzir pelo poder. É escolher o caminho mais justo, mesmo que seja cansativo demais, arriscado demais, distante demais. O homem de esquerda acredita que a vida pode e deve ser melhor e é isso, no fundo, que o move. Porque o homem de esquerda sabe que não é culpa do destino ou da vontade divina que um bilhão de pessoas, segundo dados da ONU, passe fome no mundo.
É caminhar junto aos marginalizados; é repartir aquilo que se tem e até mesmo aquilo que falta, sem sacrifício e sem estardalhaço. À direita, cabe a tarefa de dar o que sobra, em forma de esmola e de assistencialismo, com barulho e holofotes. Ser de esquerda é reconhecer no outro sua própria humanidade, principalmente quando o outro for completamente diferente. Os homens e mulheres de esquerda sabem que o destino de uma pessoa não deveria ser determinado por causa da raça, do gênero ou da religião.
Ser de esquerda é não se deixar seduzir pelo consumismo; é entender, como ensinou Milton Santos, que a felicidade está ancorada nos bens infinitos. É mergulhar, com alegria e inteireza, na luta por um mundo melhor e neste mergulho não se deixar contaminar pela arrogância, pelo rancor ou pela vaidade. É manter a coerência entre a palavra e a ação. É alimentar as dúvidas, para não cair no poço escuro das respostas fáceis, das certezas cômodas e caducas. Porém, o homem de esquerda não faz da dúvida o álibi para a indiferença. Ele nunca é indiferente. Ser de esquerda é saber que este “mundo melhor e possível” não se fará de punhos cerrados nem com gritos de guerra, mas será construído no dia-a-dia, nas pequenas e grandes obras e que, muitas vezes, é preciso comprar batalhas longas e desgastantes. Ser de esquerda é, na batalha, não usar os métodos do inimigo.
Vida Real
Eu conheço três homens de esquerda. Nenhum deles participa de partidos políticos ou utiliza palanques para proclamar suas próprias virtudes. Não são super-heróis ou pessoas infalíveis, são pessoas de carne e osso, com qualidades e contradições. São homens de esquerda, sem nunca, talvez, terem pensado nisso. Os três são de Santa Catarina.
O primeiro e mais novo é Vilson Groh, 55 anos, padre que vive e trabalha há 30 anos no Mont Serrat, comunidade da periferia de Florianópolis. Entre dezenas trabalhos que coordena, está o Aroeira, onde cinco mil jovens, todos pobres, quase todos negros, recebem formação profissional, com bolsas, para entrar no mercado de trabalho. Foi através de outro projeto, o Pré-Vestibular da Cidadania, que 400 jovens daquela comunidade se formaram nas universidades públicas de Santa Catarina e outros tantos seguem o mesmo caminho.
O segundo chama-se Aldo Brito, 77 anos, farmacêutico, que dedica a sua vida à luta pela inclusão dos portadores de necessidades especiais. Quando foi presidente da APAE, idealizou a Feira da Esperança, maior evento filantrópico de Santa Catarina. Há 11 anos, criou a COEPAD (www.coepad.hpg.ig.com.br), a primeira cooperativa no Brasil tocada por portadores de deficiência intelectual.
O terceiro é Francisco Xavier Medeiros Vieira, 78 anos, que escolheu a magistratura porque entendia ser o caminho mais eficaz para lutar por justiça. Entre seus projetos, está a construção de 50 casas da cidadania, para agilizar e humanizar o Poder Judiciário. Foi ele quem implementou e coordenou a primeira eleição computadorizada na América Latina e foi ele, quando presidente do Tribunal de Justiça, quem nomeou o primeiro juiz agrário do Brasil, para evitar conflitos no campo. O homem de esquerda sabe que não é justo, por isso inaceitável, que menos de 1% dos proprietários rurais detenham 46% de todas as terras agricultáveis do país.
