28 fevereiro 2011

Aneel não devolve dinheiro de consumidor, mas autoriza reajuste na conta de luz

por Danilo Augusto para Radioagência NP.

A conta de energia que o brasileiro paga vai ficar mais cara neste ano. Estimativas apontam que o aumento vai variar entre 9% e 11%, números que representam o dobro do previsto para a inflação, que deve ser de 4,5% em 2011. Consumidores dos estados do Espírito Santo e Paraíba já tiveram as contas reajustas. Os capixabas já pagam 10,35% a mais no valor do consumo e os paraibanos quase 15%.

Os próximos a sofrerem com o aumento serão os moradores que recebem energia das concessionárias Cemig (MG) e a CPFL (SP), para as quais a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já liberou os aumentos nas tarifas. Entre os principais fatores que justificam o reajuste, estão o efeito climático La Niña – que provocou chuvas abaixo da média – e os vários encargos embutidos na conta. Para se ter uma ideia, os impostos repassados ao consumidor na conta de luz já ultrapassaram os 45%, como apontou um estudo do Instituto Acende Brasil.

O aumento no valor da energia não é novidade para os brasileiros. De 2001 até o ultimo ano, os reajustes já chegaram a 186%, como informou a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace). A abrace também afirma que até 2014, ano da Copa no Brasil, o valor da energia estará até 30% mais caro.

A Aneel, que agora autoriza o aumento, negou – em janeiro deste ano – a devolução de R$ 7 bilhões cobrados indevidamente dos consumidores. O valor foi acumulado entre os anos de 2002 e 2009, devido aos erros praticados no cálculo dos reajustes das contas de energia. 
 

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27 fevereiro 2011

Três redes de supermercados controlam metade dos alimentos no Brasil

por Jorge Américo para a Radioagência NP.

Juntas, as redes de supermercados Carrefour, Walmart e Pão de Açúcar controlam 50% dos alimentos comercializados no Brasil, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Considerados os três maiores grupos do segmento em atuação no país, eles são responsáveis pela maior parte dos 20 mil produtos com marcas próprias lançados anualmente.

O integrante da Via Campesina Luis Zarre, acredita que essa concentração do mercado de alimentos desestabiliza as economias locais e prejudica tanto o agricultor, como os pequenos e médios empresários, além de reduz a presença de produtos orgânicos nas prateleiras.

“Essas redes reproduzem a geração de necessidades artificiais, ao contrário dos pequenos mercados, que comercializam o que é produzido naquela região.”

Atualmente, 10 empresas dominam o mercado mundial de sementes, chegando a operar 70% do fornecimento aos produtores rurais. Para Zarref, os agricultores perderam a autonomia sobre a produção quando as grandes empresas romperam o sistema de adubação, que antes era de origem animal e foi substituído por adubos químicos.

“Culturas que são bastante nutritivas, mas que não podem ser transformadas em commodities, estão sendo esquecidas. Não estão mais sendo produzidas. Hoje, quem recebe estímulo são as commodities, que estão voltadas para essa relação com as grandes empresas que dominam as sementes e os pacotes da revolução verde, de adubação química e agrotóxicos.”

Zarref ainda lembra que a demanda por produtos como o milho e a soja em países com problemas de segurança alimentar está reduzindo as áreas cultivadas com outras variedades de alimentos, o que determina os altos preços repassados ao consumidor. 

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"FOLHA" ADMITE ENTREGA DA DIREÇÃO DA FT A ENTUSIASTAS DA REPRESSÃO

(foto) "Assim a FT noticiou a morte do 'Bacuri', 
preso 108 dias antes e triturado nas torturas." 

Por Celso Lungaretti.

Suzana Singer, a ombudsman da Folha de S. Paulo, repreende o jornal na coluna deste domingo, por ter transformado a comemoração dos seus 90 anos de existência numa festa imodesta

Eu usaria outro adjetivo para qualificar a imagem maquilada que Calibâ produziu de si mesmo para fins de efeméride, mas ombudsman que não doura a pílula deixa de ter seu mandato renovado pelo herdeirozinho que manda e desmanda...

Sobre o caderno comemorativo, Singer diz algo interessante:
"É verdade que o especial de 90 anos da Folha teve (...) a coragem de explicar o apoio do jornal ao golpe militar e o alinhamento da Folha da Tarde à repressão contra a luta armada. Trouxe também críticas duras feitas pelos ex-ombudsmans. Mas foram apenas notas dissonantes [grifo meu]".
Sim, no meio da overdose de auê, passou despercebido o texto 90 anos em 9 atos, de Oscar Pilagallo, cuja principal função foi a de servir como uma espécie de álibi para quando alguém acusasse o jornal de não ter autocrítica.

Enfim, vale a pena conhecermos o que a Folha finalmente admite sobre seu passado -- embora, óbvio ululante, não tenha admitido tudo, mas apenas o que já havia sido inequivocamente estabelecido por seus críticos e não compensava continuar negando.

E, claro, devemos discutir -- e muito! -- a chocante revelação de que o Grupo Folha entregou um de seus jornais a porta-vozes de torturadores como retaliação a um agrupamento de esquerda que se infiltrara na Redação.
"O PAPEL NA DITADURA

A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o "Estado", mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.
Eis a "Folha" mancheteando a "Marcha
da Família" e criando clima para o golpe.
Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o "Estado", a revista "Veja" e o carioca "Jornal do Brasil", que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.
As tensões características dos chamados "anos de chumbo" marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a "Folha da Tarde" alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
A entrega da Redação da "Folha da Tarde" a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos 'terroristas' mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.

Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da "Folha da Tarde" à repressão contra a luta armada.

Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.

SURFANDO A ONDA DA ABERTURA

No início de 1974, Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, foi procurado por Golbery do Couto e Silva, futuro chefe da Casa Civil do governo de Ernesto Geisel, prestes a tomar posse.

Os dois militares seriam os principais artífices do projeto de distensão e abertura política, e Golbery encontrou-se com donos de jornais para expor o plano. Sabendo que enfrentaria a resistência da linha dura, queria a imprensa como aliada natural.

No caso da Folha, Golbery deixou claro que ao futuro governo não interessava ter um único jornal forte em São Paulo [ou seja, estimularia quem disputasse leitores com O Estado de S. Paulo]. A conversa coincidiu com discussões internas na empresa, com vistas a aproximar a Folha da sociedade civil. A empresa tinha saldado as dívidas iniciais e se expandido. O passo seguinte seria transformar o matutino num jornal influente.

Em meados de 1974, uma reunião em Nova York entre Frias, Cláudio Abramo e Otavio Frias Filho foi decisiva para a definição da nova estratégia. Sob a inspiração de Frias pai, uma ampla reforma editorial foi concebida e executada nos anos seguintes por Abramo, que trabalhava na Folha desde 1965. As páginas 2 e 3 se tornaram espaços de opinião crítica. Passaram a fazer parte da equipe editorial colunistas renomados, como Paulo Francis e, mais tarde, Janio de Freitas.

A trajetória teve um desvio em 1977, quando, por pressão da linha dura do governo, Abramo foi afastado de seu cargo. O revés, no entanto, seria passageiro. Boris Casoy, que o substituiu, manteve a orientação e garantiu que o jornal tivesse um espaço relevante no processo de redemocratização".
A última afirmação chega a ser hilária. Me engana que eu gosto...

primavera da Folha  acabou no exato instante em que o jornal se vergou ao ultimato militar, afastando Cláudio Abramo da direção de redação e o despachando para Londres, demitindo vários colaboradores e impondo evidentes restrições aos que ficaram.

Durante cerca de três anos, a Folha teve a cara do Abramo. A partir de 1977, passou a ter a cara do Casoy (e, depois, a do Otávio Frias Filho).

Para quem conhece estes três personagens, eu não preciso dizer mais nada.

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26 fevereiro 2011

PCB disponibiliza parte de sua produção político-cultural dos anos 30 aos 60

O PCB passou a disponibilizar em sua página na internet (na Seção de Cultura) o link ao arquivo do site Marxists.org, que abriga várias edições da Revista Problemas, publicadas pelo Partidão entre os anos de 1947 e 1956, no auge da Guerra Fria, período marcado pela perseguição implacável aos comunistas em todo o mundo.

A existência da Revista Problemas no período comprova que, apesar da repressão, o PCB continuou cultivando uma prática nascida com sua fundação e que cresceu, evidentemente, após a queda do Estado Novo: a difusão das suas ideias e resoluções por intermédio de um razoável aparato político-cultural e de uma imprensa partidária sempre atuante, mesmo que, em diversos momentos, clandestina.

Para conhecer mais sobre essas publicações históricas clique aqui e leia o texto de apresentação do secretário nacional de formação política do PCB, Ricardo Costa e tenha acesso os respectivos links para os arquivos da revista de agosto de 1947 a junho de 1956.

