31 outubro 2010

Pelo fim da publicidade dirigida às crianças

por Juca Maurício Silva  

A lentidão brasileira ao regular a publicidade de produtos e serviços destinados a crianças e adolescentes anda na contramão do cuidado que se espera do poder público em situações nas quais os interesses comerciais do mercado podem interferir no desenvolvimento da cidadania. E só atende aos interesses dos anunciantes. 

A publicidade cria e amplia o desejo pelo consumo, é sabido. Com adolescentes (seres em processo de formação identitária), e crianças (que não têm ainda todas as ferramentas intelectuais que lhes permitiriam construir o real), a publicidade tem chances enormes de convencer sobre a “necessidade” ou sobre a “vontade” de um objeto e incentivar o consumismo. 

As crianças precisam de tantos brinquedos que vêem anunciados e passam a querer? Como os pais devem lidar com o fato de não poderem dar todos os brinquedos? O que é necessário? 

No caso dos adolescentes, a publicidade age sobre seu processo de formação da identidade, como se ter a marca tal, ou a roupa da grife da moda pudesse fazê-los mais ou melhores. Pior ainda quando impõe padrões estéticos inalcançáveis ou absolutamente dispensáveis para o desenvolvimento saudável do ser humano. Teria o número crescente de transtornos alimentares que vemos no Brasil alguma ligação com essas imagens? De que forma o padrão estético dialoga com a saúde? 

A publicidade mostra sua face mais cruel quando se pensa nas crianças e adolescentes que não podem ter, efetivamente, acesso às mercadorias anunciadas. 

A publicidade diz às crianças e adolescentes que elas precisam consumir para se impor socialmente.

Os danos causados ao desenvolvimento infantil são aguçados para meninos e meninas em situação permanente de vulnerabilidade, pela privação de acesso aos objetos desejados. 

Proibir a publicidade para crianças e adolescentes no Brasil é proteger meninos e meninas hoje completamente expostos aos efeitos danosos da publicidade. Bélgica, Dinamarca, Grécia, Irlanda, Itália, Noruega, Suécia, Inglaterra, entre outros, regulam a publicidade voltada para o público infantil e juvenil. Será que todos esses países erraram? 

O fim da publicidade dirigida a crianças e adolescentes de nosso país precisa de debate na Confecom!

Segue abaixo; lista com algumas normas reguladoras vigentes nos em alguns paises europeus.

Comunidade Européia
  • Artigo 16 da diretiva Televisão sem fronteiras: “A publicidade de televisão não deve causar prejuízo moral ou físico aos menores e deve, dessa  forma, respeitar os seguintes critério para sua proteção:
a. não deve incitar os menores à compra de um produto ou serviço, explorando sua inexperiência e credulidade;
b. não deve incitar os menores a insistir com os pais para que comprem um produto ou serviço.”

Bélgica
  • Proibida a publicidade para crianças nas regiões flamengas.
Dinamarca  
  • Proibida a publicidade durante programas infantis, ainda cinco minutos antes e
Grécia  
  • Proibida a publicidade de brinquedos entre 7h e
Irlanda  
  • Proibida qualquer publicidade durante programas infantis em TV
Itália  
  • Proibida a publicidade de qualquer produto ou serviço durante desenhos
Noruega  
  • Proibida a publicidade de produtos e serviços direcionados a crianças com menos de 12 anos
  • Proibida a publicidade durante programas infantis.
Suécia  
  • Proibida qualquer publicidade durante programas infantis, nem imediatamente antes ou depois.
  • Proibida a publicidade de produtos para crianças de até 12
Inglaterra  
  • Proibido o uso de mascotes em publicidade de alimentos.
  • Comerciais com desenhos animados que mostrem junk food só poder ser exibidos após as 20h.
  • Proibido o uso de efeitos especiais para insinuar que o produto faz mais do que pode. 
  • Proibido o uso de cortes rápidos e ângulos diferentes para não confundir a criança. 
  • Os acessórios devem ser descritos como tal, com a indicação de que o produto ficará mais caro. 
  • Quando o produto custar mais de £25 (R$ 120) o preço deve ser exposto na publicidade. 
  • Proibido o uso das expressões “apenas” ou “somente”.
  • Se o produto for de uso manual, deve ficar claro para a criança que não funciona sozinho. 
  • O tamanho do produto deve ser comparado com objetos conhecidos. 
  • A velocidade de carrinhos não deve ser exagerada. 
  • Proibido insinuar que a criança será inferior a outra se não usar o produto ou serviço anunciado. 
  • A criança/ator não pode comentar sobre as características do produto ou serviço além daquilo que uma criança de sua idade falaria. 
  • Proibida a publicidade para crianças que oferecem produtos ou serviços por telefone, correio, internet, celular etc. 
  • Proibido encorajar a valentia. 
 Austrália 
  • Nenhuma publicidade pode levar uma criança a acreditar que vencerá ou será superior a outra
  • Que uma pessoa que compra um produto ou serviço para uma criança é mais generosa do que outra. 
  • A criança mostrada deve ter a idade adequada para o uso do produto.  
  • O tamanho do produto tem que estar claro, com a exibição de algo que a criança reconheça como parâmetro.  
  • Prêmios e brindes: A publicidade deve dar mais ênfase ao produto que ao brinde. 
  • Bebidas alcoólicas: Publicidade somente após as 20h30, sequer patrocínio de eventos ao longo do dia.
Canadá 
  • Não pode agir no inconsciente da criança.
  • Não pode haver exagero sobre tamanho, velocidade etc.
  • O termo “novo” não poder figurar por mais de um ano.
  • Não pode haver publicidade produtos não destinados a crianças em programas infantis.
  • Proibida a publicidade de medicamentos e produtos farmacêuticos, exceto pasta de dente com flúor.
  • Não pode sugerir a compra pela criança nem que leve a pedir aos pais que compre.
  • Proibida a sugestão de compra por telefone ou correio em publicidade para crianças.
  • Proibida a exibição de um mesmo produto em menos de meia hora.
  •  Não pode haver publicidade com bonecos, pessoas ou personagens conhecidos, exceto para campanhas sobre boa alimentação, segurança, educação, saúde etc.
  • Proibido usar a expressão “somente”, “o mais barato” etc.
  • Proibido mostrar cenas de risco e imagens de fogo.
  • Não pode mostrar uso inadequado do produto (como jogar uma bala para cima para pegar com a boca).
  • Alimentos: Deve ser mostrado o real valor nutritivo do alimento e jamais como substituto de uma refeição.
  • A televisão pública não exibe nenhuma publicidade durante programas infantis, nem imediatamente antes ou depois.
 Província do Quebec 
  • Proibida qualquer publicidade de produtos destinados a crianças de até 13 anos, em qualquer mídia.
Estados Unidos 
  • Limite de 10min30s de publicidade por hora nos finais de semana.
  • Limite de 12min de publicidade por hora nos dias de semana.
  • Proibida a exibição de programas-comerciais.
  • Proibido o merchandising testemunhal.
  • Proibida a publicidade de adoção de crianças em leis de 19 estados. 
* Compilação resumida de dados relativos à pesquisa realizada em 2005 e 2006 pelo Prof. Dr. Edgard Rebouças como subsídio às Comissões de Defesa do Consumidor e de Direitos Humanos, da Câmara dos Deputados, para os debates sobre a regulamentação da publicidade para crianças no Brasil. 

** Jornalista pela Universidade Federal do Espírito Santo, mestre em Sciences de l’information et de la communication pela Université Grenoble 3 e doutor em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo, com estágio de pesquisa na Université du Québec à Montréal. Professor da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenador do Observatório da Mídia Regional, diretor de Relações Internacionais da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom, e editor da Global Media Journal – Brazilian Edition. e-mail: edreboucas.br@gmail.com.

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30 outubro 2010

Privatização não tirou atraso de telefones

Devido ao 2º turno das eleições, as privatizações voltaram ao centro do debate econômico, justamente como tentativa de diferenciações entre os dois candidatos a presidente, uma contrária as privatizações e o outro como defender daquelas que supostamente "teriam dado certo" . Contudo, ao contrário do que é dito pelo PSDB e grande mídia, e que o PT tem vergonha em discordar com veemência, as privatizações não tiraram o Brasil do atraso nas telecomunicações.

Apontado pelo PSDB, como exemplo de privatização que deu certo, o serviço de telefonia celular no Brasil teve evolução semelhante à que ocorreu no resto do mundo no mesmo período, comprovando que o crescimento do setor se deveu à adesão da população à nova tecnologia, e não ao modelo escolhido no Governo Fernando Henrique Cardoso, que trouxe por sua vez, a venda escandalosa de patrimônio público e as tarifas entre as mais caras do mundo.

