31 julho 2010

Memorial Virtual Frei Tito

Na internet está disponível um banco de dados sobre o ativista político Frei Tito, cearense que foi perseguido e torturado pelo regime militar.

O Memorial Virtual Frei Tito disponibiliza documentos, fotos, testemunhos, textos e informações diversas sobre a vida do frade dominicano que colaborou com a luta armada no combate ao regime opressor.

O memorial é uma iniciativa da ADITAL, agência de informações que divulga a agenda social do continente latino-americano.

Confira: http://www.adital.com.br

fonte : NPC 

… leia na íntegra e comente


30 julho 2010

Venezuela e Colômbia: Conflito versus Integração


Por Beto Almeida*

Terminou sem solução a reunião da Unasul, com a participação de chanceleres, destinada a debater o conflito instalado entre Venezuela e Colômbia. Uma proposta apresentada pelo Brasil com um conjunto medidas para a normalização das relações biletqarais foi rejeitada pela Colômbia no último instante. Em razão disto, decidiu-se pela convocação de nova reunião com a presença dos presidentes. A dificuldade para um consenso talvez esteja de fato expressando o antagonismo de projetos e de expectativas  entre os países citados sobre qual destino histórico almejam para a América do Sul, especialmente sobre os passos já dados para a integração do continente, sendo a própria constituição da Unasul uma prova de que algo caminha, aos trancos e barrancos, apesar dos esforços do neocolonialismo para sabotar a idéia da cooperação sul-americana.

Notoriamente, localizam-se na Colômbia os maiores obstáculos para o desenvolvimento das políticas de integração. Ainda que muitas das iniciativas energéticas, econômicas de cooperação incluam a pátria de Gabriel Garcia Marquez no projeto, apesar da canina obediência de seu governo à ideologia que preservaria, na América do Sul, os “interesses vitais” dos Estados Unidos. Em outras palavras, um confronto de vida e morte está instalado no coração na Colômbia, produzindo uma situação socialmente catastrófica para a maioria de sua população e sendo parte dos fatores que ajudariam a explicar as acusações grosseiras feita pelo governo Uribe à Venezuela. Maior presença militar estadunidense na Colômbia só podera agravar tal situação e ameçar, concretamente, o curso da integração continental, que pressupõe soberania e autonomia em relação aos EUA.

Vale lembrar, primeiramente, que Álvaro Uribe, que deixa o cargo em 7 de agosto próximo, tentou durante seus dois mandatos manter uma estratégica política de conflito permanente e regulado com a Venezuela e também com o Equador. Mas, por que somente a apenas 15 dias do fim de seu mandato lançaria um ataque midiático de tal porte contra o governo Chávez?  Já encontramos aí um sinal de sua própria debilidade, já que contra  o Equador, em março de 2008, suas forças militares primeiro atacaram e só depois apresentaram o que chamaram "provas" de uso de território equatoriano por guerrilheiros das Farc, até hoje sem uma comprovação cabal que as retire da sombra da manipulação e da falsificação. Já as “provas” apresentadas recentemente contra a Venezuela em tudo e por tudo guardam semelhança com as chamadas “armas de destruição em massa de Sadam Husseim”, esgrimidas com estardalhaço midiático mundialmente para justificar a sangrenta invasão e as encomendas da indústria bélica, até hoje banhadas em lucro estupendo.

Outro sinal das dificuldades do uribismo para cumprir sua função de ser tocador dos tambores de guerra sul-americana, impedindo qualquer projeto de integração ou até mesmo uma simples nornalização de relações políticas, que também podem levar a planos de cooperação já que a Colômbia também foi afetada pela crise mundial do capitalismo, é a derrota do presidente em duas ações centrais: primeiro, não conseguiu apoio para um terceiro mandato; segundo, também não conseguiu que a Suprema Corte anistiasse seus correligionários mais próximos, inclusive alguns familiares, das robustas acusações de vínculo com o paramilitarismo colombiano e, também, como desdobramento, com o narcotráfico que ,retóricamente,  anuncia combater.

Discensões no uribismo?

Embora Santos, o presidente eleito, tenha sido seu minitro da defesa, suas primeiras declarações após a vitória eleitoral,  cuja abstenção atingiu quase 60 por cento do eleitorado , chamaram a atenção por indicar interesse em normalizar as relações com os governos chamados bolivarianos, ou seja, com a Venezuela e o Equador. Além deste sinal, há poucos dias houve a troca de toda cúpula militar colombiana, e já após o ataque circense-midiático feito pelo embaixador colombiano  na OEA contra a pátria de Bolívar. Sem contar, que já foram nomeados pelo menos três ministros que são claros desafetos de Uribe, entre eles o novo chanceler.

Tais fatos não devem ser menosprezados e podem estar revelando as dificuldades do uribismo para tentar manter intacta a mesma linha política no governo que se inicia. Se por um lado a oligarquia, especialmente a cafeeira, pode contentar-se com a posição subalterna ante os planos estadunidenses de transformar a Colômbia simplesmente num novo Israel, por outro,  para a burguesia industrial colombiana, a Venezuela é um excelente mercado para seus produtos, sobretudo automóveis, têxteis, calçados, laticíneos. Portanto, não dispondo de espaços no mercado dos EUA e outros, sabe que a normalização das relações com a Venezuela lhe assegura acesso a um mercado consumidor em  fortalecimento, já que o salário mínimo venezuelano é hoje o mais elevado de toda a América Latina.

São contradições desta natureza que fazem com que esteja em construção um gasotudo ligando Colômbia e Venezuela, ou seja, um plano concreto de integração energética e econômica, apesar de no plano político os dois países estarem sempre em posição de embate. Cabe assinalar, também, a presença de pelo menos 4 milhões de colombianos vivendo hoje na Venezuela, onde recebem documentação, cidadania, tratamento médico e dentário gratuitos, com especialistas cubanos, educação gratuita e uma razoável segurança para trabalhar, o que haviam perdido nas áreas de conflito entre as Farc, o exército e os paramilitares em sua terra colombiana Não teriam direito a nada disso caso  - numa hipótese remotíssima  -  emigrassem par os EUA, onde, se entrassem, seriam tratados como sub-cidadãos. O próprio povo estadunidense não dispõe, ainda hoje, em sua maioria, de uma saúde e previdência públicas...

Uribe versus Lula

Por fim, o protesto de Uribe contra as declarações de Lula não poderiam ser mais ridículo. Lula, deixando claro de que lado está,  aposta na integração sul-americana, sua política externa e os investimentos estatais e privados brasileiros o indicam concretamente. Mas, para que esta integração avance é necessária a consolidação das iniciativas de cooperação. Elas estão em curso, muito embora o uribismo que grassa, inclusive, na própria mídia comercial brasileira diga tratar-se apenas de “retórica itamarateca”. A cooperação energética entre Brasil, Argentina e Bolívia, para dar apenas um exemplo, já permitiu que uma importante crise no abastecimento de gás do país de Gardel fosse contornada com sucesso por meio do redirecionamento transitório para lá do gás boliviano que viria para o Brasil. Cooperação, planejamento e integração.

Porém, iniciativas desta natureza defrontam-se com obstáculos para serem implementadas, entre eles o governo da Colômbia, muito embora sua população, pelos indicadores sócio-econômicos negativos que ostenta, também delas necessitem. A instalação de sete bases militares estadunidenses pode fortalecer enormemente os sinistros planos da oligarquia colombiana, mas não expandem a indústria, o mercado, portanto, não geram emprego, nem fortalecem as políticas públicas de saúde, educação e democratização cultural, como as que foram instaladas na Venezuela mas também no Equador, no Uruguai, Bolívia, Argentina e Brasil.

Ao credenciar-se compor o tabuleiro mundial do xadrez estadunidense como um peão belicista tal como Israel, Coréia do Sul e o Paquistão, a Colômbia caminha na contra-mão do processo de integração da América do Sul. Mas, deve considerar que a própria Turquia, que adotava posições também recalcitrantes,  foi obrigada pelo curso do processo a dar uma virada radical em sua política externa em relação ao Irã, a Israel, à Palestina e também em relação à Rússia e OTAN, Veremos até onde a Colômbia poderá caminhar nesta rota de contramão, um verdadeiro beco sem saída, que desemboca inevitavelmente na guerra. E no seu próprio isolamento. Enquanto isto, Raul Castro já declarou que Cuba, que foi à África de armas nas mãos para derrotar o regime do aparthei e defender Angola, estará, obviamente, ao lado da Venezuela. O caminho está na integração e na cooperação sul-americanas.

*Beto Almeida é Diretor da Telesur no Brasil

O original encontra-se no site da revista Caros Amigos

Leia também: A intempestiva lógica de Uribe. Por Gilberto Maringoni

… leia na íntegra e comente


Como serão as eleições

por Chico Alencar Deputado Federal PSOL 5050 

Voto é coisa séria! No passado, defensores de democracia dedicaram suor e sangue para que, hoje, pudéssemos votar. 



Claro que lutamos, nesse país, por uma democracia muito mais sólida do que apenas a eleitoral. Mas fazer bom uso do voto deve ser preocupação de cada cidadão. 

Se você ainda não se situou sobre o que vai acontecer nas urnas, leia esse e repasse para os amigos.

Como serão as eleições

Se você que ainda não se situou muito bem sobre o que vai acontecer nas urnas, aí vão algumas informações básicas:

1 - Você irá votar, pela ordem, para Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador (duas vezes!), Governador e Presidente. A maioria deles, se eleita, terá mandato de quatro anos – exceto o senador, com oito anos.

2 - É natural que as atenções se voltem para as eleições presidenciais. Ao todo, nove candidatos concorrem a este cargo, que decidirá os rumos da maior parte do orçamento da União. O que se espera numa eleição presidencial é a discussão do futuro do país e dos diferentes projetos de nação. Um risco será se só as caracaterísticas individuais de cada um for debatida. Perde a democracia, ganham os marqueteiros.