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O estado de direito no império financeiro

por Alejandro Nadal para o site La Jornada

O Wikileaks anuncia grandes revelações sobre os bancos mais importantes dos Estados Unidos. Evidentemente, já sabemos que o mundo das finanças se impôs sobre a economia real. Aí está a política macro-económica, completamente subordinada às necessidades do setor financeiro. Mas o Wikileaks confirmará algo mais grave: a supremacia do sistema financeiro sobre o estado de direito.

Uma coisa grave é uma crise econômico-financeira. Mas outra ainda mais séria é que o estado de direito vá para o abismo, juntamente com as poupanças de milhões de pessoas. Por isso é importante não esquecer o seguinte. Em primeiro lugar, a crise estourou no coração do sistema financeiro mais desenvolvido do mundo. Entre as causas da crise está um conjunto de operações financeiras de duvidosa legalidade que criaram uma bomba-relógio e disseminaram os seus efeitos por todo o mundo através da titularização e da desregulamentação financeira.

Em segundo lugar, esse sistema financeiro não foi reformado ou sujeito a uma nova e mais rigorosa regulação. Nada no sistema financeiro dos Estados Unidos mudou de maneira significativa. E o pior é que mantém a sua hegemonia sobre a economia real: as medidas de austeridade fiscal e de política monetária adotadas nos Estados Unidos e na Europa são testemunho disso.

Você não pensa que os funcionários da Lehman Brothers, da Goldman Sachs e da Bear Stearns sabiam o que estavam fazendo? Basta um exemplo para ilustrar tudo. Os bancos de investimento nos Estados Unidos emitiram títulos delineados especialmente para que o seu preço sofresse um colapso. Notem-se as palavras-chave: "delineados especialmente". Ao mesmo tempo, emitiam outros títulos que apostavam na tal queda nos preços, conseguindo assim ganhos astronômicos. Vender ativos-lixo e apostar contra eles em operações paralelas não é uma mostra de duplicidade criminosa? A resposta só pode ser afirmativa.

No estrutura institucional do sistema financeiro dos Estados Unidos encontram-se a banca tradicional, os bancos de investimento, as casas de bolsa e as companhias qualificadoras. Dormindo na mesma cama estão as agências reguladoras, tanto da Reserva Federal, como a SEC, a agência reguladora das transacções na bolsa de valores, e a CTFC, encarregada de supervisionar as operações sobre produtos básicos nos mercados de futuros. E esta é a história: ao longo dos últimos dez anos, os bancos de investimento e a banca tradicional realizaram operações que hoje todos os analistas financeiros sérios qualificam de fraudulentas ou, pelo menos, de irregulares. Mas ninguém empreendeu ações legais para castigar os delitos que foram cometidos e para prevenir este tipo de conduta criminosa no futuro.

Para além de algumas medidas reguladoras cosméticas, nem sequer foram proibidas as principais operações que estiveram por detrás da gigantesca bolha de preços em bens imobiliários. Também não foram iniciadas investigações sérias por fraude contra os representantes do complexo corporativo de Wall Street.

A lista de problemas que reclamam atenção urgente nos Estados Unidos é conhecida. Nesse país, os quatro maiores bancos concentram aproximadamente 60% de todos os ativos no sector bancário e nada parece mudará este nível de concentração e poder econômico. A partição dos bancos ficou no esquecimento. Também não se procedeu a uma reforma profunda da Freddie Mac e da Fannie Mae (as duas gigantescas corporações semi-públicas no mercado hipotecário). Nunca se chegou a proibir as emissões da maioria dos derivados mais perigosos (as armas de destruição maciça de Warren Buffet). Nada se fez para controlar e restringir os níveis de alavancamento dos bancos e agentes não bancários. Finalmente, as agências qualificadoras continuam a ser propriedade dos maiores agentes financeiros, com o que se mantém o duplo jogo e o conflito de interesses foi legalizado. Mas estes problemas permanecem sem solução.

Os indivíduos por detrás das corporações no setor financeiro amanharam fortunas astronômicas e continuam a fazê-lo, apoiados pelo pacote de resgate financeiro aprovado no final da administração Bush. O mais surpreendente: as suas sujas operações não permaneceram encobertas. Pelo contrário! Hoje conhece-se bem o modus operandi destes intermediários financeiros e seus cúmplices. Mesmo assim, zero investigações e zero ações legais contra estes agentes. Você acredita que as futuras revelações do Wikileaks mudarão as coisas?

Nos Estados Unidos, a tentativa de recuperar a república e eliminar o jugo do sistema financeiro ficou truncada. A equipe econômica de Obama apresenta-lhe a visão de que falar de fraudes é uma distração e que o importante é a macroeconomia. Com as suas acções e omissões, Obama mantém a trajetória de desastre para a economia estadunidense e contribui para desmantelar o que restava do estado de direito.

fonte: La Jornada e Fundação Lauto Campos PSOL

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25 fevereiro 2011

Ivan Valente cobra da Secretaria de Segurança de SP punição aos PMs que agrediram manifestantes na última 5a

por Assessoria Deputado Ivan Valente PSOL SP.

Nesta terça-feira (22), o deputado federal Ivan Valente encaminhou ofício ao Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, solicitando ao governo informações acerca do que está sendo feito para apurar as irregularidades e punir os policiais militares responsáveis pelos abusos cometidos durante protesto contra o aumento da passagem de ônibus em frente a Prefeitura, no dia 17 de fevereiro.

Ivan Valente esteve na Prefeitura participando das negociações do movimento com o poder público, e afirmou no documento enviado ao governo: “Em uma sociedade democrática, a manifestação dos cidadãos em prol de seus direitos não pode ser tratada pelos agentes do Estado como atitudes a serem combatidas e reprimidas”. O texto lembra que a legislação que rege a atuação dos Policiais Militares em nosso estado define como transgressões disciplinares graves desconsiderar os direitos constitucionais da pessoa e usar de força desnecessária no atendimento de ocorrência.

O mandato do parlamentar também solicitou uma audiência com o Prefeito Gilberto Kassab e representantes dos movimentos que reivindicam a revogação do aumento da passagem de ônibus, numa tentativa de abertura de negociação com o poder executivo municipal.

Leia abaixo a íntegra do ofício encaminhado à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo:

Exmo. Sr. Secretário Antônio Ferreira Pinto,

Na última quinta-feira, dia 17 de fevereiro, ao buscar dispersar manifestantes que protestavam em frente à Prefeitura de São Paulo contra o aumento do preço da tarifa de ônibus, a Polícia Militar de São Paulo cometeu abusos no exercício de sua função, sobretudo em relação ao assistente social Vinícius Figueira Boim, que mesmo depois de imobilizado foi brutalmente agredido pelos policiais.

Além das inúmeras imagens e vídeos veiculados na imprensa, que mostram inclusive vereadores do município sendo agredidos, tive a oportunidade de verificar tal informação ao comparecer à Prefeitura de São Paulo na noite do dia 17.
 
A legislação que rege a atuação dos Policiais Militares em nosso estado estabelece como deveres éticos que conduzem a atividade profissional, entre outros:

a) servir à comunidade e promover o bem estar comum
b) cumprir e fazer cumprir a Constituição
c) exercer as funções com integridade e equilíbrio
d) considerar a verdade, a legalidade e a responsabilidade como fundamentos de dignidade pessoal
e) exercer a profissão sem discriminações ou restrições de ordem religiosa, política, racial ou de condição social
f) atuar com prudência nas ocorrências policiaisg) respeitar a integridade física, moral e psíquica de quem seja objeto de incriminação
h) observar os direitos e garantias fundamentais, agindo com isenção, eqüidade e absoluto respeito pelo ser humano, não usando sua condição de autoridade pública para a prática de arbitrariedade

E define como transgressões disciplinares graves, entre outras, desconsiderar os direitos constitucionais da pessoa e usar de força desnecessária no atendimento de ocorrência.


Em uma sociedade democrática, a manifestação dos cidadãos em prol de seus direitos não pode ser tratada pelos agentes do Estado como atitudes a serem combatidas e reprimidas.

 
Diante do ocorrido e com a convicção de que tal legislação deve ser respeitada integralmente, venho respeitosamente solicitar à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informações acerca do que está sendo feito no momento para apurar tais irregularidades e punir os policiais militares responsáveis pelos abusos.

Atenciosamente,

Ivan Valente
Deputado Federal PSOL-SP

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Sem oposição, sem remédio

Eles dão as mãos e o povo fica a ver navios
Quando o governador e o prefeito eram outros, e faziam oposição entre si, as coisas funcionavam. A partir do momento em que o Palácio Laranjeiras se aliou à Prefeitura do Rio, tudo desandou.

