Foto da fazenda da família Cutrale, em Araraquara/SP
O último censo agropecuário, realizado em 2006, mostrou o tamanho da desigualdade no campo. A pesquisa identificou 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar, correspondentes a 84,4% do total. Esses estabelecimentos ocupam 80,25 milhões de hectares, ou 24,3% do total de terras agriculturáveis no Brasil.
O agronegócio por sua vez corresponde a 15,6% do total dos estabelecimentos, mas ocupavam 75,7% da área agrícola do Brasil. Esses dados apontam que a esmagadora maioria da população rural detêm uma pequena parte das terras, enquanto uma minoria ocupa através de enormes latifúndios a maior parte da terra no país.
É nesse contexto que está sendo organizando entre os dias 1 e 7 de setembro um plebiscito pela limitação da propriedade da terra, que defende que toda terra com até 1000 hectares, produtiva ou não, seja passível de desapropriação para reforma agrária. A candidatura de Plínio Arruda Sampaio e o PSOL apoiam integralmente a campanha, por entender que a limitação é um passo muito importante para democratizar o acesso a terra, negado a maioria da população nos últimos 500 anos.
Nada nos últimos 16 anos foi feito no sentido de promover a reversão deste quadro, muito pelo contrário o agronegócio recebe muito mais incentivo do que os trabalhadores rurais. De acordo com dados dos bancos oficiais, as principais operadores das linhas de crédito para a agricultura brasileira, forneceram ao agronegócio R$ 65 bilhões, como recurso para custeio e investimentos na safra 2008/2009, e outros R$ 58 bilhões na safra anterior. Esse volume de recursos públicos foi quase 500% superior aos R$ 13 bilhões destinados à agricultura familiar para custear a safra 2008/2009 desse segmento.
Além do acesso privilegiado ao crédito o agronegócio também possui uma série de isenções fiscais. Dados da Receita Federal demonstram que a União deixou de recolher mais de R$ 37,8 bilhões desde 2003, sendo que a estimativa é uma renúncia de R$ 8,85 bilhões só em 2010. Essa renúncia fiscal é resultado de isenções, redução de tarifas e alíquotas, ocorridas a partir da edição das Leis nº. 10.925 e 11.051, ambas de 2004, que suspenderam a incidência da contribuição do PIS/Cofins sobre produtos agropecuários, ampliando posteriormente para a comercialização de fertilizantes e insumos agrícolas.
É nesse contexto que está sendo organizando entre os dias 1 e 7 de setembro um plebiscito pela limitação da propriedade da terra, que defende que toda terra com até 1000 hectares, produtiva ou não, seja passível de desapropriação para reforma agrária. A candidatura de Plínio Arruda Sampaio e o PSOL apoiam integralmente a campanha, por entender que a limitação é um passo muito importante para democratizar o acesso a terra, negado a maioria da população nos últimos 500 anos.
Nada nos últimos 16 anos foi feito no sentido de promover a reversão deste quadro, muito pelo contrário o agronegócio recebe muito mais incentivo do que os trabalhadores rurais. De acordo com dados dos bancos oficiais, as principais operadores das linhas de crédito para a agricultura brasileira, forneceram ao agronegócio R$ 65 bilhões, como recurso para custeio e investimentos na safra 2008/2009, e outros R$ 58 bilhões na safra anterior. Esse volume de recursos públicos foi quase 500% superior aos R$ 13 bilhões destinados à agricultura familiar para custear a safra 2008/2009 desse segmento.
Além do acesso privilegiado ao crédito o agronegócio também possui uma série de isenções fiscais. Dados da Receita Federal demonstram que a União deixou de recolher mais de R$ 37,8 bilhões desde 2003, sendo que a estimativa é uma renúncia de R$ 8,85 bilhões só em 2010. Essa renúncia fiscal é resultado de isenções, redução de tarifas e alíquotas, ocorridas a partir da edição das Leis nº. 10.925 e 11.051, ambas de 2004, que suspenderam a incidência da contribuição do PIS/Cofins sobre produtos agropecuários, ampliando posteriormente para a comercialização de fertilizantes e insumos agrícolas.