3 – Um mandato presidencial ou de governador é sustentado pela pressão popular e pela composição do Legislativo, que em geral é formado por uma maioria de deputados/as com um perfil conservador e fisiológico. E são esses mesmos(as) que impedem a votação de projetos importantes no Congresso: PEC do trabalho escravo, União civil, 40 horas de trabalho, auditoria da dívida, etc..

4 - Você não vota num deputado(a). Você vota em um candidato(a) que será eleito com o voto de uma coligação. Ou seja, caso você votar em alguém por ser amigo do sobrinho do primo do seu pai, pode acabar elegendo algum ficha suja. Além de ver a ficha dos candidatos, veja a ficha dos partidos e suas coligações. Para saber qual partido está coligado em cada cargo visite o site do TSE, em http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/
Mas não se assuste, você verá a geléia geral da política brasileira.

5 – Certifique-se de que você está com seu Título de Eleitor, e com um documento de identificação. Nessas eleições, NÃO SERÁ mais possível votar apenas com a Carteira de Identidade.

Não passe constrangimento com quem você elege nas eleições. Pense bem antes de votar! E passe para frente essa corrente cidadã! Nos encontramos nas urnas!

… leia na íntegra e comente


Nas montanhas da Colômbia:pela paz democrática com justiça social

Por Ivan Pinheiro*

Nos últimos anos, venho cumprindo tarefa partidária no sentido de restabelecer e estreitar as relações do PCB com organizações e partidos revolucionários, com destaque para a América Latina. Este trabalho político tem como objetivo principal o reforço do internacionalismo proletário, na luta anti-imperialista e pelo socialismo.

A América Latina é palco de uma intensa luta de classes, antagonizando forças populares dispostas a aprofundar mudanças sociais e as oligarquias associadas ao imperialismo, sobretudo o norte-americano.

Ao XIV Congresso Nacional do PCB, realizado em outubro do ano passado, compareceu a grande maioria dos Partidos Comunistas da região. Além de viagens recentes de camaradas da direção do PCB e da UJC (União da Juventude Comunista) a Argentina, Chile e Uruguai e outros países, pessoalmente estive na Bolívia, Cuba, Colômbia, Equador, Honduras, Paraguai, Peru e Venezuela. Nestas viagens, tive contatos com camaradas de Costa Rica, El Salvador, Haiti, Nicarágua, Panamá, Porto Rico e República Dominicana.

Numa dessas viagens, fui convidado a conhecer presencialmente a mais antiga e importante organização insurgente do continente: as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP), que há 46 anos luta nas montanhas pela libertação nacional e pelo socialismo na Colômbia. A organização foi criada em função de uma necessidade objetiva de os camponeses colombianos defenderem seus pedaços de terra, suas casas e suas famílias da violência do Estado e de milícias a serviço do latifúndio.


Tive que tomar solitariamente a decisão de aceitar o convite e viajar no dia seguinte para as montanhas andinas, já que era o único membro do PCB naquela viagem e, por razões óbvias, não poderia consultar meus camaradas da direção do Partido no Brasil. Portanto, resolvi passar alguns dias num acampamento das FARC na Colômbia por iniciativa própria, sob minha exclusiva responsabilidade, e não por decisão partidária. Mas estava convicto de que minha atitude era compatível com a linha política do Partido.

Valeram a pena as duras viagens, de ida e volta, por regiões e países dos quais não me recordo, até porque toda aquela região é habitada pelo mesmo povo, dividido artificialmente em vários países, pelos interesses do capital. Passei por belas paisagens, conheci uma fauna e uma flora exuberantes, alternando meios de transporte os mais variados, como automóveis, canoas e mulas, além de saudáveis mas cansativas caminhadas.

Ficarão para sempre em minha memória os diálogos que mantive com os jovens guerrilheiros e guerrilheiras que conheci e as fotografias que não pude tirar do trabalho dos camponeses, das creches, escolas e postos de saúde criados e mantidos pelo “Estado” guerrilheiro em seu território, do cotidiano do acampamento.

Foram momentos que me marcaram, reforçando valores como a disciplina partidária, o trabalho coletivo, a camaradagem. O aprendizado nas reuniões diárias do coletivo, ao anoitecer, para repercutir documentos políticos e notícias atualizadas, da Colômbia e do mundo todo, ouvidas nos rádios que fazem parte do enxoval dos militantes. As bibliotecas volantes, onde não faltam clássicos do marxismo e da literatura.

Impossível esquecer a entrevista que fiz em “portunhol” para todo o contingente guerrilheiro, através da Rádio Rebelde.


Como não guardar com carinho o único objeto físico que pude trazer da viagem, um caracol que ganhei do jovem guerrilheiro que me serviu de guia e apoio durante a estadia, no dia em que nos despedimos sem que pudéssemos conter as lágrimas que misturavam sentimentos de fraternidade e paternidade.

Muito mais do que a curiosidade, o espírito de aventura e a simpatia pelas FARC, falou mais alto em minha decisão o dever revolucionário de contribuir, de alguma forma, para os esforços para uma solução política da complexa questão colombiana. Muito antes da viagem e da instalação de mais sete bases militares norte-americanas na Colômbia, eu já tinha consciência de que esse país vinha se transformando numa cabeça de ponte do imperialismo na América Latina, onde cumpre o papel que Israel exerce no Oriente Médio.

Num artigo que publiquei há alguns anos (“Impedir a guerra imperialista na América Latina”), já dizia textualmente:

”... para dar solidariedade aos povos venezuelano, boliviano, equatoriano; para lutar para que possam avançar as mudanças e a luta de classes na América Latina, mesmo em processos mais mediados e contraditórios; para evitar que haja guerra e retrocesso em nosso continente; para tudo isso, há um pré-requisito: derrotar o verdadeiro eixo do mal, os braços do imperialismo norte-americano em nosso continente: o governo fascista e o Estado terrorista da Colômbia!”

Já tinha claro, quando resolvi aceitar o convite, que não interessa à oligarquia colombiana, tampouco ao imperialismo, reconhecer o caráter político da guerrilha e, muito menos – para não lhe dar protagonismo - estabelecer com ela um processo de diálogo que possa pôr fim ao conflito armado na Colômbia, que dificilmente será solucionado pela via militar.

Estamos diante de uma espécie de empate, em que nem as guerrilhas (FARC e também a ELN, que segue lutando) têm muitas possibilidades para expandir o território sob seu controle (quase um terço do país), nem as forças militares e paramilitares conseguem derrotá-las.

À oligarquia colombiana interessa a manutenção do conflito, para se locupletar dos bilhões de dólares dos programas militares bancados pelos EUA e atribuir cinicamente aos insurgentes a mais rendosa atividade do grupo que detém o poder no país: exatamente o narcotráfico.

Aos EUA, não interessa a solução do conflito, para poder justificar a “guerra contra o narcoterrorismo”, que lhe permite manipular a opinião pública para reinstalar a Quarta Frota, criar mais sete bases militares na Colômbia, dar um golpe em Honduras, botar milhares de soldados no Haiti e agora na Costa Rica e firmar acordos militares com vários países na região, lamentavelmente inclusive com o Brasil, assinado recentemente.

O objetivo do imperialismo é reforçar sua presença militar para tentar desestabilizar e derrubar governos progressistas, em especial o da Venezuela, apertar o cerco a Cuba, evitar o fortalecimento da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas), frear o processo de mudanças na Bolívia e outros países, tudo isso de olho grande nas extraordinárias riquezas naturais do continente, como petróleo e gás, água e minerais.

Nos anos 90, houve na América Latina um processo negociado de desmilitarização de grupos guerrilheiros. Na América Central, todos esses entendimentos resultaram em acordos, com a transformação das guerrilhas em organizações políticas legais. Duas delas, aliás, estão hoje no governo de seus países: a FMLN (El Salvador) e a FSLN (Nicarágua). Na Colômbia, entretanto, este processo terminou com o cruel assassinato de mais de 4.000 membros da União Patriótica, partido político então legal, que incorporava parte dos militantes das FARC que desceram das montanhas, do Partido Comunista Colombiano e de outras organizações de esquerda.

Portanto, as FARC não podem promover uma rendição unilateral, incondicional, uma paz de cemitérios, jogando fora um patrimônio de décadas de luta e submetendo seus militantes a um genocídio. O que pretendem é um diálogo que torne possível uma paz democrática, que ponha fim não só ao conflito, mas ao terrorismo de Estado, à expulsão de camponeses de suas terras, às milícias paramilitares, ao assassinato e à prisão de milhares de militantes e que assegure liberdades democráticas e verdadeiras mudanças econômicas e sociais.

Mas o início de um diálogo de paz na Colômbia – que interessa a todas as forças e personalidades democráticas, pacifistas e anti-imperialistas e não apenas aos comunistas – só será possível através de uma ampla campanha internacional pela paz com justiça social e econômica na Colômbia, cujo êxito tem como pré-requisito o reconhecimento das FARC e do ELN como são em verdade: organizações políticas beligerantes.

Foi para contribuir para essa necessária e urgente campanha – conhecendo e divulgando um pouco mais a história, a realidade, os pontos de vista e as perspectivas das FARC – que resolvi conviver alguns dias com os guerrilheiros e conversar, sem preocupação com o relógio e o celular, com alguns de seus comandantes, em especial Iván Marquez e Jésus Santrich, que me visitaram no acampamento em que me hospedei.

Não voltei ao Brasil para fazer proselitismo sobre uma forma de luta que considero incompatível com a atualidade brasileira, mas que respeito como legítimo direito dos povos na luta contra a opressão. Voltei determinado a contribuir para a abertura de um diálogo político na Colômbia.

O PCB e outras organizações e personalidades entendem a importância desse diálogo para o avanço dos processos de mudança na América Latina, que depende da neutralização da agressividade do imperialismo em nosso continente, cujo centro de gravidade é o terrorismo de Estado colombiano.