Por Ana Helena Tavares (*)

Anteontem, quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011, acompanhei minha mãe à Defensoria Pública para entregar um documento que comprova que os postos de distribuição alegam não ter o medicamento Anastrozol, que deveria ser fornecido gratuitamente a ela e a outras pessoas para o tratamento do câncer de mama. Chegando lá, me deparei com o sofrimento de muitos outros cidadãos que têm seus direitos essenciais negados por razões das mais diversas.

Só para fazermos a entrega do tal documento, tivemos que esperar mais de duas horas. Imaginem casos mais complicados, como as varas de família – maioria lá. O povo mofa esperando e muitos passam mal, pois chegam lá cedo, não conseguem fazer refeições adequadas e ainda se desidratam com o forte calor.

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro, e Eduardo Paes, prefeito da capital, são mais odiados por aquelas pessoas do que Judas em quarta-feira de cinzas. Mas todos lá estão tão desiludidos que acabam incluindo as três esferas no mesmo saco.

Uma senhora, chamada Arlete Colis, me contou em detalhes sua triste história de luta por seus direitos. Clique aqui para ouvir o indignado desabafo dela.

Aposentada por invalidez, necessita de dois medicamentos básicos. Nenhum deles, nem mesmo o mais barato, ela consegue receber gratuitamente. Chegou a contar que, certa vez, lhe indicaram que ela fosse a uma favela, onde haveria um local em que ela conseguiria seus remédios. Ela foi, sofreu um assalto na porta e não conseguiu o que buscava.

Cobrou “solução pra ontem e vergonha na cara”, em especial do "Seu" Sérgio Cabral. Falava dele com tal raiva que apontava para o gravador como que querendo que ele estivesse em sua frente. Sorte dele que não estava, porque, certamente, levaria umas boas bolsadas e não seria só dela. Logo ele que fez fama por "defender" os idosos...

Com toda a razão, Colis reclamou do atendimento na Defensoria.

Estagiários atolados de serviço e completamente tontos em meio a tanta gente, chegam à beira do desespero e não dão conta de toda a demanda. Além disso, a maioria das pessoas é atendida em pé, no próprio salão. Os estagiários escrevem com uma prancheta na mão e, desta maneira, os problemas de cada um ficam expostos para todos. Os defensores, ditos públicos, ficam confortavelmente instalados em seus gabinetes privados e, como pude comprovar, os cidadãos que eles defendem não sabem nem o nome deles.

No que diz respeito à área de saúde, o Município e o Estado recebem verba do Governo Federal para comprar remédios como o de minha mãe e muitos outros, desde hipertensão à diabetes. Tais medicamentos devem ser repassados gratuitamente a quem necessita. No caso de minha mãe, como não está havendo o repasse, a verba destinada à compra do remédio deverá ser cortada e o dinheiro entregue diretamente a ela.

Segundo um homem, que não quis se identificar, quando o governador e o prefeito eram outros, e faziam oposição entre si, as coisas funcionavam. A partir do momento em que o Palácio Laranjeiras se aliou à Prefeitura do Rio, tudo desandou.

Tem lógica. Não que os governantes anteriores fossem melhores – não eram –, mas é óbvio que, quando as esferas municipal, estadual e também a federal não trocavam sorrisos mútuos, se uma pisasse na bola e não distribuísse um determinado remédio, a outra tratava de fazê-lo para mostrar serviço.

Vai daí que é sempre sadio haver oposição organizada, pois evita acomodamentos. Não tê-la não é saudável em lugar nenhum do mundo, como provam os países árabes que padecem da falta dela.

*Ana Helena Tavares, jornalista, escritora e poeta eternamente aprendiz. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?"

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24 fevereiro 2011

Cientistas criticam novo Código Florestal

por Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. 

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), as mais abrangentes e representativas associações da comunidade científica, manifestam preocupação com mudanças propostas ao Código Florestal.

As entidades divulgarão nos próximos dias um aguardado relatório sobre a nova versão do Código Florestal Brasileiro.

No documento, as entidades colocam que as áreas de preservação permanente, como matas em margens de rio, não podem ser alteradas. De acordo com os cientistas, tanto essas áreas quanto as reservas legais precisariam ser mantidas e recompostas para o bem da própria atividade agrícola.

Confira o Resumo Executivo do Estudo sobre o Código Florestal

As duas entidades já haviam demonstrado preocupação com o projeto apresentado pelo deputado Aldo Rebelo. Em carta endereçada ao deputado relator da Comissão Especial do Código Florestal Brasileiro, os presidentes da SBPC, Marco Antonio Raupp, e da ABC, Jacob Palis, manifestaram preocupação, em nome da comunidade científica do país, quanto às mudanças propostas ao Código Florestal.

Leia aqui a carta entregue ao deputado e à comissão, em julho.




Em outubro, as entidades se manifestaram novamente sobre o tema, entregando a deputados federais, senadores e aos dois então candidatos à Presidência da República, Dilma Roussef e José Serra, uma carta em que enfatizam que o Novo Código demanda “uma profunda revisão conceitual que leve em conta a grande diversidade de paisagens, ecossistemas, usos da terra e realidades socioeconômicas existentes no País, incluindo a ocupação dos espaços urbanos”.

Leia aqui a carta enviada pelas entidades em outubro.

No texto, as entidades defendem a recuperação de terras degradadas para a produção de alimentos, a manutentção das áreas de proteção, como as APPs e a RLs, a biodiversidade e o aperfeiçoamento do Código, desde que "à luz da ciência, com a definição de parâmetros que atendam a multifuncionalidade das paisagens brasileiras, compatibilizando produção e conservação como sustentáculos de um novo modelo econômico que priorize a sustentabilidade".

(Com informações da Folha de S. Paulo, da SBPC e da ABC)

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SEM A MÍNIMA COERÊNCIA

por Celso Lungaretti.  

O salário-mínimo foi instituído em 1940 por Getúlio Vargas para garantir a uma família-padrão de quatro pessoas (o casal e dois filhos) o suficiente para sua subsistência, com alguma sobra.

A Constituição de 1988 reafirmou que o mínimo deve atender às necessidades do trabalhador e sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência.

Então, só podemos concluir que, há décadas, os sucessivos governos vêm burlando despudoradamente a Constituição, com a cumplicidade do Legislativo.

Por quê? O Brasil não tem recursos para assegurar uma subsistência digna a cada família de trabalhadores?

Não, os recursos são mais do que suficientes.

Mas, o capitalismo os desvia para outros fins, antagônicos aos da grande maioria dos brasileiros. Embora seja uma categoria moral e não econômica, o adjetivo perverso continua sendo o que melhor o define.

Do governo de um partido dos trabalhadores, tínhamos o direito de esperar que se comportasse como tal, fixando o mínimo num patamar condizente com o papel que deveria cumprir e pondo a nu a contradição fundamental entre o bem comum e o lucro -- primeiro passo para a conscientização das grandes massas.

Só posso deixar registrados minha mais profunda decepção e meu mais veemente protesto face à decisão do Governo Dilma Rousseff de apenas gerenciar o capitalismo, agindo em conformidade com a racionália da classe dominante e esquecendo seu compromisso com a justiça social.

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23 fevereiro 2011

Ivan Valente solicita ao Ministério da Saúde informações sobre irregularidades em planos privados

por Assessoria Deputado federal Ivan Valente PSOL SP 

O mandato do Deputado Federal Ivan Valente apresentou esta semana requerimento ao Ministério da Saúde solicitando informações acerca da suposta negligência da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) em cobrar o ressarcimento devido pelos Planos Privados de Saúde ao SUS.

Segundo dados de um levantamento realizado pelos pesquisadores Mario Scheffer, da USP e Lígia Bahia, da UFRJ a partir de dados da ANS, do Portal Transparência e do Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), entre 2007 e 2009 o ressarcimento dos Planos de Saúde ao SUS caiu de R$ 8,23 milhões para 5,62 milhões. Segundo informação publicada pela imprensa, a queda nos valores repassados não se deve exclusivamente à falta de pagamento por parte das operadoras de planos privados, mas também pela ausência de cobrança por parte da ANS. Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) teria revelado que os procedimentos ambulatoriais, por exemplo, não estão tendo seu ressarcimento cobrado pela ANS.

Outra denúncia feita pela imprensa aponta irregularidades praticadas pelos Planos de Saúde, que “empurram” para o SUS os pacientes que necessitam de remédios mais caros, que deveriam ser fornecidos e aplicados pelos próprios planos de saúde. São adotados procedimentos que dificultam o atendimento por parte dos planos privados e “facilitam” o atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Em alguns casos, até a internação dos pacientes é jogada para o SUS, onerando indevidamente os cofres públicos.