País ficou em 97º lugar entre 233 países na relação de celular por 100 habitantes

Apontado pelo PSDB como exemplo de privatização que deu certo, o serviço de telefonia celular no Brasil teve evolução semelhante à que ocorreu no resto do mundo, comprovando que o crescimento do setor se deveu à adesão da população à nova tecnologia, e não ao modelo escolhido no Governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), o Brasil figura num distante 97º lugar no ranking de 233 países com mais linhas móveis por 100 habitantes. À frente no ranking da agência de comunicações da ONU, vêm nações como Argentina, Guatemala e Albânia. Em 1999, ainda sem os efeitos da privatização, o Brasil era o 80º.

A evolução do número de celulares no país após a privatização das telecomunicações, em 1998, exibe desenvolvimento inferior ao de países que estavam no mesmo estágio. África do Sul, Argentina, Uruguai e até El Salvador tiveram desempenho melhor. Apenas no México a evolução foi inferior à brasileira.

Em 2009, havia 89,79 linhas de celular por 100 brasileiros. No mundo, a média dos países não-desenvolvidos é de 57,9 por 100 pessoas; nas nações desenvolvidas, é de 115,3.

Se em número de linhas o país não se destaca, o mesmo não se pode dizer em termo de tarifas. Ainda segundo a UIT, o Brasil tem a tarifa de celular mais cara do mundo entre 159 países, considerando a PPC (paridade do poder de compra). Um pacote com 25 chamadas e 30 torpedos custa, em média, US$ 42 por mês no Brasil. No México, são US$ 14,60; e em Hong Kong, apenas US$ 1 mensal.

Um dos motivos alegados pelas empresas de telecomunicações para os altos preços é a cobrança de elevados impostos. Mas outro ranking, da consultoria Dirsi somente com países da América, joga por terra essa tese. O Brasil aparece no topo da lista de tarifas elevadas e, mesmo que fossem excluídos todos os impostos sobre a tarifa brasileira, ela ainda seria mais alta do que a do segundo colocado (Honduras) com taxação.

O custo da cesta de serviços na modalidade pré-pago atinge US$ 45,01 por mês no Brasil. Vêm a seguir, Honduras (US$ 25,69) e Uruguai (US$ 21,70). Nesse estudo, as menores tarifas são cobradas em Costa Rica (US$ 3,50) e Jamaica (US$ 2,21). No regime pós-pago, Honduras e Venezuela quase igualam a tarifa brasileira.

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100 anos da Revolta da Chibata

por Manuel Amaral para o site Revolutas

Dois personagens que marcaram a história. Um combateu os maus tratos, a indignidade, e as humilhações sofridas por marinheiros. O outro lutou pela libertação dos escravos, na tribuna e na imprensa, desde que a abolição não fosse obra da ação dos próprios escravos.

Joaquim Nabuco e João Cândido, não se encontraram em vida. O primeiro não sabia da existência do outro. O segundo conhecia o primeiro. Quando se encontraram um estava morto, o outro estava prestes a entrar para a história.

A morte do primeiro completou 100 anos em janeiro, os eventos que elevaram o segundo à história, completa 100 anos em novembro. Um é lembrado e comemorado por intelectuais e imprensa burguesa. O outro, o negro, o Almirante Negro, e a revolta que liderou é lembrada pelos trabalhadores e pelo povo negro e pelos movimentos sociais que lutam por melhores condições de vida, por dignidade, respeito, por terra e moradia.

João Cândido estava no navio que foi buscar o corpo de Joaquim Nabuco em Washington em 1910. Era o poderoso Minas Gerais, um dos maiores navios de guerra do mundo, encomendado aos britânicos. João Cândido estava à frente deste navio como seu primeiro timoneiro.

Em 1906 o marinheiro foi ao continente europeu. Passou pelos portos do norte da Europa e Mar Báltico. As lembranças da revolta do encouraçado Pontemkin, na Rússia, ainda era assunto entre os marinheiros europeus. Além disso, os marinheiros ingleses haviam lutado por melhores condições de trabalho entre 1903 e 1906. E os castigos corporais já não existiam desde 1880. As viagens à Europa certamente foram uma escola e João Cândido e seus companheiros aprenderam a lição.

De volta ao país, trazendo os encouraçados Minas Gerais e São Paulo, os marinheiros decidiram que as chibatas não seriam mais toleradas entre os marinheiros. Assim, entre reuniões escondidas tomaram a decisão de se sublevarem, tomar controle dos navios e exigir do governo a abolição das chibatadas.

Nabuco tinha razão. Se a abolição da escravidão ocorresse pela ação revolucionária dos escravos, ela seria de fato uma abolição, com todas as compensações necessárias. Não seriam largados a própria sorte sem eira nem beira. Teria sido feita a reforma agrária, os crimes cometidos pelos barões do café e dos engenhos de açúcar não teriam fica impunes. E os cerca de 760 mil escravizados ilegalmente entre 1850 e 1888 teriam seus direitos reconhecidos. Hoje o Brasil seria outro país, menos injusto, menos desigual. Quem sabe?

Quando os marinheiros tomaram os navios e apontaram seus canhões para a capital da república, fizeram com que a elite branca e racista tremessem de medo e às pressas aprovassem decreto tornando extinta as punições por chibatadas na marinha brasileira e anistiando os revoltosos.

A vitória estava garantida, mas a vingança não tardou a acontecer. Semeando desinformação e pressionando os marinheiros o governo conseguiu outra revolta em dezembro de 1910. Todos os marinheiros envolvidos na revolta de novembro foram presos acusados de rebelião. Inclusive aqueles que não participaram ou mesmo, no caso de João Cândido, que se posicionou contra esta nova rebelião. Foram mortos as dezenas. João Cândido foi aprisionado em uma cela fechada, sem ventilação, escura e úmida, juntamente com outros 16 companheiros. Somente quando todos, ou assim pensaram, que todos estavam mortos e que abriram a cela, para encontrar dois sobreviventes. Entre eles João Cândido, que passou a ser perseguido, desmoralizado, humilhado até sua morte em 1969. Mas a chibata não voltou a talhar as costas de nenhum outro operário do mar.

Somente em 2008 foi assinada lei 11.756 que reconhece os direitos de anistia concedida a João Cândido e seus companheiros em 1910. No entanto, foi vetado o pagamento de indenização aos descendentes dos marinheiros, inclusive de João Cândido. Em 2010 o almirante negro foi homenageado, no Porto de Suape PE, com seu nome dado ao primeiro petroleiro brasileiro em 13 anos.

Vejam mais:

Projeto Memória – http://www.projetomemoria.art.br

MOREL, Edmar. A revolta da Chibata. 5ª Ed. Comemorativa do centenário da Revolta da Chibata. São Paulo: Paz e Terra. 2009.

Manuel Amaral é jornalista, historiador e militante do Revolutas

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CRICRI, TROLOLÓ, LERO-LERO E CONVERSA MOLE

Celso Lungaretti (*)

Depois do debate eleitoral (promovido por um pool de emissoras de TV) que decidiu -- ou pareceu ter decidido -- a eleição presidencial de 1989, a Rede Globo deve ter unilateralmente resolvido evitar que isto acontecesse de novo, nem que fosse preciso matar de tédio os telespectadores. Está conseguindo.

O certo é que agora monopoliza a data estratégica da antevéspera do 2º turno, mas não para promover debates, e sim chatíssimas sabatinas dos presidenciáveis, que são inquiridos por eleitores indecisos de todos os Estados.

Então, não se discute política propriamente dita, mas, tão somente, propostas administrativas que vem ao encontro das aspirações dos eleitores, aferidas nas pesquisas qualitativas (pouco importando que sejam inexequíveis e virem letra morta depois...) e miudezas ridículas.

Às vezes dava a impressão de que, ao invés de um presidente, escolhia-se um síndico.

Bom para quem tem confortável vantagem, como Dilma Rousseff. O formato condiciona a que nada suceda de realmente importante.

Ruim para José Serra, que, conformando-se com a camisa de força que lhe foi imposta, jamais conseguiria virar o jogo.

Abúlico, ele nem tentou provocar um debate de verdade. Ficou dando suas aulas que provocam ataques de bocejos nos eleitores, até o mais amargo fim.

Ou seja, não produziu o milagre com que os seguidores mais irrealistas ainda sonhavam, selando definitivamente sua derrota.

* Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com


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29 outubro 2010

Embaixador cubano quer América Latina unida contra embargo dos EUA

por Paula Laboissière para a Agência Brasil em 25/10/2010 

O embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora, cobrou hoje (25) unanimidade de votos da América Latina e do Caribe contra o embargo norte-americano, amanhã (26), na assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Em entrevista coletiva, Zamora destacou que os prejuízos causados ao governo cubano em razão do bloqueio somavam cerca de US$ 751,3 bilhões até dezembro do ano passado. As restrições foram impostas em 1962 e já duram quase 50 anos. Para o embaixador cubano, trata-se de uma política “atrasada e obsoleta”.