Nestes valores, portanto, não estão contabilizados outros apoios públicos como, por exemplo, os incentivos à exportação e a isenção de ICMS, nem a prorrogação das dívidas das cooperativas junto à Receita Federal (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica), INSS (contribuição social do setor patronal), PIS, etc., renegociadas a partir da Medida Provisória no. 303, de 2006.
Os governos, tanto o de Fernando Henrique quanto o de Lula, afirmam ser necessário incentivar o agronegócio, pois ele geraria riqueza e equilibra a balança comercial brasileira. Esse argumento é facilmente desconstruído quando analisamos o quadro agrícola do Brasil. Primeiro porque a agricultura familiar emprega muito mais do que o agronegócio, o último Censo Agropecuário registrou 12,3 milhões de pessoas trabalhando na agricultura familiar, o que equivale a 74,4% das pessoas empregadas no campo. Os estabelecimentos não familiares ocupavam 4,2 milhões de pessoas, o que corresponde a 25,6% da mão de obra ocupada.
Além de empregar mais a agricultura familiar também é a grande responsável pela alimentação do brasileiro. Apesar de cultivar uma área menor com lavouras e pastagens a agricultura familiar é responsável por garantir boa parte da segurança alimentar do país, como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno. Em 2006, a agricultura familiar era responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite (composta por 58% do leite de vaca e 67% do leite de cabra), 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%).
Por último é necessário notar os altos índices de desmatamento nas áres de expansão da fronteira agrícola e do agronegócio. Essa área compreende principalmente o norte Mato Grosso, Pará, sul da Amazôna e Tocantins, onde a plantação de soja e a criação de bois cresce a altos índices. É justamente nesses estados onde encontramos os maiores índices desmatamento do Brasil. Segundo dados do INPE os estados que mais desmataram em 2010 foram Amazonas = 46,9 km2, Maranhão = 22,0 km2, Mato Grosso = 102,2 km2, Pará = 237,9 km2, Rondônia = 70,0 km2, Tocantins = 1,6 km2
Violência e trabalho escravo no campo
Estão associados ao agronegócio os maiores índices de violência e de trabalho escravo do Brasil. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, entre 2003 e 2009 os estados que concentraram maior número de casos de escravidão foram: Pará, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Bahia e Goiás. Ainda segundo a CPT a Amazônia Legal concentrou em 2009, mais da metade dos conflitos por terra no país.
Coincidência ou não a Amazônia Legal é para onde o agronegócio se expande. Essa expansão acontece as custas da mata que é destruída e da expulsão da população local, muitas vezes à força e à custa de vidas, de suas terras.
Todos esses dados apontam para a urgência de uma reforma agrária real, que democratize o acesso à terra, para inclusive fixar o trabalhador no campo estacando sua vinda para a cidade, onde a desigualdade é alarmante.
Os governos, tanto o de Fernando Henrique quanto o de Lula, afirmam ser necessário incentivar o agronegócio, pois ele geraria riqueza e equilibra a balança comercial brasileira. Esse argumento é facilmente desconstruído quando analisamos o quadro agrícola do Brasil. Primeiro porque a agricultura familiar emprega muito mais do que o agronegócio, o último Censo Agropecuário registrou 12,3 milhões de pessoas trabalhando na agricultura familiar, o que equivale a 74,4% das pessoas empregadas no campo. Os estabelecimentos não familiares ocupavam 4,2 milhões de pessoas, o que corresponde a 25,6% da mão de obra ocupada.
Além de empregar mais a agricultura familiar também é a grande responsável pela alimentação do brasileiro. Apesar de cultivar uma área menor com lavouras e pastagens a agricultura familiar é responsável por garantir boa parte da segurança alimentar do país, como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno. Em 2006, a agricultura familiar era responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite (composta por 58% do leite de vaca e 67% do leite de cabra), 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%).