Entre os questionamentos feitos pelo Mandato Ivan Valente estão:
- quais são os procedimentos e os critérios adotados pela ANS para realização da cobrança prevista aos planos de saúde
- qual o prazo entre a realização do procedimento pelo SUS e a cobrança do ressarcimento
- quais os montantes de recursos ressarcidos pelos planos privados de saúde nos últimos dez anos ao SUS
- qual a justificativa de eventual queda no valor dos ressarcimentos
- quais empresas a ANS já acionou na Justiça em função do não recolhimento dos devidos ressarcimentos ao SUS
- se há registro de ocorrência de destinação ao SUS de segurados que necessitam de medicamentos caros e, em caso positivo, quais as penalidades aplicadas pela Agência.

“Cabe ao Poder Legislativo, em seu papel constitucional de fiscalizador, questionar o Ministério da Saúde, como órgão responsável do Poder Executivo e, por sua vez, a própria ANS, acerca dos motivos pelos quais tais cobranças não estariam sendo feitas. É preciso tomar as providências necessárias para regularizar essa situação, prejudicial ao atendimento à saúde da população em geral e onerosa aos cofres públicos”, afirmou Ivan Valente.

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EXPANDINDO A DISCUSSÃO SOBRE A IMPUNIDADE DOS TORTURADORES

por Celso Lungaretti.  

Em termos formais, o entendimento do jurista Carlos Weis sobre a condenação que o Brasil sofreu na Corte Interamericana de Direitos Humanos e a posição que deverá tomar face a ela é dos mais consistentes e embasados.

Então, como ponto de partida desta discussão, eu reproduzirei na íntegra seu artigo desta 4ª feira na Folha de S. Paulo:



DECISÃO JUDICIAL: CUMPRA-SE
Carlos Weis (*)
"Dadas suas recentes manifestações, a presidente da República vem indicando ter um compromisso decidido com a realização dos direitos humanos. Mas há um ponto sensível, que precisa ser enfrentado com firmeza: o pleno cumprimento da sentença condenatória proferida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Trata-se do caso Gomes Lund e outros, apresentado em 1995 pelo Centro pela Justiça e Direito Internacional (Cejil), pela Human Rights Watch/Americas e por familiares de pessoas desaparecidas na chamada 'Guerrilha do Araguaia', em que a Corte reconheceu a violação da Convenção Americana de Direitos Humanos como resultado das ações do Exército na década de 70.

Desde 1998, quando o país decidiu submeter-se às decisões daquele tribunal internacional, já sofreu outras três condenações, que, dadas suas dimensões e contexto, não se comparam à atual.

Agora, debruçando-se sobre fatos dolorosos da história recente do país, a Corte sentenciou que as disposições da Lei da Anistia são incompatíveis com a Convenção Americana e não podem impedir a investigação dos fatos e a identificação e punição de responsáveis por violações a direitos humanos.

Não bastasse ter jogado luz sobre as atrocidades do regime militar, a sentença é, em parte, oposta à recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que entendeu a citada lei como compatível com a Constituição e, portanto, de todo aplicável.

Apesar de algumas vozes terem se erguido contra a sentença internacional, o fato é que deve ser cumprida integralmente, não porque seja uma revisão do acórdão do STF (o que tecnicamente não é), ou porque ignore o imaginado acordo político que teria viabilizado a transição para a democracia, mas pelo fato de o Brasil ter, voluntariamente, reconhecido a competência da Corte Interamericana como obrigatória e de pleno direito para julgar denúncias formuladas contra si.

E, se palavra dada é palavra cumprida, o Brasil, por todos os seus órgãos, tem a obrigação de promover a imediata persecução criminal dos assassinos e torturadores do regime militar, cujos atos configuram "crimes de lesa-humanidade", sendo, assim, imprescritíveis.

Mais: deve tomar uma série de medidas, como reconhecer publicamente sua responsabilidade pelos fatos, tipificar o crime de desaparecimento forçado de pessoas, dar treinamento às Forças Armadas sobre direitos humanos etc., sem o que o país será vergonhosamente incluído no rol dos Estados para quem os direitos humanos só existem na medida de seus interesses.

Ainda que o acatamento das sentenças da Corte Interamericana seja novidade por aqui (a Suprema Corte da Argentina já o faz costumeiramente), importa reconhecer que a referida decisão oferece uma oportunidade de reencontro com o passado, como condição para a construção de uma sociedade verdadeiramente garantidora dos direitos humanos para todos.

O combate à tortura, que continua a existir para os presos comuns brasileiros, não pode mais esperar."
* mestre em direito pela USP, defensor público do Estado de São Paulo e coordenador do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo.

SINUCA DE BICO - Em termos políticos, no entanto, deve ser levado em conta que tudo isso deveria ter sido feito no momento da redemocratização do País, em 1985.

Não o foi por indesculpável omissão do Estado brasileiro.

Agora, estamos numa  sinuca de bico:
  • se processarmos as bestas-feras da ditadura de acordo com os procedimentos habituais do nosso Judiciário, extremamente lerdos e que facultam infinitas manobras protelatórias aos réus defendidos por bons advogados, nenhum deles estará vivo quando as sentenças condenatórias chegarem, finalmente, à fase de execução;
  • se, pelo contrário, impusermos rito sumário para tais casos, facilitaremos a vitimização de quem não merece compaixão nenhuma dos homens de bem.
Enfim, eu acredito que tudo deva ser apurado, todos os restos mortais resgatados, todas as culpas estabelecidas e todas as providências tomadas para evitar a repetição de ocorrências tão bestiais e hediondas.

Mas, temo que nossa insistência em aplicar punições concretas a tais indivíduos não só resulte vã como contraproducente, dando margem a um forte contra-ataque propagandístico da direita, que nos apresentará como rancorosos, vingativos, despóticos (no caso de introduzirmos trâmites legais diferenciados para estes casos) e desumanos (pela perseguição a velhinhos  com  o pé na cova).

Já se o Estado brasileiro decidir que eles são culpados mas deixar de puni-los por motivos humanitários (idade avançada) e como reconhecimento de sua própria incúria ao não ter agido como deveria no momento correto, a imagem que a opinião pública e os pósteros deles terão vai ser a pior possível: a de terríveis criminosos que, por mero acaso, não mofaram por muito tempo na prisão.

Receberão o que merecem, a execração eterna dos homens civilizados.

UM PONTO DE VISTA PESSOAL - Por último: eu sempre me guiei por meu próprio espírito de justiça e sempre fui fiel aos meus princípios, que valem para todas as situações, não oscilam ao sabor das circunstâncias.

Muito jovem, fiquei horrorizado com o que lia sobre a sanha vingativa dos israelenses, perseguindo ex-nazistas caquéticos, sequestrando-os em países como a Argentina, julgando-os em simulacros de tribunais e os linchando.

Não conseguia entender como alguém consegue odiar tanto, por tanto tempo, a ponto de igualar-se ao objeto de seu ódio, ao agir também ao arrepio das leis internacionais e das normas civilizadas.

Minha sensibilidade, meus instintos, são de um humanista e de um  brasileiro cordial.

Então, digamos, por piores que sejam os crimes cometidos por qualquer cidadão aos 20 anos, eu jamais concordarei com sua punição quando octogenário. Para mim, isto será vingança, olho por olho, dente por dente -- e não justiça.

Decidam o que decidirem os juristas, sempre defenderei o entendimento de que a prescrição dos crimes  é uma instituição da qual a civilização não pode abrir mão e que não comporta exceções.

Quando já passou tempo demais, o indivíduo está no fim da vida e não tem mais ânimo nem condições para reincidir, mais vale o deixarmos morrer em paz -- até para marcar bem a diferença entre humanos e desumanos.

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22 fevereiro 2011

Assine a petição para impedir a licença definitiva à TKCSA

(foto) Ato do Dia do Trabalhador (01/05/09), em frente à TKCSA (fotos: Ângelo Cuissi) 
por Assessoria Deputado Chico Alencar PSOL RJ

Amigas e amigos,

Pedimos que assinem e repassem para o maior número de pessoas a petição (clique aqui

Estamos em uma campanha para impedir a licença de operação definitiva da siderúrgica TKCSA. Esta empresa está operando de maneira a tornar a vida das pessoas que moram no seu entorno - pescadores, mulheres, crianças, trabalhadores/as - um verdadeiro flagelo. Além de todos os problemas causados ao meio ambiente e a Baia de Sepetiba, a siderúrgica esta causando sérios danos a saúde (especialmente doenças respiratórias, infecções de olhos e pele) dos moradores do bairro de Santa Cruz. As pessoas estão sentindo literalmente "na pele" o preco de um suposto "progresso"...