Caso a maioria dos países membros da ONU decida pelo fim do embargo, o encontro de amanhã será a 19ª assembleia consecutiva a se manifestar favorável à decisão. No ano passado, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, condenou o bloqueio norte-americano.

“Tenho que demonstrar o reconhecimento de nosso país ao posicionamento tradicional do Brasil. Foi o primeiro país a interferir. Esperamos que, amanhã, como o Brasil, um bom número de países se manifeste”, afirmou Zamora.

Segundo o embaixador, a maioria dos próprios cidadãos norte-americanos (61%) é favorável à abertura de viagens entre osEstados Unidos e Cuba e 50% quer o fim do bloqueio. No entanto, disse Zamora, a administração do presidente Barack Obama tem se apresentado como mera continuação do governo anterior.

“Para nós, o bloqueio deve ser suspenso de forma unilateral e imediata. [Foi] um bloqueio feito por vontade própria e por força [dos Estados Unidos] e constitui o principal obstáculo para o desenvolvimento eocnômico e social de Cuba”, disse. “É inconcebível que dois países vizinhos [Cuba e Estados Unidos] não possam ter relações econômicas, comerciais e culturais”, concluiu.

Sob embargo norte-americano desde a década de 60, Cuba se esforça para evitar o agravamento da crise no país ao anunciar a abertura do mercado de trabalho, a demissão de cerca de 500 mil funcionários públicos e a aproximação da União Europeia. O bloqueio envolve restrições econômicas, financeiras, políticas e diplomáticas.

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Latino-americanos criam união de agências de noticias

por Nádia Franco para a Agência Brasil  

Nove agências de notícias latino-americanas decidiram, esta semana, reunir-se em uma associação para construir um espaço coletivo de intercâmbio de conteúdos, experiências e formação profissional, de modo a facilitar a inserção de uma visão regional própria na agenda informativa global.

Segundo comunicado das instituições que a formaram, a União Latino-Americana de Agências de Notícias integrará conteúdos jornalísticos, com coordenação de coberturas e intercâmbios profissionais.

Integram a nova associação as agências públicas da Bolívia (ABI), Guatemala (AGN), do Equador (Andes), da Venezuela (AVN), do Brasil (EBC), Paraguai (IPP), México (Notimex), de Cuba (Prensa Latina) e da Argentina (Telam).

A primeira reunião da nova associação está prevista para o início de dezembro na Guatemala.

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RETROCESSO EVITADO, A PRIORIDADE SERÁ DESLANCHAR O AVANÇO

Celso Lungaretti (*)

Como não há mal que sempre dure, chegará ao fim neste domingo a campanha presidencial mais tediosa e deseducativa desde que o Brasil voltou à civilização, em 1985, depois de 21 anos de trevas.

O ritual democrático desta vez ficou em descompasso com o estado de ânimo do povo brasileiro.

Vivendo seu melhor momento econômico das últimas décadas, com mais empregos, mais ganhos, mais consumo e perspectivas douradas pela frente (pré-sal, Copa do Mundo e Olimpíada), o que nossa gente queria mesmo era manter Lula na Presidência.

Felizmente, ele fechou os ouvidos ao canto das sereias, não consentindo numa mudança das regras do jogo.

A segunda reeleição, com certeza, seria legitimada por um plebiscito e pela previsível avalanche de votos... trazendo consigo, entretanto, o espantalho do chavismo, pretexto pelo qual há muito anseiam as correntes mais nocivas e retrógradas deste país, sempre à cata de uma oportunidade para reeditarem 1964.

Dilma Rousseff foi a aposta de Lula para manter a hegemonia petista sem a única grande liderança nacional que o PT produziu até agora.

Só que, depois de cinco eleições consecutivas em que ele foi ou vitorioso ou o principal adversário do candidato vencedor, Dilma necessariamente pareceria uma coadjuvante fazendo as vezes de protagonista.

Saiu-se até melhor do que o esperado, mas dificilmente chegaria aonde chegou se dependesse apenas de seu (escasso) carisma. Deverá a eleição a Lula, como Dutra deveu a dele a Vargas.

Quanto ao maior antagonista, sua missão era, de antemão, quase impossível. Mas, não há dúvidas de que ele maximizou a piora do, em si, já ruim.

Também pouco carismático – parece sempre um mestre-escola lecionando a alunos de compreensão lenta – José Serra começou tentando eleger-se como o administrador experiente que seria melhor continuador de Lula do que a candidata do próprio Lula. Bola fora.

À medida que se evidenciava sua importência para evitar a derrota anunciada a partir de uma agenda positiva, foi apelando para a negativa: desceu do pedestal e passou a jogar sujo.

Endossou a pregação alarmista do seu vice Índio da Costa, cujos clichês ultradireitistas eram visivelmente copiados de sites goebbelianos como o Ternuma.

Olhou para o outro lado enquanto uma escória virtual – as  viúvas da ditadura  e os cuervos por elas criados (os pupilos neofascistas) – movia, em seu benefício, uma sórdida campanha caluniosa contra Dilma. Imputavam-lhe responsabilidades indevidas (participação em episódios da luta armada com os quais nada teve a ver), apresentando como  crimes  e  terrorismo  o que foi, na verdade, corajosa resistência à tirania.

Desceu até o fundo do poço ao transformar o aborto em tema de campanha, como se a real convicção dele, de Dilma e dos cidadãos civilizados não fosse basicamente a mesma: o estado deve prioritariamente evitar que as mulheres corram altos riscos abortando em condições precárias, ao invés de se subjugar a dogmas medievais.

Caiu no ridículo ao querer erigir um episódio banal de campanha em ameaça à democracia, esquecendo que bolinhas de papel e rolinhos de fita crepe machucam muito menos do que os cassetetes da tropa de choque da PM, tantas vezes brandidos contra manifestantes pacíficos quando ele era governador de São Paulo.

Last but not least, resvalou também para a demagogia, com propostas como a de elevar o salário mínimo a R$ 600, aumentar em 10% o valor da aposentadoria e pagar 13º para os beneficiários do Bolsa Família.

Com tudo isso, só conseguiu transformar a previsível derrota do campo conservador numa acachapante derrota pessoal, da qual dificilmente se reerguerá.

Dilma, por sua vez, terá um desafio maior ainda a partir de 1º de janeiro: provar que mereceu ser a primeira mulher a chegar à Presidência do Brasil, imprimindo uma marca pessoal ao legado recebido de Lula.

Já conseguiu evitar o retrocesso, parabéns!

Torçamos para que ela seja igualmente bem sucedida em deslanchar o avanço, com determinação e ousadia.
* Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

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28 outubro 2010

O endividamento da União e a disputa presidencial

por Paulo Passarinho

O primeiro turno das eleições presidenciais já se encerrou e nos encontramos em plena disputa do segundo turno, mais uma vez envolvendo os candidatos do PT e do PSDB. Em 1994 e em 1998, esta disputa também se deu, porém FHC - o candidato dos tucanos à época - acabou por vencer as eleições já no primeiro turno. Em 2002 e em 2006, a decisão apenas se deu no segundo turno.

Há dezesseis anos, portanto, a polarização entre PSDB e PT marca a disputa da eleição mais importante do país.

Contudo, ao contrário do que um eleitor mais desavisado poderia supor, a discussão sobre a realidade econômica e as políticas a serem adotadas pelos candidatos, caso sejam eleitos, continuam a ser escamoteadas.

Em 1994, em meio à euforia do lançamento do Real, a plataforma agressiva das privatizações do PSDB não foi antecipada por FHC, assim como em 1998, no direito a uma reeleição comprada por meio de uma emenda constitucional, o mesmo FHC não deu ciência ao país do acordo em curso com o FMI, provocado pela situação falimentar em que se encontrava o Brasil.

Em 2002, tivemos mais conhecimento da crise que vivíamos, por força de um novo acordo celebrado com o mesmo FMI, e do compromisso, que todos os candidatos acabaram por assumir, em respeitar as exigências que nos eram impostas. O que Lula, o vencedor daquela eleição, não divulgou foi a sua intenção em ser mais realista do que o rei. Já como presidente, sua primeira medida foi aumentar a meta do superávit primário estabelecida inicialmente com o FMI, de 3,75%, para 4,25% do PIB.

Em 2006, forçado a uma disputa com o reacionário Geraldo Alckmin, Lula usou e abusou da pertinente acusação de privatista, contra o seu adversário. O que o mesmo Lula não esclareceu ao eleitorado foi a sua intenção, materializada logo no início do seu segundo mandato, em privatizar o trecho da BR-101, ligando o Rio de Janeiro à cidade de Campos, no norte fluminense.