A Colômbia é o segundo destino mundial de ajuda financeira para fins militares e de material bélico dos EUA, após Israel; tem as Forças Armadas mais numerosas, armadas e treinadas da América do Sul. Um dos objetivos principais do imperialismo, diante da crise sistêmica do capitalismo, é fomentar guerras localizadas, sobretudo contra países fora de sua esfera de dominação e, preferencialmente, possuidores de riquezas naturais.

O Estado narcoterrorista colombiano é o instrumento para provocar conflitos militares na região, como foi o caso da invasão do espaço aéreo equatoriano para o ataque ao acampamento do comandante Raul Reyes, o Secretário de Relações Internacionais das FARC, que tinha como tarefa exatamente promover trocas humanitárias de prisioneiros e abrir espaço para uma solução negociada do conflito militar.

No caso da Venezuela - onde o processo de mudanças na região mais avança – as provocações são mais ousadas, constantes e perigosas. A Colômbia, que já infiltrou milhares de paramilitares no território venezuelano, para preparar um golpe contra Chávez, agora acusa a Venezuela de abrigar guerrilheiros das FARC, utilizando-se de manipulações tecnológicas, como as que vem fazendo até hoje com o inacreditável computador pessoal de Raul Reyes, que resistiu incólume a um bombardeio aéreo intenso, em que todo o acampamento foi destruído e morreram 26 pessoas.

Os EUA já se associaram a estas “denúncias” do governo colombiano e já agitam propostas de levar o caso para organismos multilaterais que hegemonizam. As relações diplomáticas entre a Colômbia e a Venezuela estão cada vez mais tensas. É necessária uma urgente ação política para evitar o agravamento do conflito, que só interessa ao imperialismo e à direita, não só colombiana, mas de todos os países da América Latina, que fazem de tudo para ajudar a derrubar o governo venezuelano, através de sua satanização e manipulação.

Aqui no Brasil não é diferente. Toda a mídia burguesa se associa às denúncias do governo colombiano e a direita aproveita o momento eleitoral para criticar o governo brasileiro exatamente em relação a um dos poucos aspectos que os internacionalistas nele valorizamos. Apesar da vacilação, da dubiedade e das contradições - em face do objetivo principal da política externa brasileira de transformar o país numa grande potência mundial -, ao Estado brasileiro não interessa a guerra imperialista, mas sim a expansão do capitalismo brasileiro.

A direita, para instigar a guerra entre a Colômbia e a Venezuela, tenta desqualificar o Brasil como mediador da crise. Para isso, acusa o partido do Presidente da República de relações e atitudes que infelizmente não são verdadeiras, pois poderiam ter ajudado a solucionar o conflito colombiano.

Na Colômbia, é expressivo o movimento conhecido como “Colombianos pela Paz” – que estimula a troca de prisioneiros e tenta criar um ambiente favorável ao diálogo –, liderado pela Senadora Piedad Córdoba, com quem participei, em outra ocasião, de reunião em Bogotá para tratar do tema da paz naquele país, juntamente com outros militantes latino-americanos, dentre os quais Carlos Lozano, do Burô Político do Partido Comunista Colombiano, um dos dirigentes internacionalistas mais dedicados à solução do impasse em seu país.

Mas essa campanha não será exitosa se não contar com a ampla participação de governos, instituições e personalidades democráticas e progressistas de vários países, sobretudo da América Latina.

E, na América Latina, o Brasil – em função de sua importância e sua liderança - é o país que reúne as melhores condições para viabilizar o diálogo colombiano, como fiador político, liderando um conjunto de países e organizações multilaterais da região, de preferência a UNASUL (União das Nações Sul-Americanas), que não conta com a presença indesejável dos Estados Unidos.

É correta a iniciativa da diplomacia brasileira de levar a discussão do novo conflito para o espaço da UNASUL e tentar ajudar a mediá-lo. Mas não se pode ter ilusão de que o novo Presidente colombiano, que tomará posse em alguns dias, recuará nos projetos belicistas do consórcio EUA/Colômbia. Este não é o último gesto raivoso de Uribe, como muitos imaginam. Este é o primeiro gesto de Santos antes da posse, combinado com Uribe, para iniciar seu governo com voz grossa, mas com pouco desgaste. Santos não foi só o candidato de Uribe. Foi seu Ministro da Defesa, responsável pela aplicação do famigerado “Plano Colômbia”. É o uribismo sem Uribe. Não nos esqueçamos da invasão de Israel à Faixa de Gaza, antes da posse de Obama, para preparar a transição para o imperialismo sem Bush.

Por isso, será importante, mas insuficiente, a distensão do atual conflito entre Colômbia e Venezuela. Isto resolve uma parte da questão no curto prazo, mas não resolve a causa do problema. O Brasil deve ir além dessa iniciativa e se empenhar numa solução negociada do conflito interno colombiano. E isto só será possível se sentarem à mesa, com observadores internacionais credenciados pelas partes, os verdadeiros atores em conflito: as organizações políticas insurgentes e, mais do que o governo, o Estado colombiano.

Para ser conseqüente com o objetivo do Estado brasileiro de transformar o nosso país em uma referência no âmbito mundial, seria muito mais eficiente patrocinar um diálogo que pode distensionar o pesado ambiente interno colombiano, que paira sobre a América Latina, do que liderar tropas de ocupação no Haiti.

Além do mais, desmontar o “Cavalo de Tróia” montado pelo imperialismo na Colômbia não serve apenas para evitar uma guerra com a Venezuela ou a derrubada de seu governo. Como disse Fidel Castro, as bases militares ianques na Colômbia são punhais no coração de toda a América Latina, inclusive, não nos iludamos, sobre o Brasil, cujas extraordinárias riquezas naturais - entre elas a biodiversidade da Amazônia, as imensas reservas de água doce e o pré-sal - são os principais objetos da cobiça dos Estados Unidos em todo o continente.

* Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB e candidato a presidência do país, pelo mesmo partido, nas eleições de outubro.

O original encontra-se no site do PCB

… leia na íntegra e comente


29 julho 2010

Plínio Arruda Sampaio uma história de coerência e luta

Este vídeo foi apresentado na festa de aniversário de Plínio Arruda Sampaio, candidato à Presidência da República pelo PSOL. O evento foi realizado no dia 24 de julho de 2010, em São Paulo.

No vídeo trechos da trajetória de Plínio contados por Marietta Sampaio com quem é casado desde 1955.

E no dia dia 03 de agosto as 18 hs, por iniciativa do vereador Eliomar Coelho do PSOL, Plínio Arruda Sampaio será homenageado, com a entrega do título de Cidadão Honorário, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.






… leia na íntegra e comente


28 julho 2010

No Rio para Senador a opção é Milton Temer 500

Na atual legislatura os senadores do Rio são Crivella, Paulo Duque (era suplente de Cabral) e Dornelles, um trio prá lá de conservador. 

Em relação a Paulo Duque, que não será candidato, só soubemos que existia naquela exposição ruim durante uma CPI, Dornelles (que tem mais 4 anos de mandato) foi quem alterou o texto para tentar desfigurar o entendimento do projeto Ficha Limpa e Crivella que é candidato a reeleição e não me lembro de nada para citar em relação a ele. 

Muitos podem dizer que estou sendo injusto e que eles saíram em defesa do Rio, no caso dos royalties do pré-sal, mas convenhamos era o mínimo que podia fazer né?

Conforme a última pesquisa divulgada, Crivella está na frente acompanhado de César Maia (aquele da cidade da música, lembram?), ou seja poderemos ter mais uma vez uma representação conservadora, sem falar que Jorge Picianni (presidente da Alerj) também teve boa pontuação e corremos o risco dele se eleger.

É possível mudar esse quadro, em outubro serão eleitos dois senadores e um deles tem que ser Milton Temer e com ele serão OUTROS 500. Sem nenhuma exposição ou citação nos meios de comunicação (aposto que muitos que estarão lendo esta postagem nem sabem que ele é candidato) e fazendo a campanha no melhor feitio do PSOL, ou seja no papo direto e cara a cara com os eleitores na rua, conseguiu 5% na pesquisa. Conheça sua biografia e suas propostas e vamos mudar o perfil e melhorar nossa representação em Brasília.

Milton Temer senador, são outros 500
http://www.facebook.com/miltontemer
http://twitter.com/miltontemer 

Nem ia falar do Lindeberg, mas tá bom!!! Ele pode ser sua segunda opção de senador.

… leia na íntegra e comente


Sobre conflitos políticos

por Plínio Arruda Sampaio* em entrevista publicada originalmente no Jornal Folha de S. Paulo em 23 de julho de 2010 na seção "Tendências/Debates" 
 
O PSOL e seu candidato à Presidência estão à disposição da mídia e ansiosos para serem sabatinados a respeito de suas propostas para o país (Plíno Arruda Sampaio)

Atendendo ao convite da Folha, exponho a seguir minha visão a respeito das divergências entre o candidato do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) a presidente da República e a presidenta do partido, Heloísa Helena. Trata-se de sequela natural de uma disputa interna bastante dura, mas já resolvida e que não compromete a disciplina partidária. Com toda probabilidade, o PSOL marchará unido em torno dos candidatos escolhidos nas convenções estaduais e na convenção nacional.

Além desse esclarecimento, o convite da Folha abre-me a oportunidade de tecer dois breves comentários sobre o espinhoso problema das disputas internas nos partidos políticos.

Partidos da direita e da esquerda vivem permanentemente em conflito interno. Aliás, é bom lembrar que o conflito constitui a essência da política. Há, contudo, uma diferença substantiva entre os embates que se travam em cada um desses tipos de partidos.

Na direita, o conflito é acirrado, mas todos procuram não torná-lo público. Na grande maioria dos casos, resolve-se com relativa facilidade, porque gira em torno de interesses pessoais, de cargos, de comissões, de contratos -mediante negociações sigilosas. Na esquerda, os conflitos são igualmente acirrados (porque todos os seres humanos são feitos da mesma argila), mas espocam como rolha de champanhe e podem terminar em "racha".