A TKCSA pertence a ThyssenKrupp (Alemanha) e a Vale. São duas empresas que sistematicamente desrespeitam os direitos humanos, passando por cima das pessoas e do meio ambiente. A ThyssenKrupp não faz na Alemanha o que faz aqui!

Responsabilizamos o governo do Rio e seus secretários, Carlos Minc e Marilene Ramos, por permitir explicitamente que tudo isto aconteça, e por quererem dar a licença definitiva de operação para uma empresa que está impunemente violando a legislação ambiental, e passando por cima da vida!


Para mais informações:

Declaração de Santa Cruz e Carta dos Moradores de Santa Cruz (em anexo)

http://apacsa.wordpress.com

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110207/not_imp676084,0.php

http://oglobo.globo.com/participe/mat/2011/01/31/misterio-no-ar-csa-lanca-fumaca-laranja-no-ceu-de-santa-cruz-923647354.asp

http://www.mp.rj.gov.br/portal/page/portal/Internet/Imprensa/Em_Destaque/Noticia?caid=293&iditem=8270865

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21 fevereiro 2011

Um mundo em rota de colisão com a liberdade

Voar é ser livre? Foto tirada da janela de uma barca com a câmera do celular (Ana Helena Tavares)
Voar é ser livre? Foto tirada da janela de uma barca com a câmera do celular (Ana Helena Tavares) 

Por Ana Helena Tavares* em 20 de Fevereiro de 2011



Rui Barbosa dizia que “um povo cuja fé se petrificou é um povo cuja liberdade se perdeu”. Substituamos o conceito de fé pelo de esperança... 

Hoje, quando caminho pelas ruas das grandes cidades, vejo que o bicho homem deixou sua esperança se petrificar e vive preso dentro de sua própria casa. Seja por opção, seja por medo. Pra quê se a vida, por si só, é perigosa? Como viver, em plenitude, sem a coragem que nos cobrava Guimarães Rosa? 

Antigamente, costumava haver placas nas portas com a inscrição: "bem-vindo". Agora há placas, espalhadas ao longo de arames eletrizados, onde se lê "perigo"... Foi pra isso que a humanidade "evoluiu"?

E como o passarinho pousará no telhado? E como o vizinho se aventurará a pedir açúcar? E como as crianças terão um sorriso doce?

Por que o trauma tem que vencer a vida? Por que o medo tem que esconder os rostos? Por que o luto tem que tolher a paz?

O mundo árabe vive uma fase de luta por direitos essenciais, o maior deles: a liberdade. Mas, ao redor do planeta, essa palavra – esse conceito, essa utopia – ainda é o objeto de desejo mais caro e mais mal usado.

Tão logo se chega “lá”, tão logo se lambuza com o novo “brinquedo”, de tal forma que ele fica fora de controle. De tal forma que o desejo saciado desorienta.

A pergunta é: será que o homem quer a liberdade?

Hoje, há empresas, como a “Ten” da Inglaterra, que oferecem um serviço chamado “Gestão de estilo de vida”. Milhares de pessoas, “sem tempo”, afundadas nos incontáveis afazeres inúteis que a pós-modernidade criou, pagam rios de dinheiro para os funcionários destas empresas, em ritmo de robôs, fazerem por elas desde coisas triviais, como escolher pãezinhos na padaria, a decisões de vida, como para qual cidade se mudar.

Liberdade não combina com comodismo e, neste sentido, a tecnologia caminha em rota de colisão com a musa de Castro Alves.

A internet que liberta, que dá asas à imaginação, que organiza revoluções, é a mesma que escraviza, que paralisa o corpo e, de forma paradoxal, também a mente. É, em número cada vez mais crescente de casos, uma prisão que atinge muito mais gente e poderá ter conseqüências bem mais profundas do que as senzalas que causavam horror ao “cantor dos escravos”.

No século XIX, as correntes eram símbolo de escravidão. No século XXI, são as redes. Ditas “sociais”, são, sim, muito benéficas, permitindo a interação entre pessoas do mundo inteiro. Mas viciam e proporcionam a ilusão de que, através dali, é possível saber de tudo, fazer tudo.

No entanto, o canto do passarinho jamais será o mesmo ouvido através de uma tela. E o que dizer das “fazendas” virtuais, com vacas que dão um leite que ninguém bebe e com uma grama que ninguém pisa?

O bicho homem, desorientado pelo próprio livre-arbítrio, foge da violência urbana e acaba se matando lentamente, em doses homeopáticas. Um tiro no peito é mais indolor.

Mas, para que Rui Barbosa não ache que também eu perdi a fé, vale registrar que, talvez, a esperança esteja na juventude que, nascida no computador, e cheia dele, poderá se interessar em reinventar a vida.

*Ana Helena Tavares, jornalista, escritora e poeta eternamente aprendiz. Editora-chefe do blog "Quem tem medo do Lula?"

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Fidel Castro: A rebelião revolucionária no Egito

por Fidel Castro, publicado originamente no Vermelho.  
 
Disse há vários dias que a sorte de Mubarak estava lançada e nem sequer Obama poderia salvá-lo. O mundo sabe o que acontece no Oriente Médio. As notícias circulam a velocidades vertiginosas. Os políticos correm atrás do tempo para ler os despachos que chegam de hora em hora. Todos estão conscientes da importância do que acontece ali.Após 18 dias de uma dura batalha, o povo egípcio conquistou um objetivo importante: derrubar o principal aliado dos Estados Unidos no seio dos países árabes. Mubarak oprimia a saqueava seu próprio povo, era inimigo dos palestinos e cúmplice de Israel, a sexta potência nuclear do planeta, associada ao belicoso grupo da Otan.

As Forças Armadas do Egito, sob a direção de Gamal Abdel Nasser, havia lançado pela janela um rei submisso e criado a república que, com o apoio da União Soviética, defendeu sua pátria da invasão franco-britânica e israelense de 1956 e preservou a posse do Canal de Suez e a independência de sua nação milenar.

O Egito possui por isso um prestígio bastante elevado no Terceiro Mundo. Nasser era conhecido como um dos líderes mais destacado do Movimento de Países Não Alinhados, tendo participado de sua criação junto a outros conhecidos dirigentes da Ásia, África e Oceania, que lutavam pela libertação nacional e pela independência política e econômica das antigas colônias.

O Egito sempre gozou do apoio e do respeito de tal organização internacional, que reúne mais de cem países. Precisamente neste momento, o país preside o movimento pelo período que lhe corresponde de três anos. O apoio de muitos de seus membros à luta que seu povo realiza hoje não tardará a chegar.

Que significado tiveram os Acordos de Camp David e porque o heróico povo da Palestina defende de forma tão árdua seus direitos mais vitais?

Em Camp David — com a mediação do então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter —, Anwar el Sadat, então presidente do Egito e o primeiro ministro de Israel Menahem Begin assinaram os famosos acordos entre o Egito e Israel.

Conta-se que participaram de conversações secretas durante 12 dias e em 17 de setembro de 1978 assinaram dois acordos importantes: um referido à paz entre Egito e Israel e outro relacionado com a criação de um território autônomo na Faixa de Gaza e Cisjordânia, onde Sadat pensava — e Israel conheci e compartilhava da ideia — que seria a sede do Estado Palestino, cuja existência, assim como a do Estado de Israel, a Organização das Nações Unidas determinou em 29 de novembro de 1947, no que era o então mandato britânico da Palestina.

Após árduas e complexas negociações, Israel aceitou retirar suas tropas do território egípcio do Sinai, embora tenha rechaçado categoricamente a participação naquela negociação de paz dos representantes da Palestina.

Como produto do primeiro acordo, no prazo de um ano Israel reintegrou o território do Sinai ao Egito, ocupado em uma das guerras árabe-israelenses.

Por causa do segundo, ambas as partes se comprometiam a negociar a criação do regime autônomo na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. A primeira compreendia um território de 5.640 quilômetros quadrados e 2,1 milhões de habitantes. A segunda, 360 km² e 1,5 milhão de habitantes.

Os países árabes se indignaram com aquele acordo que, como julgavam, o Egito não tinha defendido com suficiente firmeza e energia um Estado Palestino, cujo direito a existir havia sido centro as lutas livradas durante décadas pelos estados árabes.

A reação foi tão indignada que chegou ao extremo de romperem relações com o Egito. Dessa forma, a Resolução das Nações Unidas de novembro de 1947 foi apagada do mapa. A entidade autônoma jamais foi criada e assim se privava aos palestinos do direito de existir como estado independente, do qual se deriva a interminável tragédia que se vive e que deveria ter sido solucionada há mais de três décadas.

A população árabe da Palestina é vítima de ações genocidas: as suas terras são roubadas ou, nas regiões desérticas, privadas de água e as casas são destruídas com escavadeiras. Na faixa de Gaza, um milhão e meio de pessoas são sistematicamente atacadas com projéteis explosivos, fósforo e as conhecidas granadas de fragmentação. O território da Faixa de Gaza está bloqueado por terra, ar e mar. Por que se fala tanto dos acordos de Camp David e não se menciona a Palestina?