Os três são movidos pela integridade de caráter, pela generosidade de espírito e por uma bondade risonha. E é com pessoas assim, como escreveu o poeta e revolucionário cubano José Martí, “que vão milhares de homens, vai um povo inteiro, vai a dignidade humana”. Então, para quem diz que a esquerda na essência não existe ou perde tempo com argumentos teóricos vazios de sentido, para quem ainda não entendeu o embuste da briga entre tucanos e petistas, aí está o exemplo destes três homens. Três homens de esquerda.
Fernando Evangelista é jornalista
fonte : Caros Amigos
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Literatura Indígena
El director James Cameron recibió la semana pasada dos Globos de Oro por Avatar y reveló una de las ideas centrales de la película. “Avatar nos hace darnos cuenta de que todo está conectado”, dijo en su discurso de aceptación. “Todos los seres humanos estamos conectados los unos a los otros y todos lo estamos a la tierra”.
Fuentes internas a Survival expresaron: “Así como los na’vi describen la selva de Pandora como ‘su todo’, para la mayoría de los pueblos indígenas vida y tierra siempre han estado íntimamente conectadas. La historia fundamental de Avatar, si no tienes en cuenta los lemures multicolores, los caballos de largos troncos y los androides guerreros, se da una y otra vez, en nuestro planeta. Como los na’vi de Avatar, los últimos pueblos indígenas del mundo, desde el Amazonas a Siberia, también están en peligro de extinción, ya que sus tierras son expropiadas por poderosas fuerzas en busca del beneficio económico, como la colonización, la industria maderera y la minería. Una de las mejores formas de proteger la herencia natural de nuestro planeta es sorprendentemente sencilla: se trata de asegurar los derechos territoriales de los pueblos indígenas”.
"Em nosso mundo moderno de hoje, parece que os homens se afogam por causa da perda de grande parte da nossa tradição espiritual". - Thomas Solha, Crow
Nossa tradição espiritual nos mostra o caminho para viver em harmonia, equilíbrio e respeito. A tradição nos ensinou como se comportar e como nos comportamos. O caminho espiritual nos ensinou a orar e á nos purificar. Transmitida de geração em geração, foram os ensinamentos sobre um modo de vida. Nossa relação com a Mãe Terra e uns aos outros foi muito claro. O mundo moderno não diz respeito a espiritualidade, mas ao materialismo. Se nós não permitimos que a espiritualidade guie nossas vidas, estaremos perdidos, infelizes e sem sentido. Nós somos seres espirituais tentando ser humanos e não seres humanos tentando ser espirituais. Diz-se,conhece a ti mesmo.
"Sempre lembro que o grande mistério é bom, o mal só pode vir de nós mesmos!" A avó de Charles Eastman. Santee Sioux
O grande mistério é o amor, bom, e princípio. Ele é um Pai guiando. Ele não joga. Ele só sabe amar. Às vezes, quando as coisas vão mal, culpamos ele ou outros. Geralmente, se formos honestos, podemos ver como as decisões ou coisas feitas no passado nos coloca em posição de ser ferido. Ele vem de volta para nós. Quando isso acontece, não é algo que o Criador fez, mas algo que nós mesmos causamos. A maioria dos nossos problemas são de nossa própria fabricação. Quando isto acontece, devemos corrigir o que fizemos, pedir ao Grande Espírito o perdão, e rezar para orientação no futuro.
Artes Xamânicas
http://artesxamanicas.blogspot.com
fonte : Literatura Indígena
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28 março 2010
O PT vai as urnas no Rio (Atualização das 20:00 h)
Lindberg Farias vence as prévias do PT do Rio para candidato a Senado.
Postagem original
O PT do Rio realiza hoje (28/03) suas prévias para escolha do candidato ao Senado nas eleições de outubro. Na disputa Lindeberg Farias e Benedita da Silva e independente de quem será o vencedor, a questão não se encerra.