Embora esses conflitos nem sempre girem em torno de princípios e convicções (mas também de interesses menores), o componente ideológico está sempre presente nesses embates, o que dificulta a composição. 
 
Além disso, sequelas da refrega demoram mais para desaparecer, porque nesses partidos, e especialmente no PSOL, a disciplina partidária não exige dos que ficaram em minoria abjurar de suas posições.

O PSOL segue o princípio democrático da possibilidade de alternância dos grupos na direção partidária, e isso supõe que todos os seus integrantes tenham plena liberdade para defender suas posições nos âmbitos interno e externo.

Obviamente, uma vez concluída a disputa, todos devem obedecer a decisão tomada e abster-se de apoiar propostas ou candidaturas antagônicas.

Passo agora ao segundo comentário, referente ao fato de que os veículos de comunicação de massa costumam ignorar o debate interno dos partidos de esquerda.

O conflito objeto deste artigo, por exemplo, desenvolveu-se ao longo de mais de um ano e jamais conseguiu obter, apesar do enorme esforço realizado pelas duas partes em noticiá-lo, qualquer informação capaz de fornecer aos leitores uma ideia clara do que estava em jogo. Não se considerou essa disputa "notícia" de interesse dos eleitores.Entretanto, o compromisso de imparcialidade implícito no conceito de mídia democrática exigiria a cobertura desses litígios, a fim de impedir que o processo político gire em torno de "pensamento único".

O PSOL e seu candidato estão à disposição da mídia e ansiosos para serem sabatinados a respeito de suas propostas para acabar com a escandalosa desigualdade na distribuição da renda e dos benefícios da riqueza do país (principalmente no campo); a aberrante diferença na cobrança dos impostos; o descaso pela educação, pela saúde e pelo meio ambiente; a redução dos benefícios da aposentadoria; e a criminalização da pobreza.

Os grandes veículos de mídia darão certamente uma grande contribuição à democracia se propiciarem aos eleitores o conhecimento de propostas distintas dos surrados clichês que os três candidatos da ordem estabelecida repetem monotonamente.

*Plínio Arruda Sampaio, 79, é candidato a presidente da República pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-1991) e consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

… leia na íntegra e comente


Lula exalta Marighella e Bezerra, heróis da luta contra duas ditaduras

por Celso Lungaretti* 
 
Dois dos vultos mais emblemáticos da resistência tanto à ditadura dos generais quanto à getulista, Carlos Marighella e Gregório Bezerra, foram reverenciados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os colocou no mesmo patamar de Tiradentes, Joana Angélica, Gregório de Matos, Maria Quitéria e Zumbi dos Palmares, como heróis brasileiros que ajudaram o País a conquistar sua independência.

Discursando nesta 5ª feira (22) em Salvador, onde recebeu a Grã-Cruz da Ordem dos Libertadores da Bahia, Lula disse que muitos heróis nacionais foram esquecidos ou apresentados como bandidos: "Isso é um equívoco histórico que foi incutido na nossa cabeça pela doutrina da elite dominante”.

Daí a necessidade, frisou Lula, de resgatar suas histórias e lutas, reconhecendo o que fizeram pelo País e o povo. E acrescentou:

“Nós ficamos às vezes martelando muito mais no castigo a quem matou do que em enaltecer a imagem das pessoas que morreram acreditando numa coisa.

"Vamos pegar por exemplo o Gregório Bezerra que foi arrastado pelas ruas de Recife. Ao invés de nós ficarmos querendo saber quem arrastou Gregório Bezerra, nós precisamos valorizar o significado do sacrifício a que ele foi submetido.

"Poderíamos pegar Marighella que é aqui desta terra. Ao invés da gente ficar querendo condenar eternamente o [seu assassino, delegado Sérgio] Fleury, vamos valorizar as razões pelas quais Marighella fez o que fez.

"E assim a gente iria construindo mais heróis neste País. Iríamos construindo mais gente que pudesse servir de exemplo".

MARIGHELLA: "COMPROMISSO INABALÁVEL COM AS LUTAS DO NOSSO POVO"

 
Filho de imigrante italiano e de uma negra baiana, Carlos Marighella ((1911-1969)) ingressou jovem no PCB e já em 1932 era detido por protestar contra o interventor da ditadura getulista na Bahia, Juracy Magalhães.

Foi atuar como organizador do partido no RJ e novamente preso em 1936, quando a polícia política de Filinto Muller o torturou bestialmente.

Incluído na anistia de 1945, elegeu-se deputado em 1946, foi cassado em 1948 e se tornou, na clandestinidade, um dos principais dirigentes do PCB. Preso novamente em 1964, conseguiu reconquistar a liberdade por decisão judicial, em 1965.

Convertido às teses guerrilheiras, organizou a ALN e participou de ações armadas como o sequestro do embaixador dos EUA, Charles Elbrick, que resultou na libertação de 15 presos políticos.

Para evocar Carlos Marighella, nada melhor do que os parágrafos iniciais do manifesto divulgado quando do 40º aniversário de sua morte, sete meses atrás:

"Carlos Marighella tombou na noite de 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada chefiada pelo mais notório torturador do regime militar. Revolucionário destemido, morreu lutando pela democracia, pela soberania nacional e pela justiça social.

"Da juventude rebelde, como estudante de Engenharia, em Salvador, às brutais torturas sofridas nos cárceres do Estado Novo; da militância partidária disciplinada, às poesias exaltando a liberdade; da firme intervenção parlamentar como deputado comunista na Constituinte de 1946, à convocação para a resistência armada, toda a sua vida esteve pautada por um compromisso inabalável com as lutas do nosso povo".

GREGÓRIO BEZERRA: EXIBIDO COMO TROFÉU E TORTURADO EM PRAÇA PÚBLICA

Gregório Bezerra (1900-1983) foi uma lenda viva no seu tempo.

Nascido no Agreste pernambucano, começou a trabalhar na lavoura de cana com a idade de quatro anos, perdeu os pais antes dos dez, migrou para o Recife, trabalhou como carregador de bagagens e ajudante de obras, paupérrimo a ponto de dormir nas catacumbas de um cemitério.

Já em 1917, como jornaleiro, participou de manifestações de apoio à Revolução Bolchevique e de greves por direitos trabalhistas, sendo condenado a cinco anos de prisão.

Depois ingressou no Exército, alfabetizou-se e, já como militante comunista, liderou em Recife a chamada Intentona de 1935, que lhe acarretou uma sentença de 28 anos de prisão.

Anistiado ao final da ditadura getulista, elegeu-se como o deputado constituinte de maior votação em Pernambuco. Teve seu mandato cassado em 1948 e passou nove anos na clandestinidade, organizando núcleos sindicais.

Preso imediatamente após o golpe de 1964, foi não só torturado em Recife, como arrastado em praça pública com uma corda no pescoço; além disto, colocaram seus pés em solução de bateria de carro, deixando-os em carne viva. Tal espetáculo, exibido pelas televisões locais, provocou protestos em escala mundial.

Permaneceu prisioneiro até 1969, quando foi resgatado no sequestro do embaixador estadunidense. Voltou ao Brasil em 1979, com a anistia.

É frequentemente comparado a Nelson Mandella, pelo longo tempo de prisão por motivos políticos: 22 anos, cinco a menos do que o grande líder africano.

* Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

… leia na íntegra e comente


27 julho 2010

Quem apoia Plínio

por Marcelo Freixo - Deputado Estadual PSOL RJ - 50123

"Quando questionado sobre os melhores anos de sua vida, Plínio não titubeou: 'os melhores anos da minha vida são os que virão'. Além de poético, profético. O velho não imaginava a tarefa que a vida iria lhe impor: ser candidato à Presidência da República pelo PSOL. É um presente e uma homenagem que o Partido Socialismo e Liberdade faz à República brasileira. Nas lutas sociais e no processo eleitoral, Plínio Arruda Sampaio tem todas as condições de representar o PSOL e a nossa utopia socialista".

Veja abaixo outras manifestações de apoio a candidatura de Plínio Arruda Samaio à Presidência da República

“Plínio Arruda Sampaio propõe priorizar a educação e a reforma agrária. A seu ver, a educação deve ser socializada e as propriedades acima de mil hectares, produtivas ou não, devem ser desocupadas para futura reocupação. Plínio sabe que essas medidas somente serão viáveis se houver uma mudança radical no esquema de poder político, com a instauração de um regime autenticamente republicano e democrático. A partir do momento em que o povo detiver o poder supremo, a educação deixará de ser um negócio e a terra agrícola será propriedade do povo, somente se admitindo a sua ocupação pelos particulares como direito de uso”.
Fábio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP e doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra

“Plínio é candidato para reapresentar aos cidadãos o programa do socialismo democrático, para resgatar uma tradição política que não pode ficar soterrada pelo fracasso tanto de falsos reformistas quanto de pseudo-socialdemocratas. Será um programa evidentemente utópico, o que quer dizer, segundo o significado da palavra, fora da mesmice eleitoral lulo-serrista”.
Chico de Oliveira, sociólogo e professor emérito da FFLCH/USP

“As propostas dos principais candidatos e seus partidos pouco se diferenciam. Nenhuma representa real proposta de transformação da sociedade. Uma importante exceção é a candidatura de Plínio Arruda Sampaio, que se baseia numa clara defesa do socialismo, entendido como uma radicalização da democracia. Plínio sabe, como demonstra sua longa e coerente trajetória política, que se não há socialismo sem democracia tampouco existe democracia plena sem socialismo. Votar em Plínio é votar por um retorno à grande política em nosso país”.
Carlos Nelson Coutinho, filósofo e professor da Esc. de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro
 
Para er outros apoiadores clique aqui

fonte : http://www.plinio50.com.br

… leia na íntegra e comente


26 julho 2010

A cobertura da mídia e as tragédias do dia a dia

Este é o texto de mais um daqueles emails que circulam na internet. Geralmente eu deleto quando recebo, mas achei interessante e reflete  fielmente o comportamento da mídia.
Se a história da Chapeuzinho Vermelho fosse verdade, como ela seria contada na imprensa no Brasil? Veja as diferentes maneiras de contar a mesma história. 