Esses exemplos mostram muito bem como os candidatos de confiança do sistema financeiro - sistema que parece ser uma espécie de fiel da balança dos políticos de sucesso - agem em relação ao eleitorado.

Agora, em 2010, há um silêncio sepulcral, dos ungidos pelas generosas verbas de campanha, em relação ao grave problema do endividamento da União.

Ao contrário, o candidato tucano - apesar de toda a grita de economistas ligados ao seu PSDB contra a "explosão dos gastos correntes" no governo Lula - promete um salário mínimo de R$ 600,00, reajuste de 10% nas pensões e aposentadorias do INSS e 13º "salário" para o Bolsa Família!!

Demagogias ou falsas promessas à parte, o problema é que temos de fato um sério desafio pela frente. Plínio de Arruda, do PSOL, no primeiro turno das eleições, com toda razão apontou a necessidade de uma séria auditoria da dívida pública do país, conforme uma das conclusões da CPI da Dívida Pública, realizada pela Câmara Federal.

E o problema não é a tal explosão dos gastos correntes, genericamente denunciada pelos economistas liberais, em geral mirando novas mudanças nas regras da previdência.

Desde o lançamento do Plano Real, em julho de 1994, a evolução da dívida em títulos da União é espetacular. E esta é a principal dívida financeira que temos de enfrentar. Em dezembro daquele ano, essa chamada dívida mobiliária da União era de R$ 59,4 bilhões de reais. Ao final do ano seguinte, primeiro ano do mandato de FHC, essa dívida chegava a R$ 84,6 bilhões, com um crescimento nominal em relação a dezembro de 1994 de 42%(!!), correspondendo a 12% do PIB. Para quem possa se espantar com essa evolução, lembro que FHC chega ao final do seu primeiro mandato, em dezembro de 1998, com essa dívida já em R$ 343,82 bilhões, correspondentes a 35,11% do PIB.

As razões desse explosivo crescimento da dívida pública em títulos são decorrentes essencialmente da própria forma de funcionamento da economia, pós-lançamento do Real. A integração financeira do Brasil com os mercados financeiros do mundo, com a livre movimentação de capitais, subordina a política monetária aos humores dos investidores e especuladores internacionais.

De 1994 a 1998, a idéia de um Real "forte" (um real = um dólar) exigia acúmulo de reservas em dólar, de modo a se garantir a equivalência da nova moeda nacional com a moeda dos Estados Unidos. Os juros extremamente elevados e o programa de privatizações de empresas estatais garantiram uma enxurrada de dólares para o país. Entretanto, na medida em que esses dólares são transformados em reais, levando a uma expansão do volume de reais em circulação na economia, o Banco Central entra no mercado vendendo títulos públicos, com o objetivo de retirar o chamado excesso de moeda em circulação.

Houve, nesse período também, a maior parte das renegociações das dívidas de estados e municípios com o governo central, federalizando-se essas dívidas, o que ajudou o crescimento da dívida em títulos da União. Porém, o fator mais importante foi a necessidade do acúmulo de reservas, com base em taxas de juros reais elevadas.

A partir de 1999, com a mudança do regime cambial (até então, relativamente fixo) para o chamado câmbio flutuante, o papel das altas taxas de juros - que continuam a vigorar - passa a ser justificado como instrumento vital para se conseguir manter a inflação projetada para cada ano, dentro das metas definidas pela política monetária. A política econômica passa a ser guiada de acordo com o que recomenda o FMI.

Isso não impede que o país vá novamente recorrer ao FMI, em 2002, e FHC entrega o governo a Lula com a dívida em títulos alcançando o montante de R$ 687,30, correspondentes a 46,51% do PIB. É interessante notar que durante esse período, que se inicia em 1999, o governo federal passa a ter de cumprir metas de superávit primário, nunca inferiores a 3% do PIB. Mesmo assim, nota-se que, sempre em função das altas taxas reais de juros vigentes, a dívida continua em trajetória ascendente.

É essa política que Lula deu continuidade. E é por isso que hoje temos uma dívida em títulos que supera a cifra de R$ 2,2 trilhões, mais de 70% do PIB do país, com uma carga líquida anual de juros sempre superior a R$ 150 bilhões. Ou seja: além de o montante dessa dívida continuar a subir de forma astronômica, há um comprometimento crescente da maior parte do orçamento público da União com o pagamento de juros e amortizações. No exercício de 2009, por exemplo, 36% desse orçamento foram gastos com essa finalidade. Ao mesmo tempo, áreas consideradas estratégicas, como a saúde ou a educação, foram contempladas, respectivamente, com menos de 5% e de 3% desse mesmo orçamento.

Essa é a realidade que Dilma e Serra não querem debater. Mas, essa é uma questão que não deixará de ser enfrentada no próximo governo. Até porque, por força da valorização do Real - decorrente da permanente pressão produzida pelos dólares que entram no país - voltamos a ter déficits em nossas transações com o exterior, o que nos torna ainda mais vulneráveis à necessidade de financiamento em dólares.

A dívida externa, por sua vez, apesar de todas as falsas informações veiculadas, muitas vezes pelo próprio Lula, continua a existir e de forma robusta: hoje já ultrapassa a US$ 300 bilhões. Com reservas internacionais de US$ 280 bilhões, para muitos isso não seria um grande problema. Contudo, frente a qualquer reversão do quadro internacional para uma nova onda de fortes instabilidades nos mercados financeiros, não há dúvidas sobre o preço que pagaremos.

Já se observam fortes pressões para uma nova rodada de mudanças nas regras da Previdência Pública. Trata-se, a rigor, da última variável importante para os liberais, na busca de fontes para novos cortes orçamentários, com o objetivo de se tentar segurar um modelo econômico que tem de ser superado.

Fora outrora, o PT seria um aliado nessa luta.

Hoje, frente ao transformismo desse partido, sua candidata à eleição presidencial é apenas mais uma protagonista da tentativa de se esconder do povo brasileiro a gravidade dessa situação.
 
Paulo Passarinho é economista e conselheiro do CORECON-RJ


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Teme-se a favela, e não a Alerj

Em entrevista publicada no jornal Extra, no dia 17/10, Marcelo Freixo fez a seguinte provocação: 
 
"Eu quero que experimentem, um dia só, botar o caveirão na Vieira Souto. 
Não precisa dar tiro (...), mas só a fala que ele fala nas favelas: 'Sai da frente. Vim buscar sua alma'. 
A República cai no dia seguinte. 
A dignidade do Rio tem endereço, tem CEP". 
 
Clique aqui e leia a entrevista

fonte : http://www.marcelofreixo.com.br

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BENTO XVI LANÇA A "TEOLOGIA DO RETROCESSO"

Celso Lungaretti (*)

Reunido com bispos brasileiros na manhã desta quinta-feira (28) em Roma, o patético papa Bento XVI conclamou-os a meterem o nariz em assuntos que não lhes dizem respeito, como se a separação entre a Igreja e o Estado não vigesse há 120 anos em nosso país!

Sem se dar conta de que os valores medievais hoje nada mais são do que cinzas de um passado que envergonha os civilizados, quer o Papa que a Igreja faça proselitismo político ("quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas"), pressionando partidos e candidatos no sentido de que:
  • seja negado às mulheres o direito de interromper, mesmo no início, uma gravidez indesejada, e aos desenganados o direito de escolherem o momento e a forma como preferem morrer ("Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático é atraiçoado nas suas bases");
  • seja imposto o ensino religioso em escolas públicas do Estado, obrigando professores a cumprirem o papel de sacerdotes e invadindo a esfera de decisão das famílias ("uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado"); e
  • sejam expostos símbolos religiosos em ambientes públicos, em gritante violação dos direitos de religiosos de outras confissões, ateus e agnósticos ("Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito").
Em tempos corriqueiros, este anúncio da  Teologia do Retrocesso  de Bento XVI já seria uma descabida incitação ao lobbismo.

Três dias antes do 2º turno de uma eleição presidencial, a interferência  indevida desse papa (cujo horizonte mental é o de um ativista da TFP...) assume gravidade ainda maior.

Pois se trata, pura e simplesmente, de uma CHANTAGEM contra a democracia brasileira.
* Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

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Prêmio Top Blog 2010 2ª Fase. Já votou no Ousar Lutar?

Na primeira fase do prêmio Top Blog 2010 ficamos entre os 100 mais votados. 
Agora é a 2ª fase e vai ser super legal contar novamente com seu voto e divulgação.  
Clique aqui para votar e repasse aos amigos. Você receberá um email do site para a confirmação do voto.

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27 outubro 2010

Editor do Diário do Nordeste é demitido por matéria sobre livro marxista

Do Sindicato dos Jornalista do Ceará via  Brasil de Fato 

No momento em que a grande mídia distorce e critica o projeto de indicação aprovado na Assembleia Legislativa do Ceará, que propõe a criação do Conselho Estadual de Comunicação - sob a alegação de que vai "cercear a liberdade de expressão"­ -, o jornal Diário do Nordeste demitiu de forma arbitrária, no último dia 18 de outubro, o jornalista Dalwton Moura, por ter escrito e editado matéria no Caderno 3 sobre as revoluções marxistas que marcaram os séculos XIX e XX.