Bené e Lindeberg, bateram pé e enfrentaram a direção regional do partido para a relização das prévias, ele com a justificativa de que abriu mão da candidatura ao governo do estado em benefício da aliança montada com o PMDB e ela com base em toda sua história e trajetória dentro do partido.
Para o PT o melhor seria se contentar com a indicação do vice na chapa do governador Cabral e deixar a disputa da vaga ao Senado um pouco mais tranquila para o Bispo, que é declaradamente o preferido do Planalto.
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PT do Maranhão diz não à Roseana Sarney
Já o jornal da família Sarney preferiu não atualizar a notícia na sua edição online de hoje. Diz o texto "Até o fechamento desta edição, delegados discutiam teses de coligação com o PMDB ou PCdoB no pleito deste ano, durante encontro estadual da legenda.", porém ontem por volta da 19:30 a questão já havia sido definida.
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ONU: cidades precisam reconhecer indígenas como habitantes e respeitar seus costumes
Uma das conclusões do painel do Fórum Urbano Mundial é que os indígenas deveriam ter garantidos os direitos à moradia na cidade e à escolha do tipo de casa em que querem morar. O fórum reúne, até sexta-feira (26) especialistas, representantes de povos indígenas e de governos de todos os continentes para discutir a presença de índios nas cidades no mundo.
Segundo o presidente da Funai, Márcio augusto Meira, seria importante que no Brasil órgãos como o Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal tenham um olhar “diferenciado” sobre a questão dos indígenas nas cidades.
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Prefeitura do Rio retoma obras na Cidade da Música
O valor liberado pela prefeitura é de R$ 50 milhões e será destinado a reparos na contrução original.
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Um cinema na pocilga - Luiz Rosemberg Filho e Sindoval Aguiar
Tudo no sistema em que vivemos é uma grossa representação da mentira. Da religião à TV, espetaculariza-se com a ordem no nosso capitalismo de almanaque. Mas que tipo de ordem? Servindo a quem? E como é possível ordem sem contradição? E o desmoronamento do Império é o quê? Como é possível uma opinião pública sem opinião? Como justificar as torturas e assassinatos pelo mundo afora? E as guerras?
Sabemos todos que o Império fabrica inimigos favorecendo as fábricas de armamento. Gasta-se e ganha-se muito com as guerras modernas. Achamos degradante ver os políticos nada dizendo, todos os dias na TV. São idiotas sem princípio algum falando sempre em nome do povo. Usam o povo, mas não são o povo. Nos atuais sistemas políticos existentes, torna-se essencial enganar o povo. Um povo educado e bem formado não votaria jamais em tantos e tantos canalhas.
Ora, que Democracia é essa toda paramilitarizada? Democracia onde se é obrigado a votar? Produz-se injustiças e dá-se o nefasto Roberto Carlos cantando com o mano Caetano como presente de Papai Noel na trampeira emissora de TV, do Azulão. Mas, é preciso proteger o atual sistema de comunicação. A Era é a da malandragem! A propaganda vende o bem-estar das elites. Vídeos e celulares sobre nada! Crianças, atentem para o norte-americanismo gritante na nossa porca comunicação de massas. O termo pode parecer meio velho, mas é real. Harmoniza sucesso com capital. O que importa são os negócios! Seja lá com aviões, computadores, bombas ou internet! Rechaçado o saber, torna-se mais fácil dar-se substancialidade ao cirquinho televisivo que imita Roliude. Onde o fundamental da idéia é não ter idéia alguma. A globalização envangelizará os ordeiros de Deus! Um novo Deus e o Diabo collorido, na terra da mãe Joana.
E tome de carolas, religiosos e vigaristas! E vem aí Lula II e o Bem Amado no cinema! Isso não é uma metáfora do nosso horror tropical, mas um bom negócio da China. Não é para isso que os sistemas são mantidos? É onde atuam empresas, financistas e advogados no “relaxa e goza” da ex-blond ministerial. Mas Wall Street não poderia ser aqui? O capitalismo anda mal das pernas, mas muitos são os exemplos de sucesso. Ora, como tendo feito uma economia pautada no petróleo, não defender a poluente indústria automobilística? É o tal do negócio da China, num país de cegos.