Jornal Nacional
(William Bonner): 'Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem...'
(Fátima Bernardes): '...mas a atuação de um caçador evitou a tragédia.' 

Fantástico
(Uma semana depois) (Zeca Camargo): 'Boa noite. O fantástico teve acesso exclusivo a imagens gravadas por um celular sobre o momento em que o lobo abordava a menina...'
(Patrícia Poeta): '...veja também. O fantástico analisa até que ponto o fato de ter sido devorada pode influenciar na formação dos adolecentes e também quais os cuidadds que devemos ter ao pssar por estradas desertas a noite .' a

Programa da Hebe
'...que gracinha, gente! Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo?' 

Cidade Alerta
(Datena): 'Daqui a pouco... (gritando) menina devorada quando ia para casa da avó!!!.....onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades? Cadê as autoridades? A menina ia pra casa da vovozinha a pé! Não tem transporte público! Não tem transporte público! Cadê os nossos políticos?...
Exclusivo... Fulano da tal entrevista a avó da menin....Cicrano entrevista o delegado resposável pelo caso com exclusividade
E foi devorada viva... um lobo, um lobo safado. Põe na tela, primo! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo, não tenho medo de lobo, não! Me ajuda aí oh!!!

Superpop
(Luciana Gimenez): 'Geeente! Eu tô aqui com a ex-mulher do lenhador e ela diz que ele é alcoólatra, agressivo e que não paga pensão aos filhos há mais de um ano. Abafa o caso!' 

Globo Repórter
(Chamada do programa): 'Tara? Fetiche? Violência? O que leva alguém a comer, na mesma noite, uma idosa e uma adolescente? O Globo Repórter conversou com psicólogos, antropólogos e com amigos e parentes do Lobo, em busca da resposta. E uma revelação: casos semelhantes acontecem dentro dos próprios lares das vítimas, que silenciam por medo. Hoje, no Globo Repórter.' 

Discovery Channel
Vamos determinar se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver. 

Revista Veja
Governo sabia das intenções do Lobo. 

Revista Cláudia
Como chegar à casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho. 

Revista Isto É
Gravações revelam que lobo foi assessor de político influente. 

Revista Playboy
(Ensaio fotográfico do mês seguinte): ' Veja o que só o lobo viu'. 

Revista G Magazine
(Ensaio com o lenhador) 'O lenhador mostra o machado'. 

Revista Caras
(Ensaio fotográfico com a Chapeuzinho na semana seguinte): Na banheira de hidromassagem, Chapeuzinho fala a CARAS: 'Até ser devorada, eu não dava valor pra miutas coisas na vida. Hoje, sou outra pessoa.' 

Revista Superinteressante
Lobo Mau: mito ou verdade? 

Folha de São Paulo
Legenda da foto: 'Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador'. Na matéria, box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador. 

O Estado de São Paulo
Lobo que devorou menina seria ligado ao MST. 

O Globo
Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao MST, que matou um lobo para salvar menor de idade carente. 

O Dia
Lenhador desempregado tem dia de herói

Jornal Extra
Promoção do mês: junte 20 selos mais 19,90 e troque por uma capa vermelha igual a da Chapeuzinho! 

Jornal Meia hora
Lenhador passou o rodo e mandou lobo pedófilo pro saco! 

Jornal O Povo
Sangue e tragédia na casa da vovó. 

Wagner Montes
Agora vejam só vocês meu amigo telespectador, minha dona de casa que nessa hora está cuidando do lar, arrumando as crianças para a escola..... vejam só esse covarde de codinome Lobo..... que se acha todo malandrão.... PRA CIMA DELE MINHA POLIÇADA !!!! Alô minha rapaziada da Civil, alô comandante do CORE, aquele abraço, alô meu pessoal do 16º, 22º.... É PRA ARREGASSAR MESMO!!! Bota a cara dele aí na tela produção.... Bota na tela aí.... ESCRAAAAAAAAACHA !!!!!!!!!!

… leia na íntegra e comente


Ato público em homenagem a Plínio de Arruda Sampaio

Por iniciativa do vereador Eliomar Coelho do PSOL, Plínio Arruda Sampaio será homenageado, com a entrega do título de Cidadão Honorário, dia 03 de agosto as 18 hs na Câmara Municipal do Rio de Janeiro

… leia na íntegra e comente


25 julho 2010

Brasil e as eleições

O artigo abaixo foi retirado do site Rumos do Brasil. O site é composto por cidadãos que juntaram para discutir o futuro do Brasil.

Diversos intelectuais brasileiros contribuem com o site é um deles é o economista e militante da UJC/PCB Sammer Siman.

O texto “Brasil e as eleições” parece mais um manual do eleitor, mas não é, até porque essa não é intenção do autor e nem poderia ser, pois o voto é individual.

Mas pelos menos o conteúdo do texto deveria ser recomendado aos eleitores devido ao seu grau de reflexão em relação aos principais problemas que as "eleições diretas", sob o domínio do capital apresentam.

O Brasil e as eleições

Por Sammer Siman

Meu irmão, se liga no que eu vou lhe dizer, hoje ele pede o seu voto e amanhã manda a polícia lhe bater”[i]

Mais uma “festa da democracia” está chegando, usando aqui tal expressão insistentemente repetida pela mídia “canarinha”. Mas como tudo se vê por um ponto de vista, certamente trata-se de uma festa. A festa do poder econômico e da hipocrisia.

O voto é uma conquista histórica, um instrumento importante em qualquer sociedade democrática. Muitos que passaram por este mundo morreram para conquista de tal direito. Logo, o problema da democracia brasileira não está num pressuposto de que o voto seria algo inútil. E sim porque o povo, na prática[ii], exerce o voto para eleger “representantes” de tempos em tempos, e nada mais.

Para avançar, é necessário votar cada vez mais. Além de eleger governantes, deve haver o voto para destituí-los. E o povo deve ter cada vez mais o poder de decidir os rumos da política DIRETAMENTE, por meio de plebiscitos e projetos de iniciativa popular onde sejam tratadas questões de interesse geral.

No entanto, enquanto o povo brasileiro segue “deitado eternamente em berço esplêndido”, é interessante discutir alguns aspectos da atualidade política, e nessa perspectiva seguem algumas reflexões.

“Voto só em quem tá ganhando”
Trata-se de um raciocínio amplamente utilizado, que é de difícil compreensão. Muitos brasileiros orientam seu voto por pesquisas, como se o voto fosse uma espécie de aposta em corrida de cavalos, onde seja “legal” votar em quem ganha. Pelo menos numa corrida de cavalos apostar no primeiro colocado traz dinheiro, o que não acontece numa eleição.

“Voto em quem paga mais”
Trata-se de um reflexo da baixa participação política. Uma vez que o povo está limitado a eleger “representantes”, ter um cacho de bananas em troca do voto parece ser um bom negócio (e certamente o é, em alguns casos). É interessante e polêmica a opinião do Senador Cristóvão Buarque[iii], quando diz que o indivíduo carente que troca seu voto é um eleitor inteligente, pois ali está uma oportunidade real de saciar uma necessidade concreta. Trata-se de um raciocínio absolutamente franco e conectado com a realidade, pois é ilusório achar que a mudança de comportamento do eleitor é condição suficiente para a evolução política que necessitamos (apesar de ser condição necessária), assim como é moralista e hipócrita “exigir” tal mudança de comportamento de indivíduos que estejam em condição de pobreza material e educacional, sem perspectivas concretas na política.

“Político é tudo vagabundo”
Toda generalização é perversa. O raciocínio de que “todo político é vagabundo” já é forte no senso comum (por motivos óbvios), mas ele também é capciosamente alimentado diariamente neste país, sobretudo pela mídia. Isso porque fortalecer tal lógica só ajuda a afastar as “pessoas de bem” [iv] da política, o que só facilita o império da corrupção. Existem hoje pessoas sérias na política (certamente uma minoria), e isso deve ser reconhecido e estimulado.

“Voto em fulano porque o acho bonzinho, bonitinho…”
Talvez o fortalecimento desta lógica tenha contribuído para ter ficado no passado o fato de que um elemento decisivo de um partido era ter um bom articulador político. Hoje, tal elemento é o marqueteiro.

Vende-se um candidato como é vendida uma marca de sabão em pó. Logo, orientar o voto pela imagem que se passa é orientá-lo por nada ou quase nada. Certamente o maior dos corruptos não se apresenta “maltrapilho”, e sim numa bela vestimenta e com um nobre sorriso.

Outro elemento que fortalece tal lógica é o aprofundamento diário da perspectiva personalista. Atribui-se a condução de um governo às características pessoais de um candidato, como se o fundamental não fosse a composição de interesses partidários, econômicos e/ou ideológicos que cada candidatura traz consigo.

Por isso, toda candidatura que esteja centrada na figura do indivíduo (o bom marido, a boa mãe, a trajetória individual…) e não em suas propostas concretas, deve ser vista com desconfiança.

“Voto em fulano porque ele é estudado…”
No imaginário de muitos paira uma noção mecânica de que conhecimento escolar é sinônimo de competência, e por sua vez competência é sinônimo de “coisa boa”.

Ora, nem sempre conhecimento escolar é sinônimo de competência, e muito menos competência necessariamente significa algo positivo. É só perceber o que é ensinado na maioria das Universidades de todo país[v], que tem na sua base um ensino que reproduz a lógica de exploração que impera na sociedade brasileira.

Logo, o mais preparado academicamente pode ser (ou não) o mais preparado para expropriar o Estado.