O caderno especial, de seis páginas, foi considerado pela direção da empresa "panfletário" e "subversivo", além de "inoportuno ao momento atual".Tendo, entre outras fontes, o filósofo Michael Löwi, que estaria em Fortaleza para lançar o livro "Revoluções" (com imagens que marcaram os movimentos contestatórios decisivos para a história dos últimos dois séculos), a matéria foi pautada pelo editor-chefe do jornal, Ildefonso Rodrigues, tendo sido sugerida pela historiadora e professora Adelaide Gonçalves, da Universidade Federal do Ceará (UFC). No entanto, ao comunicar a demissão do jornalista, o editor-chefe se limitou a dizer que "não sabia o conteúdo da reportagem até vê-la publicada".
 
O caso do jornalista Dalwton Moura não se trata de demissão por delito de opinião, pois ele não emitiu, em qualquer momento, juízo de valor sobre o conteúdo da pauta. Perdeu o emprego muito menos por incompetência ou negligência na sua função. Ironicamente, o trabalhador foi dispensado simplesmente por cumprir uma pauta que, depois de publicada, percebeu-se ser contra os interesses da empresa. A direção do jornal não pode alegar, no entanto, que desconhecia o conteúdo da matéria, pois além de ter sido pautado pelo editor-chefe, o assunto foi relatado em, pelo menos, quatro reuniões de pauta que antecederam sua publicação.
 
A demissão do então editor do Caderno 3 expõe o abismo entre o discurso da grande mídia conservadora, que se diz ameaçada em sua liberdade de expressão ­- ­inclusive atacando com este falso argumento o projeto do Conselho de Comunicação do Estado -, e suas práticas cotidianas, restritivas ao exercício profissional dos jornalistas, bem como à livre opinião de colaboradores e leitores. "O Sindicato dos Jornalistas do Ceará protesta contra esta demissão arbitrária e mantém sua luta pela verdadeira liberdade de expressão para os jornalistas e para todos os brasileiros, manifestada em projetos como o do Conselho de Comunicação", afirma o presidente do Sindjorce, Claylson Martins.
 
Veja no blog da Editora Boitempo como foi o evento“Revoluções”.

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Era Lula: pobre é baratinho

por Sérgio Domingues para o site Revolutas

Lula é um grande comunicador. Pode-se discordar do que ele fala. Difícil não entender o que diz. Um exemplo:

          “Tem rico que vem aqui, te pede um bilhão de reais e sai falando mal de você. 
O pobre te pede dez reais e fica agradecido pelo resto da vida.”

A frase foi publicada na revista Isto É de agosto passado. Não deixa de ser coerente.

O Bolsa-Família é considerado o maior programa social do mundo. Entre 2003 e 2009 o programa ficou com 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Parece muito, mas não é. É só comparar com outros gastos públicos. O superávit primário, por exemplo, mordeu mais de 3% do PIB em média, no mesmo período.

O superávit primário é uma invenção maldita dos tucanos. Trata-se da diferença entre o que os governos gastam e arrecadam. O que sobra não pode ser usado em obras necessárias para a população. Tem que ir para o pagamento dos juros da dívida pública. Aquela que já está em mais de R$ 2 trilhões. A mesma que virou o cassino em que os muito ricos apostam, negociando papéis que pagam os maiores juros do planeta. Por isso, o superávit primário também é chamado de renda mínima dos capitalistas.

Ganhando Dilma ou Serra, o pessoal do andar de cima não precisa se preocupar. O orçamento de 2011 já garantiu R$ 125 bilhões para o superávit primário. Aprovado em lei com a ajuda de tucanos e petistas.

Eles confiam na avaliação de Lula de que pobre é baratinho. Uma crença que pode lhes custar caro, se os bons ventos da economia mundial mudarem de rumo.

Leia também: Era Lula: voto útil ou rendição?

fonte : Pílulas Diárias

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26 outubro 2010

A experiência da Auditoria Oficial da Dívida Pública equatoriana e a recente tentativa de golpe de Estado

por Maria Lucia Fattorelli

No ano de 2007, o presidente Rafael Correa criou a Comissão para a Auditoria Integral do Crédito Público (CAIC), cuja atribuição foi a realização da auditoria oficial da dívida pública do país - tanto interna quanto externa; seus impactos sociais, ambientais e econômicos. Essa atitude soberana foi um passo fundamental em direção à conquista da verdadeira independência da América Latina, ao mesmo tempo em que significou uma vitória dos movimentos sociais que há décadas lutam pela auditoria da dívida pública, que consome a maior parcela dos recursos orçamentários.

leia na íntegra no site da  Fundação Lauro Campos PSOL

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SERRA 2010: UM NECROLÓGIO ANTECIPADO

Celso Lungaretti (*)

O tedioso debate eleitoral da rede Record foi apenas mais um prego no caixão das aspirações presidenciais de José Serra.

Lutando por pequenas vantagens que não seriam suficientes para alterar o quadro cada dia mais consolidado -- como a tentativa de demonstrar que não é o único privatizador, com insistência tão exagerada que irritou o mais paciente dos telespectadores --, ele só conseguiu mostrar-se de novo impotente para sobrepujar nitidamente sua adversária.

Ora, sabe-se desde o início da campanha que, sem a nocautear, Serra jamais contrabalançaria a enorme popularidade do patrono de Dilma Rousseff.

Vitória apertada por pontos, o máximo que se pode atribuir-lhe, nunca bastou. São necessárias razões fortíssimas para o eleitorado trocar o certo pelo duvidoso. Em dúvida, pro continuidade...

Então, a penúltima refrega só fez aumentar a saturação de quem a acompanhou e nada forneceu de bombástico que possa ser utilizado no horário eleitoral.

Bem vistas as coisas, Dilma foi até mais eficiente em encurralar o antagonista, nos quesitos  geração de empregos  (alguém deveria, contudo, dar-lhe o toque de que o Governo Lula, ao criar o  TRIPLO  de postos de trabalho do Governo FHC, produziu  DUAS VEZES MAIS  empregos, e não três...) e promessa quebrada (de cumprir até o último dia seu mandato de prefeito).

Serra ainda ensaiou tímidas refutações no primeiro tópico e fugiu do segundo assunto como o diabo da cruz.

Só que, com isto, deixou uma considerável nódoa em sua biografia. Cansa de afirmar que sua trajetória fala por si, mas nada tem a declarar sobre o fato de ter assumido publicamente um compromisso solene e não o haver honrado, colocando as conveniências políticas acima da palavra empenhada.

Como eu também estou saturado, tomarei emprestado do colunista Fernando de Barros e Silva o necrológio da candidatura de Serra, que pode ser feito com cinco dias de antecedência, sem risco nenhum de erro, porque a fatura já está liquidada:
"Este (...) segundo turno (...) já acabou. Por exaustão. Por carência de ideias. Por excesso de chatice. Pelas falsas polêmicas...

"Acabou, antes de mais nada, porque Dilma Rousseff deve ser eleita no domingo, a não ser que José Serra produza em cinco dias o milagre que não foi capaz de fazer desde que se lançou, em abril.

"Tem-se, hoje, a impressão de que o tucano não encontrou o tom da campanha e esgotou suas armas. Quais foram elas? Um capacete na cabeça e um crucifixo na mão.

"A insistência no tema do aborto, com o trololó religioso que durou semanas, e a valorização estridente da agressão de que foi vítima no Rio são sintomas de um candidato sem foco, desesperadamente em busca de algo em que se agarrar.

"Só isso explica, também, o acesso populista do tucano austero, que promete elevar o salário mínimo a R$ 600, aumentar em 10% o valor da aposentadoria e pagar 13º para os beneficiários do Bolsa Família. Serra quis parecer o Lula do Lula.

"Mobilizando a agenda conservadora ou mimetizando a pauta petista, o tucano apostou sempre e tão somente em si mesmo, na sua capacidade de fazer, mandar, decidir.

"Pode soar estranho, porque se trata de um personagem doente de tão racional, mas Serra é um candidato com forte traço messiânico.

"Mas o que ou quem ele quer salvar? Os pobres? A democracia? Os valores da família? A nossa fé? Apesar de ser mais aparelhado do que sua adversária, o tucano se desvirtuou no processo eleitoral, sem, no entanto, conseguir romper o encanto do lulismo nem propor uma discussão séria do país, que fosse além da sua obsessão pessoal".
 * Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

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25 outubro 2010

Manifesto em defesa da Educação Pública

Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país. Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. 

Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais. 