Tudo e todos nos lembram as tragicômicas situações Brechtianas de Porcaria, de Píer Paolo Pasolini. Os personagens cheiram a m.... Pasolini os recoloca no tra-la-lá de um poder sobre excrementos, exploração e fome. Ontem felizes no nazi-fascismo europeu. Hoje ainda sorrindo com a eficiência dos negócios, sobre o que se pode saber. Sobre a doce relação entre porcos e humanos. Quem sabe um Oscar no inferno?
A tal da nova crise é para os velhos, artistas, desempregados e pobres. Vão voltar a comer calango aqui e ratos por lá. Mas, dentro dos muitos negócios da China, um novo plano de saúde para os ricos e bem-dotados. Quem não puder pagar que se mude para outro planeta! Pensa-se sempre na grana e não no lado humano da vida. E chega também de concessões aos movimentos sociais! Pobre quer é “entrar” na Casa Grande e dormir com as roupas da madame. E porque não transferi-los para Plutão? Na new brochura do Picolé das Alagoas, o Zé das Batatas se deu bem em Plutão. Foi com a turma do Pica-Pau e o Popeye que ficaram por lá. Picolé já foi celebridade no Programa do Amaury Jr, e saiu no Wall Street Journal com o Tom Cruise pelado, ao lado do Furico de BH, amigo do Ricardo e do Fabio Carvalho.
Pasolini nunca foi pouca coisa, nem nunca passou na Globo. Roberto Carlos e o mano Caetano excitam mais o marketing dos investimentos. É a tal da ciência da “nota”. Matar com gás já era, assim como torturar os dissidentes da marmelada oficial. Oswald de Andrade e Pasolini rejeitariam a proposta de paz com a alienação da comunicação. Porcaria, que revimos agora baixado da Internet, é uma espécie de bomba-relógio no trá-lá-lá empresarial. Em várias passagens, complexas estruturas do saber de Brecht à Lukács se evidenciam. É de fundamental importância notar a semelhança dos humanos com seus porcos negócios da China. E nada pode ser dito pois o genial personagem de Nino Manfredi pede silêncio aos camponeses para que os negócios e a festa continuem. Enfim a banalidade tornou-se status acima do bem e do mal.
Ora a vida é uma percepção dialética e Pasolini a teve como poucos. Tornou-se um mito, um símbolo da linguagem, da semiologia. Ou melhor, uma oralidade. Inseparável da tragédia humana. Como vivemos encobertos, Pasolini quando aflora, choca pela desconstrução no sentido Brechtiano. Enquanto nós, seres construídos, nada queremos de mudanças, compreensão para uma sólida construção teórica e prática. Este é o filme Pocilga, que se tornou mais um tratado contra qualquer doutrina, principalmente as econômicas e culturais, tornadas ciência, tecnologia; uma negação epistemológica e propedêutica para qualquer possibilidade de um projeto menos bárbaro e mais humano.
E Pasolini, neste filme, como em quase todos que realizou, antes de sua desconstrução: aquele bárbaro linchamento depois de Saló, em Pocilga, contrapõe barbárie e civilização em relações familiares, econômicas, artísticas, políticas e tudo mais. Define e analisa o domínio dos meios de produção e o de suas relações com várias épocas. Uma espécie de história da família, da sociedade, do Estado e da propriedade privada.
Pasolini é um artífice, um arquiteto em todas as dimensões. E somente uma percepção artística independente pode considerá-lo como um ser vítima da própria liberdade. Toda sua obra expressa esta sua natureza, a de uma individualidade da grandeza, da expressividade e da liberdade. Assentada na família, Pocilga disseca o grau e os níveis de parentesco entre a sociedade que formamos e legitimamos e o estágio a que chegamos, o da barbárie. E onde todos, sem exceção, estamos comprometidos nesta pocilga social, que ele descreve e analisa, sem imaginar.