“Voto só em deputado da região”
Com a crescente despolitização que se vê no Brasil desde a década de 90, cada vez mais se vê um deputado como um captador de recursos nos Estados ou na União para as regiões que “os elegem”. Uma anomalia que desvirtua toda política, pois o que passa a ser importante para um povo de uma cidade é “quanto o deputado trouxe”, e não o que o deputado votou ou deixou de votar no legislativo.

Isso reflete em “bizarrices” que passam despercebidas pela maioria, como, por exemplo, um deputado ser bem quisto por “trazer dinheiro” para construir uma ponte, e não se notar que ele tenha votado contra os trabalhadores de todo o país (inclusive de “sua” cidade) numa reforma tributária, previdenciária, etc.

“Voto nele porque já é rico”
Outro raciocínio comum e assustador é este amplamente difundido, de que é melhor votar num rico do que num pobre. Isso certamente ocorre por já está naturalizado o raciocínio de que o óbvio é o político ser eleito para roubar. Logo, aquele que já é rico, rouba menos, e o que é pobre rouba mais, pois “tem um caminho mais longo a percorrer até a riqueza”…

É como se existisse um “patamar” de riqueza, em que o indivíduo atinge e se dá por satisfeito. Trata-se de um raciocínio que deve ser combatido, pois pobreza ou riqueza não deve ser parâmetro para análise, uma vez que não se deve entender como natural o enriquecimento por meio da política.

“Ele rouba mas faz…”
Tal raciocínio seria menos assustador se não fizesse sentido. O trágico é a infinidade de situações em que o eleitor (mesmo o mais esclarecido) deparara-se com eleições onde concorrem dois candidatos com amplo histórico de corrupção, sendo o diferencial entre um e outro a disposição para “fazer” mais ou menos.

A ocorrência comum de situações como essa talvez seja o diagnóstico mais evidente de que o poder público não deve estar limitado nas “mãos” de “representantes”.

“Votar é sinônimo de democracia”
“Uma mentira quando é dita por repetidas vezes, torna-se uma verdade”. Esta passagem representa bem o que ora se discute. Etimologicamente, demo (expressão originária do latim) significa povo, e cracia significa poder.

No Brasil o povo manda?
Logo, não se pode afirmar que há uma democracia de fato porque o povo vota de tempos em tempos. Há um caminho mais longo a ser percorrido, e um fundamento desta caminhada passa pela efetiva participação popular.

“Mas o povo não sabe decidir…”
Este raciocínio reflete a reação conservadora que mais se percebe quando o poder popular é defendido. Como se o povo não fosse capaz de entender qual a sua prioridade, por ser, em sua maioria, desprovido de uma educação escolar

Ora, se o povo não é capaz, quem o é? A elite econômica que há séculos governa este país?

Enfim…

Que venha mais uma “festa da democracia”, e o desejo que fica é que reflexões desta natureza alcancem o máximo de pessoas neste momento de protagonismo da política.

Notas
[i] Trecho da música “Candidato Caô Caô” de Bezerra da Silva.
[ii] Formalmente, o poder popular vai muito mais além. O artigo 14 da Constituição Federal de 1988, que trata de direitos políticos do cidadão, assim está escrito: “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos e, nos termos da lei, mediante: plebiscito; referendo e iniciativa popular.
[iii] Senador pelo PDT-DF.
[iv] A compreensão utilizada para “pessoas de bem” não se confunde com a de uma “novela global”, onde um indivíduo é totalmente bom ou ruim. Tal compreensão entende como ”pessoas de bem” aquelas que encaram a política como um instrumento para transformar a realidade social.
[v] Aqui há um artigo onde se discute a questão do ensino http://www.rumosdobrasil.org.br

… leia na íntegra e comente


África do Sul antecipa horizonte desanimador para 2014

por Gabriel Brito* para o  Correio da Cidadania  

Terminada a grande festa do futebol, é hora de se despedir dos convidados, limpar o salão e fazer um balanço do evento mais mobilizador da humanidade. Conquistada ineditamente pela Espanha, a primeira Copa do Mundo em solo africano deixou boas lembranças esportivas e indeléveis marcas no país sede, algumas para orgulho do povo local, muitas para seu desespero. 

De olho na próxima edição, daqui a quatro anos no Brasil, somos obrigados a realizar algumas reflexões acerca do que significou para a África do Sul ser sede do mundial e o que tende a ser o certame verde e amarelo, especialmente no que se refere ao tão propalado legado para a nação que eventos de tal monta são capazes, ao menos no papel, de proporcionar. 

"A verdade é que o Estado não ataca os problemas de fundo porque, provavelmente, quaisquer progressos substantivos nesse sentido viriam a suscitar a questão das relações entre as classes e o próprio modo de produção", escreveu o economista Patrick Bond, que ao lado de outros docentes, pesquisadores e membros da Universidade de Kwa-Zulu Natal manteve na internet o Observatório da Copa do Mundo

Com essa afirmação, o professor, implacável crítico dos donos deste grande circo, aponta diretamente para o fato de que não é do real interesse de nenhum dos entes envolvidos na organização do evento – FIFA, governos e patrocinadores – promover reais avanços na vida cotidiana do país. Menos ainda referenciados na justiça e progresso social.  

Just for business 
A Copa de 2010 escancarou ao mundo que o futebol é comandado por homens de negócio que não perdoam nem as mazelas de um país atrasado para fazer a única coisa que julgam necessária à vida, obviamente o incessante business. Em um mundo em que a maior parte das relações sociais e humanas é calcada pelos interesses de maximização de ganhos via mercado, não havia possibilidade de o futebol manter-se descolado de tal lógica. Logo, foi inevitável o encontro do esporte mais popular (e rentável) do mundo com aves de rapina das mais diversas procedências. 

O governo calcula que, com a Copa, foram criados cerca de 130 mil empregos, número insuficiente para fazer frente à fatura passada pela crise financeira de 2008. "As estatísticas da África do Sul anunciaram, na semana passada, que mais 79.000 empregos foram perdidos no último trimestre, crescendo para quase um milhão o número de demissões desde que estourou a crise mundial em 2008", contrapõe Bond. 

Somado a outros fatores, qualquer espectador minimamente atento percebe que a grande motivação por trás do planejamento do evento é a cadeia de negócios e empresas envolvidos na mesma engrenagem, simbolizada pelos estádios hipermodernos que se configuram como autênticas ilhas de suntuosidade em meio à pobreza dominante no país, tal qual os ainda brancos bairros de elite. 

Durante os anos de preparação da Copa, o governo sul-africano bateu na tecla do desenvolvimento que 64 partidas seriam capazes de garantir ao país, elevando o nível de vida da nação recentemente libertada do jugo racista. Com isso, fermentou o sentimento de frustração que agora atinge milhões de sul-africanos, que não somente ficaram a ver navios em termos de progresso, como tiveram suas vidas ainda mais infernizadas.

Num país que estima os estrangeiros entre 3 e 8 milhões (!), não é possível saber ao certo quantas pessoas foram deslocadas para locais ainda mais precários que suas moradias anteriores, mas certamente se contam às dezenas de milhares, visto que tais expulsões (ao melhor estilo apartheid) ocorreram em praticamente todas as obras de estádios. 

Por conta da truculência do governo local na condução do mundial, não faltaram conflitos violentos entre os que eram expulsos de suas regiões e a polícia. No entanto, trata-se do país que estatisticamente mais promove protestos sociais no mundo, talvez a grande herança das lutas lideradas por Mandela, o que torna difícil esconder do planeta tantas feridas. Nem mesmo com o vergonhoso estado de sítio informal imposto aos moradores de áreas mais pobres e afastadas, que tiveram seu acesso às grandes cidades dificultado ao máximo, foi possível dissimular o caldeirão que faz o país fervilhar.  

Longe de resolvidas, agravaram-se as injustiças 
Na Cidade do Cabo, uma das mais movimentadas em termos de lutas sociais, chegou-se ao ponto de se encher de tapumes a estrada que liga o aeroporto ao campo, de modo a esconder os precaríssimos assentamentos de pessoas que foram morar ali exatamente por conta da construção do Green Point. 

"Além disso, a Copa do Mundo da FIFA impactou negativamente em nossas comunidades, já que não temos permissão para trabalhar perto dos estádios, fan parks ou outras áreas turísticas. Os pobres não são excluídos só dos espaços econômicos, mas também de nossas casas, sendo realocados para townships (definição local para guetos) como Blikkiesdorp, longe do centro, das oportunidades de emprego e dos olhos dos turistas", expressou o Abahlali baseMjondolo, movimento de luta pela terra fundado em 2005 e que já desfruta de forte presença na população, a ponto de ter organizado um ‘mundial paralelo’, a Copa do Mundo do Povo Pobre, idealizada ao lado de outros movimentos que passaram o mês da Copa promovendo a campanha ‘anti-exclusão’. 

"Essa Copa do Mundo do Povo Pobre foi feita porque nos sentimos excluídos da Copa do Mundo da FIFA. Vemos que o governo colocou enormes quantias de dinheiro na construção do Green Point e em melhorias do Athlone Stadium, mas nós, comunidades pobres, não nos beneficiamos de nenhum desses investimentos. As partidas são jogadas na cidade, mas não temos ingressos e nem transporte para poder presenciar os eventos", explicam. 

Porém, como já dito em matéria deste Correio, os senhores do futebol sabiam perfeitamente de todas as injustiças que seus interesses financeiros imporiam a muitos sul-africanos. Como também avisara Patrick Bond, isso ocorre pelo fato de o evento estar intrincado ao modelo neoliberal de produção e consumo, voltado a gerar grandes rendimentos aos empreendedores, especialmente em obras de infra-estrutura, mas negligenciando completamente a contrapartida do beneficio social, comunitário. 

E como manda o receituário desse modelo de economia e sociedade, o trabalhador sul-africano que prestou serviço ao Comitê Organizador Local (que assumia as responsabilidades do dia a dia do torneio, enquanto a FIFA contava dinheiro) na organização e logística da Copa foi super-explorado em sua jornada laboral e, ainda por cima, enganado em relação aos valores a serem pagos. A segurança de todos os setores do mundial terminou a cargo da polícia local, pois quem prestou serviço à Stalion (contratada pela FIFA) abandonou o barco após sucessivos embustes. 