Esse choque de gestão é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado
desses dois níveis educacionais. 

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de tró-ló-ló de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. 

Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes. 

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. 

A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados. 

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de engavetador geral da república. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor. 

Fábio Konder Comparato, USP
Carlos Nelson Coutinho, UFRJ
Heloisa Fernandes, USP
Theotonio dos Santos, UFF
Emilia Viotti da Costa, USP
José Arbex Jr., PUC-SP
Marilena Chaui, USP
João José Reis, UFBA
Joel Birman, UFRJ
Leda Paulani, USP
Dermeval Saviani, Unicamp
João Adolfo Hansen, USP
Flora Sussekind, Unirio
Otávio Velho, UFRJ
Renato Ortiz, Unicamp
Maria Victoria de Mesquita Benevides, USP
Enio Candotti, UFRJ
Luis Fernandes, UFRJ
Antonio Carlos Mazzeo, Unesp
Caio Navarro de Toledo, Unicamp
Celso Frederico, USP
Armando Boito, Unicamp
Henrique Carneiro, USP
Angela Leite Lopes, UFRJ
Afrânio Catani, USP
Laura Tavares, UFRJ
Wolfgang LeoMaar, UFSCar
João Quartim de Moraes, Unicamp
Ildeu de Castro Moreira, UFRJ
Scarlett Marton, USP
Emir Sader, UERJ
Marcelo Perine, PUC-SP
Flavio Aguiar, USP
Léon Kossovitch, USP
Wander Melo Miranda, UFMG
Celso F. Favaretto, USP
Benjamin Abdalla Jr., USP
Irene Cardoso, USP
José Ricardo Ramalho, UFRJ
Gilberto Bercovici, USP
Ivana Bentes, UFRJ
José Sérgio F. de Carvalho, USP
Peter Pal Pelbart, PUC- SP
Sergio Cardoso, USP
Consuelo Lins, UFRJ
Iumna Simon, USP
Elisa Kossovitch, Unicamp
Edilson Crema, USP
Liliana Segnini, Unicamp
Glauco Arbix, USP
Ligia Chiappini, Universidade Livre de Berlim
Luiz Roncari, USP
Francisco Foot Hardman, Unicamp
Eleutério Prado, USP
Giuseppe Cocco, UFRJ
Vladimir Safatle, USP
Eliana Regina de Freitas Dutra, UFMG
Helder Garmes, USP
José Castilho de Marques Neto, Unesp
Marcos Dantas, UFRJ
Adélia Bezerra de Meneses, Unicamp
Luís Augusto Fischer, UFRS
Zenir Campos Reis, USP
Alessandro Octaviani, USP
Federico Neiburg, UFRJ
Maria Lygia Quartim de Moraes, Unicamp
Cilaine Alves Cunha, USP
Evando Nascimento, UFJF
Sandra Guardini Teixeira Vasconcelos, USP
Juarez Guimarães, UFMG
Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, PUC-SP
Marcos Silva, USP
Walquíria Domingues Leão Rego, Unicamp
Sérgio de Carvalho, USP
Rosa Maria Dias, Uerj
Gil Vicente Reis de Figueiredo, UFSCar
Ladislau Dowbor, PUC-SP
Ricardo Musse, USP
Lucilia de Almeida Neves, UnB
Maria Lúcia Montes, USP
Eugenio Maria de França Ramos, Unesp
Ana Fani Alessandri Carlos, USP
Mauro Zilbovicius, USP
Jacyntho Lins Brandão, UFMG
Paulo Silveira, USP
Marly de A. G. Vianna, UFSCar
José Camilo Pena, PUC-RJ
Lincoln Secco, USP
Mario Sergio Salerno, USP
Rodrigo Duarte, UFMG
Sean Purdy, USP
Adriano Codato, UFPR
Ricardo Nascimento Fabbrini, USP
Denilson Lopes, UFRJ
Marcus Orione, USP
Ernani Chaves, UFPA
Gustavo Venturi, USP
João Roberto Martins Filho, UFSCar
Nelson Cardoso Amaral, UFG
Evelina Dagnino, Unicamp
Vinicius Berlendis de Figueiredo, UFPR
Silvia de Assis Saes, UFBA
Carlos Ranulfo, UFMG
Flavio Campos, USP
Liv Sovik, UFRJ
Marta Maria Chagas de Carvalho, USP
Paulo Faria, UFRGS
Rubem Murilo Leão Rego, Unicamp
Maria Helena P. T. Machado, USP
Francisco Rüdiger, UFRS
Nelson Schapochnik, USP
José Geraldo Silveira Bueno, PUC-SP
Reginaldo Moraes, Unicamp
Luiz Recaman, USP
Roberto Grun, UFSCar
Edson de Sousa, UFRGS
Márcia Cavalcante Schuback, UFRJ
Luciano Elia, UnB
Ricardo Basbaum, UERJ
Julio Ambrozio, UFJF
João Emanuel, UFRN
Paulo Martins, USP
Analice Palombini, UFRS
Alysson Mascaro, USP
José Luiz Vieira, UFF
Marcia Tosta Dias, Unifesp
Salete de Almeida Cara, USP
Anselmo Pessoa Neto, UFG
Elyeser Szturm, UnB
Iris Kantor, USP
Fernando Lourenço, Unicamp
Luiz Carlos Soares, UFF
André Carone, Unifesp
Richard Simanke, UFSCar
Francisco Alambert, USP
Arlenice Almeida, Unifesp
Miriam Avila, UFMG
Sérgio Salomão Shecaira, USP
Carlos Eduardo Martins, UFRJ
Eduardo Brandão, USP
Jesus Ranieri, Unicamp
Mayra Laudanna, USP
Luiz Hebeche, UFSC
Eduardo Morettin, USP
Adma Muhana, USP
Fábio Durão, Unicamp
Amarilio Ferreira Jr., UFSCar
Jaime Ginzburg, USP
Ianni Regia Scarcelli, USP
Marlise Matos, UFMG
Adalberto Muller, UFF
Ivo da Silva Júnior, Unifesp
Cláudio Oliveira, UFF
Ana Paula Pacheco, USP
Sérgio Alcides, UFMG
Romualdo Pessoa Campos Filho, UFG
Bento Itamar Borges, UFU
Tânia Pellegrini, UFSCar
José Paulo Guedes Pinto, UFRRJ
Luiz Damon, UFPR
Emiliano José, UFBA
Horácio Antunes, UFMAC
Bila Sorj, UFRJ
Cláudio Correia Leitão, UFSJ
Sérgio Luiz Carlos dos Santos, UFPR
Bráulio Wanderley, FASJ-IESB
e a lista só cresce.


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O BRASILEIRÃO DOS DESESPERADOS

Celso Lungaretti (*)

Completadas 31 das 38 rodadas, o Fluminense e o Cruzeiro lideram a série A do Brasileirão 2010, tendo conquistado 58% dos pontos que disputaram.

Só em 2002 o campeão (Santos) teve aproveitamento tão ruim nesta década. E a forma de disputa era outra, com 26 competidores e um turno só, seguido de mata-matas.

Nos demais anos, ficou entre 64% e 68%, salvo em 2003 (o Cruzeiro obteve expressivos 72%) e 2009 (os 59% do Flamengo).

O certo é que, ultimamente, vemos o principal campeonato nacional do esporte preferido dos brasileiros reduzido a um perde-ganha maluco, com os times disparando na frente e depois sofrendo quedas vertiginosas de rendimento, que deixam pasmos os torcedores.

O Palmeiras estava encomendando as faixas no ano passado quando passou a perder todas e acabou nem mesmo entrando na zona de classificação para a Libertadores.

Agora em 2010, Corinthians e Fluminense já estiveram bem à frente dos rivais, mas as abruptas fases negativas pulverizaram sua vantagem. Depois chegou o Cruzeiro... e, mal atingiu o 1º lugar, também caiu de produção.

Por quê?

Porque os esforços excessivos a que estão sendo submetidos os jogadores acabam estourando os elencos. E, conforme se contundem seus jogadores-chave, os times desabam.

Isto se dá não só em função da quantidade excessiva de jogos disputados, como também por esquemas táticos que exigem mais correria do que os atletas podem suportar no médio e longo prazos.

Emblemático foi o caso recente do Corinthians. Com Mano Menezes como técnico, vinha sendo a equipe mais consistente do futebol paulista... exatamente porque dosava suas forças e conseguia suportar bem a sequência de jogos. Isto incluía poupar os atletas cujo desgaste atingia um ponto perigoso, dando-lhes merecidos descansos.

Mano foi para a Seleção, veio Adilson Batista e armou bem o Corinthians, no papel. Com um esquema de marcação sob pressão inclusive no campo adversário, chegou a conquistar excelentes resultados, como as vitórias fora de casa contra Fluminense e Santos.