Os Estados Unidos fornecem anualmente os armamentos mais modernos e sofisticados para Israel, pelo valor de bilhões de dólares. O Egito, um país árabe, foi convertido no segundo receptor de armas americanas. Para lutar contra quem? Contra outro país árabe? Contra o próprio povo egípcio?

Quando a população exigia respeito por seus direitos mais elementares e a renúncia de um presidente cuja política consistia em explorar e saquear seu próprio povo, as forças repressoras treinadas pelos Estados Unidos não vacilaram em disparar contra ela, matando centenas de pessoas e ferindo milhares.

Quando o povo egípcio esperava explicações do governo de seu próprio país, as respostas vinham de altos funcionários dos órgãos de inteligência ou do governo dos Estados Unidos, sem respeito algum para com os funcionários egípcios.

Por acaso os dirigentes dos Estados Unidos e seus órgãos de inteligência não conheciam uma só palavra dos colossais roubos do governo de Mubarak?

Antes de que o povo protestasse em massa na praça Tahrir, nem os funcionários do governo, nem os órgãos de inteligência dos Estados Unidos diziam uma só palavra sobre os privilégios e roubos descarados de bilhões de dólares.

Seria um erro imaginar que o movimento popular revolucionário no Egito obedece teoricamente a uma reação contra as violações de seus direitos mais elementares. Os povos não desafiam a repressão e a morte nem permanecem noites inteiras protestando com energia por questões simplesmente formais. Eles fazem isso quando seus direitos legais e materiais são sacrificados sem piedade de acordo com as exigências insaciáveis de políticos corruptos e dos círculos nacionais e internacionais que saqueiam o país.

O índice de pobreza afetava a imensa maioria de um povo combativo, jovem e patriótico, agredido em sua dignidade, sua cultura e suas crenças.

Como poderiam ser conciliadas o aumento incessante dos preços dos alimentos com as dezenas de bilhões de dólares que são atribuídos ao presidente Mubarak, aos setores privilegiados do governo e da sociedade?

Não basta agora que sejam conhecidos os números da fortuna, é necessário exigir que ela seja devolvida ao país.

Obama está afetado pelos acontecimentos egípcios, age ou parece agir como dono do planeta. A questão do Egito parece ser assunto seu. Não para de falar com líderes de outros países.

A agência efe, por exemplo, informa: “... falou com o primeiro ministro britânico, David Cameron; o rei Abdalá II da Jordânia e com o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, islâmico moderado".

"... o governante dos Estados Unidos avaliou a 'mudança histórica' que impeliu os egípcios e reafirmou sua admiração pelos seus esforços...".

A principal agência de informação americana, AP, transmite declarações dignas de atenção:

"Os Estados Unidos pede governantes no Oriente Médio com inclinação ocidental, amistosos com Israel e dispostos a cooperar com a luta contra o extremismo islâmico, ao mesmo tempo que protejam os direitos humanos".

"…Barack Obama defende uma lista de requisitos ideais impossíveis de satisfazer após a queda dos aliados de Washington no Egito e na Tunísia em revoltas populares que, segundo especialistas, se propagarão na região".

"Não existe perfil com esse currículo de sonho e é muito difícil que apareça um pronto. Em parte se deve a que, nos últimos 40 anos, os Estados Unidos sacrificaram os ideais nobres dos direitos humanos, que tanto defendem, em troca da estabilidade, a continuidade e o petróleo em uma das regiões mais voláteis do mundo".

" 'O Egito não voltará a ser o mesmo', disse Obama na última sexta-feira, depois que celebrou a saída de Hosni Mubarak".

"Mediante seus protestos pacíficos, os egípcios 'transformaram seu país e o mundo'", disse Obama.

"Enquanto ainda persiste o nervosismo entre vários governos árabes, as elites encasteladas no Egito e na Tunísia não deram sinais de que estejam dispostas a ceder poder nem a vasta influência econômica que tiveram".

"O governo de Obama insistiu que a mudança não deveria ser de 'personalidades'. O governo americano tomou essa posição desde que o presidente Zine el Abidine Ben Ali fugiu em janeiro de Túnis, um dia depois que a secretária de Estado, Hillary Rodham Clinton, advertisse os governantes árabes em um discurso no Catar que sem uma reforma, os alicerces de seus países 'afundariam na areia'".

As pessoas não se mostraram muito dóceis na Praça Tahrir.

A Europa Press narra:

"Milhares de manifestantes chegaram à praça Tahrir, o epicentro das mobilizações que provocaram a renúncia do presidente do país, Hosni Mubarak, para reforçar os que continuam no local, apesar das tentativas da Polícia Militar de desalojá-las, segundo informou a cadeia britânica BBC."

"O correspondente da BBC que estava na praça cairota assegurou que o Exército está demonstrando indecisão diante da chegada de novos manifestantes..."

"O 'núcleo duro' (...) está situado em uma das esquinas da praça. (...) decidiram permanecer na Tahrir (...) para assegurar-se que todas as suas exigências sejam cumpridas".

Independente do que ocorra com o Egito, um dos problemas mais graves que enfrenta o imperialismo nesse instante é o déficit de cereais, que abordei na Reflexão de 19 de janeiro.

Os Estados Unidos emprega uma parte importante do milho que cultiva e um alto índice de sua colheita de soja para a produção de biocombustíveis. A Europa, por sua vez, emprega milhões de hectares de terra com essa finalidade.

Por outro lado, como consequência da mudança climática originada fundamentalmente pelos países desenvolvidos e ricos, está se criando um déficit de água doce e alimentos incompatível com o crescimento da população, a um ritmo que a conduziria a 9 bilhões de habitantes em apenas 30 anos, sem que a Organização das Nações Unidas e os governos mais influentes do planeta, depois das fracassadas reuniões de Copenhague e Cancun, tenham advertido e informado o mundo dessa situação.

Apoiamos o povo egípcio e sua valente luta por seus direitos políticos e pela justiça social.

Não estamos contra o povo de Israel, estamos contra o genocídio do povo palestino e a favor de seu direito a um Estado Independente.

Não somos a favor da guerra, mas sim a favor da paz entre todos os povos.

Fidel Castro Ruz, Havana, 21h14 de 13 de fevereiro de 2011
 

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Ministra pede ao Congresso que aprove Comissão Nacional da Verdade

por Edmilson Freitas, Agência Informes 

A melhor homenagem que podemos fazer aos mortos e desaparecidos da ditadura militar é aprovarmos o projeto de lei que cria a Comissão Nacional da Verdade. A declaração é da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, que participou na manhã desta quarta-feira (16) da abertura da exposição sobre o ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido desde janeiro de 1971, durante o regime militar. 

A abertura da exposição, que faz parte do projeto Direito à Memória e à Verdade, contou com a presença das filhas e netos de Rubens Paiva, além de dezenas de deputados, escritores e ativistas de direitos humanos.

"Estamos desafiados a manter a memória e a verdade entre nós. Queremos que todos os familiares dos mortos e desaparecidos da ditadura encontrem no texto constitucional a dignidade, o respeito e o tributo democrático que todos nós brasileiros temos para com as pessoas que lutaram, muitas vezes dando a sua própria vida, pela democracia deste país", disse a ministra. Rosário emocionou a todos ao pedir que os familiares de Rubens Paiva fizessem, simbolicamente, a chamada do militante, insinuando que o mesmo encontrava-se presente no Parlamento, tal qual esteve, pouco antes de ser subtraído pelo regime militar.

Ao fazer a abertura da exposição, a deputada Janete Rocha Pietá (PT-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, explicou que a mostra sobre Rubens Paiva tem a importante missão de trazer à tona a história de dezenas de outros brasileiros, que assim como o homenageado, lutaram dignamente pela democracia brasileira. "Temos uma dívida de gratidão com este justo brasileiro. Queremos resgatá-lo porque reconhecemos o grande lutador que foi", destacou.

Durante a cerimônia também foi lançado o livro "Segredo de Estado - o desaparecimento de Rubens Paiva", do jornalista e escritor Jason Tércio. A mostra ficará exposta na Câmara dos Deputados até o próximo dia 25, no Hall da Taquigrafia, Anexo II.

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20 fevereiro 2011

Desemprego subiu 44% entre trabalhadores de menor renda

por Jorge Américo para a Radioagência NP  
 
O desemprego cresceu mais de 44% entre a parcela da população que concentra os trabalhadores com menor renda. Esse índice foi verificado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) entre os anos de 2005 e 2010, em seis regiões metropolitanas do país. No mesmo período, o desemprego caiu na média nacional e chegou e registrar um recuo de 31,4%.