Além disso, a FIFA impõe enormes barreiras de isolamento a fim de beneficiar seus patrocinadores, garantindo total exclusividade aos seus parceiros comerciais em seus respectivos ramos de atuação. "Não sou KFC, não sou Mcdonalds, por isso não posso estar lá dentro trabalhando. Eu também queria estar legalizada, mas não dá", lamentou uma vendedora de lanches de Johanesburgo, momentos antes de Espanha e Paraguai, às câmeras da ESPN Brasil. 

Agora, a festa acabou e de fato ela foi um sucesso para seus patronos (e alguma festa o povo local também pôde fazer, afinal, quem é de ferro?). A FIFA anunciou no dia seguinte ao título espanhol que a competição lhe rendeu lucros de 6 bilhões de reais, dobro do registrado na Alemanha-2006, o que dá idéia de como a espiral de exploração comercial não encontra limites no futebol. Fora isso, podem-se levantar questionamentos sobre a moralidade de um governo bancar sozinho os 8 bilhões de reais que custaram a Copa ao mesmo tempo em que não leva um naco dos lucros por ela gerados. A máxima gratificação da entidade comandada há 12 anos por Joseph Blatter foi a cobertura dos custos de funcionamento do Comitê Organizador (cerca de 1% do lucro auferido). 

Dessa forma, a expectativa que ronda o país é a da explosão de uma nova onda de diversas violências e protestos sociais. Está claro para os cidadãos sul-africanos que o governo pode realizar investimentos maciços quando interessa, inclusive dispensando auxílio da iniciativa privada, de modo que será muito difícil controlar a frustração de uma população que, além de tudo, foi afastada do próprio evento em si.  

O pior pode estar por vir 
"O CNA, partido que liderou todo o processo de libertação nacional, tornou-se, ao fim destes anos de poder, um perigo evidente para a integridade da sociedade sul-africana. Em vez de um projeto político coletivo de transformação da sociedade, é hoje um instrumento de ‘progresso pessoal’ de uma elite, com o conseqüente agravamento das desigualdades", escreveu Richard Pithouse, do South African Civil Society Information Service. Alguma semelhança com a próxima sede da Copa e sua atual força política dominante?

Com a saída do país dos holofotes do mundo, e o desaparecimento do gigantesco policiamento, teme-se pelo ressurgimento de ondas de violência contra trabalhadores de países vizinhos que tentam ganhar a vida na mais desenvolvida nação do continente. Como citado acima, sem sequer haver controle do número de imigrantes, não se pode mensurar o grau de estragos que poderiam provocar, mas diversos trabalhadores moçambicanos, zimbabuanos, nigerianos, já declararam receio pelos próximos tempos.

De acordo com estudos do Africa Peer Review Mechanism, "a xenofobia contra outros africanos está neste momento crescendo e tem de ser sufocada no ovo". Em 2008, ataques contra negros de outros países deixaram 60 mortos, configurando uma enorme assombração para o devir.

Se alguma tragédia do gênero vier a se confirmar, será duplamente desgraçada, pois se os pobres de diferentes países se matam por se verem como inimigos, competidores, o sistema que os condena fica isento de ser mais profundamente questionado como verdadeiro progenitor de toda injustiça. "Um olhar mais cuidadoso em relação às ondas de violência xenófoba joga luz sobre os nossos mais incuráveis problemas, que são os da exclusão econômica", pondera Glenn Ashton, escritor e pesquisador sul-africano.

"O que estamos enfrentando não é xenofobia, mas conseqüência da pobreza e da falta de transformações econômicas progressistas desde 1994. Assim como os protestos pelos serviços básicos ocorrem por conta da incapacidade das autoridades em atender os desejos e necessidades dos mais marginalizados setores sociais, nós podemos afirmar com igual firmeza que essas esporádicas ondas de xenofobia são apenas outro aspecto do mesmo problema", completa.

Assim como o Pan do Rio em 2007, a Copa do Mundo não deixou legado algum ao povo local, apenas decepções e muitas contas a pagar depois de um mês de inesquecível e anestesiante festança. Em ambos os casos, isolou-se a pobreza dos olhos do mundo e gastou-se muito dinheiro além do previsto, com fortes rastros de corrupção. E a previsão orçamentária para a Copa verde e amarela já é quatro vezes superior à edição deste ano.

Como mostraram diversos estudos econômicos, uma Copa do Mundo tem poucas chances de fazer o PIB de um país variar acima de 1%. A lição que devemos trazer da África do Sul (fora a de nunca mais inventar Dungas) é a de que um evento esportivo, por maior que seja, não é capaz de resolver os grandes gargalos de uma nação. Quando essa nação é endemicamente corrupta e conduz desde já a organização da próxima edição com muitos erros, atrasos, falta de transparência e democracia, podemos ter certeza de que não serão apenas Neymar, Messi, Villa, Robben e Muller que farão muitos ‘gols’ pelos campos do país do futebol.

*Gabriel Brito é jornalista.
 

… leia na íntegra e comente


24 julho 2010

A nossa força na urna virtual

A internet já provou ser uma importante aliada nossa na disputa eleitoral. 
Prova disso é o nosso desempenho em pesquisa realizada via Twitter que mostra os candidatos do PSOL como os mais votados na maioria dos casos. 
Até esta quinta-feira (22/7), Marcelo Freixo liderava a votação virtual no site TVoto para deputado estadual do Rio de Janeiro. 
Vamos fortalecer ainda mais a nossa liderança por meio de uma campanha em meio aos nossos militantes, família, amigos, conhecidos e parceiros para ocupar os espaços nas redes sociais. 
Quem ainda não criou um perfil no Twitter pode entrar no www.twitter.com para se cadastrar e votar em Marcelo Freixo 50123 no http://tvoto.com.br/ e nos demais candidatos do PSOL. 
Mas vamos mostrar a força da nossa militância também, e principalmente, nas ruas. Vamos mostrar a diferença entre a panfletagem que resulta da exploração econômica da miséria urbana e a panfletagem realizada por convicção política, por amor à luta pelo socialismo e a liberdade.

… leia na íntegra e comente


Declaração de apoio a Plínio

Transcrevo a seguir a declaração de voto do grande companheiro e amigo.. o Jornalista Paulo Célio. 

"O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Henrique Neves, conseguiu, por fim, resolver um probleminha que me atormentava, desde a convenção do PT, que confirmou a coligação com o PMDB (leia-se: José Sarney (AP), Michel Temer (SP), Sérgio Cabral (RJ), Moreira Franco (RJ), Jorge Piciani (RJ), Paulo Hartung (ES), Roseana Sarney (MA), entre outras aberrações políticas – em torno da candidatura Dilma) – e que me deixava na dúvida, em quem votar, no primeiro turno, para as eleições presidenciais...

Estava pensando em votar na Marina, apesar do PV, partido que está filiada, estar pior do que o PT, em termos de integrantes, e, tanto na vida privada quanto na política, vale a máxima popular: “diga-me com quem andas e eu te direi quem és”...

Vou votar em Plínio de Arruda Sampaio – do PSOL!

Se você quer saber o que fez o ministro para fazer-me tomar essa decisão, leia a matéria abaixo (pra mim, pau que dá em Chico, tem que dar em Francisco, também!):  Decisão Henrique Neves Ministro do TSE "

A eleição presidencial tem opção no 1º turno e é PLÍNIO 50

… leia na íntegra e comente


Brasil é um dos mais desiguais na questão feminina entre países latino-americanos

por Roberta Lopes - Agência Brasil 

O Brasil ocupa o 15º lugar no índice que mede a igualdade das mulheres nos países da América Latina. O índice, chamado de ISO-Quito, tem como base os compromissos assumidos pelos países da região durante a Conferência Regional da Mulher, realizada em 2007, na capital do Equador, Quito.

O índice brasileiro foi divulgado hoje (15) pela organização não governamental (ONG) Articulação Feminista Marosur e conta com dados da Comissão Econômica para o Caribe e a América Latina (Cepal), com base no ano de 2007.

Para seu cálculo, são avaliadas três dimensões: política, que trata da paridade na tomada de decisões; econômica, que trata da paridade econômica e do trabalho; e social, que trata do bem-estar das mulheres. Vinte e dois países tiveram seus índices medidos, mas só 16 apresentaram as informações completas.

O Brasil conseguiu a melhor posição no índice que mede a paridade econômica e do trabalho, ocupando a segunda posição nos dois quesitos, entre os 16. O país mais bem colocado em relação à paridade econômica é o Uruguai. No índice que mede o bem-estar das mulheres, o Brasil ficou em oitavo lugar e naquele que mede a tomada de decisões, o Brasil ficou em 20º.

Na média das três dimensões, que resulta no índice ISO-Quito, o Brasil ficou em penúltimo lugar, à frente apenas da Guatemala. O país que teve a melhor média ISO-Quito foi a Argentina, seguida da Costa Rica. Em terceiro, ficou o Chile.

… leia na íntegra e comente


23 julho 2010

Associação Atlética Brás Cubas & Macunaíma Futebol Clube selam acordo: RUMO A 2014!

por Luiz Ricardo Leitão*  

Se algum demiurgo burlesco convertesse os maiores ícones da malandragem de nossas letras em patronos de agremiações esportivas, os novos clubes decerto arrebanhariam inúmeros sócios entre as elites de Bruzundanga. Não é difícil prever que a fração secular da burguesia tropical que até hoje se comporta como herdeira de Brás Cubas (aquele defunto-autor cujas memórias foram dedicadas ao verme que pela primeira vez lhe roeu as frias carnes do cadáver) logo assumiria a direção da briosa entidade, ao passo que o grupo mais arrivista e solerte não hesitaria em eleger o Conselho Deliberativo do Macunaíma Futebol Clube (uma homenagem ao herói sem nenhum caráter que, com sua ambiguidade, mimetiza o mote da identidade nacional – esse velho fantasma que há muito assusta a intelligentsia da colônia).