Mas, estava esticando demais o elástico e este, de repente, arrebentou, com as contusões se multiplicando e o time entrando em parafuso.

Quatro derrotas e três empates depois, seu substituto Tite é a esperança de reencontro com o equilíbrio possível. Começou bem, vencendo o Palmeiras.

APOGEU DOS SUPERCRAQUES DURA CADA VEZ MENOS

O certo é que o espírito de ganância capitalista aplicado ao esporte dá nisso: exige-se demais dos jogadores, fazendo com que degringolem fisica ou psicologicamente.

Que eu saiba, só quem vem abordando sistematicamente esta nova realidade é o grande Tostão. Ele ressalta que a carga de esforços imposta aos profissionais de futebol vem encurtando a carreira dos supercraques, cujo apogeu acaba bem mais cedo do que antes. Exemplos: Ronaldinho Gaúcho e Kaká.

E não é uma distorção só do futebol. Noutros esportes o desempenho chegou a ser maximizado por dopings e agora há casos como o do tenista Rafael Nadal, que sacrificou-se demais para chegar ao posto de 1º do ranking e acabou pagando alto preço: uma contusão o manteve afastado por um semestre das quadras. Ao voltar, aprendera a dosar melhor suas forças.

Dá pena vermos nosso esporte das massas transformado num concurso de resistência física, como aquelas maratonas de dança da Grande Depressão, magnificamente retratadas no filme A Noite dos Desesperados (d. Sidney Pollack, 1969), em que Jane Fonda teve a melhor interpretação de sua carreira.

Já houve um tempo em que por aqui havia campeões incontestáveis, que dominavam as competições de ponta a ponta, não times que conservam um tiquinho a mais de forças e atropelam na reta final, de forma que o título parece ter-lhes caído do céu.

No último campeonato espanhol, o Barcelona registrou um inacreditável aproveitamento de 87%, sofrendo uma única derrota em 38 partidas.

Mesmo assim, só foi campeão por ter vencido no turno e returno o vice Real Madrid que, com 84%, fez a segunda melhor campanha de todos os tempos na Liga.

É um círculo vicioso: quando a grana comanda tudo, os países ricos podem fazer calendários menos desgastantes e tratar suas estrelas de forma menos desumana, até porque contam com ótimos substitutos. Isto se reflete nos resultados esportivos, que, por sua vez, geram retorno financeiro condizente.

Enquanto os pobres -- nós -- somos obrigados a exportar cada vez mais cedo nossas revelações e a superexplorar os que ficam, o que fazendo despencar cada vez mais a qualidade e o brilho das competições.

Disse e repito: o capitalismo consegue macular tudo que há de bom, nobre, justo, digno e belo em nossas existências.
* Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

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O BEBÊ CHORÃO E A GRANADA DE PAPEL

Celso Lungaretti (*)

É de um ridículo atroz a grita demotucana, tentando apresentar um episódio pequeno e patético como se fosse uma terrível ameaça à democracia.

Ameaças reais à democracia eram, isto sim, as brutais agressões da polícia do então governador José Serra aos professores e aos universitários de São Paulo.

Para quem já esqueceu esses episódios, eis como o professor doutor Pablo Ortellado, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, relatou um deles, a chamada  batalha da USP, em junho/2009:
"Quando [os docentes da USP] chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de 'efeito moral' porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (...).

"Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás -- [nomeia cinco professores] todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico.

"Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio.

"(...) Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.
"Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado). Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos.

"Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora (...) que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos".
EXAGEROS E MENTIRAS - Então, em meio a tanta tempestade em copo d'água e tanta manipulação desavergonhada sobre o  rolinho de fita crepe assassino, é um alívio encontrar colegas que ainda se comportam com a dignidade de verdadeiros jornalistas, mesmo atuando na grande imprensa.

Pena que sejam só os veteraníssimos, que os veículos da mídia golpista suportam porque seria contraproducente tirar-lhes os espaços, expondo-se a uma enxurrada de críticas. Preferem aguardar que se aposentem, enquanto tratam de evitar que tenham sucessores.

Enfim, saudemos os Jânios de Freitas que ainda restam, capazes de dar a definitiva palavra sobre os factóides ridículos que o PIG tenta fabricar, como ele fez nestas considerações:
"O PSDB e aliados investem no engrandecimento do choque entre o objeto na cabeça de José Serra e a reação de Lula. A rigor, a gravação com celular feita pelo repórter Italo Nogueira, da Folha, a meu ver não permite a afirmação categórica de que um segundo objeto, contundente, atingiu a cabeça de Serra.

"O tumulto forçou imagens tremidas, que precisam de perícia, e talvez não uma só, para a interpretação segura.

"A própria Folha, em cuja Redação no Rio a gravação foi examinada inúmeras vezes, tratou-a com cautela. A Globo decidiu bancá-la como imagem de um objeto atingindo Serra. Se houve esse objeto além da bolinha de papel, é certo que não teve mais de um palmo e não 'era duro e pesava mais ou menos meio quilo', como descrito por Serra.

"Sabe-se que ele é cabeça-dura, mas não a ponto de nela receber um objeto com tais características e, nem se diga ferimento, mas sequer ficar marca na pele..."

* Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

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AFINAL, POR QUE NÃO EXTIRPARMOS O DEM?

Celso Lungaretti (*)

Quem acompanha meu trabalho, sabe muito bem que não faço parte da claque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Eu o critico ou elogio caso a caso, submetendo o que ele diz e faz ao crivo dos valores da minha geração revolucionária (a de 1968), que continuo tendo como bússola.

Então, quando ele afirmou, p. ex., que a polícia tem de subir o morro para bater em quem merece apanhar e proteger quem merece ser defendido, eu virei um caminhão de melancias em cima de V. Exa.

Polícia, para quem veio das correntes ideológicas das quais nós dois viemos, não tem como função bater em ninguém, ponto final. O título do meu post disse tudo: Por que não te calas, Lula?.

Mas, estarei também sempre pronto a denunciar a má fé com que a mídia golpista carrega nas tintas em tudo que se refira ao Lula.

P. ex, a frase "precisamos extirpar o DEM da política brasileira", tão vituperada quanto distorcida, é pertinente, válida e nem um pouco antidemocrática. Subscrevo-a e aplaudo.

Em nenhum momento ele falou em exterminar fisicamente os adversários, como alegam os exegetas de nenhuma sutileza e indisfarçável tendenciosidade. A afirmação é claríssima: trata-se de livrar a política brasileira de uma de suas piores ervas daninhas.

De onde essa gente derivou, afinal, a conclusão de que isto se faria por métodos truculentos e não, simplesmente, pelo voto?

Foi, aliás, bem o que ocorreu em 3 de outubro. Os  demônios  estão sendo exorcizados, alvíssaras!

PARTIDO DO "SIM, AMÉM, COMO QUEIRA, SENHOR!"

A facção militar que usurpou o poder em 1964, quis porque quis impor-nos um quadro político semelhante ao dos EUA, com apenas dois grandes partidos.

Então, extinguiu todas as agremiações até então existentes e deixou que se erguessem sobre os escombros apenas um partido do  sim, amém, como queira, senhor!  e outro do não concordo mas só me resta aceitar, senhor!.

A Arena foi cúmplice do arbítrio, dos descalabros e das atrocidades, pois a tudo concedeu seu aval apriorístico e automático, na farsa que se encenava para dar aos néscios a impressão de que as instituições ainda vigiam no Brasil.

O MDB, quase sempre manietado e reduzido à impotência, pelo menos resmungava sua desaprovação. E, cada vez que tentava fazer algo além disto, era colocado de volta no seu lugar: os déspotas fechavam o Congresso e promoviam expurgos ("cassações") na bancada emedebista.

E, claro, eram os da Arena que se beneficiavam das negociatas e das boquinhas do poder. Os porcos eram convenientemente cevados, em troca dos seus serviços sujos.

Quando a ditadura caía de podre, os mais finórios  arenosos  (o nome do partido já era outro, PDS, mas pouco importa...) conspiraram com Tancredo Neves para se conservarem no poder mesmo com o País voltando à civilização.

Como?

Primeiramente, votando em massa contra a Emenda Dante de Oliveira, que restituiria ao povo brasileiro o direito de eleger seu presidente da República pela via direta. Numa eleição de verdade, o franco favorito era o Brizola.

Depois, desertando do partido oficial e concedendo a Tancredo os votos de que ele necessitava para derrotar Paulo Maluf no Colégio Eleitoral.

Como prêmio pelos seus préstimos, o novo partido por eles constituído, PFL, passou a ser o sócio do PMDB no comando da chamada  Nova República.

Até a sorte os favoreceu: um dos piores dentre eles, José Sarney, viu o poder cair-lhe no colo com a morte de Tancredo.