O grupo dos 10% mais pobres demorou até 248 dias para conseguir um novo emprego no último ano, enquanto os mais bem remunerados passaram quase um ano desempregados. Segundo o Ipea, o tempo de procura foi menor entre os trabalhadores de baixa renda porque eles se submeteram a trabalhos precários e de curta duração.

Nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, menos de 1% dos trabalhadores com maiores salários estão desempregados. Por outro lado, entre as profissões menos valorizadas, 33% estão fora do mercado de trabalho.

Apesar de receber menores salários, os trabalhadores de baixa renda tiveram maiores despesas com consumo. O Índice de Preços ao Consumidor, que mede a inflação para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos, registrou variação de quase 1,5% em janeiro deste ano, percentual superior ao verificado em todas as classes. Essa variação pode ser explicada pelo reajuste de mais de 5% nas tarifas dos ônibus.

fonte : Radioagência NP

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Uma UPP para a polícia do Rio

por Leo Lince para a Fundação Lauro Campos

O primeiro samba gravado já acusava a existência do problema: "o chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar/que na Carioca tem uma roleta para se jogar". O "Pelo Telefone" sempre foi objeto de muitas controvérsias (autoria, se era samba ou não, se foi mesmo o primeiro gravado), mas a veracidade do seu refrão atravessou o século e se reafirma agora, vésperas do carnaval, na crise desencadeada pela "Operação Guilhotina".

A questão terrível, a malha de cumplicidade entre o crime e a polícia, é uma fonte inesgotável de violência. Embora não pareça, dela decorre de maneira direta um cortejo de horrores, que vão da brutalidade diária do comportamento policial até as chacinas em sequência, vazadouros da demência de uma política equivocada. Além dos achaques e "acertos" que liquidam a reputação da polícia. Quando a "dura e muito escura viatura" é um caveirão que vocifera brutalidades, o compositor popular recomenda chamar o ladrão.

Vigário Geral, 1993, 21 mortos e comoção nacional. Os jornais da época estamparam na primeira página a fotografia dos cadáveres enfileirados na beira da linha do trem. Idosos, jovens, mulheres e crianças, chacinados numa única noite por um grupo de extermínio composto por policiais. Naquela ocasião, um líder comunitário local que teve o filho assassinado fez uma declaração de larga repercussão: "eu sei que existem policiais honestos, mas eu não sei onde estão".

No primeiro bombardeio ao Complexo do Alemão, em 2007, o jornal do sistema "Globo" cuidou de exaltar um modelo de policial na "guerra contra o crime organizado". Uma foto enorme na primeira página, relógio de grife, entre baforadas de charuto cubano, mostrou aquele que, segundo o jornal, "tem tudo para se tornar o símbolo da guerra não convencional que já soma 44 mortos, 19 num só dia: o Inspetor Trovão". Vocação de guerreiro que aspira lutar no Iraque, ou em Gaza, e se exercita na prática do "tiro ao pato" nos becos da favela. Vaidoso, tênis de marca, farda diferenciada, capacete e visual de filme americano, ele pousa entre cadáveres espalhados. Um herói da luta contra o crime!

Passado o entrevero, os traficantes continuaram a dominar o Complexo do Alemão. Os barões da droga, seus financistas, os fornecedores de armas, todos ficaram longe da linha de tiro. Uma condição que determina a inevitável reposição de peças no varejo do negócio biliardário. Até se fortaleceram pelo que se viu no segundo bombardeio, aquela operação espetacular do final do ano passado que, a acreditar da grande mídia, foi o dia D, inicio da vitória definitiva contra o crime organizado. Aliás, o número real de mortos nesta operação ainda é uma incógnita. Muitas vezes, a cobertura espetacular em tempo real manipula mais do que informa.

Pois bem, o Inspetor Trovão estava lá. E, pelo que começa a se definir nas escutas da Operação Guilhotina, estava "garimpando" dinheiro, droga e armas para repassar para outros traficantes de áreas mais tranqüilas. Ganhar muito dinheiro e, na certa, exercitar mais uma vez o "tiro ao pato". O herói da luta contra o crime da primeira página de "O Globo" agora está preso, entre outros, como o delegado que foi braço direito do Chefe da Polícia e transitou para o comando do Choque de Ordem da prefeitura do Rio. Afinidades eletivas, atividades afins.

O mito de que a banda podre da polícia é mais eficiente no combate ao crime é uma construção política. Está ancorado na concepção de segurança pública que ainda vigora entre nós, amplamente respaldada pelos interesses dominantes. Daí porque os chamados "homens de ouro", os "justiceiros" e, hoje, os milicianos, buscam na cena pública a condição ostensiva de pilares do choque de ordem. Não é por acaso que o ex-prefeito Cesar Maia definiu a milícia como autodefesa comunitária. Assim como não é casual que o prefeito Eduardo Paes e o governador Cabral tenham feito campanha ao lado dos milicianos. A truculência contra os tiranetes do varejo do tráfico rende popularidade, e não compromete a malha de cumplicidades que espalha seus tentáculos pelos vários aparatos do poder.

A Operação Guilhotina coloca na ordem do dia, mais uma vez, a questão terrível. Hélio Luz, que combinava a peculiar condição de delegado de polícia e militante de esquerda, tratou do tema com a devida radicalidade. Na condição de chefe da polícia, onde entrou e saiu limpo e respeitado, ele definiu com destemor e para o espanto geral: o cerne do crime organizado está na polícia. Os tiranetes do varejo devem ser combatidos sem tréguas, mas são tiranetes do varejo. Sem a mediação da banda podre da polícia, e os vínculos desta com a banda podre da política, não se articula o varejo e o atacado do negócio biliardário de drogas e armas. Enfim, só haverá política de segurança pública digna deste nome quando houver condições políticas para atacar de frente a questão terrível.

Léo Lince é sociólogo e mestre em ciência política


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19 fevereiro 2011

O jornalismo deles e o “nosso”


por Niara de Oliveira publicado originalmente em seu Blog Pimenta com Limão  

Faz tempo que leio, ouço, vejo críticas à grande imprensa brasileira. Aliás, desde que me entendo por gente, antes mesmo de ser jornalista. De uns tempos para cá, essas críticas vêm acompanhadas de um apelido. 
Na época em que essa grande imprensa começou a dar voz a um pequeno grupo que sugeria o Fora Lula, no início de 2007 (portanto logo após a eleição que o reconduziu à presidência), o jornalista Paulo Henrique Amorim passou a chamar a grande imprensa de PiG (assim com o i minúsculo para identificar com iG, de onde foi demitido em 2008), Partido da Imprensa Golpista. 
Nesse post do blog Maria Frô tem uma explicação melhor e mais detalhada sobre o que é PIG, como surgiu, quem usa a expressão e que tipo de prática jornalística caracteriza.

Com o advento das redes sociais que permitem transmissão de informação como Facebook e Twitter, o conceito do PIG foi tomando corpo e espaço e reverberando. A blogosfera e a chamada imprensa alternativa seriam conceitualmente a antítese do PIG. Conceitualmente. E eu digo seriam porque na prática não são.Entre as práticas condenáveis do chamado PIG estão a manipulação da informação, manchetes que distorcem o conteúdo das matérias, enfoques privilegiando um dos lados da notícia (e sempre o mesmo lado, a classe dominante e os chamados governos de direita) e em alguns casos o total silêncio, como se o fato simplesmente não estivesse existindo.

Desde sempre discuto o papel do jornalista de esquerda. Como se contrapor a grande imprensa e aos grandes monopólios e ainda sobreviver exercendo dignamente a profissão? Tarefa complicada. Quinta coluna declarada desde sempre e jornalista formada há 13 anos, ainda não encontrei a fórmula. Vendo minha força de trabalho como qualquer trabalhador, produzindo textos em série, em sua ampla maioria fúteis, para ter o direito de blogar e exercer meu jornalismo livre e marginal. É isso ou trabalhar para o PIG, como faz PHA e muitos dos blogueiros críticos ao “jornalixo” ou “jornalismo canalha“. Não me imponho a tarefa de me contrapor a grande imprensa. Não tenho estrutura para isso. Sequer tenho câmera fotográfica para exercer o tal “jornalismo cidadão”, mas não me furto de dar minha opinião em assuntos que considero importantes.

Desde a última eleição para presidente – uma das mais violentas e atípicas da história –, vi de um lado a grande imprensa pesando sua balança para o candidato tucano e a blogosfera e a imprensa alternativa (salvo honrosas exceções) pesando sua balança para a candidatura petista.