As projeções de alguém à margem e à beira da destruição, o jovem casal, incapaz de atingir um instante de romantismo, já adoecido pelo próprio sistema a que são obrigados a pertencer. O jovem, filho de um degenerado italiano. E ela, filha de outro, um alemão representado por um grande cômico também italiano. Em uma das mais belas alegorias do cinema, Pocilga tenta criticamente uma aproximação, como no genial teatro de Brecht. A realidade dos personagens e a dialética de Pasolini, porém, não permitem. Infelizmente, a vida para todos nós, tornou-se uma impossibilidade quando implica algum projeto humano e menos comprometido com a ordem, este princípio irredutível, contra uma outra ordem que o desconstrói. Situação que Pocilga explicita poética, política, econômica e culturalmente com a exuberância, talento e erudição de Pier Paolo.
Nestes tempos de ódio à cultura, o fim de Pasolini não poderia ter sido outro! Precocemente no túmulo, onde não se cala! Nada como a linguagem direta, biológica, uma oralidade brechtiana de entendimentos. No filme, Pasolini fala tanto a linguagem dos porcos na sociedade da pocilga, quanto a linguagem da elite na sociedade dos porcos. Esta sociedade a que fomos jogados como porcos e sem a distinção do alimento. Porque toda dimensão é dosada nos laboratórios e na projeção midiática dos controles dos meios de produção e de domínios políticos, econômicos e culturais. Corporações, bancos e mídia, a sociedade do espetáculo! O que se tornou muito fácil porque o nosso fascínio foi sempre o dinheiro, o poder e o fetiche, como espetáculo que tudo encobre e vela. O que se tornou este poder público, distinto dos cidadãos, e que estrutura o sistema de base econômica, como o nosso.
Pocilga torna-se exemplar pela riqueza fabular, histórica e dialética, crítica e analítica. Uma questão para o saber de Pier Paolo. E não para o nosso! A pocilga sendo a origem de todos os males e de toda a violência da barbárie que nos ameaça. Seja qual o povo ou estágio econômico, político e cultural em que se encontre. Se deus é único, o poder do sistema, também! E sem o mito, cresce o sentido mágico da percepção e da oralidade de Pasolini, onde a vida é um estágio de produção e reprodução, etapas imediatas que não interrompemos pelas contradições e as barbáries que as encobrem! Como as de nossa política e as de nosso próprio cinema.
Nós, que deixamos a burguesia agro-mercantil em decadência, para o projeto individualista da industrialização, partimos de um princípio de capital aparentemente nacional para uma total transnacionalização de nossas vidas econômicas, políticas e culturais: a nossa desfiguração como país ou de alguma autonomia e definição. O que o filme Pocilga soube definir como poucos, remetendo-nos a uma lembrança honrosa de Godard, que continua sendo assassinado todos os dias, renascendo, porém, em cada oralidade de seus filmes desconhecidos. Filmes que definem contradições e crises e de como são geradas administradas. Crises que somente beneficiam aqueles que as criam, outra vez como no “nosso” cinema – de Daniel Filho, Globo, Roliude e outros da mesma pocilga.
Como se vê, nosso cinema (e a nossa desagregação) foi quase sempre interno e associado internacionalmente. Como naquela etapa em que deixamos uma burguesia nacional para uma oligarquia internacional, com o campo virando agronegócio e com o cinema virando TV-roliudiana. Assim vamos capengando de hegemonia em hegemonia anti-gramsciana para uma hegemonia das crises! Esta que o cinema tem servido como na reprodução de imagens e do processo de reprodução do capital e de domínios. Com os fascismos e outras formas de violência cultural: a da exclusão e da pena de morte como espetáculo a que já nos acostumamos e legitimamos. Onde só os mortos falam
fonte: ViaPolítica
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