Também pouco importa que Sarney tivesse preferido pular para o galho do PMDB ao invés de filiar-se ao PFL. Por passado, personalidade e caráter, ele sempre pertenceu ao segundo. Rótulo, no seu caso, era o de menos.

Vai daí que, com presença tão marcante de ex-arenosos nos postos-chave, a Nova República foi extremamente tímida em eliminar o entulho autoritário e nada fez para punir os torturadores  Como esperar que os cúmplices do arbítrio assumissem para valer a alardeada missão de  passar o Brasil a limpo

Desde então, o PFL, depois DEM, foi se definindo como o que há de mais próximo de uma direita ideológica na política brasileira, principalmente porque o Partido Liberal -- que, em termos teóricos, teria mais afinidade com tal papel -- não vingou.

O componente fisiológico também existe e é forte no DEM, claro.

Mas, o principal de sua identidade é dado, de um lado, pelos adeptos da  modernidade  capitalista, os supostamente civilizados; e do outro, pelos ansiosos por um novo totalitarismo, as  viúvas da ditadura  e seus filhotes neofascistas, enfim, os que não conhecem sequer o significado do substantivo  civilização...

Ignoro como os primeiros conseguem suportar tão bem o mau hálito dos segundos. Usarão máscaras contra gases?

Também não sei qual a correlação interna de forças -- se podemos considerar concludente o fato de que tenham escolhido para vice de José Serra um de seus brucutus mais emblemáticos, tão tosco nos seus valores quanto em matéria de conhecimentos gerais (ou, mais precisamente, falta de).

Mas, do que não tenho nenhuma dúvida é o seguinte: tal erva daninha não deixaria nenhuma saudade e merece mesmo ser extirpada e atirada o quanto antes na lixeira da História.
* Jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

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24 outubro 2010

Página reúne material sobre a luta comunista no Brasil na internet

A página do Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabóis vem divulgando artigos e documentos sobre a história de luta dos comunistas brasileiros. 
Do material recente, destaque para um artigo sobre os 60 anos do massacre de quatro militantes comunistas em Santana de Livramento (RS), durante a campanha eleitoral de 1950. 
Também está disponível para consulta a coleção A Classe Operária, órgão oficial do PCdoB, que circulou clandestinamente durante a ditadura militar.

Esses e outros textos estão disponíveis em http://grabois.org.br/portal/

fonte : NPC

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23 outubro 2010

A companheira Ana pede ajuda

por Celso Lungaretti (*)  

A companheira Ana de Cerqueira César Corbisier, que lutou contra a ditadura militar como militante da ALN de Carlos Marighella, acredita que matérias falaciosas da revista Veja teriam influenciado o Tribunal Superior do Trabalho a decidir contra ela um processo julgado no último dia 13.

Tudo começou em 14/10/2009, quando a Veja publicou O esquema da bolsa guerrilha, utilizando a inaceitável designação de ex-terrorista para se referir a Ana, que, como Dilma Rousseff, bravamente resistiu ao terrorismo de estado imposto ao País pelos déspotas que usurparam o poder em 1964. 

Eis o cerne do repulsivo texto da Veja: 

"...Ana pleiteia também uma milionária compensação trabalhista: quer receber os salários que deixou de ganhar na Fundação Padre Anchieta por ter abandonado o emprego para pegar em armas.

"Caso ganhe a ação, ela poderá embolsar nada menos que 70 milhões de reais, segundo os cálculos da Fundação Padre Anchieta, responsável pela rádio e TV Cultura". 

Na ocasião, respondi à revista com meu artigo "Veja" repete os slogans das viúvas da ditadura contra as reparações, pulverizando TODAS as demais afirmações (informações, no verdadeiro sentido dotermo, não havia nenhuma...), como meras panfletagens reacionárias que eram. Mas, não encontrando a versão de Ana em parte alguma, acabei concluindo que ela estaria mesmo fazendo um pleito descabido. 

Eis alguns trechos da contestação que ela então enviou à Veja e, como é praxe da mídia golpista, foi olimpicamente ignorada: 

"Conforme esclareci à jornalista, por telefone, o valor da minha causa, depois de 27 anos na Justiça, está muito longe dos 70 milhões de que fala a matéria. Assim, muito me estranha que a Fundação Padre Anchieta tenha chegado a esta cifra, que vai tão contra os seus interesses. 

"Como o documento que faz parte da [ilustrou a] matéria foi rasgado, a impressão que fica do que foi montado é que eu matei pessoas, o que, como declarei à Comissão da Anistia, em 1995, nunca aconteceu. 

"Em 1969, o Prof. Soares Amora, diretor da Fundação Padre Anchieta, que fora meu chefe na Diretoria de Ensino daquela Fundação, preocupado com minha segurança, recomendou que eu não voltasse ao trabalho, pois 'a polícia esteve aqui e deu uma batida em sua mesa”'(palavras dele). Pedi, então, formalmente, uma licença para tratamento de saúde, visando evitar a prisão, como faculta a Lei brasileira, a tortura e talvez, a morte. Ou seja, não 'abandonei o emprego', mas fui orientada e obrigada a afastar-me, sob pena de ter a mesma sorte do jornalista Wladimir Herzog, também funcionário do Canal 2. 

"Atendendo ao que me permitia a Lei da Anistia, promulgada em agosto de 1979, solicitei reintegração a meu cargo na TV Cultura. O mesmo Prof. Soares Amora, já então seu presidente, recusou minha reintegração. Estávamos ainda no Governo Maluf e a Fundação recusou também o outro direito que a Lei da Anistia me dava, o de contar os 10 anos em que estivera fora como tempo para aposentadoria. Assim, como não existia Comissão de Anistia, fui obrigada a entrar na Justiça para obter esta contagem de tempo. 

"Em 1995, tendo o processo mais de 10 anos percorrendo várias instâncias, varas, cidades (São Paulo e Brasília), e tendo sido criada a Comissão da Anistia, recorri a ela, solicitando a indenização a que tinha direito. Depois de muitos anos em que a Fundação Padre Anchieta sempre se recusou a informar, inclusive à própria Comissão da Anistia, o valor do salário de um produtor em fim de carreira, para cálculo da indenização, este cálculo foi feito com base no salário da TV Educativa de Brasília, muito inferior ao de São Paulo (...). Seja como for, a indenização que passei a receber é paga pelo Tesouro Nacional, nada tendo a ver com os recursos da Fundação Padre Anchieta. Mas, se eu vier a ganhar o processo, é de supor que o valor que eu já tenha recebido seja descontado daquele a que vier a fazer jus. 

"Não fui presa, felizmente, mas não desejo a ninguém, nem à jornalista Sandra Brasil, a tortura de viver 10 longos anos longe dos filhos, não acompanhando sua alfabetização, infância e adolescência, com pavor que qualquer contato comigo viesse a transformá-los em reféns dos militares, como estes fizeram com outras crianças, cujos pais também lutavam por um Brasil melhor". 

Marcado, enfim, o julgamento desse processo, a Veja voltou à carga na edição da semana passada (09/10/2010) com o texto O segundo assalto da terrorista, cujo subtítulo parece saído da mais repelente imprensa marrom: "Uma ex-comunista que flanou por Paris pode levar uma bolada de 70 milhões de reais. Quem paga é você". 

O insistente lobby resultou, segundo Ana: 

"...foi julgado em Brasilia o meu processo quanto ao mérito e perdi por 7 a 5. (...) O julgamento fora adiado por falta de quorum da outra 5ª feira [07/10] para esta [14/10]. Entrementes, (...) a Veja publicou exatamente um ano depois, outra matéria contra mim, mais desrespeitosa, caluniosa, agressiva e virulenta ainda do que a primeira, repetindo o mesmo chavão dos 70 milhões. "E (...) antes do julgamento, a Procuradoria do Estado de São Paulo apresentou 'n' papéis, mencionando até o dinheiro que recebi quando da saída incentivada da Cesp, como elementos de prova de que estou pretendendo 'assaltar' os cofres públicos. Isto provocou o adiamento do julgamento, da manhã para a tarde, para que os advogados tivessem tempo de tomar conhecimento dos tais papéis. Achei todo esse processo - o primeiro adiamento, matéria da Veja, manifestação da Procuradoria, muito estranho". 

Como não sou jurista nem tenho os meios para apurar o caso com rigor jornalístico, estou apenas tornando conhecida a versão de Ana, na esperança de motivar cidadãos com expertise e espírito de justiça a averiguarem tudo que ocorreu e, se tal couber, tomarem providências para corrigir a injustiça que ela garante ter sofrido. 

Sendo Ana uma ex-resistente e sendo a Veja o que é, não tenho dúvida nenhuma sobre o que ocorreu. Mas, para reverter uma situação dessas, é preciso mais do que nossa convicção íntima.

Espero que quem tiver possibilidade de lhe prestar solidariedade efetiva, não deixe de o fazer. 


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