Trezentos blogueiros se reuniram em São Paulo em agosto do ano passado com uma estrutura nunca antes imaginada para blogueiros alternativos, com a clara e confessa intenção de organizar o contraponto à campanha da grande imprensa na defesa do governo e de sua candidata (Blogueiros Progressistas ou blogprog). Abro um parênteses aqui para dizer que esse fato me incomodou demais. Além de ser um encontro bem pequeno burguês, onde blogueiros marginais que contam moedas para pagar sua conexão não tinham condições de estar, ser de esquerda e não votar em Dilma era considerado crime capital.

A partir daí começou a patrulha na blogosfera e nas redes. Quem criticasse o governo (perfeito!), Lula (deus!), ou Dilma (santa!) era acusado de ser tucano, de colaborar com a oposição e ou de ser “a esquerda que a direita gosta”. A ordem era ‘defenda o governo acima de qualquer coisa, incluindo a sua consciência crítica‘. 
O comportamento dessa ‘brigada’ identificada como “onda vermelha” era evangelizador, fundamentalista, e essa ‘guerra santa’ ficou tão violenta que cortei relações com umas 300 pessoas (nem todos blogprog) e deixei de ler blogues que acompanhava há muito tempo. Mais do que isso. Perdi o respeito que nutria por esses cidadãos e profissionais. Até tentei voltar a acompanhar boa parte deles, mas o estrago já estava feito. Eles não perderam o vício da patrulha e estão mesmo vendados, cegos.

No último período surgiu o slogan “O PIG esconde, a gente mostra”, num esforço de cumprir o papel que a grande imprensa se nega – perseguir a verdade com ceticismo e inteligência –, passaram a divulgar notícias que, segundo eles, o PIG não divulga por ser contra seus interesses. Isso na teoria. Numa manhã dessas, um amigo tão cético quanto eu se deu ao trabalho de conferir sete das manchetes citadas no tal slogan. Segundo ele, TODAS estavam publicadas na Folha de São Paulo (vilã mor do PIG junto com a Veja). Ele ainda alfinetou ao final: “Vocês mentem!” Não lembro de alguém tê-lo contestado, mas o slogan segue a pleno vapor mostrando matérias que teoricamente o PIG esconde. Mas a Folha publica.

O jornalismo praticado pela maioria dos blogprog e por boa parte da imprensa alternativa é igual ao da grande imprensa. Só mudam os personagens a serem defendidos e atacados. Quero aqui fazer uma ressalva sobre um grande portal, o Vermelho do PCdoB, que por ser veículo de um partido político tem a licença natural de ser ideológico. Quem vai ao vermelho buscar informação, sabe de antemão o viés da notícia. A isso se chama isenção jornalística. Incluo nessa ressalva os blogues que estampam a foto da atual presidenta e aos que tentam honestamente manter a isenção. Aos demais, aconselharia uma leitura que me acompanha desde guria: “A moral deles e a nossa” – León Trotsky. Acrescento que não basta se dizer diferente. É preciso se constituir como diferente nas práticas diárias (se pudessem ler também o conceito de práxis em Gramsci, seria bom) . Reproduzir o péssimo exemplo de jornalismo do PIG só o reforça. E aí cabe a pergunta: Quem é de fato a esquerda que a direita gosta?

Todo socialista sabe (está nos relatos da primeira revolução socialista, a russa) que governo ainda no sistema capitalista é um jogo em disputa, precisa ser tensionado à esquerda porque a direita e a grande imprensa estão combatendo diariamente. Isso na hipótese de termos de fato um governo de esquerda. Atualmente isso é apenas uma crença de militantes fundamentalistas desvairados que querem provar sua hipótese a qualquer custo, engolindo Sarneys, Collors, Calheiros, Cabrals, Kassabs e toda sorte de sapos, cobras e outros animais peçonhentos que enfiam nas suas goelas e nas de outrem.
Crítica e auto crítica são fundamentais para manter o prumo, para se manter no caminho certo. Se for apenas um jogo de poder e de se manter nele, tirem as máscaras e parem de usar os termos esquerda, socialista, cidadania, verdade e, inclusive, o PIG. Transformar seus blogues em panfletos de propaganda governista não revela altruísmo ou ativismo abnegado. Apenas levanta suspeitas quanto à manutenção monetária desses veículos. Tal e qual com a grande imprensa, onde quem anuncia é bem tratado na notícia. O problema é que nos blogues e na imprensa alternativa não há anúncios. Quanto mais obscura essa relação, menos crédito dou às defesas inflamadas que tenho lido ultimamente.
Blogueiros gostam de bater no peito e dizer que não abrem espaço para anúncios porque se profissionalizar – ninguém anunciaria em blogues que não sejam atualizados periodicamente – perderiam a característica informal, marginal e porque não se vendem. Ok. Mas vender a consciência crítica tudo bem? A que preço? Ativistas experientes podem mesmo ficar tão cegos e alienados assim?

Atualmente há uma campanha na internet pedindo a saída da ministra da Cultura Ana de Hollanda. Na linha de frente dessa campanha estão velhos camaradas e até ex-funcionários da campanha à presidência de Dilma. A primeira atitude de alguns blogueiros, antes de verificar os argumentos desses seus velhos camaradas, foi tentar desqualificá-los, descontextualizar as críticas e defender o governo – e aqui há um equívoco, porque defender o governo Dilma nesse momento pode passar justamente por pedir a substituição de Ana de Hollanda –. Ou é muita miopia política ou talvez a tese hipotética de financiamento governista de alguns blogues não seja infundada. Vejam bem, eu disse “alguns blogues”. Existem centenas de pequenos blogueiros que fazem a defesa do governo Dilma na base do “amor”. Mundo injusto esse, não?

Só uma constatação: O que se faz na maioria dos blogues e da imprensa alternativa deste país é tão anti-jornalismo quanto o que se faz na grande imprensa. É o roto falando do esfarrapado. Talvez por isso a grande imprensa não se sinta ameaçada pelo blogprog. Ser de direita não é necessariamente ser burro ou cego, né? Tal e qual ser de esquerda não garante neurônios ágeis, razão ou ética.
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Sujestão de leitura: Sobre ser jornalista…
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* A etiqueta governista revolution é a definição para a brigada virtual de militantes sempre prontos a defender o governo petista, não importando qual a crítica ou argumento. Mesmo defendendo um governo que não pode ser classificado como esquerda, eles se sentem vanguarda da revolução socialista, que não aconteceu no Brasil (é bom lembrar). O termo é proposital e debochadamente contraditório, autoria da publicitária cearense Mayara Rocha.

Niara de Oliveira é Jornalista e mantém o Blog Pimenta com Limão

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A crise na Segurança Pública

por Marcelo Freixo, Deputado Estadual PSOL RJ. 

"A Operação Guilhotina foi substituída por outra polêmica, envolvendo agora o ex-chefe de polícia e o delegado da Draco. Mas não é esse o grande debate que a Segurança Pública do Rio de Janeiro tem que travar. Essa guilhotina ainda pode cortar outros setores e pessoas, portanto a operação não deve sair do foco. (...) Não é possível a gente achar que é coincidência a Secretaria de Ordem Pública ter tanta relação assim com a milícia (como demonstrou a operação da PF), e o mapa eleitoral das pessoas que conduzem essa lógica de ordem pública ter grande concentração de votos nas áreas de milícia. Não é coincidência! Não há coincidência na vida política."

Leia na íntegra pronunciamento de Marcelo Freixo, no plenário da Alerj (15/2).
 

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18 fevereiro 2011

Funcionários de escola substituem professores em sala de aula

por Jorge Américo para a Radioagência NP     

Na primeira semana após o fim do recesso escolar, a rede pública de ensino já apresenta problemas em alguns estados. Em Santa Catarina, por exemplo, o governo estadual deixou de contratar quatro mil professores temporários, número estimado para compor o mesmo quadro do último ano.

Conforme denúncia do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTE/SC), em muitas unidades escolares os professores são substituídos por profissionais do setor administrativo. A contratação de professores está prevista para o dia 18 de fevereiro. Entre os 25 mil educadores que atuavam no estado em 2010, doze mil eram temporários.

Na rede municipal de Serra (ES), os estudantes sofrem com a falta de merenda, professores e funcionários do setor de limpeza, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do estado. Uma das escolas está interditada. As obras estão paradas e a reforma deveria ter sido entregue em fevereiro de 2010. As aulas ocorrem em um espaço alugado pelo valor de R$ 17 mil mensais. Em outra escola, o telhado ameaça desabar.

O novo Plano Nacional de Educação estabelece 20 metas a serem cumpridas até 2020 e prevê investimento de 7% do PIB no setor. A valorização profissional dos professores foi apontada como prioritária. A erradicação do analfabetismo aparece como um dos desafios a serem superados. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), existem 14 milhões de brasileiros nessas condições.

fonte : http://www.radioagencianp.com.br

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