Por último é necessário notar os altos índices de desmatamento nas áres de expansão da fronteira agrícola e do agronegócio. Essa área compreende principalmente o norte Mato Grosso, Pará, sul da Amazôna e Tocantins, onde a plantação de soja e a criação de bois cresce a altos índices. É justamente nesses estados onde encontramos os maiores índices desmatamento do Brasil. Segundo dados do INPE os estados que mais desmataram em 2010 foram Amazonas = 46,9 km2, Maranhão = 22,0 km2, Mato Grosso = 102,2 km2, Pará = 237,9 km2, Rondônia = 70,0 km2, Tocantins = 1,6 km2
Violência e trabalho escravo no campo
Estão associados ao agronegócio os maiores índices de violência e de trabalho escravo do Brasil. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra, entre 2003 e 2009 os estados que concentraram maior número de casos de escravidão foram: Pará, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Bahia e Goiás. Ainda segundo a CPT a Amazônia Legal concentrou em 2009, mais da metade dos conflitos por terra no país.
Coincidência ou não a Amazônia Legal é para onde o agronegócio se expande. Essa expansão acontece as custas da mata que é destruída e da expulsão da população local, muitas vezes à força e à custa de vidas, de suas terras.
Todos esses dados apontam para a urgência de uma reforma agrária real, que democratize o acesso à terra, para inclusive fixar o trabalhador no campo estacando sua vinda para a cidade, onde a desigualdade é alarmante.
Divulgue a Campanha
Confira o material disponível para a divulgação da Campanha e do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra:
NOVO Abaixo Assinado (2 mb, pdf)
Cartilha "Três histórias e uma terra" (7,32 mb, pdf)
Cartaz da Campanha (5,17 mb, pdf)
Jornal do Limite da Propriedade da Terra (10,2 mb, pdf)
Cartaz do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (236 kb, pdf)
Folder do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (2,36 mb, pdf)
Capa Cartilha do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (72 kb, pdf)
Cartilha do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (244 kb, pdf)
Cédula de Votação (100 kb, pdf)
Cédula de Votação - MODELO NOVO PARA IMPRESSÃO (212 k, pdf)
Manual de Orientação (524 kb, pdf)
Lista de Votação (45 kb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra FRENTE (2,75 mb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra VERSO (1,38 mb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra PRETO E BRANCO Frente (2 mb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra PRETO E BRANCO Verso (3 mb, pdf)
Panfleto Margarida Alves (204 kb, pdf)
Panfleto Plebiscito - Comitê Rio Grande do Sul (240 kb, pdf)
Folder Plebiscito - Comitê Bahia (1,31 mb, pdf)
Jornal Plebiscito - Comitê Paraná (2 mb, pdf)
Jornal Plebiscito - Comitê Mato Grosso (2 mb, pdf)
Spots de rádio da campanha:
SPOT 1 (480 kb, MP3)
SPOT 2 (470 kb, MP3)
NOVO Abaixo Assinado (2 mb, pdf)
Cartilha "Três histórias e uma terra" (7,32 mb, pdf)
Cartaz da Campanha (5,17 mb, pdf)
Jornal do Limite da Propriedade da Terra (10,2 mb, pdf)
Cartaz do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (236 kb, pdf)
Folder do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (2,36 mb, pdf)
Capa Cartilha do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (72 kb, pdf)
Cartilha do Plebiscito Popular pelo Limite da Terra (244 kb, pdf)
Cédula de Votação (100 kb, pdf)
Cédula de Votação - MODELO NOVO PARA IMPRESSÃO (212 k, pdf)
Manual de Orientação (524 kb, pdf)
Lista de Votação (45 kb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra FRENTE (2,75 mb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra VERSO (1,38 mb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra PRETO E BRANCO Frente (2 mb, pdf)
Panfleto Plebiscito Popular pelo Limite da Terra PRETO E BRANCO Verso (3 mb, pdf)
Panfleto Margarida Alves (204 kb, pdf)
Panfleto Plebiscito - Comitê Rio Grande do Sul (240 kb, pdf)
Folder Plebiscito - Comitê Bahia (1,31 mb, pdf)
Jornal Plebiscito - Comitê Paraná (2 mb, pdf)
Jornal Plebiscito - Comitê Mato Grosso (2 mb, pdf)
Spots de rádio da campanha:
SPOT 1 (480 kb, MP3)
SPOT 2 (470 kb, MP3)
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