Os sócios da Associação Atlética Brás Cubas até hoje preservam os costumes do seu protetor: gostam de zombar do povo com a mesma desfaçatez que o narrador de Machado de Assis reservava aos leitores e jamais se preocupam em honrar as promessas que, com rara grandiloquência e cinismo, enunciam na vida pública, fazendo corar até o defunto-senador Collor de Melo. Já os associados do Macunaíma F. C. são meros aprendizes na arte da maracutaia, que, apesar de sua eventual esperteza e picardia, se tornam o mais das vezes peças muito úteis para a execução das grandes ‘jogadas’ do capital nestas plagas. Tão preguiçosos e manhosos quanto o patrono, eles se deitam em berço esplêndido, sonhando em viver nas Oropas; à falta de saúvas, divertem-se decepando salários dos tapuias, mas, quando põem os olhos em dinheiro, se movem com extrema rapidez para dandar vintém...

A face mais óbvia da moeda


O Sr. Ricardo Teixeira, que desde 1989 segue à frente da CBF, seria um nome perfeito para a presidência honorária do clube. Há anos sua figura se associa às mais escusas negociatas do “país do futebol”: afilhado do todo-poderoso João Havelange (capo mor da FIFA de 1976 a 1998), com cuja filha esteve casado até 1997, Teixeira aprimorou-se na grande arte de mudar para não mudar (traço essencial da modernização sem ruptura nesta via periférica de capitalismo), sobrevivendo sem maiores sequelas aos inúmeros escândalos que colecionou na CBF. Após uma falida incursão pelo mercado financeiro (em sociedade com o próprio sogro, o pai e um irmão), ele fez da entidade seu balcão preferencial de negócios e, por isso, teve de responder a sucessivas denúncias de nepotismo e corrupção, que incluem convocações para duas CPIs no Congresso (a do Futebol e a da CBF-Nike) e investigações da Receita por omissão de declarações de rendimentos nos anos 90, além da importação irregular de equipamentos para a choperia El Turf, no Rio de Janeiro, depois da Copa de 94 e do histórico voo da muamba.

Enquanto a mídia da província e a nebulosa opinião pública debatem acirradamente quais são os “culpados” pela precoce eliminação dos soldadinhos de Dunga na África, especulando a todo vapor sobre o nome e o perfil (liberal ou disciplinador / discreto ou midiático?) do futuro técnico da seleção, o ambicioso “Rico” Terra porta-se como uma eminência parda em terras da Mãe África. Pouco importa se o time que ele representa já foi embora, amargando a segunda pior campanha desde a Copa de 90: 2014 já está logo ali, bem ao alcance dos consórcios e empresas que operam o futebol, sem dúvida a mais valiosa mercadoria da sociedade espetacular pós-moderna. Não é à toa que o Sr. Rico, há 21 anos no cargo, agora se apressa em pregar renovação (obviamente, só para o time e o técnico), sob a cúmplice chancela da TV Globo, a emissora ‘oficial’ da festa. De fato, há muito a faturar com a próxima Copa...

Que o diga a onipotente FIFA, que somente pelos direitos de transmissão do Mundial 2010 recebeu das redes televisivas a bagatela de 2,5 bilhões de dólares, mais que o dobro do que se pagou há quatro anos na Copa da Alemanha. O evento da África, aliás, parece ter sido o ápice da gestão mafiosa e Blatter & Cia: com cotas mínimas de US$ 240 milhões para cada sponsor (patrocinador, na língua do capital), logrou uma arrecadação total não inferior a US$ 3,4 bilhões, dos quais ‘míseros’ 30 milhões são destinados ao campeão do torneio. Graças à ‘magia da bola’, em meio a rumorosos casos de corrupção, suborno, compra de votos e desvio de ingressos (vale a pena ler o livro do jornalista esportivo Andrew Jennings, ainda inédito no Brasil, Foul! The secret World of FIFA), cresce o faturamento da entidade, que em 2009 obteve uma receita de US$ 1,059 bilhão, ao passo que os grandes clubes europeus acumulam centenas de milhões em dívidas (o deficit de Manchester United e Real Madri supera US$ 800 milhões!).

Cá na terrinha, Brás Cubas e Macunaíma já selaram seu acordo rumo a 2014. A Copa promete, sem dúvida, lucros fabulosos para as entidades promotoras e, como sempre, despesas infindáveis para o poder público, como bem o sabe a África do Sul, que continuará a pagar cifras astronômicas para custear o torneio (R$ 2,92 bilhões pelos estádios + 3,32 bi em transporte + 325 milhões por segurança, segundo informa o Ministério das Finanças de lá). Não é difícil prever o destino da tão decantada parceria público-privada (PPP), a fórmula mágica com a qual a tchurma de Teixeira justificou às nossas ‘autoridades’ o financiamento do convescote. A atual previsão de gastos para o evento em Bruzundanga já gira em torno de R$ 17 bilhões (estádios + transporte + infraestrutura urbana), além de R$ 5 bi para os aeroportos, um valor total duas vezes maior do que a despesa sul-africana. Quem pagará essa conta, Dilma?

A outra face imponderável do (vil) metal

Em meio às expectativas pela partilha dos contratos, há surdas e renhidas disputas políticas em jogo, como a sinuosa definição do estádio de abertura da Copa, um imbróglio de que participam desde os tucanos e demos paulistas até os aliados do Sr. “Rico”. O cenário, sem dúvida, é de dar dó: quando vejo Orlando Silva, Sérgio Cabral e outras sorridentes criaturas na telinha, logo ponho a mão no bolso, ciente do que nos aguarda. Depois de décadas de infortúnio com os governos do PMDB, desde o casal Little Rose & Little Boy até o atual Playboy, o Rio arcará com mais essa conta. Não faltarão, decerto, confete e serpentina para o carnaval de inverno, enquanto os professores permanecem há nove anos sem reajuste, com salários mensais de R$ 540,00 (culpa dos royalties do pré-sal!, diz o playboy), e o nível do ensino médio no estado disputa com Sergipe o último lugar no país (cf. os dados do IDEB 2009).

Contudo, ao contrário de alguns pares, desanimados com a pífia atuação dos canarinhos e com a enxurrada de maracutaias que se anuncia, vislumbro nos fatos mais recentes alguns sinais auspiciosos para o futuro. Não me incomoda o fascínio da pelota: nascido em um pacato subúrbio carioca e criado desde os dez anos na Vila de Noel, o futebol representa a primeira paixão de minha vida. Socializei-me nas peladas de rua e desde cedo me encantei com as artimanhas do jogo. Militante clandestino na luta contra o regime militar e torcedor do Botafogo de João Saldanha, Afonsinho e Paulo César Caju, jamais dissociei a política do futebol. Os embates que esses craques sustentaram contra os ‘donos da bola’ me ensinaram precocemente que nem tudo deve ser conformismo nas manifestações da cultura popular.

Por conta disso, escrevi esta semana em uma crônica que, apesar da Jabulani e do famigerado padrão toyotista do “futebol de resultados”, nem tudo é motivo para pessimismo no planeta-bola. A Copa da África, em especial, suscitou um intenso debate acerca das relações sociais e mercantis que gravitam ao redor do bilionário espetáculo. Até as mazelas desta era pós-moderna e biocibernética do capital nos foram expostas, como atesta o total desequilíbrio da França de Raymond Domenech, retrato da fratura étnica e social do país, onde a imigração pós-colonial africana assusta a ‘elegante’ burguesia e acirra as reações racistas dos torcedores, que, três dias após o vexame na África, invadiram a sede da Federação para exigir “uma seleção branca e cristã”, sem nenhum atleta negro ou muçulmano.

O próprio duelo entre Dunga e a mídia nos ensejou uma rara chance de refletir sobre o estágio em que se encontra a civilização de Bruzundanga, onde os atos de truculência e destempero são uma súmula irretocável do comportamento que as elites da colônia cultivam há séculos, hoje disseminado pelo conjunto da classe média e já visível em vários estratos populares. A turma de Brás Cubas e Macunaíma também não se esqueceu de destilar seu ódio de classe contra os vizinhos do Mercosul, mas, ao menos desta vez, o tiro parece ter saído pela culatra, como se viu na tosca matéria do Sportv sobre o Paraguai, tachado de “paraíso obscuro do mundo” pelo canal – a agressão, similar àquela que o tucano Serra fez à Bolívia de Evo Morales, gerou reação indignadas do público e um inédito pedido de desculpas ao vivo.

Malgrado o sucesso dos europeus, a Pátria Grande terá sido, afinal, a grande personagem da primeira Copa em solo africano. Além de belos gestos de fair-play dos atletas, atos como o apoio dos argentinos à indicação das Avós da Plaza de Mayo para o Nobel da Paz, ou a singela iniciativa uruguaia de firmar um acordo de intercâmbio técnico com seus anfitriões na África, indicam-nos que ainda há sinais de vida inteligente entre nós. Se o chauvinismo barato de Galvão & Cia parece estar em baixa e até Lulinha Paz & Amor já sugeriu à CBF que realize eleições de 8 em 8 anos, é bom que os donos da pelota não se esqueçam de que toda moeda possui o seu reverso – a contraface inelutável do (vil) metal.

Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Estudos Literários pela Universidade de La Habana, é autor de Noel Rosa: Poeta da Vila, Cronista do Brasil (lançado em 2009 pela Expressão Popular). 

fonte : Caros Amigos

… leia na íntegra e comente


 
 

Diversos e Afins

Free PageRank Checker Powered by FeedBurner
Central Blogs

Creative Commons License
Creative Commons 3.0 Brasil License

Fotos do Topo do Blog
Passeata - Evandro Texeira
Liberdade - Internet
MST - Oscar Niemeyer

eXTReMe Tracker

Visitantes e Navegantes


Guardados